Notas iniciais
Hi!! Espero que gostem :)

Acordei antes do celular tocar, talvez ainda seja a adrenalina da noite passada que não me deixou dormir até mais tarde ou o simples de fato de eu não querer que o Uchiha se atrase. Ainda não sei qual o teor do seu compromisso, mas parecia importante.

Hoje o dia amanheceu, deliciosamente gélido. Uma manhã típica de meia estação, saímos agasalhados nas primeiras horas do dia para depois tirarmos toda a roupa pois na hora do almoço já está quente de novo.

Faltava quinze para as 07h da manhã. Me levanto da cadeira da cozinha e caminho em direção ao quarto. Sasuke não me disse exatamente qual horário seria considerado atraso, mas por via das dúvidas.

Me encosto ao batente da porta, posso vê-lo a trocar de roupa. Pelo visto já tomou um banho e agora faz suas observações desta manhã ao olhar pela janela.

— Bom dia Haruno! – Sua voz é sugestiva, me permito admirá-lo por mais alguns segundos.

— Bom dia Uchiha! – Sorrio e caminho para os seus braços que agora estão estendidos em minha direção. – Dormiu bem?

— Sim e você?

— Sim. Preparei um café. Vem.

Saímos do quarto em direção a cozinha, sinto que já estou desacompanhada, me viro para procurar Sasuke e ele estava parado na sala mexendo em seu celular. E antes que eu possa me pronunciar ele me olha e suspira.

— O café vai ter de ficar para outro dia. Realmente preciso ir. – Diz já terminando de pegar a sua carteira e as chaves do carro. – Prometo que te compenso por isso. – Beija minha testa e vai em direção a porta.

— Tchau então. – É o que consigo dizer antes dele fechar a porta atrás de si.

É bom desmarcar qualquer compromisso que possa ter para a hora do almoço testa de marquise.”

Como se precisasse de assinatura para que eu soubesse de quem é. Ino, que saudades.

Desde quando voltou das arábias Porca-chan?”

Realmente já havia um tempo que Ino e Gaara haviam viajado. Até cheguei a cogitar que talvez não voltassem mais. Ia ser ótimos vê-los novamente.

Chegamos ontem! Pode ser no Ichiraku?”

“Só se em vez de um almoço fomos para um happy hour. Vou chamar a Hinata.”

“Marcado! As 18h!”

Já era sexta e desde quarta não havia tido notícias de Sasuke. Me sinto deslocada. Suspiro com o pensamento. Nem sequer uma mensagem dele. Eu ainda tinha meu orgulho e não cederia a mandar mensagem primeiro. Foi ele que saiu e sumiu, estou triste com isso, admito, mas não vou me abalar.

— Sakura! – Shizune me chama já adentrando a minha sala. – A Tsunade está lhe chamando na sala dela.

— Agora? – Não disfarço minha surpresa. Shizune assente.

Ainda eram 9 horas da manhã e já fazia alguns anos que minha Madrinha só comparecia após as 13h. Sinto uma leve preocupação, mas cá estou eu acompanhando Shizune pelo corredor até a Diretoria do Hospital.

Ao adentramos a sala não consigo disfarçar a minha surpresa ao ver tantas caixas espalhadas e alguns dos móveis sendo embalados. Minha Madrinha estava sentada em sua mesa, que ficava ao centro da sala, estava concentrada lendo alguma coisa em seu notebook.

— Tsunade-Sama! – Shizune é a primeira a quebrar o silêncio e faz com que Tsunade note nossa presença.

— Sakura, Shizune! Entrem por favor. Sentem-se.

Vou em direção a minha madrinha e a cumprimento com um caloroso abraço. Já fazia alguns dias que não nos víamos. Seu sorriso é caloroso e seu abraço mais que acolhedor. Senti falta disso.

— De verdade o que está acontecendo aqui? – pergunto me separando de nosso abraço e gesticulando em todas as direções da sua sala.

— Poxa não é óbvio querida? – Seu sorriso para mim é sugestivo e perspicaz e percebo o tamanho do esforço que está fazendo para não gargalhar.

— Na verdade não! – Arqueo uma sobrancelha em resposta. Sorrio. – Já percebi que está de mudança, mas qual o intuito?

— Na verdade é bem simples meu bem. Eu estou me aposentando. – Sorri abertamente agora. E ao perceber minha cara de desespero começa a gargalhar. – Não faça essa cara para mim querida. Já vínhamos conversando sobre isso.

— Eu sei. – Minha voz saí num fiapo. – Mas achei que fosse demorar mais alguns anos. Eu não estou pronta! – Respondo mais convicta.

