Notas iniciais
Peço mil perdões pela demora, mas minha vida está uma correria ultimamente. Enfim, este capítulo está bem tenso e sofrido, e a história está em sua reta final. Obrigada pelos comentários e acompanhamentos.

Grillows – Por um recomeço

Um arrepio percorreu o meu corpo antes mesmo dos meus olhos se abrirem. Minha cabeça estava pesada e meu corpo dolorido. O cheiro era muito ruim e isso estava embrulhando meu estômago. Respirei fundo e sem prever recebi uma quantidade considerável de água fria em meu rosto. Abri os olhos rapidamente e assustadoramente. Tentei levantar e percebi que minhas mãos e pés estavam amarrados. Pela primeira vez, senti realmente um medo absurdo de morrer ao observar o brilho assassino no seu olhar. Sou uma CSI e com o decorrer dos anos aprendemos como lidar com diversas situações complicadas e perigosas, e sei perfeitamente que agir com cautela é a melhor opção, mas agora, as técnicas e a calma se esvaíram do meu corpo e por instinto, gritei.

MO: Calma querida. Vai ficar tudo bem. – Disse se aproximando.

Abaixei minha cabeça e minhas lágrimas começaram a cair.

MO: Só vamos conversar. Primeiro, parabéns pela coragem de assumir seu relacionamento com o Grissom.

CW: Como ficou sabendo disto? – Perguntei antes mesmo de pensar ou formular a frase.

MO: Eu sou esperta, mas a questão central aqui é o Grissom. Ele deveria e seria meu se você não ficasse no caminho.

CW: Do que você está falando? – Falei levantando minha cabeça.

MO: Ele é um homem atraente, inteligente e o mais importante: rico. Seria meu parceiro ideal, mas soube do casinho de vocês e achei repugnante. Tentei dar tempo ao tempo e você me surpreendeu quando terminou com ele. Sabe Catherine, ele sofreu pra caramba e por um momento achei que finalmente ele seria meu. Fez todo um jogo de coitada e conseguiu ele de volta, tentei reverter a situação e o que levei em troco? Uma demissão e muito ódio. Planejei te matar, mas não vou fazer isso. Vou apenas apimentar um pouquinho sua relação com o Grissom.

CW: O que você vai fazer Melissa? – Perguntei tentando me soltar.

MO: Vou mostrar que é a mim que ele ama verdadeiramente.

CW: Você só pode estar de brincadeira.

MO: Quando eu acabar vamos ver quem está brincando. – Disse pegando uma tesoura.

CW: Não! Não! Não! Por favor, não! – Clamei temendo pela minha vida.

Mais lágrimas caiam sem qualquer empecilho dos meus olhos. Ela se aproximou devagar e passou a tesoura pelo meu pescoço devagar, não fez pressão, mas senti meu coração saindo pela boca e um nó se formando em minha garganta. Chorei com mais intensidade.

MO: Relaxa Willows. Estou te sentindo um pouco tensa. – Disse rindo alto.

CW: Você vai se arrepender. – Falei entre soluços.

Ela agarrou meus cabelos fortemente e fechei meus olhos por instinto. No começo não entendi muito bem o que ela estava fazendo, pensei que era minha mente me pregando uma peça e consequentemente estava um silêncio perturbador, mas senti alguns fios loiros caírem aos meus pés e arregalei os olhos ao perceber que eram os meus.

CW: Pare Melissa! Você ficou maluca? – Berrei na tentativa de fazer ela parar.

MO: Só estou te ajudando a mudar o visual. O Grissom sempre teve fascinação pelo seu cabelo, agora vamos ver o que ele vai achar dele assim. – Disse parando na minha frente.

CW: Você é uma doente. – Falei entre soluços por conta do choro.

MO: Não seja tola Willows. Se ele te ama como você enche a boca para falar, vai te aceitar assim ou talvez assim. – Disse e logo em seguida estapeou meu rosto fortemente.

Minha cabeça foi jogada para o lado com o forte impacto das suas mãos. A ardência se fez presente rapidamente no local e mais lágrimas desceram feito cachoeira. E mais um tapa foi dado contra o meu rosto, só que dessa vez um pouco mais forte. Um gosto metálico se fez presente em minha boca e soube naquele momento que era meu próprio sangue. Tentei tirar aquelas amarras dos meus pulsos, mas o que consegui foi machucar-me mais um pouco. Gemi com a dor sentida.

