Por uma nova chance
1 Prólogo
Notas iniciais
Primeiro quero esclarecer que esta era uma oneshot e resolvi dar continuidade à ela. Então se você já a leu em outra oportunidade peço paciência pois logo tratarei de postar os novos capítulos. Se ainda não leu, só digo bom proveito.
Por Uma Nova Chance
Prólogo
“Seria mais fácil se a vida viesse com um manual de instruções, cada passo a ser seguido discriminadamente e talvez assim conseguíssemos ser felizes, ou pelo menos eu. Será? Realmente duvido. Tudo se tornaria mais monótono e apático, como este hospital, onde boa parte das vidas se desvanece em busca de socorro. Depois de tudo que passei, acredito que a chave de tudo é não se perder. Por isso não canso de me perguntar: Onde foi que eu me perdi?”
— Secretária eletrônica On –
— Ei Sakura, por favor, me atenda, não suporto mais isso. Para de se lamentar, a vida continua. Eu sei que o Lee é um safado, ele não devia ter feito isso com você. Passou quatro anos dizendo que te amava e vai lá e engravida a Tenten. Cretino, depois dizia que era amigo do Neji, não deu tempo nem pro corpo esfriar, coitado que Deus o tenha. – Suspiro. – Sakura chega! Me ligue. Te adoro e se cuida.
— Secretária eletrônica Off –
Ai Ino sempre superando tudo com uma força incrível e um sorriso lindo. Mas eu ainda não aprendi. Não sei, é como se o tempo tivesse me tornado frágil. Eu só sei que gostaria de ficar sozinha.
A chuva caía forte e constante lá fora, o hospital estava mais silencioso que o normal, talvez minhas preces fossem ouvidas hoje. Chegar hoje para trabalhar tinha sido a parte fácil do dia, foi tudo tão automático. Quando realmente percebi já eram 10 horas da manhã, e eu conseguira passar 3 horas sentada atrás da minha mesa olhando pela janela, que situação hein Sakura.
Eu sei que não deveria ser assim, mas estou acabada. Não me apaixonei pelo Lee a primeira vista, mas aprendi a amá-lo durante o nosso relacionamento e passei a depender dele tanto quanto podia. Ino sempre me alertara, mas eu confiei. “É tão ruim assim confiar em quem amo?”. Sempre lhe respondia. E infelizmente desta vez ela estava certa. Ah Sakura, sua burra, ela sempre ta certa.
— Doutora Haruno, por favor, comparecer a sala de cirurgia. — E finalmente o mundo me chamava. – Doutora Haruno, por favor, comparecer a sala de cirurgia. – A esta altura já me encontrava no corredor principal, meus devaneios poderiam esperar. Salvar alguém sem duvida melhoraria meu humor.
— Doutora Haruno, aqui está os dados do paciente. – Peguei a pasta da mão de Shizune, ela havia me alcançado e até mesmo me surpreendido, seguíamos para a ala de emergência. Não daria tempo de ler, precisava dela.
— Relatório. – Pude ver espanto e até mesmo felicidade em seus olhos, raramente pedia sua ajuda e ela adorava ser útil. Sorri, era inevitável.
— Policial, 26 anos. Estava tentado evitar um assalto ao banco. Levou um tiro e a bala ficou alojada próximo ao coração.
— Estava com documentos? Já avisou a família?
— Sim e sim. Seu nome é Uchiha Sasuke. – Não, não podia ser ele, ao som de seu nome minhas pernas fraquejaram e parei abruptamente. Só havia um único Uchiha Sasuke em todo o Japão. Senti meus olhos se encherem d’água instantaneamente. Agora via desentendimento nos olhos de Shizune. Reaja Sakura.
— Doutora Har... – Não dei tempo para que terminasse, passei por ela correndo, finalmente a sala estava a nossa frente. Entrei na sala com tamanha falta de delicadeza que todos me encararam, mas não podia me importar, tinha algo a ser feito.
A cirurgia seguia-se constante, cada batimento seu era um alivio para mim. Entretanto, tudo aconteceu em menos de meio segundo. Maldita máquina, o som mais infernal de todos os tempos inundava a sala, não consegui me segurar, minhas lágrimas caíam sem permissão, lembranças enchiam minha mente, minhas mão tremiam. Não, por favor, de novo não.
“Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.”
— Flashback On—
— Sakura você precisa contar pra ele. Agora. – A Ino se fosse tão fácil, metade do que ela me dizia eu não estava escutando, só sabia me acabar em lágrimas. – Sakura! Você está me ouvindo. – E pela primeira vez naquela conversa fitei seus olhos, ela também chorava ao me sacudir.
