Por você, Baby Girl.

53 Feridas abertas, feridas fechadas.


Notas iniciais
Penúltimo capitulo.

Derek sempre achou que tudo o que ele e Penelope conquistaram seria levado até o fim da vida de um deles ou de ambos.

As noites de cinema, os flertes no trabalho, as meninas que eram suas filhas, ele sempre achou que algo de bom sairia de seu romance com Penelope. No começo ele achou que seria rápido demais. O jeito como tudo aconteceu num intervalo de tempo pequeno.

Quando Penelope foi levada por Frank e a aparição de Grace, quando as gêmeas nasceram cinco anos depois. E essa nova garotinha.

Ele sonhou em fazer uma viagem com a família, ele sonhou fazer tantas coisas.

E agora ele estava de volta a realidade. A realidade que ele enfrentou durante um ano quando Penelope foi levada por Frank. Na ocasião ele olhava para a porta por pelo menos 20 vezes enquanto ele ficava em casa, no escuro. Ele colocou uma luz automática para se ela voltasse. Ele começou uma reforma que ele não conseguia terminar pelo medo de Penelope voltar para casa e ele não estar lá.

Então Grace apareceu na sua vida, dando o que ele sempre quis: uma razão para viver. Ele cuidou como Penelope gostaria de cuidar, levando Grace para o parque ver o pôr do sol junto de Reid ou Hotch.

Ele comprou roupinhas e sempre que via um ursinho bonito na vitrine ele comprava.

— Derek. — Hotch começou. — Eu preciso que fique calmo. Aconteceu.... Aconteceu uma coisa.

Derek podia ver a tristeza em Hotch.

— Houve um incêndio e Melissa ela... – Hotch parou.

As lagrimas o venceram.

— Melissa morreu. – Hotch falou.

— Penelope. Onde está Penelope? – Derek começou a se desesperar junto ao choro da criança em seus braços.

— Os vizinhos a retiraram das chamas. – Hotch falou. – Ela inalou fumaça e está na UTI por precaução.

Derek se levantou. Hotch o seguiu e JJ e Reid fizeram o mesmo. Sem tempo para leis estupidas de trânsito, sem tempo para perder. Ele precisava chegar a ela. Precisava ver ela.

Ele não sabia quantas leis ele quebrou enquanto corria com o carro. Hotch insistiu em levar a bebê com ele em seu carro, algo que Derek agradeceu.

Ele estacionou no hospital e correu até a UTI, sem formalidade.

— Ela teve muita sorte. – Uma enfermeira falou para Derek parado na janela.

Hotch chegou em seguida junto com JJ e Reid.

Derek percebeu sua força escorrendo dele.

— O que aconteceu? – Foi tudo o que Derek conseguiu falar naquele momento. – Como tudo aconteceu?

— Eu vou te contar. – Hotch se sentou ao lado do agente.

Algumas horas antes...

Melissa acendeu o fogo para fazer a primeira receita. Sua falta de pratica na cozinha poderia ser um problema. E foi. Ela acendeu o fogo com o fosforo e deixou para pegar a panela. A cortina voou até a chama e começou a pegar fogo. Ela voltou quando a cozinha estava sendo consumida pelas chamas. Ela arrastou Penelope para o meio da casa. Ela não morreria antes de ter sua vingança.

— O que está acontecendo ali? – Um dos vizinhos viu as chamas e saiu correndo.

Algumas tábuas caíram e uma caiu em cima de Melissa. O vizinho tinha apenas uma chance de salvar alguém. Ou ele escolhia Melissa ou ele escolhia Penelope.

Melissa parecia mais difícil de salvar. As tábuas impediam que ela saísse dali rápido então ele tomou a decisão de salvar Penelope arrastando através do caminho livre.

Ele tentou voltar para Melissa, mas o fogo tomou conta da casa. Ele fez uma prece para a moça que acabara de morrer, voltando para Penelope.

Ela não parecia realmente bem. Ela tinha machucados pelo rosto todo sem contar que estava pálida.

— Jack. – Ele gritou para a esposa. – Ligue para a ambulância. Agora Jack.

— Eu já liguei. – Ela respondeu se aproximando de Penelope. – Precisamos deixar ela estabilizada.

— A outra moça deve estar morta já. – Ele disse olhando para a casa.

Melissa ainda não estava completamente cercada pelo fogo quando retornou da consciência, mas pouco poderia fazer para sair. Todas as direções da casa estavam em chamas.

Então era isso? Ela iria morrer sem ter tido Derek em seus braços? E Penelope sobreviveria a esse incêndio?

Ela olhou para o quartinho em que havia colocado Penelope e ele estava em chamas. A fumaça afetou ela porque ela sorriu como se pensasse que Penelope havia morrido queimada.

