Por trás de Frozen

9 Capítulo 8 - Do que você tem tanto medo?!


Notas iniciais
Olá, pessoas maravilindas! Tudo bem com vocês? :) Consegui escrever essa semana o/, foi difícil, mas aqui está :') Olha, não liguem muito para meus títulos, porque sou horrível com eles. Sempre tento colocar algo que se relacione às músicas ou falas do filme, mas continuo ruim nisso kkkkk Pela mudança de planos ocorrida no capítulo anterior, aqui também teremos POV Anna. Espero que gostem! *-----*

POV ANNA

Um vento congelante corta minha pele e balança meus cabelos despenteados pela corrida. O gelo em que meu vestido, agora completamente molhado, se apoia faz meus dentes baterem e todo meu corpo tremer. Respiro rápida e superficialmente, cansada.

– O fiorde... – Hans diz, impressionado.

Ao olhar para frente, vejo o lago congelando rapidamente, fazendo com que navios fiquem empacados. As montanhas deixam de ser verdes para tornarem-se brancas em segundos.

Hans acaricia meus braços para tentar me manter aquecida, mas tudo parece um borrão em minha mente. É como se eu estivesse naquele momento, dentro de um sonho, em que percebo que tudo isso não é real e acordo.

A diferença é que, por mais que me esforce, continuo aqui, ajoelhada em um lago congelado, sentindo tanto frio como nunca imaginei ser possível e segurando uma luva da Elsa.

O inverno chegou. Meu pesadelo começa agora.

Eu tento sentir alguma coisa além do clima – desespero, alívio, horror, qualquer coisa -, mas não consigo sair desse estado hipnótico em que me encontro. Talvez seja melhor ficar assim. Talvez eu pudesse ficar assim para sempre e nunca perceber a situação terrível e apavorante em que a vida me colocou e, principalmente, colocou Elsa.

Eu não consigo acreditar. Não dá. Não dá. Vejo minha cabeça balançar, consternada, inacreditada, enquanto flocos de neve caem sobre meus ombros e me fazem tremer ainda mais.

O inverno chegou.

O que foi que eu fiz para merecer isso? E Elsa? E meus pais? O que foi que Arendelle fez para merecer isso, para merecer ser um reino sem uma Rainha, e não tem nada a não ser uma Anna despreparada para liderá-los?

Meus olhos começam a se encher de lágrimas e aqueles sentimentos contidos pelo choque parecem vir de uma vez. Meu coração se aperta tanto que eu fico com falta de ar, a garganta fechada, as mãos trêmulas, o frio excruciante.

Não. Se eu continuar focando no que sinto, vou enlouquecer. Eu não posso. Preciso pensar. Preciso pensar.

Preciso focar no estado alegre e eufórico que estava quando, desesperadamente, saí correndo com Hans para tentar encontrar Elsa, mostrando que sim, é possível ser feliz. Mostrando que a vida pode ser mais do que viver encurralada em um castelo por toda vida. Mostrando que eu não podia mais aguentar viver daquele jeito, que eu me recusava a me submeter a isso. Aquele era meu momento de vitória; quando, de uma vez por todas, mostraria a Elsa que uma vida além dos portões existia.

Hans segurava fortemente em minha mão, e a sensação de segurança que eu tinha era inabalável. Fomos pedindo licença a todos que estavam na nossa frente porque meu coração batia tão rápido, ansioso pela liberdade, que não tinha paciência nem para esperar um casal passar.

– Ah, lá está ela! – disse eu, apontando para um manto roxo acompanhado de uma cabeleira loura. – Elsa! – ela virou-se para mim, elegante e fria como sempre, o rosto impassível. – Quer dizer... Rainha. – fiz uma reverência. – Eu outra vez. Permita-me apresentar... – trouxe-o para mais perto, cruzando seu braço com o meu. -... o Príncipe Hans das Ilhas do Sul.

Ele curvou-se, fino como somente um Príncipe sabe ser.

– Vossa Majestade.

Eu ria, ria à toa, inebriada com aquele momento de vitória e com o meu coração praticamente explodindo do peito. Eu estava completamente nas nuvens, mal percebendo o olhar desconfiado de Elsa.

Tal foi a ansiedade que nem combinamos como iríamos dizer à minha irmã que íamos nos casar, então acabamos falando praticamente tudo juntos.

– Gostaríamos da... – nós dois.