— Por favor, Ino. – Minhas palavras morriam antes mesmo de surgir, só conseguia encarar aquele exame em minhas mãos. – Ele não vai acreditar em mim, ele acha que eu dormi com o Sasori.
— Eu te avisei para você não ir naquela festa Sakura, a Temari é gente boa, mas você sabia que ele ia estar lá. E você só fez isso para desafiar o Uchiha. Onde você estava com a cabeça, você sabe que os dois são inimigos declarados. Como você pode cair nessa armadilha?
— Eu não sei. – Mais lágrimas, droga Sakura.
— Eu não sei como ele conseguia armar aquelas fotos tão rápido. Mas agora ta feito e ele mandou pro Uchiha e ...
— Pra toda a nossa turma, desgraçado.
— É eu sei, mas pensa podia ser pior. Ele podia ter editado as fotos com vocês transando, mas não, foi só de vocês dando uns pega na pista de dança. – Ela tentou sorrir, mas eu sei que era forçado. – Agora você vai lavar esse rosto e sair desse banheiro, procurar ele e dizer que você esta grávida. Vocês dois se amam desde sempre, isso do Sasori vai passar.
Ah Ino se fosse tão fácil assim, eu preferiria encarar um exercito, a encarar a ira do Sasuke-Kun. Mas ela era implacável e mais cabeça dura que o próprio Sasuke, e o máximo que fiz foi retribuir seu belo sorriso pelo espelho.
A música estava a toda potência, olhei para todos os lados. Droga Naruto, por que tinha que convidar tanta gente assim. Já pensava em desistir e voltar ao banheiro quando uma nova música começou e todos se voltaram para o palco. Merda. Finalmente o encontrei, junto com Naruto, Neji, Shikamaru, Chouji, Kiba e Gaara.
Foi inevitável, seus olhos encontraram os meus, e então começaram suas performances. Lembro-me de ter ouvido algo a respeito, mas de uma coisa tinha certeza eles trocaram a música. Maldita música. Só faltava o microfone para o Sasuke terminar de encarnar o Justin Timberlake.
“Hey, girl
Is he everything you wanted in a man?
You know I gave you the world
You had me in the palm of your hand”
Ele cantava cada verso sem tirar os olhos de mim. Senti-me nua por um instante, era como se todos me encarassem, se não, sem duvidas ao mínimo sabiam de nós e o que tinha acontecido. Maldita hora que eu fui inventar para aprender a beber tequila. Todos agora acreditavam naquelas fotos, é como dizem uma imagem valem mais que mil palavras.
“(...) Don't wanna think about it (uh)
Don't wanna talk about it (uh)
I'm just so sick about it
I can't believe it's ending this way
Just so confused about it (uh)
Feeling the blues about it (yeah)
I just can't do without ya
Tell me is this fair.”
E pela primeira vez no meio de toda essa confusão pensei em como ele estava se sentindo. Com certeza ele estava pior do que eu, no final das contas foi uma escolha minha ir aquela festa, eu o trai antes mesmo de chegar a encontrar com o Sasori. Traí sua confiança e agora o que poderia fazer. Realmente amor, “Tell me is this fair.” (Diga-me, isto é justo).
“(…) What goes around, goes around, goes around
Comes all the way back around
Yeah (…)”
A cada verso, a cada batida seus olhos me acusavam. Sua dor era palpável. Droga Sasori por que você fez isso conosco. Seus olhos não me deixaram em nenhum instante, só quando a música acabou, o vi me esquecendo em meio à multidão. E então percebi, à hora era agora.
O choque térmico foi bem recebido, era como uma purificação de espírito. A noite estava particularmente fria e bem estrelada para abril. A cada passo que ele dava meu coração se acelerava, precisava alcançá-lo. Já conseguia ver seu carro na principal, faltavam alguns metros.
— Sasuke. – Gritei droga eu odeio gritar, mas ele ainda andava. – Sasuke, por favor, pare. – Um pouco mais forte e com o efeito desejado. Seus passos cessaram imediatamente, mas ele não se virou mais alguns passos, e finalmente o alcancei.
Estávamos a um metro e meio um do outro. A brisa fria daquela noite nos alcançou mais uma vez. Minha garganta secara, mas ele esperava eu falar, ele partiria a qualquer instante se eu não reagisse.
— Por favor, acredite em mim, eu não dormi com o Sasori, nem mesmo o beijei. – Nenhum músculo sequer ele moveu. – Por favor Sasuke, eu te amo. Eu juro, eu fui na festa, dancei e tentei aprender beber tequila com a Temari, depois disso eu tive um mal estar, então eu me sentei no sofá, adormeci e quando acordei estava na sala ainda, mas com ele ao meu lado no colchão. Eu não sei como. – Lágrimas se apresentaram a situação, eu estava o perdendo. – Droga Sasuke, me diga alguma coisa, eu odeio quando você faz isso.
