Notas iniciais
OIIE!! Sei que demorei, mas estada dengosa em plena semana de prova, daí vcs tiram o quanto eu estava atoladamente mal! Espero que estejam gostando da fic até agora, mas coisa vão começar a esquentar!!! Nessa capítulo tem mais detalhes do nosso misterioso Thomas e da família da Sam! Espero que gostem! Boa leitura ;D

– Não exagere mamãe, assim você vai matar ele afogado isso sim. — resmungo quando estamos na cozinha de casa, Thomas muito bem sentado em uma cadeira e tendo minha mãe o servindo água, suco, refrigerante, e tudo que se tem para beber aqui em casa.

– Depois de você o ter tratado tão mal, eu estou apenas sendo gentil com o nosso convidado.- responde minha mãe sorrindo para Thomas que não tirou o sorriso do rosto desde que minha mãe "o defendeu" e o convidou para entrar.

– Não precisa se preocupar tanto dona Susana, já estou acostumado com esse jeito da Sam. É muita gentileza da sua parte, obrigado.- diz ele aceitando o copo de água que minha mãe o entregava.

– Thomas, vem aqui, deixa eu te mostrar meu novo jogo de corrida que ganhei de aniversário!- fala Júlio invadindo a cozinha e praticamente arrastando Thomas com ele para a sala.

– Ele é bem bonito, você deveria ser menos malvada com ele.- comenta minha mãe quando estamos as duas na cozinha.

– Por que? Só porque ele é bonito não quer dizer que eu tenha que ser boazinha com ele, quando ele não é comigo!- alego rechaçando a possibilidade de ter algo com Thomas.

– O que quer dizer com isso?

– Nada mãe. Vou tomar um banho, como a senhora está se dando tão bem com ele, a senhora leva ele até a porta.

– Não demore muito, seu pai chegará logo e disse que quer todos no jantar para um aviso importante.

Saio da cozinha e paro um momento na sala para ver Júlio e Thomas sentados no chão na frente da televisão cercados da coleção de jogos de videogame do meu irmão. Vendo Thomas assim ele parece ter a idade do meu irmão, todo animado com aqueles jogos e falando de modelos de carros e motos e novos jogos que sairão. Pela forma que ele falou do irmão mais velho dele antes imagino que ele não deve ter tido momentos como esse e me pergunto por que a relação dele e do irmão parece tão complicada. Tem muitas coisas que não sei sobre ele e vê-lo ali na minha sala, rindo e brincando com o meu irmão é tão estranho, principalmente quando penso que o conheci apenas alguns dias atrás.

Vou para o meu quarto no segundo andar me ocupando em jogar minha bolsa na cama, pegar a toalha e ir para o meu banheiro. O banho costuma ser aquele momento em que eu solto minha voz, penso na vida e costumeiramente me lavo, meus pensamentos hoje, como vem sendo desde segunda, se prendem em Thomas. Como esse garoto pode está na minha casa, interagindo com a minha família depois de ter sido tão idiota comigo no meu primeiro dia de aula?

Tudo bem que posso está dramatizando um pouco disso de não ser amiga dele, mas tenho bons motivos. Pelo que eu soube na faculdade ele entrou no meio do ano passado, sendo que terminou o colégio antes, o que me faz perguntar por que ele não entrou logo em uma faculdade, será que ele não passou em nenhuma? Escutei também que ele aprontou muito semestre passado com o tal grupinho de amigos que encontrei no meu primeiro dia, mas alguns disseram que ele anda mudado. Agora está mais calado e atento nas aulas, não tem mais andado com aqueles caras e por minha própria analise passa tempo demais do seu dia ocupado em me perturbar para ter tempo de se meter em confusão.

Não sei quem é o Thomas, sequer sei o sobrenome dele! Olívia me disse que ele não tem redes sociais, já que a mesma tentou stalkear ele e não o encontrou. Na verdade a maioria das coisas que sei de Thomas são através da Oli, levando em conta que o tempo que conversamos é resumido em briguinhas e provocações.

Saio dos meus pensamentos quando escuto a batida na porta do meu quarto e meu irmão gritando para eu me apressar que o papai tinha chegado e o jantar seria servido logo. Me arrumo rapidamente colocando apenas um short jeans e uma camiseta de casa, mesmo que meu pai tenha dito ter algo importante para falar eu acho que posso ouvir o seu pronunciamento em uma roupa confortável.

