Por trás do olhar.

10 Quando eu vi... Que algumas coisas nunca mudam.


Notas iniciais
Hoy, queria pedir perdão sinceramente a todos por estar negligenciando o nyah! De verdade, você não merecem isso. Aconteceram algumas coisas e eu fiquei muito magoada, mas não é culpa de vocês, então me desculpem, ok? Vou postar um cap por dia pra atualizar direitinho *u* -- Ah, queria dar uma explicada nos Ranks dos personagens segundo a CCG, para vocês já irem mais ou menos vendo quem apanha de quem. Já que no anime não ficou tão claramente explicado como no mangá. - As duas corujas (Eto e Yoshimura) são SSS, ou seja, fodeu, ninguém dá conta deles. É o rank mais alto. - Kaneki não é "rankeado" com a sua Rinkaku normal (e olha que ele quebrou a quinque do Amon), mas quando desenvolve sua forma kakuja (Centípede), ele fica com rank SS. Algo como Uta e os palhaços, Yomo, Tatara... (Ele não sobe mais de rank porque tem que ter muita coragem pra tentar, sério, ele fica muito insano no mangá. Mas sua kakuja evolui a cada vez que ele usa.) - Ayato de início não é "rankeado" pela CCG mesmo tendo aprontado bastante (eu acho que isso é porque ninguém sobreviveu), mas depois ele começa a usar uma mascara de coelho (no mangá) e assume o rank da irmã (os dois juntam seus "crimes"), em um período como depois do arco Aogiri (onde começa a segunda temp, do anime, e tempo atual da fic), ele assume Rank S ( o mesmo da Rize e do Yamori), futuramente alcançando Rank SS com 17 anos. - Touka tem rank A, porque foi culpada pela morte do Mado (nos sabemos que foi Hinami, mas a CCG não), e por já ter matado outros investigadores antes. Não avança de rank porque parou de lutar. Bem, é isso. o/ Podem perguntar mais coisas se quiserem.

Os irmãos se encaravam friamente a temperatura naquela sala nunca esteve tão baixa. Touka estudava a expressão do menor em busca de alguma abertura, mas naquele momento, seu irmão não demonstrava mais emoção que uma parede.

– Precisamos conversar. — A voz da Kirishima mais velha quase vacilou. — E Conversar seriamente.

– E quem disse que eu quero falar com você? — Devolveu Ayato rispidamente, olhando por cima do ombro do albino.

– Então não fale, só me ouça. — Insistiu Touka sem dar sinais de que iria desistir.

– Não quero, sua voz me irrita. — Retrucou em um tom gelado. — Afinal, não é como se você fosse nin... — "Ninguém importante", teria dito impulsivamente devido a mágoa que sentia da irmã, mas antes que pudesse completar a frase, teve os lábios bloqueados pela mão de Kaneki que o olhava profundamente, como se soubesse exatamente o que ele estava sentindo.

– Já está na hora de parar de agir como criança, Ayato. — Falou seriamente, sem se intimidar diante do olhar assassino do menor. — E antes que seja tarde demais para se arrepender. — Concluiu, logo tendo sua mão afastada com um tapa irritado.

– E o que você pensa que sabe? Só está presumindo que entende tudo porque conhece um pouco de nós dois, mas não sabe de nada realmente! — Exasperou se afastando bruscamente do maior e quase indo ao chão, ainda estava meio tonto por causa do choque elétrico, porém, Kaneki o segurou bem a tempo. — Me solta desgraçado!

– Não, não vou soltar. — Falou firme mantendo suas mãos fechadas nos braços do menor. — E eu não sei de tudo o que há entre você e sua irmã, mas eu sei que você a ama, e isso é mais do que o suficiente. — Falou sério, vendo o ódio borbulhar naqueles olhos azuis. — Pode ficar irritado o quanto quiser, mas você consegue olhar nos olhos dela e dizer que a odeia?

Viu o olhar do azulado tremer, evitando a todo custo encarar Touka que estava logo ao lado com uma expressão angustiada.

– N-Não posso. — Resmungou baixinho, olhando para qualquer ponto que não fossem os presentes na sala. — E essa é a parte de mim que eu mais odeio. — Se afastou novamente do albino, sem tropeçar dessa vez.

– Ayato... Por favor... — Tentou convencê-lo por outro caminho, sem muito sucesso.

– Vai para o inferno e se fode por lá. — Rosnou irritado, saindo pela porta pisando pesado e evitando a irmã.

– Eu me entendo com ele daqui. — Falou a garota seguindo o irmão que tinha saído com fogo no olhar.

Kaneki apenas respirou fundo, vendo-a ir embora e esperando de todo o coração que terminasse tudo bem. Sentia-se impotente por não ter conseguido fazer nada, mas talvez, realmente não devesse se meter, tem coisas na vida que tentar forcá-las a se resolver só faz piorar.

Queria abraçar seu pequeno, e ao mesmo tempo lhe acertar um socos por ser tão teimoso, mas por outro lado não o culpava, sabia como Ayato guardava mágoa com uma intensidade assustadora, e a conversa de mais cedo com a irmã definitivamente ainda estava tendo seus efeitos desastrosos. Não iria ser fácil para Touka falar com o menor depois de tê-lo mandando embora daquela forma antes, mas Kaneki tinha esperança, afinal, só um Kirishima poderia bater de frente com a teimosia patológica de outro Kirishima.

Sentiu um braço em volta de seus ombros e apoiou a cabeça no ombro de seu melhor amigo, se perguntava como passou tanto tempo longe daquele loiro que sempre o apoiou mesmo sem saber.

– Um milagre você não ter se machucado na queda. — Falou vendo as marcas no teto onde o loiro tinha ficado preso.