–... sua bênção... – ele.

–... ao... – eu.

–... nosso casamento! – nós dois, juntando os rostos e com um sorriso que mal podia conter em meu rosto.

O que eu esperava que ela fizesse? Bem, sinceramente, que visse o brilho em meus olhos e ficasse feliz por mim. Que recebesse Hans com um abraço caloroso – muito bem, esquece, essas palavras não combinam com Elsa. Enfim, queria que ela entendesse o quanto aquilo era importante para mim. O quanto eu desejava ser mais do que uma Princesa solitária presa em um castelo, ignorada por sua própria irmã durante anos e, se tudo desse errado – o que eu acreditava que nunca iria acontecer -, pelo resto da vida.

Mas o que ela fez? Bem, demonstrou surpresa – “Oh, meu Deus, uma emoção!”, pensei naquela hora –, o que já foi melhor do que qualquer outra reação que ela poderia ter. Poderia ter sido uma reação negativa, um chilique, enfim... Vi isso como um bom sinal. Após um tempo de hesitação, ela disse:

–... Casamento?

– SIM! – minha voz saiu até fina de emoção.

Ela olhou para o lado, confusa.

– Perdão, eu não entendi.

Bem, eu esperava que ela ficasse um pouco confusa, afinal as coisas andaram um pouco rápido, então também vi essa frase como um bom sinal. Também imaginei que ela quisesse saber como seriam os detalhes da cerimônia, então pacientemente expliquei:

– Bom, ainda não planejamos todos os detalhes, precisamos de alguns dias para planejar a cerimônia. É claro que teremos sopa, assado, sorvete e aí... Peraí! – virei-me para Hans. — Moraríamos aqui?! – SIM! Seria uma ótima maneira de Elsa se adaptar a um novo estilo de vida. Imaginei-a correndo atrás de seus futuros sobrinhos, sendo obrigada a passar o Natal conosco. Vendo por esse lado, seria a maneira perfeita de Elsa mudar seu estranho comportamento. Era a saída para todos os nossos problemas.

– Aqui?! – indagou Elsa, provavelmente estranhando essa minha pergunta.

– Sem sombra de dúvida! – respondeu Hans, o pensamento sincronizado com o meu.

– Anna!

– Podemos convidar seus doze irmãos para ficarem conosco! – quanto mais gente, melhor e mais rápida a adaptação, é claro! Talvez os irmãos de Hans até o tratassem melhor. Elsa poderia se casar com um deles!

Hans e eu demos as mãos, com a certeza de que nossos planos eram certos e de que iriam funcionar. Nada poderia estar melhor. Elsa balbuciava alguma coisa, mas Hans e eu estávamos tão ansiosos fazendo planos que nem a escutei.

– Eu sei que não temos muito espaço, não sei se eles gostariam...

Então, tudo começou a desandar. Balanço a cabeça, saindo um pouco daquela lembrança para ver se a dor ameniza. As lágrimas começam a descer, e não as impeço. Hans me abraça contra o corpo dele, que também está frio devido à temperatura.

– Já chega. Acabou. – Elsa disse, e a cada palavra meu coração se despedaçava, como agora ao me lembrar de tudo isso. – O irmão de ninguém vai ficar aqui. Ninguém vai se casar.

– Peraí. O quê?

Ela disse clara e lentamente, como se falasse com duas crianças. Como se estivéssemos fazendo algo errado, sendo que é ela quem destruía a alegria de Hans e a minha. Nos encarávamos, o rosto dela fechado, o meu surpreso e magoado, talvez até com desgosto, como se eu não reconhecesse mais, não importava o quanto procurasse, a irmã que eu amava (apesar de tudo).

Perguntei-me como Elsa tinha a excelente capacidade de me deixar triste quando tudo estava indo às mil maravilhas. Era a segunda vez que ela estragava meu dia e, naquele momento, não só estragara meu dia, mas também o restante de minha vida. Por que ela impedia minha felicidade?! Ela queria me ver em desgraça? Era isso que a fazia viver? Meu estômago borbulhava de raiva, uma raiva tão profunda que nem eu sabia que a tinha. Aproximei-me de Elsa, revoltada, fazendo com que olhasse no fundo de meus olhos para enxergar a vida que me condenara.

– Preciso falar com você, mas... a sós. – ela disse, esfregando nervosamente as mãos uma na outra, o rosto preocupado.