Desço as escadas sem muita pressa e vou em direção a mesa de jantar, mas quase tropeço nos meus próprios pés quando vejo Thomas ajudando minha mãe a colocar a comida na mesa. O que esse garoto ainda está fazendo aqui? Não precisaria ser alguém muito inteligente para perceber que ele ficaria para o jantar, mas quem o haveria convidado? Engulo minha curiosidade e me limito a ajudar minha mãe, ignorando ao máximo os sorrisos implicantes que Thomas me lançava no trajeto cozinha- sala de jantar.

– Podem se sentar, crianças. Vou apenas pegar o suco enquanto o Maurício e o Júlio descem.- diz minha mãe voltando para cozinha.

– Acho engraçado a forma como ela nos chama de crianças.- comenta Thomas quando estamos sozinhos.

– O que ainda está fazendo aqui?- digo seca.

– Bem...- diferente do que eu esperava que acontecesse, ele fechou o sorriso que tinha em seu rosto e adotou uma postura séria.- Quando seu pai chegou eu estava jogando com seu irmão, ele pareceu gostar de mim e me convidou para o jantar. Mas se você quiser eu vou embora.

Por incrível que pareça eu me senti mal por o ver se fechar assim, ficando tão sério e saindo daquela onda constante de provocações e brincadeiras. Me senti mal por ter sido ríspida com ele aqui e por não o ter tratado bem na minha casa, levando em conta também que ele aqui em casa não fez nada demais além de ganhar a amizade instantânea do meu irmão e a simpatia dos meus pais.

– Er.. Não precisa, sabe, o Júlio gostou muito de você e seria falta de educação eu te expulsar assim.- respondo um pouco constrangida.

– Eu não planejava me infiltrar no seu jantar de família, Samantha.- responde ele ainda sério.

– Está tudo bem.- asseguro.- Além do mais, parece que você se comporta muito melhor comigo quando meus parentes estão por perto.

– Aproveite a trégua, gatinha!- diz me dando uma das suas clássicas piscadelas acompanhada do sorriso voltando ao seu rosto.

Ocupo meu lugar de sempre na mesa e Thomas senta ao meu lado, onde Júlio costuma se sentar, mas meu irmão não pareceu se preocupar quando entrou pelo corredor e sentou de frente para Thomas já retomando o assunto de jogos e corridas.

– Parece que somos os últimos, querida.- diz meu pai ao entrar acompanhado por minha mãe.- Sam, seu irmão me apresentou seu colega de faculdade, espero que não se importe de eu o ter convidado para jantar conosco.

– Não tem problema, pai.- digo simplesmente.

O jantar inicialmente correu como o de costume, minha mãe serviu Thomas que parecia envergonhado com a situação, meu pai pergunta como foi nossos dias e depois de uma longa descrição do meu irmão sobre algo novo que ele aprendeu na sua aula de robótica de hoje meu pai começou a mostrar certo interesse na vida de Thomas, vida essa que eu sei tão pouco quanto qualquer um dessa mesa.

– Então vocês estão na mesma turma?- aborda meu pai.

– Nós temos apenas a cadeira de cálculo I juntos.- diz Thomas.

– Na verdade o Thomas é monitor de cálculo e só assiste as aulas pela manhã para ver o que pode ter deixado os outros com mais dúvida.- acrescento

– Isso parece muito prático, vê o que os alunos podem ter se confundido durante as aulas e na monitoria chega preparado para as possíveis dúvidas, boa iniciativa a sua!- elogia meu pai.

– Obrigada, senhor.- responde Thomas aparentemente constrangido.

É engraçado vê-lo envergonhado, ele sempre apresenta aquela pose de confiante, como se nunca estivesse desconfortável e sabe o que está fazendo sempre. Ele se deu muito bem com Júlio, conversando e brincando muito, mas com meus pais ele manteve o respeito e a cordialidade em primeiro plano. A cada segundo aprendo algo novo sobre esse garoto que entrou na minha vida de forma inesperada e que já está ocupando grande parte do meu dia.

– Os seus pais devem está orgulhosos de você ser tão dedicado.- diz minha mãe ainda o elogiando.