— Nunca estamos e ninguém nasce sabendo. Você vai tirar de letra! – Agora volta sua atenção a sala em si, mas nada em específico. – A transição será tranquila, a Shizune e os Hyugas estão cuidando de todos os detalhes. Promovi a Shizune a sua assistente pessoal. Você pode se mudar na segunda!

— Mas madrinha.....

— Sakura-san fique tranquila! – Shizune toca minha mão na tentativa de me passar confiança. Sorrio para ela com este ato.

— Bem fique tranquila querida e se precisar de mim estarei nas Bahamas. – Não posso evitar de gargalhar com essa revelação. Minha madrinha não perde tempo.

Ela estica sua mão para mim e eu a pego. Nos levantamos e vamos em direção a janela atrás de sua mesa. Ficamos ali em silêncio observando. Foi nesse momento que senti todos os sentimentos dela vindo para mim. Não foram necessárias palavras, erámos eu e ela. Minha tutora, madrinha, mãe.

A Ino voltou! Happy hour no Ichiraku?”

Já fazia uns quinze minutos que eu havia mandado a mensagem para a Hinata, mas sua última visualização tinha sido as 09:30h.

Depois de minha conversa com a madrinha não consegui me concentrar em praticamente nada. Minha mente só estava girando em como seria a partir de segunda-feira. Promovida a presidente do Hospital Senju. Um sonho. Mas eu estava com medo.

Tsunade sempre deixou claro que um dia eu assumiria seu lugar. Mas eu realmente achei que isso ainda levaria uns quinze anos para acontecer kkk.

As coisas agora seriam diferentes.

Sou removida de meus temores quando ouço leve batidas na porta. Era Hinata.

— Oi Saky! Desculpe não te responder, eu estava atendendo uma emergência. – Hinata estava ofegante, parecia que tinha corrido uma maratona.

— Entra Hinata, senta! Aceita um copo de água? – Ela anui com a cabeça já indo em direção a cadeira que está em frente à minha mesa. Espero que fique mais tranquila. – E aí vamos?

— Claro! – Ela abre um sorriso enorme. – Vai ser bom uma noite só das meninas, relembrar os velhos tempos.

— Sim. – Me sinto contagiada pela nostalgia de dias menos complicados, hahahahah.

Quando volto de minhas lembranças percebo que Hinata está imersa nas dela. Mas diferente do meu, seu semblante é de preocupação e canseira. Pego sua mão trazendo sua atenção para mim.

— Tudo bem Hinata? Quer conversar? – Tento passar confiança, talvez ela só precisasse desabafar. – Como você mesma diz é bom partilhar, alivia! – Sorrio.

Sinto seu aperto em minha mão. Acho que consegui.

— Sabe Sakura, eu tenho tido alguns problemas na minha família. – Ela desvia sua atenção para minha suculenta em cima da minha mesa. Desde que Neji morreu, meu pai tem insistido para que eu participe mais dos negócios da família, ele não confia na Hanabi. – Suspira e volta a olhar para mim. – Na verdade ele não quer confiar.

Na verdade, não sei o que dizer, sempre soube que o pai da Hinata era um patriarca difícil, mas Neji sempre lidou com tudo de forma tão bem que Hinata pode viver sua vida sem preocupações.

— Ele quer que Naruto assuma os negócios do clã Hyuga. – Essa sim é uma surpresa e não disfarço.

— Não acredito Hinata! — Levo minhas mãos a minha boca e ela emaranha suas mãos ao redor de sua cabeça, em seus cabelos. Olhando fixamente para seus pés, continua.

— Sim. Naruto é formado em Direto, e agora está terminando seu doutorado em Criminal, além de trabalhar já a alguns anos como investigador. – Suspira. – Meu pai é machista e quer um homem a frente dos negócios e Naruto é perfeito para ele. Isso está magoando Hanabi e a mim.

Hanabi era a irmã mais nova de Hinata, uma professora de Direto Criminal na Universidade de Tóquio. Muito renomada e respeitada no meio. Pelo que sei ela sempre sonhou em assumir a direção dos negócios da família. Mas outra coisa me chamou mais atenção.

— Como assim você Hinata?

Ao levantar sua cabeça percebo que lágrimas escorrem por sua face. Isso acabou comigo.

— Meu casamento está indo de mau a pior por causa disso. – Agora as lágrimas se tornam mais intensas. – Naruto é completamente contra essa ideia, eu o entendo e entendo os seus motivos. Mas ele está me acusando de ficar ao lado do meu pai e trair a minha irmã.

