Notas iniciais
OIE!!! Olha eu aqui com mais um capítulo para vcs! Sei que demorei mais do que das ultimas vezes, mas estou compensando isso com um capítulo bem grandão, cheio de informações e acontecimentos! Então espero que gostem! ;*

Ele só pode está fazendo isso de propósito! Todas essas ultrapassagens, a velocidade no limite do permitido, o modo como inclina a moto nas curvas... Esse garoto quer me matar!

Mas devo admitir que depois dos primeiros minutos de medo eu comecei a apreciar o passeio. O vento percorria meu cabelo o bagunçando descontroladamente por conta da alta velocidade, e por um minuto quis não estar usando o capacete para sentir melhor o vento e o sol no meu rosto.

Estávamos na avenida litorânea e logo pude deduzir que Thomas tinha planos para nós próximo ao mar, o que prometia deixar tudo ainda melhor. Eu mantive meus braços o tempo todo ao redor dele desde que saímos da minha casa e tenho certeza que não haveria maneira de ficarmos mais próximos, pois o meu aperto poderia competir com qualquer jiboia!

O sol queimava sobre a minha pele impedindo que o vento veloz ao nosso redor me deixasse com frio, a paisagem linda do mar no horizonte dunas e dunas a nossa frente era inspirador e não me contive em aproveitar. Apoiando minha cabeça sobre o ombro dele e me deixei ser levada, ali confiando nele totalmente.

Volto a prestar atenção quando Thomas guia a moto para uns dos desvios que tem na estrada, nos fazendo entrar em uma estrada de terra. Me seguro mais fortemente nele, enquanto ele calmamente vai desviando dos buracos e continuando nosso caminho, como se conhecesse aquele lugar com a palma da mão. Acho que não passou 15 minutos antes de eu conseguir ver o mar novamente na nossa frente, dessa vez muito mais perto.

Thomas pegou outro desvio que nos deixaria ainda mais próximos da praia. A ansiedade estava começando a me dominar, mas tentei me controlar para no o questionar sobre o lugar que estávamos indo afinal. Eu já havia visitado essa parte do litoral com meus amigos, minha família ou mesmo sozinha quando inventava de desbravar o mundo depois de tirar minha carteira de motorista, mas nunca vim parar nessa área e devo confessar que isso me deixava com uma adrenalina a mais no sangue.

Ao nosso redor o ambiente se resumia em casas e algumas palmeiras e coqueiros se estendendo por sobre as dunas. A paisagem não mudou até Thomas fazer mais uma curva com a moto e um cenário totalmente novo se pintou na nossa frente. Dezenas de motos, carros e caminhonetes se amontoavam ao redor do que parecia ser... uma pista de corrida?!

Era isso mesmo, uma pista de motocross! Thomas parou a moto dele do lado de uma picape vermelha e desligou o motor, me ajudando a descer antes dele mesmo desmontar e tirar o capacete, bagunçando ainda mais seus cabelos negros com uma das mãos. Tiro o meu próprio capacete e tento arrumar meu cabelo o melhor que posso, mas tenho certeza que ele está espalhado por todas as direções possíveis e impossíveis. Thomas se aproxima de mim e pega minhas mãos nas dele e me dá um sorriso gentil antes de começar a falar.

­– Seu cabelo está lindo, ele fica com um brilho ainda mais dourado no sol assim, você sabia? – diz ele ainda com minhas mãos nas dele.

— Er.. Não, não sabia.. Quer dizer, acho que sabia... – resolvi me calar quando vi que não estava falando mais nada com nada.

Thomas abre mais um sorriso, largo e sincero, fazendo com que aquela covinha aparecesse na sua bochecha. Saindo do encanto invisível que eu parecia está sob o seu toque e no alvo do seu charme, olho novamente para o nosso redor onde inúmeras pessoas estão animadas torcendo pelas motos que estão na pista nesse momento.

— Você vai correr? – digo voltando minha atenção para Thomas.

— Com certeza! – responde animado. – Fica aqui enquanto eu vou pegar o meu número e encontrar o Ian.

— Quem é Ian?