– Er... Meu pai viaja muito por conta do trabalho, provável que ele nem saiba que sou monitor. E minha mãe... Bem, ela morreu quando eu tinha dois anos.- fala Thomas me pegando totalmente de surpresa.

Eu não poderia imaginar que esse garoto tão implicante e irritante fosse órfão de mãe, e pela forma com que ele teve dificuldade de falar disso acho que o tema ainda machuca muito ele. Seus olhos perderam um pouco do seu brilho natural e sua boca se transformou em uma fina linha, nesse momento me veio uma estranha vontade de correr minha mão por seu cabelo bagunçado, o puxar para meu colo e o consolar. Ele pareceu desolado, mas nada disposto a deixar a noite se estragar por conta disso.

– Oh, sinto muito, querido!- disse minha mãe quebrando o breve silêncio que se instalou.

– Aconteceu faz muito tempo, mas obrigado.- responde Thomas abrindo um pequeno sorriso de agradecimento.

Desde que ele falou de sua mãe ele não olhou para mim, ele não deve querer ver nenhum olhar de pena no meu rosto, no seu lugar eu não quereria também. Contudo, acredito que o olhar que tenho no rosto não é de pena, descreveria mais como surpresa e um pouco de admiração, pois eu realmente não consigo imaginar minha vida sem a minha mãe.

– E o seu pai trabalha com o que, Thomas?- meu pai tenta puxar um novo tema para sairmos desse clima delicado.

– Ele trabalhava com investimentos, comprando e vendendo terrenos, administrando negócios da família, mas já faz um tempo que ele está envolvido com política.

– Política? Que interessante! Eu sou o editor chefe do caderno de política do jornal "A imprensa", quem sabe eu já entrevistei ou fiz alguma reportagem sobre o seu pai.

– Acho difícil, ele não aparece muito.- disse Thomas de imediato querendo cortar o assunto do seu pai.

– De toda forma, vou aproveitar que estamos falando da minha área de trabalho e farei o comunicado ao qual me referi mais cedo.- começa meu pai.- Hoje fechamos uma edição bombástica sobre o meu corrupto favorito, o excelentíssimo senhor Emílio Vasconcelos.

Emílio Vasconcelos é o governador do nosso estado e meu pai tem ele como alvo principal das suas críticas e acusações de corrupção, desvio de verba e essas coisas. Sendo que o foco do meu pai nesse político está em um nível quase obsessivo, dia e noite ele fala de algo novo que descobriu, uma fonte nova, um furo no plano de governo, qualquer coisa que seja.

Não gosto dessa área de política, nenhum me convence com aquelas palavras vazias e promessas de perna curta. Detesto quando meu pai entra no modo jornalista e só fala disso e de como nossa relação fica afetada quando nossas ideias entram em conflito, principalmente quando ele vem criticar minha escolha profissional. Não sou de ficar calada, defendo meu ponto e claramente puxei isso do meu pai, pois nossas discussões sérias parecem intermináveis. Sei que quando discutimos deixamos minha mãe com o coração na mão, por isso tento apenas ignorar quando meu pai começa.

– Isso é ótimo querido! — declara minha mãe.

– É sim querida. A nova edição será publicada nesse domingo e para comemorar quero fazer um jantar aqui em casa com o pessoal do caderno de política e alguns convidados especiais.- explica meu pai.- Thomas, sinta-se convidado, provavelmente Sam chame Olívia também então não ficará deslocado.

– Agradeço o convite, senhor.- responde educadamente Thomas.

– Posso ir dormir na casa do Bruno então?- pergunta Júlio animado com a possibilidade de dormir na casa do melhor amigo.

– Podemos combinar isso com a Aurora, se ela não se incomodar pode sim, filho.- responde minha mãe se referindo a sua amiga e mãe do Bruno.

– Oba!- comemora meu irmão.- Desculpe te abandonar com as duas malucas, Thomas, mas eu acho uma chatice esses jantares.

– Não chame sua irmã e a Oli de malucas na mesa, Júlio!- repreende minha mãe.

– Então fora da mesa eu posso chamar?- rebate meu irmão.

– Claro que não, deixe de gracinha. E Thomas, quando arrumarmos o horário do jantar direitinho, mando Sam lhe avisar.