– Seu namorado é uma criaturinha do mal, parece que ele farejou que eu tenho vertigem de altura. — Riu despreocupadamente como sempre. — Mas ele vai ficar mesmo bem?

– Não existe acidente páreo para tanta teimosia. — Sabia que o menor estava bem, afinal, arrumar briga era um indicador da saúde do Kirishima mais novo. — Depois eu pergunto a ele se o chão ficou bem. — Sorriu de lado se divertindo em imaginar o surto de raiva que o azulado daria.

– Vocês deviam filmar essas brigas. — Comentou Hide sentindo os fios branquinhos e macios fazendo cócegas na sua bochecha.

– Ele estava no lugar que eu disse hoje de manhã? — Falou se referindo a mensagem que mandou ao amigo quando viu Ayato saindo do café. Podia não ter seguido o menor, mas precisava ter os olhos nele.

– Sim, seu GPS mental de namorado funciona bem. — Riu de lado vendo um leve tom de rosa nas bochechas do amigo. — Não sei o que aconteceu entre o Ayo-chan e a Touka-chan, mas foi bem feio. Espero que eles se resolvam. — Respirou fundo imaginando como seria ver aqueles irmãos juntos, achava os dois tão fofinhos. — E você vai cozinhar hambúrgueres pra mim pelo risco que eu corri. Quero uma porção inteira. — Adicionou brincalhão, vendo o albino sorrir junto.

– Você devia ir se secar ou vai pegar um resfriado. Tem toalha no armário. — Falou para o loiro que riu de lado.

– Nah, eu vou já pra casa. Não sei se quero estar aqui quando eles se resolverem e a Touka-chan vier falar com você depois do desentupidor de pia que você deu no irmãozinho dela. — Riu de lado com a cara de assustado de Kaneki que começava a lembrar desse detalhe.

– Eu sou muito novo pra morrer. — Choramingou vendo o loiro rir na cara dura.

– Talvez ela nem te mate, só tenha uma daquela conversas, tipo, pai da noiva. Ela ficou bem surpresa, mas poderia ter reagido pior. — Tentou apaziguar Hide, pegando o lado bom da situação.

– Você não entendeu, quantos anos pensa que o Ayato tem? — Falou quase se divertindo com o ar de dúvida do outro.

– Uns dezesseis ou dezessete? — Deu de ombros imaginando que estava certo, mas estranhando o risinho do amigo.

– A Touka é quem está fazendo dezessete. O Ayato é dois anos e meio mais novo. — Falou vendo a expressão pasma do loiro. Seu queixo quase se desprendendo da mandíbula.

– Tá brincando comigo, né? — Falou o loiro revendo todas as suas lembranças com o Kirishima e percebendo como ele tinha o temperamento de alguém tão mais velho e realmente acabava parecendo assim.

– Não estou. — Respondeu pensando exatamente o mesmo do loiro no momento.

– Bem... Acho que vou pesquisar os preços dos caixões hoje a noite. — Ditou dando uns tapinhas solidários no ombro do amigo que já começava a imaginar inúmeras versões da conversa que teria com sua cunhada.

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A chuva tinha parado, mas o céu continuava escuro e sombrio, quase como se refletisse os sentimentos dos irmãos naquela noite. Touka não demorou muito a alcançar o menor uma vez que começou a correr logo que saiu pela porta, puxando-o bruscamente pelo braço e tendo sua mão empurrada com violência.

– Mas que porra! O que mais você quer? Não já ouvi merda sua demais por um dia? — Se irritou o azulado, virando com um olhar completamente endemoniado de ódio, mirando aquelas orbes tão azuis quanto as suas e se irritando em como não havia nenhum sinal de intimidação ali. — Ou isso é apenas seu desejo masoquista de levar uma surra? — Ameaçou se aproximando rapidamente da garota que deu um passo para trás, quando viu os olhos do mais novo escurecem e suas iris se tornarem vermelhas, dando de costas com a parede.

– Ah, então vai me bater, é? Mas que admirável da sua parte... Vai, pode vir. — Deu de ombros encarando o mais novo desafiadoramente, ouvindo o rosnado baixo de ódio em sua garganta devido a proximidade.

Com uma raiva que a azulada poucas vezes presenciara, seu irmão avançou um soco forte que passou a centímetros de seu rosto, afundando até o punho na parede atrás de si. Touka nem mesmo se moveu, se era seu irmãozinho que estava ali, aquele que viu crescer e que decorava seu cabelo com a flores do jardim só para irritá-la, ele não a machucaria sem motivo. E estava certa.

– Vai. Embora. — Murmurou baixo, a respiração pesada e o olhar de quem faria uma destruição bem grande.

– Não. — Devolveu irredutível.

– Não temos mais porra de assunto nenhum a resolver, será que é burra demais para entender? — Exasperou arrancando a mão da parede, fazendo alguns cacos se espalharem pelo chão. — Eu não vou mais aparecer na sua frente, então desapareça da minha! — Sua voz tinha um tom tão alto e irritado que arranhava a garganta, mas a sua raiva não o permitia notar esses detalhes estúpidos.

– Eu não quero que você vá embora. — Falou direta vendo algo vacilar no olhar irritado do menor. — Nunca quis.

– Eu só tenho uma resposta pra te dar. — Se afastou alguns passos antes de mostrar o dedo do meio a irmã. — Vai se foder, otária. — Se virou para ir embora, e realmente iria...

Bem isso se não tivesse sido puxado pelo cabelo e tomado um belo soco bem no nariz.

Touka estava sendo paciente, o máximo que podia, sabia que tinha errado e queria remediar isso, mas havia limites! E o temperamento horrível de seu irmão ultrapassava a paciência de um monge.

