Notas iniciais
Boa leitura, melzinhos!

Olho para meu relógio que marca sete horas da manhã. 30 minutos mais cedo do que eu estava acostumando acordar e 1h30 mais cedo do que eu estava acostumada. Estava cada vez mais complicado para eu dormir. Não conseguia relaxar meus pensamentos e os pesadelos estavam cada vez mais frequentes.

Pego um porta-retrato do meu criado mudo e olho para as crianças aparentemente felizes dali.

Eu e Roy.

O que será que ele diria da minha amizade com Oliver?

Na imagem, eu estou em sua corcunda, e nós estamos olhando um para o outro envoltos em nosso próprio mundinho de gêmeos. Sabe, as pessoas sempre me disseram que irmãos gêmeos têm uma ligação muito forte. Eu não tinha me dado conta da minha até me ver separada de Roy. Era tão insuportavelmente doloroso. E eu não podia nem alertar a polícia graças ao grande filha da puta do "PAI".

Falando nisso, tenho uma surpresinha para ele.

Abro meu notebook e invado o sistema que transmite as imagens via satélite que vão para a TV de todo o país. Mudo o hino que iria ser dedicado a ele e, no lugar, será visto as seguintes palavras:

ABAIXO A ESSA DITADURA IMPOSTA PELO "PAI"

RESISTA!

LUTE!

Sim, por 15 segundos, 250 milhões de brasileiros verão isso.

E eu rezo para que eles me "ouçam".

Logo depois, apago qualquer coisa que deixaria meu rastro nos sistemas deles.

Oh, yeah. Sorrio vitoriosamente para mim

Eles teriam que aguentar um furacão chamado Felicity.

{...}

— É visto que o nós vamos fazer de tudo para achar o responsável por esse ataque que houve mais cedo. Qualquer imagem vinculada a isso foi devidamente apagada e eu peço que esqueçam o que esse louco fez...

Ouvia e observava atentamente o "braço direito" do "PAI" na TV. Ele me era estranhamente familiar, mas deixei esse assunto para lá e resolvi me concentrar ao que ele dizia, eu gargalhava alto enquanto me arrumava para ir ao meu não tão inferno pessoal. Fazer de tudo não vai fazer com que me achem, eu pensava. Nem a pau. Eu ainda gargalhava altamente quando meus olhos vão para a imagem de meu pai numa imagem no meu quarto.

E essa foi a única vez que desejei não ter feito o que fiz:

Meu pai entrou feito um furacão no meu quarto, o que devo considerar abuso já que eu poderia estar nua sem bem que ele já trocou minhas fraldas, mas... vou parar de divagar em pensamentos... e me olha com raiva estampada no olhar.

— FELICITY MEGAN, POR QUE DIABOS VOCÊ FEZ AQUILO? — Eu não ia abaixar a cabeça, não mesmo.

— Você não pode saber se fui eu — Rebato corajosamente, devo dizer.

— Ninguém mais desapareceria sem rastros, não tente enrolar — Eu podia ver a fúria dele se esvaindo. E seu olhar brilhava com certo orgulho contido.

— Ela poderia ter feito, você sabe. Sua mãe é melhor que eu nisso — Digo de forma amarga a última parte.

— Não foi ela, e você sabe tão bem quanto eu, Lis.

Dou-lhe um sorriso brilhante por ter me chamado pelo apelido pela primeira vez e confesso:

— Sim, papai, fui eu. Mas é que eu já estou cansada de não fazer nada. Precisava me sentir útil — Ele me lança um sorriso e eu percebo no truque que caí.

Ele me achou pelo apelido para me amolecer.

Whoa. Bem esperto, Dark.

{...}

— Por favor, Fel, por mim.

Ele me suplica, olhando-me com aqueles olhos grandes do Gato de Botas. Da mesma forma que o Roy fazia. Para o inferno, Queen. Como negar algo quando ele me olha assim? Jogo meus braços teatralmente para cima e reviro os olhos.

— Tá bom, Queen, você venceu — Ele assume um ar vitorioso. — Não conte vitória antes da hora, idiota. Dá azar.

Ele me lança um olhar charmoso e eu suprimo a vontade de revirar os olhos.

Sou totalmente imune a isso.

— Você acha que ela vai resistir a esse charme, Fel? — Cruzo os braços. — Okay, tomara que ela não seja como você.

Estreito meus olhos para ele.

— Espero que tenha falado isso como um elogio — Advirto

— É claro, Fel — Ele suspira. — Sabe que é a melhor amiga do mundo, né?

Ele me abraça. Minha cabeça fica na altura de seu peitoral por causa da minha estatura, dessa forma, consigo ouvir as batidas de seu coração. Me dá um sensação boa e calma estar aqui com ele assim. Ficamos em silêncio, até eu quebrá-lo:

— Você gosta de estrogonofe? — Pergunto.

Ele ri.