MO: Acho que preciso de um descanso. Mais tarde venho te fazer outra visita. – Disse saindo pela porta e ouvi ela trancá-la.

Estava sozinha e pela primeira vez levantei minha cabeça para olhar ao redor e foi uma péssima ideia. O local era um pouco assustador, sem qualquer tipo de toque humano, parecia mais um abatedouro porque cheirava a estrume ou algo parecido. Avistei uma arma sob uma pequena mesa metálica e velha, provavelmente esquecida pela Melissa. Tentei me soltar novamente e foi inútil. Precisava lutar e fugir. Arquitetei em minha mente uma maneira de chegar a minha única tentativa de sair dessa prisão e dando pequenos pulos com a cadeira fui chegando mais perto. Assim que a cadeira encostou na mesa, percebi que minhas mãos e pés amarrados dificultariam pegar a arma. Comecei a passar fortemente as cordas na ponta da mesa, que era um metal mais afiado. Minutos passaram e não aconteceu muita coisa. Ouvi barulhos vindo do lado de fora e só fiquei mais apreensiva em sair dali rapidamente antes da sua volta. Precisava de algo mais cortante. Vasculhei o cômodo com os olhos novamente e vi um abajur, que no fim era a única fonte de luz do ambiente. Como não pensei nisso antes? Cheguei até o abajur e o derrubei. A escuridão tomou conta do quarto, me joguei no chão e com os cacos de vidro comecei a esfregá-lo contra as cordas. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Lembrei desta famosa frase quando consegui me soltar. Fiz o mesmo com os pés e alcancei a arma. Tentei abrir a porta, mas estava trancada. Se arrombasse ela provavelmente ouviria. Não sei se havia uma força superior me ajudando ou a Melissa era mesmo muito burra, porque avistei uma chave extra pendurada em um prego perto da porta, a destravei e girei a maçaneta. Nem fiz movimentos bruscos e uma enorme explosão aconteceu. Fui atingida pela porta e consequentemente arremessada longe. Não sei quanto tempo se passou, mas estava ficando difícil respirar e minha cabeça estava doendo. Lembro de ver passos se aproximando e sangue escorrendo pela minha face antes de fechar os olhos e me permitir afundar completamente na escuridão.

Acontecimentos pela visão de Grissom

Felicidade. Sentimento tão maravilhoso e tão gostoso de sentir. Catherine acabou de sair de meu escritório, e eu já estava com saudades. Fui um tolo em culpá-la pelos meus problemas, sendo que ela também era uma vítima. Sei que acabamos de fazer sexo, e posso afirmar que um dos melhores da minha vida, mas ainda precisava fazer algo especial, talvez um jantar romântico. Meus pensamentos foram interrompidos por um ruído vindo da recepção. Aproximei-me devagar e avistei Warrick, Nick, Sara e Greg conversando com alguns dos nossos colegas e pareciam apreensivos.

GG: O que aconteceu? – Perguntei um pouco acanhado por interrompê-los.

SS: Eu sei que isso não ajuda muito, mas se acalma.

GS: Não começou nada bem Sara.

GG: O que aconteceu?

NS: A Melissa esteve aqui no laboratório. Um dos guardas a viu, ela estava disfarçada de ajudante de limpeza e conseguiu fugir.

GG: Só é colocar alguém atrás dela e avisar aos outros distritos. – Falei um pouco mais aliviado em saber que não era nada grave.

SS: Acho que você não entendeu. A Cath estava lá.

GG: Como assim ela estava lá? – Perguntei assustando a Sara.

NS: Parece que a Melissa conseguiu bipar a Cath para uma possível evidência em que ela precisaria analisar.

WB: E as câmeras filmaram o exato momento que a Melissa levou a Cath com ela.

GG: O que? – Perguntei mais para mim do que para eles.

SS: Eu sinto muito Grissom e já estávamos indo analisar as filmagens.

GS: O Brass já deu o alerta aos policiais e todos estão procurando a loira.

GG: Eu vou com vocês analisar a fita. – Afirmei decidido.

A imagem era clara. A Melissa conseguiu cercá-la com a ajuda de dois homens e a levou em uma van.

GG: Identifiquem esses homens e rastreiem a van. – Disse antes de sair apressado.