— Como assim Hinata?

— Sabe Sakura, eu entendo o meu pai e seus motivos da mesma forma que eu entendo os motivos do Naruto. – A esta altura Hinata já se recompunha e pude vislumbrar raiva em seu olhar. – Ele me acusa porque eu cogitei a ideia de ele assumir sim a liderança da empresa, o que ele não entende é que eu e Hanabi conversamos sobre e que ela prefere ver ele na presidência a um estranho. Mas para ele eu estou mancomunada com meu pai para trair Hanabi e forçá-lo a uma situação que ele detesta na vida, ficar atrás de uma pilha de papéis e vestindo um terno.

Ela cuspiu as últimas palavras como se estivesse imitando Naruto ao proferi-las.

— Vocês vão se acertar. Eu sei disso! – Ela olha para mim com ternura, mas é nítido que minha esperança não a contagia. Ela segura em minhas mãos e as aperta em sinal de agradecimento. Assim que as solta já se levanta e caminha em direção a porta.

— Eu preciso ir. Obrigada por me ouvir! E que horas vai ser mesmo lá no Ichiraku?

— Hinata não fica assim! – Me levanto e vou em sua direção. A abraço o mais forte que posso. – As coisas vão se acertar. Só dá um tempo, o Naruto é cabeça dura. – A solto o suficiente para olhar em seus olhos. – E vai ser as 18h. – Sorrio e ela retribui mais sinceramente agora.

— Obrigada Sakura!

Duas da tarde, as horas pareciam se arrastar nesta sexta. Tantas coisas já tinham acontecido e ainda íamos encontrar Ino. Estava ansiosa, qualquer um que me visse poderia confirmar.

Mas como Shizune já havia transferido meus pacientes para outro médico, eu estava com a tarde livre para poder desocupar a minha sala e organizar alguns outros detalhes remanescentes que surgisse.

Mas minha mente não estava tão concentrada nas minhas atuais tarefas.

Sempre que meu consciente dava brecha se nome recorria a mim. Sasuke. O que você estará fazendo? Estou frustrada e com raiva de mim mesma. Eu sei que eu poderia mandar mensagem e perguntar se está tudo bem, porque você sumiu seu cretino kkkk mas meu orgulho não deixa. E ao mesmo tempo isso me corrói.

Poxa nos reencontramos, estávamos tendo encontro casuais, e enfim transamos e ele sumiu kkkkk se fosse outro eu até riria da minha inocência, mas custo acreditar que o Sasuke faria isso comigo! E talvez seja meu erro, estou creditando confiança a um Sasuke de sete anos atrás. Talvez eu não conheça esse Sasuke, na verdade a quem eu quero enganar, eu de fato não o conheço mais.

Queria encarar isso mais tranquilamente, de forma mais madura. Mas revê-lo, operá-lo e salvá-lo de uma eminente morte trouxe uma avalanche de sentimentos. E isso se tornou a boia que eu flutuava nesses últimos dias e aceitar que eu fui precipitada e tola machuca meu ego.

Deveria ter encarado isso como sempre foi desde o começo, um caso casual, sexo casual.

Tivemos uma história que acabou e ficou no passado. Não posso querer trazer fragmentos disso para o nosso presente, é errado. Suspiro de tristeza, mas a Hinatinha estaria orgulhosa se soubesse das minhas constatações.

Decido não me abalar com isso. Era sexta e poxa eu estava solteira, graças ao Sasuke minha fossa chamada Lee já tinha acabado e eu estava bem satisfeita com isso.

Olho para mim mesma e percebo que talvez eu deva ir embora mais cedo e trocar de roupa.

Com muito custo termino de empacotar minhas coisas. Olho ao redor e não posso evitar me sentir nostálgica. Estou neste hospital desde meus 22 anos, já faz 4 anos. Assumi esta sala no início do ano passado. Quantas coisas já aconteceram. É triste encerrar um ciclo, mas isso traz renovação. Faz bem para alma, temos a oportunidade de amadurecer e nos tornamos melhores. Sinto que dei o meu melhor e que posso muito mais. E a hora chegou.

— Shizune vou sair mais cedo! Pode pedir para buscarem minhas coisas e levarem para a diretoria. Segunda eu as organizo. – Interfono para Shizune, e com orgulho e satisfação dou mais uma olhada pela sala que por um bom tempo chamei de minha. Caminho em direção a porta e antes que eu possa sair uma lágrima escorre silenciosa por meu rosto. A limpo e finalmente dou por encerrado este ciclo.

Notas finais
See you...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.