– Será um prazer, senhora.- diz Thomas e logo se volta para mim me oferecendo um dos seus sorrisos de lado, parece que o fim de semana será longo.

***

O jantar seguiu calmo e felizmente fora do tema "política". Júlio e Thomas entraram em uma conversa sobre jogos na qual meu pai não opinou muito, mas quando o tema entrou em carros e motos os integrantes do sexo masculino da mesa se animaram e entraram em uma conversa calorosa. Enquanto isso eu e minha mãe conversávamos sobre a faculdade e ela me pedia opiniões sobre como eu achava que poderíamos arrumar a casa dessa vez para o tal jantar, que buffet contratar, quem mais deveríamos convidar e coisas do tipo.

Depois da mesa devidamente tirada e que minha mãe conseguiu convencer meu irmão a deixar Thomas ir embora, eu fiquei responsável por o levar até o portão. Em silêncio saímos da minha casa e nos dirigimos a garagem onde ele havia deixado sua moto.

– Te irritou que eu tenha ficado para o jantar?- puxa assunto Thomas.

– Na verdade não.- digo ainda andando pra garagem.

– Que pena!- brinca ele.

– Sei que seu objetivo de vida é me irritar, contrariar, perturbar e todas essas coisas, mas quando você não está sendo um idiota você é suportável. E durante o jantar você não foi um idiota.- explico.

– Isso é você tentando me elogiar? Se for você precisa se esforçar mais!- aponta ele e ambos rimos dessa situação.

– Tente não ser sempre tão idiota que talvez eu não te envenene no domingo.- digo e é a minha vez de lhe mandar uma piscadela divertida.

– Isso quer dizer que você quer me ver no domingo e eu estou autorizado a comparecer no jantar?

– Isso quer dizer que se você não for o você de sempre, pode vir e ficar entediado na festa chata comigo e a Oli.

– Acho que é impossível ficar entediado contigo, gatinha!- alega parando na minha frente e me obrigando a parar também.- Obrigado por me deixar conhecer sua família. — diz e toca meu queixo com a ponta dos dedos.

– Eu não tive muita opção sabe...- respondo baixo ainda com os olhos nos dele.

– Não seja chata e diga apenas "de nada".- fala mantendo o tom baixo.

– De nada.- as palavras saem da minha boca sem que eu perceba.

– Boa garota!- diz ele me dando um beijo na testa antes de se afastar já pegando o capacete na moto.

Parece que saí de um feitiço, pois o que acabou de acontecer não tem sentido na minha mente. Pisco um par de vezes na tentativa de clarear meus pensamentos. Quando volto a olhar para Thomas ele está em cima da sua moto com o capacete colocado, mas aberto na frente e me olhando sério antes de abrir um pequeno sorriso.

– Sam...- não sei explicar, mas a forma como meu nome soou na sua voz agora pareceu tão diferente.- Er.. Queria te perguntar se você ficou sabendo da festa do Rômulo...

– A festa do português? Fiquei sim, pelo que soube ele convidou todo mundo que cursa qualquer engenharia de qualquer semestre da faculdade.

– É, ele é meio exagerado. Você vai para essa festa?- pergunta ele meio cauteloso.

– Não estava com muita vontade não. Lembro desse português do episódio da escada no primeiro dia de aula e não estou muito ansiosa por revê-lo.- respondo e não evito levantar a sobrancelha quando falo do primeiro dia de aula.- Por que? Você vai?

– Não vou não e ia dizer pra você não ir também. As festas do Rômulo são meio barra pesada, parei de me envolver com ele por conta disso. Além do lugar da festa ser em um bairro perigoso, não acho que seja lugar para você e a Oli irem se aventurar.

– Entendi. Bem, obrigada pelo conselho.

– Agora tenho que ir. Boa noite, gatinha!- me manda uma piscadela ligando a moto.

– Boa noite, amanhã te mando o horário do jantar, babaca!- digo abrindo o portão e lhe dando um sorriso quando ele sai pela minha rua.

Notas finais
Aí está! Espero que tenham gostado! COMENTEM E RECOMENDEM! Quem tiver interesse em outras fics minhas dá um pulo no meu perfil e faça a festa! O próximo capítulo já tem mais de mil palavras escritas e pretendo postar logo, então fiquem de olho ;) Bjs, Tatá :3