Entrei em minha sala, fechei a porta e respirei profundamente deixando as lágrimas caírem. Eu sentia que ela corria perigo e eu não conseguiria viver sem aquela mulher teimosa e audaciosa. Ainda tinha a Lindsay que precisava da mãe. Sequei meu rosto apressado e eu tinha que fazer alguma coisa. Não poderia ficar me lamentando pelos cantos. Tenho que fazer tudo para encontrar a mulher que eu amo. Antes que eu me levantasse, Brass invade minha sala correndo.

JB: Conseguimos achar o esconderijo. Parece que a Melissa quer que a encontremos.

GG: Qual o local?

JB: Parece que é uma fazenda que pertencia a sua família e agora está abandonada.

GG: Então vamos! – Exclamei saindo rumo a garagem.

Durante todo o percurso eu só pensava em abraçá-la novamente e senti seu cheiro único de rosas. Como eu amo esse cheiro. Sou um homem sortudo em tê-la somente para mim, sei que parece egoísta, mas quando se ama uma pessoa você se torna dela e ela, sua. Eu amo o jeito que ela me olha quando fazemos amor, amo seu jeito de rir das minhas piadas, amo o jeito que ela encolhe o nariz quando sente cócegas, amo seu corpo encaixado ao meu, amo seus carinhos, amo o jeito que ela fecha os olhos ao apreciar uma boa comida, amo a maneira que ela anda e aquele belo rebolado, amo o seu jeito de cuidar da Lindsay e de todos ao seu redor, amo a maneira que ela deixa as suas coisas espalhadas pela casa deixando o ambiente tão acolhedor e familiar, enfim, eu a amo como nunca amei ninguém e tenho certeza que a amarei até depois da minha morte.

JB: O plano é o seguinte: cercaremos o local e tentaremos fazer contato com a Melissa. Vamos fazer um acordo com ela em troca da liberdade da Catherine.

GG: Eu só consigo pensar na minha mulher com aquela maluca.

JB: E é por isso que acho melhor você ficar esperando no carro.

GG: Você é meu amigo e sabe que não vou te obedecer desta vez.

JB: É pelo bem dela Gil. Você pode se exaltar e fazer algo imprudente.

GG: Eu quero salvar a Cath e não a colocar em mais perigo.

JB: Tudo bem Gil, mas você vai ficar perto de mim.

Apenas balanço a cabeça em afirmação, respiro fundo e desço do carro. Avistei o restante da equipe em lugares estratégicos para evitar um trágico desfecho. Resolvi ouvir Brass e fiquei ao seu lado, ele estava distribuindo ordem aos demais e um barulho vindo da porta nos assustou e deixou os policiais atentos e com as armas mirando o alvo. Era a Melissa e ela estava sorrindo diabolicamente em minha direção. Levou um megafone a boca e vociferou calmamente.

MO: Que bom que chegaram, eu e minha convidada de honra detestamos atrasos. Eu gostaria de comunicar que não adianta nada atirar em mim agora e se o fizerem a Willows morre junto comigo. Eu nem sei o que tanta gente está fazendo aqui, quero apenas a presença do Grissom.

Quando ela pronunciou meu nome, tremi inteiro. Olhei para Brass e ele assentiu em concordância. Dei alguns passos incertos para mais perto da Melissa, e, em determinado lugar parei repentinamente quando a vi levantar sua mão direita, que até então estava escondida em suas costas, e ver um maço de madeixas loiras. Arregalei meus olhos, meu coração estava batendo tão forte que poderia jurar que todos pudessem ouvir.

MO: Não se preocupe, por enquanto ela está bem, só um pouco diferente. Sabe, ela me confidenciou que queria mudar de visual e eu apenas ajudei como uma boa amiga. Tão naturalmente loira e tão cheirosa. – Disse cheirando os fios e soltando em seguida.

Observei os fios deslizarem por entre seus dedos e se espalharem no chão de maneira desorganizada e meus olhos marejaram com essa visão. Não conseguiria segurar as lágrimas por muito tempo. Precisava ser forte e corajoso pela Catherine.

GG: Eu estou aqui. – Disse vacilante.

MO: Ainda está muito longe, mas como sei que não confia em mim vou deixá-lo onde está. – Disse sem a ajuda do megafone.

GG: Quero te propor uma troca.

MO: Estou cansada dessa bobagem de vocês e hoje eu dou as regras aqui. Infelizmente, você só tem duas opções e em todas as duas a Catherine vai morrer. É o seguinte, ou você mesmo a mata e fica comigo ou eu a mato e não terá mais ninguém atrapalhando nós dois.

