Notas iniciais
Eu peço desculpas pela demora, mas fim de semestre é sempre uma loucura. Enfim, vamos a mais um capítulo! Espero que gostem!

Grillows – Por um recomeço

Não preguei o olho a noite inteira, estava completamente arrasada e desolada. Não consigo explicar o tamanho da dor que estou sentindo, e como consequência disto estava dolorida e com enormes olheiras. Lembrei do olhar de Grissom a me encarar com desprezo e ódio e chorei. Um lamento sofrido deixando meus olhos, agora sem brilho algum. Senti um carinhoso toque a segurar meus ombros e me aconchegar em seu abraço. Senti-me confortável por um breve momento e me permitir chorar mais, como a muito tempo não fazia.

LW: Vai ficar tudo bem. – Disse acariciando meus cabelos.

O desejo de uma mãe é sempre ser forte o suficiente para consolar sua filha, mas neste momento o oposto acontecia, e percebi que não precisava ser durona o tempo todo, ninguém deveria ser assim, temos que nos deixar sentir as coisas ao máximo, e se fosse tristeza, seria o que deveria aceitar. Virei-me para encarar a minha filha e a abracei. Ficamos assim por um longo tempo, talvez horas, mas nenhuma das duas contou, apenas ficamos em um silêncio confortável até eu acalmar-me completamente.

LW: Precisa tomar uma atitude. – Disse se desvencilhando do abraço.

CW: O que? – Perguntei enxugando minha face com as costas das mãos.

LW: Precisa ir até o Grissom.

Respirei fundo e nada disse. Apenas esperei que ela continuasse seu raciocínio.

LW: A minha vida inteira sempre fui a filha da temida e corajosa Csi Willows, e nunca a vi ser feliz completamente. Até o Grissom aparecer, e desde o início percebi como se olhavam, existia um sentimento real envolvendo vocês. O relacionamento começou a ficar sério, e com ele eu ganhei o presente que esperava a muito tempo: conhecer a sensível, amorosa e carinhosa Catherine. Não que não fosse antes, mas eu finalmente a conheci plenamente. E como a senhora sempre faz quando se sente ameaçada, fugiu do seu verdadeiro amor.

CW: Eu não fugi.

LW: Não negue mãe. Eu sei que quando fica com medo, foge e se enclausura nessa muralha interior que a senhora mesma criou. O seu medo te impede de confiar nas pessoas e isso é ruim.

Tudo que consegui foi chorar. Minha filha tinha razão.

LW: Precisa ir até o Grissom.

CW: Eu o amo com todo o meu coração, mas não posso correspondê-lo sem antes romper essa muralha que você mesma citou. – Falei em um único fôlego.

LW: Tudo bem. Eu estou aqui.

CW: Obrigada filha. – Falei e beijei carinhosamente sua testa.

Passei o dia inteiro na cama, só levantei algumas vezes por muita insistência de Lindsay. Precisava de um tempo para depois ir atrás de Grissom, só esperava que isto não fosse tarde demais. Passaram-se duas semanas, nada fiz nestes dias, estava péssima e sabia disto. Perdi peso e o brilho no olhar, e sentia preocupação toda vez que Lindsay ou minha mãe me olhavam, elas até tentavam me animar, arrancando poucos sorrisos as vezes, mas nada que alegrasse o meu coração. Precisava dele e sabia que não poderia procurá-lo sem antes fazer um processo de autoconhecimento. Foi então que tomei uma decisão, passaria minhas últimas seis semanas de férias viajando, pois, ficar aqui neste quarto estava me fazendo mal e sempre lembrava dele. Comuniquei à minha filha minha decisão, e depois de muita conversa e cara feia, ela aceitou e me apoiou. Arrumei minha mala e chequei todos os documentos necessários, inclusive minha passagem para o Brasil.

Enquanto isso...

James: Eu preciso impedir a vagabunda de destruir a vida dele. – Falava sozinho olhando-se no espelho de um banheiro de uma espelunca qualquer.

Barbeou-se, raspou o cabelo e trocou de roupas. Sabia que precisava espioná-lo, e assim o fez, ficou de guarda em frente ao laboratório e quando o viu seus olhos brilharam de raiva. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, viu uma menina o acompanhando e sabia de quem se tratava. Ela já havia cruzado o seu caminho. Continuou espiando e notou que a conversa estava deixando o homem angustiado. Chegou mais perto e o que escutou libertou os fantasmas obscuros do seu doloroso passado. “Sei que minha mãe terminou com você, mas precisa ir atrás dela antes que pegue aquele avião”. A frase ecoou em sua cabeça e avistou os dois entrarem no carro e partirem. Mais do que nunca se sentia na obrigação de impedir que tal feito acontecesse.

Estava quase na hora de seguir para o aeroporto, minha viagem aguardava-me e precisa deste tempo. Depositei minhas malas no canto da sala e gritei pela minha filha, que não respondeu. A procurei pela casa, mas a mesma não estava e pensei em ligar, quando peguei meu celular ela entra pela porta.

CW: Onde esteve mocinha? – Perguntei com um tom mais alto que o normal.

GG: Ela estava comigo.

Estava tão transtornada com o repentino sumiço de Lindsay que nem notei que ele a acompanhava. Quando ouvi sua voz, senti um aperto no coração e sabia que ainda não estava preparada para este reencontro.

LW: Eu desisto de tentar convencer os dois que devem ficar juntos! Cansei de tentar ser compreensiva! São dois teimosos! – Esbravejou antes de subir as escadas correndo.

Até o momento não tinha encarado o homem parado na minha porta, e quando nossos olhares se cruzaram senti um arrepio correr pelo meu corpo. Nossos olhos percorreram pelo corpo um do outro, os analisando, percebi que ele também perdeu peso, sabia que não estava sendo fácil para nenhum dos dois. Precisava dizer algo para nos tirar do nosso transe constrangedor.