— Está me chamando para sair, Fel? — Agora quem ri, sou eu.

— Você acha que se eu fosse chamar alguém para sair seria logo você? — O sorriso some de seu rosto e eu rio ainda mais. — Minha mãe que perguntou. Ela tá ficando louca com o fato de você e sua família irem abre aspas, nos visitar, fecha aspas.

Observo um sorriso novamente se formar em seu rosto.

— Avisa a Donna que eu tenho certeza que vamos adorar qualquer coisa que ela cozinhe. E eu amo estrogonofe.

— E se tiver muita pimenta? — Digo, maliciosamente.

— Nem pense nisso, Megan! — Faço uma careta. Ele sabe o quanto detesto o nome. — Além disso, você não estragaria o jantar de sua mãe.

O pior é que ele tinha razão.

Era a primeira vez desde que Roy se foi que eu vejo mamãe tão feliz e animada. E tudo graças a Oliver. Eu nunca conseguiria agradecê-lo o bastante.

— Bem, vou deixar você com seus pensamentos — Ele me tasca um beijo na bochecha me fazendo corar. — Tchau, Fel. Até hoje a noite.

E ele sai, simplesmente.

Começo a ler meu exemplar de Hamlet e já estava envolta no drama de Claúdio com Gertrudes que nem sinto alguém se aproximar. Até esse alguém falar comigo.

— Felicity ?

Eu dou um pulo. Não estou acostumada a ser pega de surpresa.

— Que merda! Precisava chegar tão sorrateiramente?

— Desculpa, mas você estava tão entretirda com...- Ele desvia o olhar para a capa do meu livro. - Hamlet. Mas, voltando ao assunto, você é Felicity, certo? — Assinto. — O senhor Spector mandou eu procurá-la.

Pateticamente, eu disparo a única coisa que me vem a mente:

— Quem é Sr. Spector?

Ele me olha como se eu fosse uma idiota. O que, de fato, sou.

— O professor de álgebra, dãrr. Ele disse que você o ajuda na monitoria e eu sou novo na escola e ele falou que você seria uma boa pessoal para me ajudar a inteirar-me sobre o assunto — Ele explica.

É claro. Raymond Palmer. Eu já havia pesquisado tudo sobre ele.

Nada de governo em seu histórico. E ele também era bom no TI. Muito bom. Duvidava que precisasse de minha ajuda por muito tempo.

E também, quis matar Oliver naquele momento por ter-me desafiado a aceitar o cargo na monitoria. Agora eu era obrigada a enfrentar situações como aquela.

— Tudo bem, eu posso lhe emprestar minhas anotações, se quiser.

Ele fica me encarando de forma estranha.

— Sim, pode ser agora? — Ele pede.

— OK.

— Eu ouvi falar que você é a garota do TI.

Ok, por essa eu não esperava. Ninguém daqui sabia disso. Fico em alerta no mesmo instante.

— Quem te falou isso? — Pergunto.

— Rosa — AH. Eu tinha esquecido disso.- Você não é muito nova para isso?

— A mãe do meu pai era uma fera do TI. Ela me ensinou muito sobre isso — Meu tom sai amargo. Eu odeio falar sobre ela.

— A mãe do seu pai— Ele repete minhas palavras. — Não a sua avó.

— Nós temos uma relação...conturbada — Tento explicar, sem deixar sair nada comprometedor.

— E mesmo assim ela lhe ensinou coisas...

— Você quer saber da minha vida ou da matéria? — O interrompo defensivamente.

— Ok, pode me passar o seu caderno. E, a propósito, também sou do TI.

Eu sei, babaca.

— Humm, interessante — Não era nada interessante.

Ele pareceu entender o recado e eu lhe entreguei minhas anotações que começou a escrever e me deixou perdida em pensamente. Raymond não estava sendo fuxiqueiro, só curioso. E, acredite, não eram a mesma coisa. Talvez ele só quisesse alguém para comentar sobre Programação e Banco de Dados, e seria uma boa argumentação, porque, fora eu, ninguém mais nessa escola era do TI. Afinal, o governo não deixava.

O governo não deixava!

Como Raymond sabia sobre o assunto?

— Raymond?

Ele leva um susto.

— Eu não lhe disse meu nome — Diz.

Arqueio uma sobrancelha.

— Sou uma garota do TI, garotão.

— Mas, então, o que você quer, garota do TI? — Ele retrucou. — E, a proposito, me chame de Ray.

— Aqui é proibido TI para adolescentes, Ray, como você...

— Minha mãe. Ela me ensinou muitas coisa. Quer dizer, eu falei para você que era do TI, mas não passo de um cientistazinho, sabe?

Uau, essa era nova.

— Ah, entendi. Raimunda Palmer, é claro. Cientista renomada. Exilada do país — Me dei conta do que falei tarde demais e arregalei meus olhos. — Eu realmente não tenho um filtro para o que falo.