Sabia que não era páreo para Ayato numa luta usando a kagune, porém estavam em uma rua residencial e qualquer um poderia passar a qualquer momento, não podiam lutar como ghouls, a não ser que quisessem atrair investigadores. Ou seja, nem toda a experiência que seu irmãozinho tivesse em combate a impediria de acertar uns belos socos naquele nariz empinado agora que estavam quase de igual para igual. Ah, nem se seu pai aparecesse agora conseguiria controlar sua raiva.

Tinha que admitir que o olhar pasmo do menor quando teve seu nariz quebrado a divertiu um pouco. Queria dizer um "mereceu bastardo", mas seu sorriso maldoso falou por si. Se havia algo que fazia aqueles irmãos serem parecidos era o temperamento selvagem e explosivo, e agora que haviam começado nenhum dos dois iria parar.

Touka nem viu quando seu irmão avançou, apenas sentiu a joelhada forte na costela, e sem perder um segundo acertou um soco na mandíbula do outro que foi eficientemente bloqueado, mas o que veio e acertou seu nariz logo em seguida não. Não demorou muito e estavam literalmente rolando no chão enquanto se atacavam, entre socos, puxões de cabelo, chutes, mordidas e xingamentos se passou um bom tempo. O que era um pouco assustador, porque só muita raiva acumulada para dar combustível para uma briga tão longa.

Até que em um ponto, Touka fraquejou já chegando a exaustão e Ayato conseguiu a imobilizar contra o chão, sufocando-a com uma das mãos em seu pescoço.

– Fim da linha pra você. — Sorriu diabolicamente, mas não teve mais um segundo para comemorar quando levou uma joelhada bem naquele local onde nenhum homem quer ser acertado. Um golpe, literalmente, baixo, mas não era como se Touka se importasse. Qualquer coisa que derrubasse seu irmão estava valendo.

Por fim, acabaram os dois deitados na calçada úmida e agora suja de sangue. Narizes, costelas e demais ossos fraturados, muitos arranhões, pedaços faltando, cortes fundos cicatrizando, unhas arrancadas... Enfim, um belo estrago para ambos os lados.

– Esperava mais de um ex-membro da Aogiri. — Riu a mais velha sem se mexer. Estava quebrada e exausta.

– Tenta ser eletrocutado e castrado no mesmo dia, e me fala quando puder fazer melhor, bastarda. — Resmungou o azulado ainda encolhido no chão esperando a dor ir embora, ouvindo a outra rir mais alto.

E continuar rindo. Rindo mesmo, como se estivessem vendo um filme de comédia e não tentando se matar no chão de uma rua mal iluminada.

– É sério, Touka? — Virou para encarar a mais velha que tinha se virado na sua direção, ainda rindo. — Eu devo ter batido muito forte na sua cabeça. — Resmungou, mas já sentia seus lábios se curvando completamente contra a sua vontade. Céus, não queria rir! Aquilo era absolutamente irritante e patético.

– Você está horrível, parece que foi atropelado. — Riu a mais velha. Não sabia de onde tinha encontrado graça na situação, deveria ser a perda de sangue. Só podia ser isso.

– Fala o objeto-não-identificado estatelado no chão. — Devolveu ácido, mas acabou sendo a gota d´água no seu humor oscilante.

Só bastaram seis segundos se encarando seriamente antes das risadas começarem. Não havia motivo, nem uma piada ou nenhuma ironia da vida particularmente cômica, apenas era... Divertido. Uma diversão bem distorcida, mas não sabiam explicar, talvez fosse uma crise de nostalgia por estarem juntos de novo. Sinceramente nenhum dos dois se importavam com os "porquês", se focando apenas no "agora".

– Ayato... — Murmurou Touka deitando de lado na calçada e fitando o irmão que enxugava as lágrimas do riso.

– Hm? — Resmungou somente, esperando-a falar.

– Eu te amo. — Falou com um sorriso de lado, vendo os olhos azuis da mesma cor do seu se desviarem para o céu, e um leve rubor colorir as bochechas do menor.

– Essas coisas nunca mudam, Aneki tapada. — Respondeu em um tom baixo, mas sereno. — A gente só finge que mudou. — Devolveu o olhar de forma significativa, mirando cada traço da irmã, dos cabelos totalmente bagunçados agora, até os lábios delicados e o queixo fino.

– Eu demorei pra perceber isso... Na verdade, eu demorei a perceber muita coisa. — Respirou fundo, levando uma das mãos machucadas até o cabelo desordenado do menor, que, pela primeira vez, não repeliu o toque. — Se eu não tivesse tão presa a minha visão das coisas, e tivesse tentado, pelo menos um pouco, ouvir o seu lado, ou simplesmente parar de agir como se você fosse mudar de ideia porque eu quero, eu tenho certeza que teríamos ficado juntos esse tempo todo. Na verdade, acho que eu fui covarde, e acabou custando meio caro. — Sorriu de canto movendo os dedos pelos fios escuros. — Eu sei que nada vai ser como antes, não somos os mesmos de antes, mas eu queria uma chance de consertar.

Ayato ficou em silêncio por um longo momento, sempre soube que sentiria falta da irmã, mas só agora percebia o quanto. Era quase como ter deixado uma parte de seu coração para trás, talvez a parte mais humana do seu coração estivesse com ela, por isso fugiu por tanto tempo.

– Eu também fui covarde naquela época. — Falou apoiando a mão sobre a da irmã. — Eu fugi porque não queria te perder, mas acabei perdendo, e com você ainda viva. — Falou em um tom serio e calmo que raramente usava, sentia-se muito parecido com seu pai falando assim e isso o irritava e machucava no fundo. — Eu poderia ter feito as coisas de um jeito diferente, mas eu preferi encarar o mundo e ficar contra você do que desafiar meu próprio medo. No fim... Deu meio certo, já que você tá viva, e meio errado também... — Deixou a voz morrer se distraindo com as lembranças.