Rosto preocupado. Com o que ela estava preocupada? Se era com me deixar pior do que já estava, pensei naquele momento que isso era impossível.

– Não! – afastei-me dela e me aproximei de Hans. Eu não iria deixá-lo. Ela não podia me obrigar a deixar meu amor verdadeiro. Nem naquele momento e nem nunca. – O que tiver que dizer, pode dizer pra nós dois.

Ela me encarou por um tempo, depois ajeitou a postura petulante e disse com voz cortante:

– Não pode se casar com quem acabou de conhecer.

Eu tive vontade de rir! Quem era ela para entender sobre isso, para aconselhar sobre isso?

– Posso sim, se for amor verdadeiro! – coloquei minhas mãos sobre a de Hans, reforçando o que disse, meu coração batendo tão rápido e com tanta raiva que até doía.

– Anna, o que sabe sobre amor verdadeiro? – ela me encarava cortantemente, esperando uma resposta.

O que eu sabia sobre amor verdadeiro? Era essa a pergunta de quem nunca se deixou amar nem pelos próprios pais, nem pela própria irmã, provavelmente nem por si mesma?!

Aquilo era demais. Aquilo era a gota d’água. Eu não queria acreditar que minha irmã pudesse ser tão hipócrita, fria, egoísta. Eu morria naquele momento: morria de vergonha de mim por ter uma irmã assim, de Elsa por pensar dessa maneira; morria de medo de que aquela noite, realmente, fracassasse; e cada parte de mim morria um pouco ao pensar no futuro que me aguardava. O que eu mais queria era fugir dali, era chorar desenfreadamente, mas tudo o que pude pensar em dizer foi:

– Bem mais do que você! Tudo o que sabe é como abandonar as pessoas.

Anos de raiva e solidão contidas escaparam nessa frase, que atingiu Elsa de tal modo que vi seus olhos lacrimejarem.

“Eu não devia ter dito isso”, penso agora, enquanto Hans passa os dedos em meu rosto para secar algumas lágrimas, que vêm acompanhadas de soluços.

– Você pediu minha bênção e minha resposta é não. – ela respondeu, a voz dura.

Uma parte de mim queria que Elsa mostrasse seus sentimentos: que estava magoada, pois assim eu realmente veria que ela se importava comigo ou pelo menos com o que eu dizia. Outra não queria feri-la, e essa parte doeu excruciantemente quando aqueles olhos frios demonstraram fragilidade por menos de um segundo.

– Agora, me deem licença. – e ela começou a andar para longe de mim com a postura altiva, a capa rastejando majestosamente no chão.

– Majestade, se eu puder explicar... – Hans tentou consertar a situação, mas nunca conseguiria entender o quanto aquilo ia além de palavras.

Ela parou por um momento, esfregando os dedos.

– Não, não pode. E acho que você deve ir embora. – eu ia encarando, absorta, os passos de Elsa e ouvi quando disse a um guarda: — A festa acabou, fechem os portões.

– O quê?! – foi minha reação, e imediatamente corri atrás dela.

Eu sabia que a tinha magoado, sabia que não deveria ter dito aquilo, mas aquela sensação claustrofóbica apareceu junto com um desespero e certa ânsia tão grandes que tudo o que eu podia pensar em fazer era implorar a Elsa para que não fechasse os portões.

– Elsa, não! Não! Espera!

Não. Não, ela não poderia fazer isso. Não, por favor, não. Elsa, por favor, deixe nossas diferenças de lado, faça tudo o que quiser, mas não feche os portões. Não, não.

Eu me sentia uma criança mimada ao pensar assim, mas imaginar os portões fechados me fazia ter vontade de cair no chão e chorar até ficar tão cansada a ponto de dormir, sem forças para mais nada.

Ao tentar fazer com que Elsa se virasse para mim, acabei pegando uma das luvas dela, o que causou um suspiro instantâneo de susto e medo.

– Devolva minha luva! – ela tentou pegar, desesperadamente, a luva, mas aquela era a única forma de ela dar atenção a mim.

Comecei a jorrar palavras na mesma intensidade em que tentava conter minhas lágrimas.

– Elsa, por favor. Por favor, eu não consigo mais viver desse jeito! – a frase saiu como uma clemência desesperada, como se uma pessoa que foi presa injustamente implorasse para sair de sua prisão que parecia nunca ter fim.

O que era exatamente o caso.