Para minha surpresa, ele riu. Mas parecia forçado.

— Relaxe, eu gosto da sua sinceridade. É, minha mãe foi exilada — Ele disse, simplesmente e o assunto acabou por aí.

Havia algo no tom dele que eu não conseguia captar. Tentei-me lembrar algo a mais sobre Raimunda, mas tudo o que me vinha a mente era que ela fora exilada há 3 anos junto com seu filho que, na época, tinha 16 anos... É isso! Ray não é um estudante do colegial. Ele tem 19 anos. Lembrei-me que a mãe dele fora banida por apresentar "comportamento inadequado" o que, em nosso país, significa que ela ia contra os ideias do governo.

Será que Ray estava aqui como um espião para vingá-la?

{...}

Depois do que fiquei pensando sobre Ray, resolvi ir embora para pesquisar sobre o assunto com a desculpa de que ele poderia me entregar as anotações no dia seguinte porque eu estava atrasada para um jantar na minha casa.

O que não era uma mentira, de fato.

Era impossível conter Mamãe Smoak quando ela espalhava animação aos quatro ventos. Eu já estava arrancando os cabelos da cabeça antes de ficar velha por causa dela. Qual é! Era só a porcaria de um jantar que costumávamos fazer todo dia! Essa algazarra toda somente por que Oliver estaria aqui? Santa Paciência! Eu juro que tentava acompanhar e ajudar ao máximo. Varrer aqui e ali, cortar legumes, bater algo no liquidificador, por os pratos e talheres na messa; essas coisas básicas. Porque eu não tinha o dom para fazer algo mais complicado. Eu realmente não nasci para ser dona de casa.

Talvez, ocupar o lugar de Dark seja mesmo o meu destino.

Fui para o meu quarto me arrumar e fiquei furiosa quando vi a roupa que minha mãe tinha posto em minha cama. Era um vestido simples e até bonitinho. Era do tipo que você olha e pensa: " Olha, sou uma boa menina ". Mas eu não era uma boa menina, nunca fui. Meu estilo sempre foi roupas escuras e justas do tipo rebelde. Por isso, quase joguei o vestuário no chão, porém pensei em minha mãe, em todo o trabalho que ela teve com o jantar, em toda a sua animação. Eu dizia que a animação era referente ao Oliver, mas não. O sonho de minha mãe sempre foi ter um lar de verdade para que pudéssemos fazer coisas normais, ser uma família normal. E uma família normal servia jantares aos amigos, eu esperava.

Foi com esses pensamentos em mente que eu finalmente pus o vestido.

E, com um timing perfeito, Oliver chegou assim que eu acabei de me arrumar. Desci as escadas rapidamente e fui atender a porta. Assim que a abri vi 3 pessoas paradas me encarando. Sua mãe, Oliver e uma menina que parecia ter a minha idade. Observei as mulheres, percebendo que a matriarca continha no rosto uma expressão de quem não muito ou de quem não sorria há tempos. Uma expressão sofrida que por vezes vi em minha própria mãe quando falava do filho. Meu coração se encheu de um sentimento estranho e bom por essa mulher desconhecida. Passei o olhar para a mais nova e reparei que ela sorria para e retribui. Algo me diz que ela será uma pessoa querida em minha vida.

Olho para Oliver.

Ele está muito bonito, para ser sincera. E está me encarando de forma estranha.

— Olá — Diz uma pessoa atrás de mim. — Sou Donna Smoak.

O tom de minha mãe é uma mistura de nervosismo e felicidade.

— Olá, Sra Smoak. Sou Oliver Queen e estas são Moira e Thea Queen, minha mãe e minha irmã, respectivamente — Ele sorri para minha mãe.

Sufoco um riso. Desde quando Oliver fala "respectivamente"?

— Donna — Exclama a matrirca. Seus olhos contém um estranho brilho de reconhecimento.

— Moira?

Encaro as duas, confusa.

— Vocês se conhecem? — Pergunto.
— Se a gente se conhece? Nós éramos praticamente irmãs — Mamãe diz. E então corre para os braços de Moira para abraçá-la

Alheios a mim, Thea e Oliver; as duas matriarcas choram compulsivamente enquanto sussurram uma para a outra. Mas é um choro de felicidade, como há tempos não via. De repente, ouvimos um barulho na escada e meu pai surge das sombras.

Como assim? Ele me disse que não se mostraria para nós.

— Pai... — Mas ele não olha para mim. Seus olhos estão travados em Moira, que agora também o encara.

— Irmã?

Meu pai diz, direcionado a Moira.

Eu congelo, ao mesmo tempo que Oliver.

IRMÃ?

Notas finais
Espero que tenham gostado! E devo explicar que tenho uma história por trás disso. Será que eles são irmão mesmo? uahuahsuahs Fel e Oliver priminhos queridos? Comentem, melzinhos!