Sua blusa começou a pegar fogo e rapidamente subiu. Ela começou a gritar de dor pelas chamas em seu corpo e amaldiçoou Derek e a equipe antes de morrer.

Melissa abriu os olhos e se viu em um lugar igualmente em chamas. Ela havia ido para o inferno. Ela visualizou cada assassino e reconheceu alguns rostos das notícias. Eram os homens que haviam tentando atingir Derek ou a equipe através de Penelope.

Agora...

— O médico garantiu que ela vai se recuperar completamente. – Hotch tentou acalmar Derek. – Melissa está morta da pior forma.

— Como isso aconteceu Hotch? – Derek continuava a olhar pela janela.

Embora ela estivesse se recuperando, o médico quis garantir um tempo de recuperação a colocando em um leve coma induzido. Ela tinha machucados fortes e significativos pelo corpo todo que a deixariam no hospital por uma semana, na melhor das hipóteses.

Ele não havia permitido ninguém. Ela não precisa de choro ou sofrimento. Ela sabia que eles estariam com ela quando ela acordasse depois de dois dias. Eles garantiriam que ela nunca mais fosse levada para esse hospital.

Quando JJ, Reid, Emily e Rossi se uniram a Derek na janela o médico teve que pedir ordem. Um de cada vez iria entrar, com minutos determinados e então ela ficaria só outra vez.

JJ foi primeiro. Ela só conseguiu olhar para a amiga. Na verdade, elas não precisavam de palavras. Ela sabia que Penelope conseguiria saber que ela estava aqui. Ela tirou um pequeno urso da bolsa e colocou entre o braço e a cama.

Quando ela saiu ela apenas caiu no abraço de Spencer. Ela havia perdido Will um pouco antes de Michel nascer. Ela não conseguiria perder sua melhor amiga também.

Emily foi a segunda a entrar no quarto. Aquela cena foi virando rotina de vítimas durante todo esse tempo. Ela pegou a mão de Penelope e começou a fazer círculos como um carinho.

— Joanne e Abby queriam saber quando você vai levar a neném para elas conhecerem. – Emily sentiu as lágrimas caírem dos olhos. – Eu disse que logo você iria fazer.

Emily sentiu a falta dela durante todo o empo que ela ficou mirada por assassinos e agora eles estavam aqui. De novo.

— Eu apenas quero que você saiba que ela está morta. – Emily sentiu prazer dizendo as palavras para a amiga. – Eu sei que eu deveria sentir raiva, que eu não deveria ficar feliz por isso, mas eu acho que todos que chegaram a você estão mortos e no mesmo lugar. E isso me dá um prazer.

Emily se levantou e se virou.

— Eu espero que você volte para nós. – Emily fez um último círculo na mão de Penelope. – Há muito para viver.

Hotch entrou no quarto sentando bem perto dela. Ela era sua funcionária, mas havia virado uma irmã mais nova. Era uma amiga e excelente pessoa para suas filhas e para Jack.

— Jack mandou lembranças. – Hotch começou. – Ele começou a estudar na CalTech e realmente está amando. Ele disse que quer virar um agente do FBI quando ter idade.

Hotch sorriu. Um dos raros sorrisos.

— Eu quero que você saiba. – Hotch a olhou. – Eu não fazia idéia de que aquele dia que eu te prendi e ofereci emprego em vez da cadeia iria dar nisso.

Um a um foram entrando e a mimando com palavras de carinho. Não. Ela não estava morrendo. Eles tinham que entrar separado porque ela estava frágil depois de tudo.

Derek foi o último a entrar com a bebezinha que não parou de chorar. Ele colocou ao lado de Penelope e ela parou de chorar.

— Baby girl. – Derek uniu sua mão com a dela. – Volte para nós. Por favor.

Ele deixou a pequena ao lado dela e revelou um dos seios quando a menina quis mamar. A única coisa que ele havia deixado fazer. Era seguro dado a falta de medicamentos que pudessem impedir ela de alimentar sua bebê. Derek decidiu pegar algo para drenar o leite dela. Seria menos incomodo.

Era o final do segundo dia e Derek ainda estava ao lado dela.

Ele pegou a mão dela outra vez em cinco minuto e sentiu que ela apertava de volta.

— Baby Girl. – Derek sorriu para ela quando seus olhos começaram a abrir. – Abra seus olhos.

Ela abriu os olhos escaneando o lugar e virando para Derek.

— Quer falar algo, Baby Girl? – Derek alcançou um bloco de notas e uma caneta.

Ela escreveu e Derek tirou dela.

— Nunca mais me deixe voltar para esse hospital. – Derek leu e deu uma risada. – Eu prometo Baby Girl. Eu prometo.