Então, ela me encarou e meu coração caiu.

Não tenho palavras suficientes para descrever o olhar de culpa e medo que Elsa tinha, mas até agora ele me transpassa o peito como uma espada.

– Está livre pra ir. – ela jogou a frase para cima de mim, que estava totalmente despreparada para recebê-la.

Então era isso, pensei, que ela sempre quis. Era me fazer ficar o mais longe possível dela, pois de alguma forma inexplicável eu dificultava sua vida de uma maneira tal que a própria me mandou embora de casa. Eu me sentia completamente humilhada, injustiçada e até traída, por ter sempre tentado justificar Elsa por todos esses anos de exclusão.

Todos esses sentimentos ruins se intensificaram quando Elsa virou as costas e começou a andar na direção oposta. A raiva e inconformidade derramaram nas minhas próximas palavras.

– O que foi que eu fiz pra você?!

– Já chega, Anna... – ela abraçou a si mesma, tentando me conter sem olhar para trás.

– Não! Por que, por que você me abandonou?! – se eu nunca mais a veria, precisava ao menos saber o motivo. Precisava saber porquê fui excluída minha vida toda, porquê Elsa me via como uma ameaça, ou o mundo como uma ameaça, sabe-se lá o quê. – Por que se isolou do resto do mundo, do que você tem tanto medo?! – as últimas palavras saíram em forma de grito, e eu não me importava com as pessoas olhando aquela conversa. Eu só queria, de uma vez por todas, obter respostas.

– Eu disse JÁ CHEGA!

Então, uma corrente gelada atravessou meu rosto, como faz agora, e estalagmites feitas de gelo criaram uma barreira entre Elsa e o resto do mundo.

Gelo. Gelo que veio da mão sem luva de Elsa.

Corri para trás, assustada, encarando absorta aquelas formações pontiagudas que apontavam para meu rosto.

– Feitiçaria. – murmurou o Duque de Wisentown. – Eu sabia que havia alguma coisa muito errada aqui.

A partir daí, minhas lembranças parecem borrões. Lembro-me de meu medo desaparecer completamente ao olhar o rosto apavorado de Elsa, em como ele perdeu a cor e o modo como seu corpo tremia. Em como me senti absurdamente compelida a ir até a ela e pedir desculpas por tudo, em como queria abraçar minha irmã e dizer que tudo ficaria bem. Em como, de repente, eu entendi que Elsa não via o mundo como uma ameaça para ela, mas ela como uma ameaça para o mundo.

– Elsa... – foi tudo o que consegui dizer. Eu respirava rápida e profundamente, tentando me acalmar.

– Não. – ela suspirou com terror, a mão sem luvas contra o peito e protegida pela outra enquanto abria a porta e fugia.

Por alguns segundos, encarei a porta, tentando organizar meus pensamentos.

Eu entendia que aquele “Não” significava muitas coisas: “Não quero que ninguém me vejam assim”; “Não acredito que tudo deu errado”; “Anna, não venha atrás de mim”.

Mas eu precisava, mais do que qualquer coisa, ir atrás de Elsa. Ela precisava de mim. Isso é tudo em que eu precisava pensar naquele momento.

Fui em direção às estalagmites, com a pretensão de subir sobre elas, mas Hans veio até a mim e me impediu.

– Anna, não! Vai se machucar!

– É Elsa quem vai se machucar. Ela precisa de mim. Eu tenho que chegar até a ela, Hans! – eu peguei em seus ombros e o sacudi para que entendesse a gravidade da situação.

Ele mordeu os lábios.

– Muito bem. Vou logo atrás de você. – então ele me pegou pela cintura e me levantou de modo que eu conseguisse passar pelo gelo.

– Obrigada – balbuciei, e me pus a correr.

Corri o mais rápido que pude até as portas do castelo, mas percebi que cheguei tarde demais ao ver gelo nos degraus da escada e a fonte de água congelada.

– Elsa! – eu segurava a luva dela com força, como se isso me ajudasse a correr mais rápido.

Quase escorreguei por diversas vezes nos trechos do chão que estavam congelados, precisando me apoiar em Hans ou em paredes. Eram esses os rastros que me contavam a direção que Elsa tinha ido.

– Elsa!

Passei por um túnel que dava para um lago e, na beira do lago, minha irmã parada.

– Espera, por favor!