– Eu que deveria ter tomado conta de você. — Resmungou Touka com um bico emburrado que raramente fazia, talvez, a única pessoa que via seu lado birrento se manifestando era seu irmãozinho.

– Tarde demais, você não pode com meus problemas agora. — Não foi em um tom ofensivo, apenas demasiado sincero. " E fui eu quem prometi que te protegeria" pensou consigo mesmo. — E também já era hora da gente trocar de turno. — Adicionou fazendo-a sorrir de lado.

– Eu... Acabei descobrindo que não fui tão feita para a guerra como eu pensei que era. Acho que isso te decepcionou. — Confessou desviando o olhar, sentindo os dedos do menor se movendo suavemente sobre sua mão.

– Não foi isso... Quer dizer, claro que você costumava ser bem fodona, e do nada ficou um tédio. — Resmungou e a mais velha riu divertidamente. — Mas o que me irritou foi você negar quem realmente é para se encaixar em um padrão que não nos vale. É patético e idiota, já pensou que pode ser denunciada?

– Você e eu temos ideias bem diferentes sobre isso. — Falou lembrando da raiva que Ayato sempre demonstrara do fato de ghouls terem que se misturar à sociedade para sobreviver. — Um outro exemplo foi você se transformando num cretino boca suja e narcisista. Sem contar a veia sádica e os ataques histéricos. — Agulhou de volta vendo o menor fechar a cara. — Sinceramente, não esperava vindo de você nem metade das coisas que fez, mas... — Acabou sorrindo carinhosamente e puxando o mais novo para seu colo, como quando faziam quando eram menores. — Eu estou pouco me fodendo para o que você fez, ou faz, eu só... Estou feliz que esteja aqui comigo agora.

Ainda um tanto surpreso com o puxão repentino, aos poucos, Ayato foi devolvendo o abraço. Tinha sentido tanta falta, mas tanta falta daquilo que sentia um nó na garganta e seus olhos ardendo. Sentia falta daquele carinho no seu cabelo, do colo macio e aconchegante, do perfume, das batidas do coração, a voz...

– Oh, que belo momento. — Uma voz aguda alcançou os ouvidos de Ayato que foi eletrocutado pela segunda vez no dia, sendo esta apenas imaginária.

Em um segundo, já estava de pé ficando entre uma Eto com um sorriso debochado e uma Touka confusa que se perguntava quem era a baixinha usando um macacão desleixado.

– Desse jeito vocês quase me fazem querer escrever incesto. — Falou a mulher de longos cabelos cinzentos, rindo da cara irritada do mais novo enquanto enrolava uma mecha de cabelo no indicador. Apenas Ayato, Tatara e Noro já a haviam visto sem as faixas que cobriam seu corpo, e depois Kaneki quando matou a charada sobre quem ela era.

– Suas ideias sempre me deram nojo. — Devolveu o azulado só para ver a irritação nos olhos da baixinha. Xingar a escrita ou as ideias da Takatsuki na frente dela era pedir pela morte. Bem, pelo menos aos não tão chegados.

– As suas também tem me irritado bastante ultimamente também. — Devolveu séria, e Ayato sabia que estava ferrado, mas não era como se fosse fugir. — Foi por causa dessa aí que vocês dois armaram aquele circo? — Deu uma olhada avaliativa em Touka que devolveu com uma olhada assassina. — Eu deveria matá-la. — Falou com um sorriso de lado, avançando um passo e sendo parada pelo Kirishima de imediato.

Eto apenas olhou estranhamente para o garoto, vendo-o libertar a kagune, expandindo as grandes asas flamejantes a quase três metros de envergadura, em um claro sinal de que a sua antiga chefe não avançaria um passo.

– Você não está pensando em me enfrentar, está? — Riu um pouco descrente, vendo o olhar do azulado se tornar ainda mais afiado. — Oh, meu deus você está! — Riu alto despreocupadamente, Ayato sinceramente nem se surpreendia mais com o temperamento da Coruja. — Onde anda com a cabeça Ayato-chan?! Esqueceu de como usá-la?

– Não, você esqueceu. — Devolveu em um tom sarcástico ignorando o apelido irritante. — Fazendo todo esse drama por causa de um cara que a gente matou tão facilmente. — Riu de lado. Bem, não haviam o matado facilmente, mas é claro que não perderia a chance de tripudiar por cima do orgulho da mulher e ainda se divertir em ver o sorriso sair momentaneamente de seus lábios, coisa realmente rara.

– Você sabe que eu gosto muito de você, não sabe? — Se aproximou Eto com um olhar enigmático. Na verdade, era complicado ler qualquer coisa em seus olhos sempre. — Mas eu fiquei realmente irritada quando voltei e não te encontrei, e ainda mais descobri que, uma peça importantíssima foi eliminada por pura infantilidade. — Uma chama de fúria de fez presente por um momento, logo dando lugar a aquele cinza denso novamente. — Eu estou tão desapontada, você era meu filhotinho, meu e do Tatara. — Fez um biquinho mal humorado antes de voltar a sorrir. — Mas você vai compensar não é?

– Pela sua cara, isso envolve o Kaneki. — Falou com um ar de tédio, encarando a baixinha sem dar sinais de que havia dado alguma importância as palavras da mulher. Na verdade, não seguia mais suas ordens, não tinha que se importar. — Só vou dizer uma vez: Tire as suas patas da sombra dele. — Seu tom era baixo, uma ameaça implícita, mas perceptível aos sentidos.