— Eu não quero saber o que você fez semana passada, eu não te perguntei nada. Você quando quer sabe atingir índices de chatice incríveis. Você é irritante Sakura. – Suas palavras foram como um tapa em minha face. Doíam, magoaram. Não era possível que ele tivesse reconstruído aquela muralha de novo entre nós. A única vez foi quando seus pais morreram, e agora eu o tinha conseguido magoar tanto, que ela se fez presente mais uma vez. É Sakura, você merece o prêmio de imbecil do ano.
— Eu ...
— Por que Sakura? Heim me responda, por quê? Eu te avisei que ele tava armando pra cima de mim. E o que você faz, vai lá e torna tudo mais fácil pra ele. – Seus olhos transmitiam a raiva que ele guardou durante toda a semana, sua voz já vira alterada desde o primeiro vestígio de sua fala. Estou ferrada.
Nossas respirações estavam alteradas e o silencio daquele momento só piorava as coisas. Olhávamos-nos e não sabíamos como reagir, o que dizer a ele, eu já tinha dito o que tinha ensaiado durante esses dias. Minha coragem a cada segundo morria. E por incrível que pareça foi ele o primeiro a quebrar nosso contato visual. E o vento uivou mais uma vez entre nós.
— Sakura... – Meu nome soou como um suspiro em sua voz. Por fim entendi, ele estava cansado. – Por você se faz de tão inocente, você sabia o que ia rolar lá. Droga Sakura. – Suas palavras saíram mais suaves, ele estava se acalmando. – Era por isso que eu não queria que você tivesse ido ao aniversario da sua amiga. – Finalmente ele reabria os olhos, eles buscavam alguma palavra, algum consolo, explosão, qualquer coisa, mas eu não conseguia exprimir nada, só me limitei a olhá-lo. Percebendo que eu não me faria ouvir, continuou.
— Eu ainda te amo mais do que tudo. – Suspiro. – Aquele programa de Boston, eu fui aprovado... – E o silêncio nos dominou mais uma vez, essa era nova pra mim, se já não tinha reação, agora sim eu parecia uma morta-viva. – E você também. – “Slap”, outro tapa, como assim. E como se tivesse lido meus pensamentos, explicou.
— Recebi as respostas hoje. Eu mandei sua ficha em segredo, queria fazer uma surpresa. Você não se decidia e então achei que um empurrãozinho ajudaria na sua decisão. Você sempre foi à melhor da galera, eu sabia que você iria conseguir. – E então ele sorriu, nem acreditei, era lindo e sincero e tão meigo. Ah Sasuke você é o amor da minha vida.
— Eu pensei muito sobre isso e quero que você venha comigo. Vamos esquecer essa palhaçada e continuar a nossa vida. – Seus olhos me transmitiam a esperança de que eu precisava. Ino tinha razão, ele acreditava em mim. Sorri internamente.
Mas onde estavam as palavras, eu precisava dizer que sim. Enfim, inconscientemente, levei as mãos ao ventre. Droga não, agora não. Lágrimas de novo. Como criaríamos uma criança sendo estagiários em outro país? Como contaria para ele. Bom eu não contaria, não podia, era o sonho dele, ir para os Estados Unidos terminar a faculdade. Mas o meu sonho era ele, e bem agora tinha o pequeno dentro de mim. E mais uma vez a escolha era minha.
— Eu não posso. – Foi à única coisa que consegui dizer. Seu olhar perdeu o brilho e com certeza o meu também. Suas feições enrijeceram e por um segundo tive medo. O mundo realmente estava desmoronando, nunca imaginei sentir medo da pessoa que mais amo e aqui estávamos nós, um passo em falso e tudo terminaria de ir pelos ares.
— Entendi. – E então se virou em direção ao seu carro. – Só não vire uma vadia como a Tenten. E vocês se merecem. – Enfim o meu nocaute aconteceu. E ele começou a seguir seu caminho. Meus nervos foram pelos ares, tentei segurar seu braço mais não alcancei só me restou tempo para gritar com ele mais uma vez.
— Não, você não entendeu nada. Na verdade você nunca entende nada. – Ele já se encontrava na porta do seu carro, me lançou um último olhar e por fim respondeu-me.
— Obrigado Sakura. – E finalmente entrou em seu carro e se foi. Eu o vi chorar, e mais uma vez a mais imbecil do ano: Haruno Sakura. Parabéns garota.
E meu coração se dilacerou, eu precisava dizer, mas ele não meu deu tempo. Mas dizer mais o que? Eu não podia contar, eu não queria. E então eu senti o vazio mais intenso que eu pudesse imaginar, porque no fundo eu já soubesse que aquilo era um adeus. Não podia ser. Tentei gritar e correr até ele, mas só consegui chorar mais uma vez naquela noite.