Ela olhou para trás por um segundo antes de começar a andar sobre as águas, congelando seu caminho.

Eu desci correndo as escadas a fim de alcançá-la.

– Elsa, para!

E foi nesse momento que tropecei no gelo e caí de joelhos no lago que Elsa congelou, molhando meu vestido e observando, impotente, minha irmã chegar ao outro do lado do lago, correndo de modo que nunca a alcançaria.

– Anna! – Hans gritou, preocupado.

– Não.

Foi tudo o que eu disse. Não havia mais o que dizer. Ainda não há o que dizer.

Minha respiração se acalma aos poucos enquanto tento colocar a lembrança de lado. Tenho muito em que pensar, como: o que vou fazer agora? O que farei com Elsa? Com Arendelle? Comigo? Por que tudo isso aconteceu? Por que Elsa tem poderes, por que me deixou por eles, por que a forcei a fugir, por que um dia que tinha tudo para ser perfeito acabou se tornando uma completa confusão?

Limpo minhas lágrimas com meus dedos e olho para Hans, para que saiba que ele é tudo o que me resta agora. Todos os outros me abandonaram, de uma forma ou de outra, por uma razão ou por outra.

– Hans, você promete que nunca me abandonará? – indago com a voz chorosa.

Ele coloca os braços ao meu redor e me abraça, e eu fecho os olhos para, pelos menos por alguns segundos, sentir que eu tenho lugar no mundo.

– Como eu já disse, Anna – ele sussurra, claramente preocupado comigo. -, eu nunca abandonaria você.

Lentamente, ele levanta e estende a mão para me ajudar a ficar em pé. Juntos, caminhamos em silêncio até a aldeia, onde as pessoas estão fascinadas – ou horrorizadas – com os acontecimentos.

– Você está bem? – Hans finalmente me pergunta enquanto desviamos de algumas pessoas.

– Não.

– Sabia disso?

Se eu sabia que minha irmã tinha um poder que a permitia controlar o gelo? Se eu sabia que essa era a provável razão pela qual ela me ignorou por tantos anos sendo que a solução mais fácil era ter me contado tudo?

Suspiro, cansada com tantas indagações e em “E se”s.

– Não. – respondo e, mesmo não querendo, minha voz sai cheia de mágoa.

Tudo o que Elsa quis foi minha proteção. Eu devo ser grata a minha irmã. Se não tivesse a pressionado sobre o casamento, isso nunca teria acontecido. Meu coração se contorce, pesado. É tudo culpa minha. A fuga, o gelo, é tudo culpa minha. Eu me coloquei em meu próprio pesadelo, não Elsa.

– Está nevando! A Rainha amaldiçoou esta terra! – ouço uma voz petulante e brava e sei imediatamente que o Duque de Wisentown está comentando sobre o ocorrido. – Ela deve ser detida! – então se vira para um de seus guardas. – Você tem que ir atrás dela!

Fecho minhas mãos, os nervos à flor da pele. Quem é ele para acusar minha irmã sem saber tudo o que passou?

– Peraí, não! – interrompo seu chilique e ele larga os ombros do guarda para me olhar.

Seus olhos se arregalam e ele se esconde atrás de seus dois guardas.

– Sim! – ele me enfrenta, depois se esconde um pouco mais de modo que apenas seus olhos e bigodes estão visíveis. – Essa feitiçaria também está em você?! Você também é um monstro?!

– Não! Não, eu sou completamente comum. – respondo, perguntando-me pela primeira vez o motivo de Elsa ter poderes e eu não. Quero dizer, não é importante, mas... Bem, é uma curiosidade de pessoas que possuem irmãos com poderes, acredito.

– Isso mesmo, ela é sim! – Hans me apoia e olho a ele com curiosidade. – No bom sentido.

Sorrio pela primeira vez após o incidente. Parece errado sorrir agora, mas Hans é sempre minha esperança na tristeza.

– E a minha irmã não é um monstro! – defendo-a ao olhar feio para o Duque.

– Ela quase me matou! – ele grita, ainda se escondendo atrás dos guardas.

– O senhor escorregou no gelo. – argumenta Hans.

– No gelo dela!

Respiro fundo.