Como resposta, a mulher de cabelos cinzentos apenas riu, era irritante para Ayato como tudo era motivo de graça, como se aquele mundo horroroso em que viviam fosse algum tipo de comédia que só ela podia entender a ironia.

– Conviver com você sempre deu ideias boas! — Suspirou parando de rir. — Agora além de escrever um incesto, quero escrever um BL, um bem tórrido... — Passou a língua nos lábios observando o rosto do mais ainda mais vermelho quando ele entendeu o que aquele sorrisinho malicioso significava. — Mas para isso eu teria que mudar de nome... Encontrar um pseudônimo da verdade... O que acha que ficaria bom em mim?

– Um psiquiatra. — Devolveu o azulado em sua sinceridade ácida, fazendo a menor rir.

– Vou sentir sua falta... Acho que era o único membro da Aogiri com algum senso de humor. — Falou com um longo suspiro dramático, mas no fundo estava sendo sincera. — E fico feliz que você e sua irmã pararam de dar com a testa na parede e se entenderam. — Deu uma olhada a garota que a fuzilava com o olhar desde que a viu. Eto deixava claro pelo tom que não lamentaria se a Kirishima mais velha morresse acidentalmente. — Bem... Até já — Passou a mão suavemente sobre o ombro do garoto. — Mande lembranças ao Ken-san por mim, ok? — Falou vendo um brilho de raiva passar pelos olhos do menor ao vê-la se referir ao albino pelo primeiro nome. Adorava o temperamento fervente do Kirishima, era algo que a distraia da atmosfera sempre austera e séria que Tatara mantinha ao seu lado.

– Até. — Respondeu secamente. A Coruja dando uma das suas famosas risadinhas agudas com isso. Até que de repente parou, girando sobre os saltos no concreto e voltando a encarar o mais novo com um ar diferente do amigável com que havia se despedido. Era uma falsa docilidade que escondia um monstro.

– Ayatooo-chan ~ Esqueci uma coisinha. — Deu uma corridinha breve até o garoto, se pendurando em seu ombro e sussurrando lentamente em seu ouvido. — Lembre-se bem dessas palavras: Você não pode me causar um único arranhão usando toda a sua força, mas eu posso destruir tudo o que você mais preza em segundos. — Deixou-lhe um suave beijo na bochecha e voltando a se afastar, sendo seguida pelo olhar atento de Touka que analisava criticamente toda a situação.

Ayato apenas a observou se afastar sem responder a ameaça. Não faria aquilo com tão pouca energia e sua irmã logo ao lado, sendo o alvo perfeito. Era estressado sim, mas não era burro. Sabia que tinha mexido com a pior pessoa e que não podia com ela. Não agora.

Conhecia a Aogiri, e conhecia Eto mais do que ela própria imaginava. Concordavam em quase tudo, mas haviam coisas que só alguém que veio de muito baixo como Ayato poderia enxergar, e ele via claramente como o poder da Coruja de Um Olho Só a cegava para alguns aspectos.

Sim, no mundos dos ghouls o mais forte domina, mas por baixo disso, existem as emoções, algo que na medida que se ganha força, é preciso desligar para esconder seus pontos fracos. O próprio Kirishima vinha fazendo isso até pouco tempo, e foi assim que ele percebeu que, ter o controle de si mesmo é uma fraqueza, pois te deixa desprotegido para o inesperado. E assim, quando cai no olho do furação, apenas se debate desorientado e indefeso.

– Me senti desiludida agora. — Interrompeu Touka vendo a face pensativa do irmão. Não ouviu o que a garota havia dito a ele, mas percebeu pela sua postura que não havia sido algo bom, e já sentia a preocupação apertando-lhe o peito. Mas ainda não era hora de encarar aquilo. — Pensei que tinha te dado uma bela lição, mas já está aí, inteirinho. — Seu tom era despreocupado, mas o menor podia ver o oposto em seus olhos. Sabia que ela deveria estar analisando cada pequeno detalhe da conversa e avaliando as suas reações. — Me ajuda a levantar? Tenho uns ossos que ainda estão colando. — Suspirou pesadamente erguendo uma das mãos.

– Comer aquela porcaria dá nisso. — Resmungou o mais novo ignorando a mão da mais velha e puxando-a devagar pela cintura, para que não fizesse esforço. — Eu te levo em casa. — Falou afastando o cabelo da irmã, deixando o outro lado de seu rosto também exposto como sempre fazia. Era quase uma mania sua.

– Quem é ela? — Indagou repentinamente vendo que ia passar a noite pensando naquilo.

– É complicado. — Resmungou virando as costas e passando os braços da mais velha pelo seu pescoço, indicando que ela subisse em suas costas.

– Então explica. Quero saber de tudo que perdi. — Respondeu se acomodando enquanto o mais novo segurava suas coxas para mantê-la no lugar e começava a andar.

– Eu vou dar a ideia errada se explicar. Pergunte ao seu amigo, ele fala melhor que eu. — Falou se referindo ao albino distraidamente. Não queria falar de Eto nesse momento, ainda mais quando queria dar um jeito de impedir as ações dela.

– E o que ela quer com Kaneki? — Indagou deitando o queixo no ombro do irmão, dando uma olhada mal humorada quando percebeu que ele tinha um piercing na orelha.

– Complicado também. — Suspirou cansadamente. — Mas em resumo... Ás vezes ela diz que quer ele como "protagonista da sua tragédia." — Ditou fazendo um tom irritante, uma tentativa falha de imitar a voz dela. — Tsc, ela vai ver onde vai enfiar essas ideias dela... Não vai ter porra nenhuma de tragédia se depender de mim. — Rosnou irritado fazendo a mais velha rir de lado.

– Se depender de você, ele vai ser protagonista de uma comédia romântica, não é? — Murmurou rindo da cara do menor.