CW: Eu sinto muito pela atitude da Lindsay. – Falei o tirando do seu aparente conflito interior.

GG: Ela foi atrás de mim no laboratório, apenas a trouxe de volta. – Disse em um tom sereno.

CW: Obrigada. – Corei com seu olhar penetrante a me encarar e por instinto abaixei a cabeça para fitar o chão.

GG: A Lindsay me contou que vai viajar. – Disse mudando de assunto.

CW: Eu vou, mas não se preocupe que voltarei. – Falei olhando em seus olhos novamente.

GG: Assim espero. – Disse forçando um sorriso.

CW: Sabe, a lenda não vai se aplicar a minha situação. – Falei sorrindo.

GG: Eu sei. – Disse corando.

CW: Eu realmente tenho motivos para voltar, e precisamos ter uma conversa. – Falei o encarando.

Passou alguns segundos e ele apenas encarava-me. Estava constrangida, era fato. Mergulhei nos mais profundos pensamentos, até que fui tirada brutalmente por sua repentina aproximação. Ele capturou meus lábios da forma mais pura e por instinto agarrei seu pescoço aproximando nossos corpos. Precisava e ansiava por este beijo. Não queria largá-lo, mas o ar se fez necessário. Nos afastamos e eu colei nossas testas, sentindo sua respiração próxima a mim.

GG: Isso não muda nada. – Disse ofegante.

CW: Como assim? – Perguntei o olhando.

GG: Você pediu um tempo e eu lhe darei, mas não muda nossa situação. Vamos conversar quando voltar, mas temo que não consigo me envolver novamente. – Disse acariciando minha face.

CW: Eu sei que magoei nós dois, e vou consertar isto quando voltar. E sobre você não se envolver, sei que não fala a verdade. – Falei segurando suas mãos sobre meu rosto.

GG: Por que diz isto?

CW: Porque seu olhar diz o contrário, e sei que seu olhar reflete o seu coração. – Falei o beijando novamente.

Por incrível que pareça, ele correspondeu e levou suas mãos para a minha cintura e a apertou. Mordi seu lábio inferior e aproximei mais nossos corpos. Ele me conduziu até a parede mais próxima e quando ele acariciou minhas coxas, por reflexo subi em seu colo o prendendo com minhas pernas. Com toda a certeza, nenhum dos dois queria parar, estávamos sentindo a falta um do outro, mas fomos interrompidos.

LW: Caramba! – Gritou com a cena.

Pulei do colo de Grissom rapidamente e olhei para Lindsay assustada. Milhões de pensamentos passavam pela minha cabeça, incluindo a dúvida de que se minha filha não tivesse nos interrompido eu teria me entregado para ele. Antes que pudesse falar algo, Grissom foi mais perspicaz.

GG: Eu já estava da saída. Boa viagem Catherine.

Apenas assenti com a cabeça e o vi saindo pela porta. Ainda estava ofegante.

LW: Desculpa ter atrapalhado a quase reconciliação do casal. – Disse rindo.

CW: Você não atrapalhou.

LW: Então já tinha rolado e só estavam se despedindo? – Perguntou rindo alto.

CW: Claro que não. Deixa de bobagem. – Falei rindo também.

LW: O que sentiu com o beijo? – Perguntou se aproximando.

CW: Só confirmei o que já sabia.

LW: E o que era?

CW: Que eu o amo. Agora preciso ir para o aeroporto. – Falei abraçando fortemente a minha filha.

LW: A vovó já está a caminho, pena não poder esperar para partir.

CW: Eu te amo minha filha e já estou com saudades. – Falei com os olhos lacrimejados.

LW: Exagerada! – Disse rindo alto.

Coloquei minhas malas no táxi que pedi e segui rumo ao aeroporto.

James: Sabia que o babaca vinha atrás dela. – Falou encarando o homem entrar em seu carro com um sorriso bobo nos lábios.

Tudo que ele sabia era que não poderia deixar os dois livres da amargura que vivia desde que sua vida desmoronou. Aproveitou o momento de distração de um motorista que passava pela rua e o roubou em plena luz do dia. Seguiu com o carro roubado seguindo o veículo preto a sua frente. Dirigiu cautelosamente por alguns minutos e logo parou a uma distância segura. Quando o viu descer do carro e caminhar até a entrada do prédio, agiu. Com uma faca em punho, agarrou o homem por trás e pressionou a faca em seu abdômen. Virou o homem e o encarou e tudo que recebeu em troca foi um olhar assustado e surpreso. O guiou até seu próprio carro e o ordenou a dirigir enquanto matinha a faca na mira de seu pescoço.

James: Ligue para o meu amigo Brass e o informe que o valor do resgate é a presença da sua querida Catherine. Quero que ela decida se deixo você sair ileso ou ela sair morta. Não me olhe assim, se ela realmente lhe amar, vai escolher morrer em seu lugar. Por que está chorando? Ela não merece! Presta atenção e dirige. – Disse se divertindo com todo o caos instaurado no ambiente.

A tensão pairava no ar, e podia-se ouvir as respirações pesadas de ambos. Enfim, chegaram ao local, era um casebre velho e no meio do nada. Assim que entraram o homem foi empurrado e caiu ajoelhado no chão sujo.

James: Agora vamos fazer uma pequena ligação. – Disse levando o celular ao homem a sua frente.

Pressionou um pouco mais forte a faca em seu pescoço, fazendo o homem repetir tudo que dizia. Ao final da ligação deixou sua gargalhada ecoar pela casa e o obrigou a sentar no canto da mofada sala enquanto limpava a faca.