– Foi um acidente, ela estava assustada. Ela não quis fazer isso, ela não quis fazer nada disso! – o Duque me encara, curioso. – Foi tudo culpa minha. Eu a pressionei, então... – então o quê? Elsa fugiu, tudo está uma bagunça. O que devo fazer? Olho para a fonte congelada e imediatamente meu coração me diz o que é preciso ser feito. Uma onda de certeza e esperança me invade, e sei que estou certa. Eu vou fazer isso. -... sou eu quem precisa ir atrás dela.

– O QUÊ? – Hans e o Duque berram em conjunto.

– Tragam o meu cavalo, por favor! – grito aos ventos, esperando que alguém me ouça e me ajude a ir o mais rapidamente possível atrás de Elsa.

Minha irmã não sabe, mas ela quer ser encontrada e, mais do que isso, precisa. Ela não pode ficar sozinha agora.

Uma mão se aloja em meu ombro, me puxando para trás.

– Anna, não. É muito perigoso. – o olhar de Hans é de desalento e medo, mas eu sorrio e coloco minha mão em cima da dele.

– Elsa não é perigosa. Eu vou trazê-la de volta e vou resolver isso – vou me aproximando de meu cavalo que Ludvig traz enquanto falo.

– Eu vou com você! – diz Hans, pegando em minha mão, implorando com os olhos.

É claro que irei sentir muitas saudades de Hans, que é dele que eu preciso quando estou triste e preciso de esperança. Mas outras pessoas também precisam dele para levar esperança a elas.

– Não. Preciso de você aqui, cuidando de Arendelle. – Ludvig coloca um manto em mim com um bolso cheio de uma considerável quantidade de dinheiro, e o encaro, agradecida.

Percebo que ele está ansioso, trêmulo e que me faz uma pergunta com os olhos: “Você tem certeza disso?”.

Sorrio. “Sim”.

– Pela minha honra. – diz Hans, apertando minhas mãos, e sei que Arendelle estará bem enquanto Elsa e eu estivermos longe.

– Deixarei o Príncipe Hans no comando! — anuncio enquanto subo no meu cavalo cinzento e todos me encaram. Vejo olhares receosos, medrosos, apreensivos, e tento dizer que tudo ficará bem com um aceno de cabeça.

Hans pega na minha mão uma última vez antes de eu ir.

– Tem certeza de que pode confiar nela? Eu não quero que se machuque.

– Ela é minha irmã. Nunca me machucaria. – pelo contrário. Ela se isolou por anos apenas para manter minha segurança.

Com um último longo olhar a Hans, incito o cavalo que, sem pestanejar, corre para fora de Arendelle, o vento cortante bagunçando ainda mais meus cabelos.

“Tem certeza disso?”, o olhar de Ludvig me pergunta de novo.

Penso melhor na resposta enquanto protejo-me do vento forte ao ficar atrás da cabeça do cavalo.

Por um momento, eu tive tudo o que sempre quis: minha liberdade. Eu podia me casar com Hans e viver nas Ilhas do Sul, ficando o mais longe possível da minha infância, que traz consigo tantas lembranças ruins. Mas eu sei que nunca poderia ser realmente feliz se ficasse me lembrando do horror no rosto de Elsa, o quanto deveria estar se sentindo sozinha e com medo – talvez, mais do que eu jamais senti.

Então, não foi uma decisão difícil ir atrás dela. Não foi nem uma decisão – no fundo, eu já sabia antes mesmo de ela fugir pela porta do Grande Salão que não poderia deixá-la por si só naquele estado.

E, assim, com meu coração cheio de fé, esperança e enfrentando uma tempestade de neve, deixo tudo para ir atrás de minha irmã e contornar meu pesadelo.

Notas finais
E agora? Será que Anna vai encontrar Elsa? Como Hans administrará Arendelle? :O (como já disse, faz de conta que não sabem! Hihihi) Bem, tenho alguns recados: 1. A Lynda Di Angelo encontrou o nome verdadeiro do Ludvig, que é Kai (achei um pouco estranho, mas gostei!). Como já utilizei muito o nome Ludvig, irei deixar Kai como o sobrenome dele. Achei legal compartilhar essa informação com vocês! :) 2. Semana que vem irei viajar por conta do feriado do Tiradentes, então é muuito provável que eu não consiga postar :( Além disso, estou em semana de provas que só Jesus na causa! Fazer o que, né! kkkkk Então, peço desculpas e agradeço e todos que acompanham essa fanfic e me deixam muito feliz *--------* Espero comentários e, principalmente, espero que tenham gostado! :) Beijinhos e ótimo feriado!