– Alguém me explica porque eu não esmago essa idiota no chão... — Suspirou mal humorado, o que só divertia mais ainda a irmã.

– Acho que eu vou demorar a me acostumar a ver você defendendo alguém... Mas eu gosto. — Falou voltando a seriedade. — Nunca pensei em te ver tão sério com alguém.

– Como assim "sério"? — Franziu o cenho em estranhamento.

– Por "sério" eu digo... Intenso. — Desviou o olhar para a paisagem, se distraindo e ficando em silêncio por um minuto antes de voltar a falar. — Dá pra ver que vocês se gostam de longe, por isso eu nem consegui dizer nada quando vi aquele beijão desentupidor de pia. Quem diria, heim otouto? — Riu cutucando o mais novo que já começava a sentir o rosto formigando.

– Cala a boca, não é da sua conta. — Devolveu emburrado e levando um apertão brincalhão na bochecha.

– Tá apaixonado... — Touka mal reconhecia a si mesma, sentia-se voltando a ser criança, mas não conseguia se impedir de provocar seu irmãozinho esquentado. — Tão meigo! Do que foi que chamou ele naquela hora? "Neki"? É um apelido carinhoso? — Continuou quase sentindo a circulação sanguínea do mais novo acelerar com a raiva.

– Não é porra de apelido nenhum! Foi acidente! Dá pra calar a merda da boca sua idiota?! Vai se foder imbecil! — Exasperou no meio da rua, assustando algumas pessoas que passavam na calçada do lado oposto.

– Mas não negou que está apaixonado. — Lembrou erguendo uma sobrancelha de forma engraçada. Na verdade, estava se divertindo horrores com o embaraço do menor que já parecia um tomate ambulante.

– Eu juro que eu vou te jogar num poço e fechar a saída. — Rosnou irritado, mas a garota nem deu ouvidos.

– Ok, tá parei. E só que... É muito estranho te ver gostando de alguém nesse sentido. Ainda mais um cara, e mais ainda o Kaneki. É esquisito, mas um esquisito que não é mau... Só é bem diferente de tudo o que já imaginei. — Viu o menor a encarar de canto de olho, como se esperando suas próximas palavras. — Eu apoio vocês. Ele é um idiota, mas um idiota responsável e um ótimo amigo, acho que posso confiar meu irmãozinho a alguém assim. — Riu de lado vendo Ayato rolar os olhos e bufar mal humorado, odiava ser tratado como criança. — Só... Tome cuidado, sim? — Falou se inclinando para olhar nos olhos do mais novo.

– Cuidado com o quê? — Franziu o cenho estranhando.

– É que... Quando eu o conheci, ele tinha algo de quente e calmo no olhar, e agora... Não que isso tenha sumido, mas tem algo mais, como dizer, algo obscuro no olhar dele. Lá no fundo. Algo frio e violento, acho que nem ele deve estar tão ciente disso. — Suspirou profundamente. Havia sentido falta disso, de dividir pensamentos que normalmente guardaria só pra si mesma. — Falo sério Ayato, tome cuidado.

Por um momento o Kirishima parou de andar, se lembrando das duas vezes em que viu o albino perder a cabeça em sua forma kakuja. Era algo tão selvagem e irracional que em nada lembrava aqueles olhos cinzentos e cheios palavras não ditas.

– Ele não vai me ferir. — Respondeu lembrando de quando Kaneki o salvou na prisão ghoul. — Eu sei que não vai.- Concluiu.

– E eu confio no seu julgamento. — Falou Touka dissipando um pouco daquela preocupação da sua mente. — Depois nos vamos ter "aquela conversa". Eu também me lembro da promessa de quando éramos pequenos, e eu fiquei de colocar juízo nessa sua cabeça de pirralho.

– Que conversa? — Indagou curioso.

– Sobre coisas que acontecem quando duas pessoas começam a namorar... Sabe? Essas coisas... — Tentou explicar, mas a própria sentia seu rosto queimando. Sem contar que não tinha noção de como explicar como eram exatamente as coisas entre dois homens, iria procurar na internet mais tarde.

– Que coisas? — Indagou novamente Ayato esperando que sua irmã parasse de rodeios. Porque ela não dizia logo de vez?

– E eu que já tinha pensado que você era do tipo que bebia e comia putas na Aogiri... Fico feliz que não mudou. — Tentou mudar de assunto, ainda tão tinha arrumando cara de pau o suficiente para entrar "naquela conversa."

– Mas eu bebia e comia putas. É muito fácil pegar uma, e são macias de mastigar. — Respondeu distraidamente, realmente não atentando para a estranheza da frase. Não era como quando estava com Hide, que tinha que manter sempre a guarda alta para as palavras suspeitas do loiro. Quer dizer, sua irmã não faria aquele tipo de indiretas... Faria?

– Tô perdida. — Suspirou Touka se perguntando como na terra, alguém entende umas coisas tão bem e é tão tapado para outras.

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Era a primeira vez em que a leitura não conseguia aplacar minimamente sua ansiedade. No inicio estava certo de que aqueles dois iriam se acertar, mas agora já começava a duvidar um pouco da sua capacidade de dedução. Passou a página que demorou praticamente uma hora para terminar com um suspiro pesaroso. Não sabia mais como era ler Takatsuki Sen, o que o fazia admirá-la era a forma que, como humana, ela definia a própria raça, agora se sentia estudando a mente do inimigo, embora não fossem inimigos declarados. Ou pelo menos não ainda.

A porta se abriu e simplesmente não conseguiu se segurar. Mesmo tendo chegado em uma parte realmente interessante da narrativa, desviou o olhar vendo o Kirishima passar pela porta, seus passos leves como os de um gato, total oposto de como saíram, o que indicava que estava em um humor mais calmo.