— Flashback Off –
“É tão difícil perder aquilo que sempre procuramos. Mas difícil ainda quando temos que partir imediatamente após a perda para uma nova jornada. Mas esta é a vida. Só precisamos de espaço para aproveitar os momentos, e deles tirar nossa felicidade.”
— Hã, me desculpe achei que estivesse dormindo. Vim ver como estava e aplicar a medicação. – Entrei no quarto, o sol rompia no horizonte. – Não devia fazer esforço, sua cirurgia foi a menos de 24 horas. – Ele estava sentado na cama, tentava apoiar os pés no chão. Dirigi-me a janela para abri-la, uma brisa fresca e agradável inundou o ambiente. Não vislumbrei seu rosto. Concentrava-me na manhã que se seguia. Desta vez eu dava as costas.
— Sete anos é um longo tempo não acha? – Sua voz. Lembro-me de sonhar com ela por muito tempo, esperando ouvi-la novamente.
— Eu sei. – Foi o que conseguir responder. Não me atrevia a encará-lo. Bem, não sabia muito bem os motivos, mas o evitava. Na verdade já não tenho mais certezas em minha vida há muito tempo. Só a medicina era algo concreto para mim agora.
O silêncio nos adorava, ele sempre se fazia presente em nossas reuniões. Acredite, já estava alcançando um nível constrangedor.
— Devia ter me contado.
— Do que você está falando? – O desentendimento era nítido em minha voz.
— Se me tivesse contado eu teria ficado e talvez... – Sua voz vinha carregada de culpa, então era sobre aquilo. — ... As coisas pudessem ter sido diferentes.
— Como soube? – Esta era fácil, mas precisava dizer algo.
— Itachi. Eu ... bem me desculpe por tudo. Eu sinto tanto.
É Sasuke eu também. Lembro-me como se fosse hoje. Duas semanas depois da nossa discussão eu tinha decidido te contar tudo, não agüentava mais. Foi te procurar em casa já que você não aparecia a quatro dias na faculdade. Foi quando Itachi me atendeu e me contou que você havia antecipado a viagem. Foi um choque. Levantei-me de imediato e sai correndo da sua casa, por sorte Itachi me seguiu e estava perto de mim bem a tempo antes de eu desmaiar. Acordei horas depois. Eu havia abortado.
— Quando?
— Há três anos quando eu voltei de Boston. Eu sei que ele jurou não me contar, mas um dia ele estava tão bêbedo e nos discutimos e ele jogou muitas coisas na minha cara. No dia seguinte foi inevitável, ele me contou como tudo aconteceu. – Ele se culpava, como podia, se nem mesmo eu o fazia.
— Mas isso não importa agora, já passou há muito tempo. – Tentei sorrir, mas foi um fracasso. E então meu desconforto se tornou palpável por este assunto, e o silencio prevaleceu por um longo tempo.
— Obrigado por tudo Sakura. – Droga, de novo essa palavra, “obrigada.”
— “Por Tudo” não seria a expressão mais correta, acredito. – Tomei a coragem que não tinha e virei-me. Encarei-o e analisei. Estava mais lindo do que me lembrava. Ah Uchiha, nossos olhos se encontraram e foi como se o meu mundo finalmente entrasse em sintonia depois de tanto tempo. Eu o agradeci internamente por isso.
— Talvez, “por uma nova chance”. Esta seria melhor Doutora? – E ai estava o meu Sasuke. O sorriso de canto zombeteiro, olhos cheios de malícia, e cabelos negros que delineavam seu rosto mais que perfeitamente. Sexy era a sua palavra.
Bem, só consegui sorrir largamente em resposta.
— Me responda Doutora, “Tell Me What We're Gonna do Now”.— Cantarolou meu rouxinol. Droga Sasuke, a nossa música. Não impedi e uma lágrima solitária escorreu. Segurei sua mão que estava estendida em minha direção. Sorri largamente, estava em paz, finalmente. Eu podia ouvir nossa música em meus pensamentos. Estávamos lá, 10 anos atrás, dois adolescentes descobrindo a vida, experimentando novas sensações. O nosso primeiro beijo. Foi ao som de Joss Stone, inesquecível.
“ (...) Funny how my world keeps spinning
Sometimes you can be so silly
Know just how to make me laugh, ooh, ooh
Your skin is so lovely
Moves me when you touch me
I know that you've got my back
Feel so safe when you hold me
It's already like you know me (…)”
— Um café talvez. – Sorria como uma garotinha. Por uma nova chance, sem duvida valeria a pena.
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