GG: Eu não entendi.

MO: Você já foi mais inteligente. Só o que precisa saber é que a Willows vai morrer, entendeu agora?

GG: Eu posso trocar de lugar com ela, não precisa matá-la.

MO: O mundo é muito injusto e quanto antes aprender isto melhor. Vai optar por qual opção?

GG: Eu posso te dar outra escolha melhor.

MO: Não estou interessada e já que sei que não ter coragem para findar a vida dela, eu mesma faço isso.

Quando ela terminou de se pronunciar os policiais destravaram suas armas e fez um pequeno barulho que não passou despercebido por Melissa.

MO: Eu já disse que se eu morrer ela vai junto.

GG: Está tudo bem gente. – Disse olhando rapidamente para trás e dei sinal para abaixarem as armas.

MO: Sabe Grissom, você aprende muito rápido. E está na hora de fazer mais uma visita a Catherine, digamos que da última vez ela não mostrou muito afeto.

GG: O que você fez com ela?

MO: Eu não precisarei sujar minhas mãos, ela mesma vai morrer por si só. Eu deixei uma pequena armadilha para ela lá dentro e se bem a conheço ela vai cair.

GG: Do que está falando?

MO: Que tem uma bomba que será acionada por um gatilho ligado a maçaneta interna do quarto que ela está hospedada, e, eu meio que facilitei a fuga dela. Não precisarei fazer muita coisa.

Assim que processei suas palavras, meu peito doeu e minha garganta secou. Olhei para Melissa novamente e notei que a mesma não possuía armas e nenhum objeto visível para me machucar. Eu precisava fazer alguma coisa ou poderia perder a mulher que eu amo. Não raciocinei muito e parti para a ação. Comecei a correr em sua direção e senti que a assustei. Ponto para mim, ela não esperava esta reação. Ela correu também em direção a casa na esperança de trancá-la, mas eu cheguei antes e consegui entrar. Consegui ouvir Brass dizendo para invadirem. Melissa corria em minha frente e eu a seguia, tentaria a todo custo evitar o pior. Em um piscar de olhos uma explosão se fez presente e eu me joguei ao chão protegendo minha cabeça rapidamente. Alguns segundo se passaram e Sara me ajudou a levantar, andamos mais para frente e avistamos Melissa desacordada, verifiquei sua pulsação e constatei que ela estava morta. Um nó subiu a minha garganta em pensar que Catherine poderia ter o mesmo fim. Acho que Sara percebeu e entrou no quarto primeiro que eu. Meus olhos foram de encontro a ela, estava muito suja e machucada, tentava manter os olhos abertos e quando os fechou meu desespero aumentou.

GG: Catherine? Meu amor, fala comigo. – Falei passando as mãos em seu rosto.

NS: A ambulância já está chegando.

Sara se abaixou ao meu lado e verificou que Catherine ainda respirava. Soltei o ar que nem percebi que estava prendendo e lágrimas desceram sofridas pela minha face.

WB: Ela vai ficar bem cara. – Disse tocando meu ombro.

JB: Vasculhamos a casa e não tem mais ninguém, acho que os capangas fugiram. Dei um alerta e estamos à procura dos dois. – Disse entrando o quarto e parou quando viu Catherine naquele estado.

O mundo ao meu redor parou e na minha cabeça só vinha as cenas incríveis que passei ao seu lado, não poderia perdê-la.

GG: Temos que fazer alguma coisa, não posso deixar ela morrer. A ambulância ainda não chegou e...

SS: Não podemos movê-la, pode ser perigoso e fatal. – Disse me interrompendo.

GS: A Sara tem razão.

GG: Aquela louca cortou o cabelo dela. – Falei notando seus fios mais curtos e desregulados.

Finalmente o socorro chegou e fizeram os primeiros procedimentos, a colocaram na ambulância e eu iria acompanhá-la. A cidade não ficava muito longe e eu segurava sua mão como uma forma de dizer que eu estava presente e que eu lutaria por ela. Em certo momento da viagem, ouvi um som irritante, mas que eu conhecia. Seu coração estava parando e neste momento um dos paramédicos começou uma massagem cardíaca enquanto os outros a preparavam para a ressuscitação. Fui obrigado a largar a sua mão e mais lágrimas caiam dos meus olhos por ver que ela não estava respondendo.