– E então? Como foi? Você e... Wow, o que foi isso no seu rosto? — A ansiedade do albino estourou de uma vez só, fazendo o menor rir de lado com a preocupação óbvia do outro.

– Ah... Nos... Arn... Ah! — Espirrou com força vendo um pouco de sangue ainda manchar sua mão. Tinha passado todo aquele tempo molhado, e seu corpo tendo que curar sucessivos ferimentos. — Er... Não é como se fosse o mesmo de antes, mas... A gente... Meio que se entendeu bem até. — Deu de ombros como se não ligasse, mas Kaneki podia ver um brilho diferente no olhar, algo mais quentinho e relaxante, diferente do gelo habitual. E por mais que parecesse uma mudança pequena por fora, o maior sabia o quão era importante por dentro, o que o fez sorrir satisfeito.

– Fico feliz. — Falou simplesmente, porém, seu tom dizia tudo. Aquela leve vibrada na sua voz grave dizia o que suas palavras não demonstravam, mas seu coração sentia. — Se tomar um banho quente seu nariz vai melhorar. — Falou vendo como o menor fungava por causa do mau tempo.

– Hm. — Respondeu o menor somente, se livrando da camisa ensopada, atraindo o olhar do mais velho sem nem perceber.

Era estranho para Kaneki se sentir tão fixado em olhar para o corpo de alguém, não que nunca tivesse sentido atração antes, claro que já, mas não daquela forma, a ponto de não conseguir desviar o olhar. Havia começado a apreciar o que havia por dentro do azulado muito antes de começar a reparar no que havia por fora, e agora era como se seus olhos estivessem reivindicando o tempo perdido.

Os orbes cinzentos acompanharam cada movimento do menor enquanto se despia, cada movimentos dos seus músculos, aparecendo primeiro o abdômen definido e suavemente acinturado, subindo para os mamilos delicados, as clavículas, a nuca onde caiam os cabelos escuros e úmidos, soltando gotículas de água que desciam lentamente até a barra da calça escura. Sinceramente, desejava ver bem mais, mas antes de terminar de se livrar da roupa molhada, o mais novo pareceu ter lembrado subitamente de algo.

– Tô te devendo uma coisa... — Riu de lado, os olhos cor de safira derretida. Seus passos se aproximando devagar e o mais velho engoliu em seco.

– Uh? — Só conseguiu responder inteligentemente a afirmação de Ayato, o que só piorou quando o garoto montou em seu colo, tirando o livro de suas mãos e largando de qualquer jeito na mesa de centro.

Teria até reclamado que ele não marcou a página se conseguisse desviar o olhar.

– Por mais que eu odeie essa sua mania de estar certo... — Sussurrou se deitando sobre o corpo do maior, quase como um felino encurralando sua presa. — Eu realmente sou grato dessa vez. — Concluiu com seus lábios roçando nos do albino, que logo avançou em um beijo desejoso.

Sem reservas, Ayato apenas se deixou levar, suspirando provocativamente quando seus lábios foram praticamente assaltados com tanta vontade. Sentiu as mãos fortes do maior o puxarem pela cintura, colando os corpos, e depois percorrendo suas costas, como se mapeando cada pequena área. Podia sentir seu corpo frio esquentando com o calor do outro que usava apenas uma camisa fina, que permitia que o menor sentisse seu corpo quase como se não houvesse nada entre eles. Entrelaçou as mãos nos fios brancos, arranhando sua nuca lentamente na medida em que sentia aquelas mãos percorrerem sua pele tão possessivamente, podia sentir a respiração do outro acelerando junto com a sua.

Quebraram o beijo em busca de ar, e sem pensar, Kaneki desviou seus beijos para o queixo do menor, descendo pelo pescoço até a clavícula, sentindo-o se arrepiar completamente em seus braços, seus quadris se chocando acidentalmente em um movimento sinuoso, pegando ambos de surpresa com uma breve onda de prazer ao sentirem seus corpos ainda mais ligados.

– E-Eu já me sinto devidamente agradecido. — Sussurrou Kaneki, sua voz quase em falsete, se afastando um pouco do menor. A situação estava começando a ficar um tanto... Como dizer, dura de se suportar.

– Não seja idiota, sou eu que decido isso. — Devolveu o azulado entendendo os motivos do mais velho. Ken Kaneki era uma criatura extremamente controlada em praticamente todos os sentidos, e Ayato detestava controle.

Sugou o lábio inferior do maior vagarosamente, apreciando seu sabor que ficava no limite perfeito entre o doce e o amargo, sentindo o corpo do mais velho reagir involuntariamente a seu toque. Desceu os lábios pelo maxilar do albino, agarrando os cabelos cor de neve com possessividade enquanto deixava seus lábios passearem livremente pela pele quase translucida, sugando luxuriosamente como se fosse devorá-lo e deixando uma trilha de marcas. Ouviu um gemido baixo escapando pela garganta do maior e parou o que fazia sorrindo de canto ao sentir as mãos fortes quase o marcando de tanta força que o segurava.

Iria dizer algo, alguma frase provocativa, porém, mais rápido que qualquer pensamento, sentiu o albino o prensando contra o sofá, colando seus corpos ainda mais e o agarrando possessivamente pelo quadril, de maneira forte que fazia o interior do menor vibrar.

Sentiu-se arrepiar quando o Kaneki mordiscou lentamente a pele entre seu ombro e pescoço, como um prelúdio de que o devoraria de maneira prazerosa, para depois subir em uma trilha de beijos bruscos e apaixonados até pouco abaixo da sua orelha, voltando a mordiscar sua pele enquanto uma de suas mãos agarrava sua coxa com vontade, e a outra subia pelas costas nuas.

Não era habituado àquele tipo de contato, talvez por isso seu corpo parecesse estar sendo bombardeado por inúmeras pequenas descargas elétricas. Suspirou alto passando as pernas em volta do quadril do albino, gostando de sentir aquelas mãos possessivas e carinhosas nas suas coxas, e depois um puxão na nuca e lábios sedentos nos seus. Sentia seus joelhos moles com tanta coisa ao mesmo tempo, seu rosto esquentava e seu corpo fervia como nunca havia experimentado antes.

Sentia a respiração difícil, o corpo febril, suas mãos ávidas em busca de sentir o corpo alheio já haviam invadido a camisa do albino há muito tempo, e agora percorriam suas costas de cima a baixo. Queria mais que aquilo, mais contato, mais calor... Estavam completamente colados, se roçava contra o corpo firme e tentador do mais velho enquanto perdia o fôlego naquele beijo, mas ainda não parecia o bastante.

Já Kaneki não lembrava mais da palavra controle naquele instante, e com Ayato se movendo tão provocativamente embaixo de si ficava praticamente impossível se controlar. Queria provar cada parte do azulado, queria ver mais da expressão entregue e envolvida do menor, mais daqueles lábios na sua pele, daqueles lábios nos seus... Era viciante e intoxicante, mas delicioso.

Desceu a mão por aquela coxa tentadora, apertando com o desejo que tinha de senti-la sem o tecido úmido da calça o impedindo de tocar cada centímetro daquela pele suave. Agarrou sua nuca, entrelaçando os dedos nos cabelos escuros e o prendendo em um beijo luxurioso que arrancou suspiros de ambos. Sentia as mãos de Ayato o tocando como bem queria, arranhando sua nuca, ou suas costas.

Sem medir suas ações, o albino afastou-se repentinamente do menor, se acomodando no sofá e começou uma trilha de beijos demorados do abdômen do azulado até seu pescoço, contornando com devoção cada músculo, ouvido cada suspiro, até seus lábios se encontrarem novamente. A cada beijo no corpo do menor, podia senti-lo arrepiar, sentia-o se movendo abaixo de seu corpo, e então o puxando pelo cabelo com força para um beijo selvagem.

– K... Neki...? – Indagou o menor se afastando em busca de ar enquanto o albino beijava seu rosto seguidamente.

– Sim? – Respondeu contra os lábios rosados, roubando-lhes mais um beijo.

– Er... eu... – Tentou falar, mas no meio da frase, foi bruscamente interrompido por um celular próximo e seu toque absurdamente alto.

E foi então que ele se deu conta do que estava fazendo, e do que estava prestes a pedir.

"... Mas que porra foi essa?" Pensou o azulado sentindo seu rosto queimar e seu coração parar umas duas batidas. Estava se sentindo... Estranho, muito estranho e seu corpo estava tendo reações que realmente não podia controlar.

Com o rosto da cor de um tomate, praticamente escorregou dos braços do albino, torcendo para que esse não direcionasse o olhar para a elevação aparente na sua calça, bem, isso como se ele não tivesse sentido momentos atras.

– E-E-Eu vou tomar banho agora. Tá frio. — Resmungou enquanto, literalmente, corria para o banheiro, batendo a porta logo em seguida, de forma que o mais velho teve certeza de que o menor iria demorar a sair dali.

Ainda sentindo sua respiração descompassada e os lábios formigando, Kaneki passou uma mão nos cabelos, bagunçando-os tentando aliviar a tensão. Estava sinceramente pasmo consigo mesmo, não imaginava que... Bem, iria atacar o menor assim, tão... Tão... Nem sabia descrever.

Respirou fundo lançando um olhar ao seu maldito celular, desbloqueando a tela e vendo que havia uma mensagem. Até teria pensando na cabeça da criatura em uma bandeja decorada até ver quem era.

Notificação: 1 Mensangem.

De: Touka

Acho bom você controlar suas patas perto do meu irmão,

ou, pode apostar, pedófilo albino, que você vai ter um órgão a menos.

Até mais ¬¬'

–- 02:00 --

Kaneki quase podia sentir o olhar ameaçador da garota só de ler as palavras.

– Acho que vale a pena correr o risco... — Suspirou se jogando no sofá com um sorriso bobo no rosto.

Em teoria não era impossível manter as ideias e vontades que Ayato despertava em si apenas dentro da sua cabeça. Porém, a instantes atrás, havia acabado de perceber que isso era somente em teoria.

Notas finais
Hoy o~ Mais alguns informativos sobre os personagens (que eu AMO fazer) - Sim, nosso Ayatinho tem 14 anos, é com essa idade que ele faz sua primeira aparição em Tokyo Ghoul (e idade atual da fic, já que no anime os acontecimentos são bem colados). O que é engraçado porque ele só é um ano mais velho que Hinami. Eu supus dois anos e meio de diferença entre os irmãos, porque quando Touka tem 17, ele completa de 14 para 15, então não são exatamente dois anos. - Kaneki completa 19 anos enquanto está preso sendo torturado por Jason (sim, horrível). - Ayato tem 1,59m e mal pesa 50kg (não chamo ele de pequeno a toa...), enquanto o Kaneki tem 1,69m. - No Japão, ao invés de combinar signos, se combina o tipo sanguíneo do casal. No deles dois, o resultado é o seguinte: >> AB com O: Uma dupla de opostos complementares. Se conseguirem relevar algumas situações, viverão em plena harmonia. (Insira a autora surtando MUITO quando leu isso aqui - - - - - - - - -- - - - - - - - ) Mas e então? O que acharam do cap??? Por favor me digam suas cenas favoritas, sempre fico curiosa para saber! Eu particularmente fiquei entre a cena do Ayato e da Touka, e essa final no sofá :3