— Meu melhor amigo. – diz simplesmente. – Agora não saia daqui, eu já volto.

E com isso ele saiu no meio das pessoas indo na direção de uma barraca bem grande, onde penso que deva ser onde os pilotos se escrevem e onde tudo é organizado. Não muito longe de onde eu estava várias caixas de som tocavam uma música eletrônica animada trazendo ainda mais empolgação para o pessoal.

Corro meus olhos novamente ao meu redor, mas é impossível não me deter quando vejo o próprio deus Apolo andando por entre as pessoas. Poderia parecer exagero, mas certamente nenhuma outra comparação se adequaria tão bem. Alto, loiro, bronzeado, musculosamente definido, com umas tatuagem circundando o bíceps direito, vestindo apenas uma bermuda de surfista e um chinelo. Parei minha análise sobre o deus do sol quando percebi que ele estava vindo na minha direção. Ai.Meu.Deus! O que eu faço agora? Disfarço que o estava encarando descaradamente? Será que daria tempo de cavar um buraco para me enterrar antes que ele chegue?

No fim acabei por não fazer nada, porque o dito cujo estava parado a poucos centímetros de mim, com toda a sua altura e beleza. Erguendo meu pescoço em um ângulo não muito confortável para poder o encarar, vejo que além do conjunto da obra ele ainda tem um sorriso de matar! Qual seria o defeito desse cara?

– Oi. – diz ele simples assim. – Está sozinha?

— Er.. Oi.. Não, eu estou com o meu.. amigo? – falo o melhor que posso.

— Isso foi uma pergunta?

— Não! – me apresso em voltar a ter um cérebro e sair do estado de choque que estava diante da beleza desse cara. Olivia adoraria estar no meu lugar agora, não tenho duvida que ela estaria se saindo muito melhor do que eu. – Eu vim com o meu amigo, ele vai correr também, ele deve voltar logo.

— Amigo, é? – ele me encara de uma forma estranha como se soubesse de algo que eu não sei, mas antes que eu pudesse pensar mais sobre isso o cara mudou de assunto. – Bela moto.

— Falou o cara que fez ela!

A voz de Thomas atrás de mim me sobressalta, ele alternava o olhar entre o Apolo ao meu lado e eu. O que ele quis dizer com aquilo? Eles se conhecem? Antes que eu pudesse me pronunciar Thomas vem para o meu lado e dá um murro nada delicado no ombro que não hesita em devolver o socando no estômago e o pegando em uma chave de braço. Penso em interferir nessa demonstração de violência quando entendo que eles estão brincando. Como sou burra, esse só pode ser o tal do Ian, o melhor amigo do Thomas.

Foi aí que me ocorreu que naquele momento eu estava conhecendo mais sobre o Thomas, preenchendo as intermináveis colunas em branco que tenho sobre ele. E agora ele estava ali, em uma briga boba com o seu melhor amigo, no lugar onde ele corre com sua moto, tudo isso só me aproxima de quem ele realmente é.

— Os valentões já terminaram ou eu vou ter que apartar vocês? – digo querendo voltar ao meu controle na situação.

Eles me olham parando imediatamente o que quer eles estivessem fazendo, mas imediatamente caindo na risada, me deixando altamente incomodada.

— Bem que você me disse que ela era divertida. – diz o Apolo, ou deveria dizer Ian? – Além de linda, é claro.

— Claro que sim, mas fique longe dela, seu canalha! – ralha Thomas dando outro soco no amigo. – Você já deve ter iludido alguns corações dentre essas garotas que estão por aqui.

— É sempre bom ter um contato aqui ou ali... – responde com falsa modéstia.

— Enfim, Sam, este é o Ian. Ian, esta é a Sam. – apresenta Thomas vindo para o meu lado e passando um braço pelos meus ombros.

— É um prazer te conhecer, Ian.

— Pode acreditar que o prazer é todo meu. – fala Ian me abrindo um sorriso descarado e noto Thomas olhando para ele bravo. Realmente não sei como reagir a isso tudo. – Já pegou o seu número?

— Peguei sim, mas o Mike só me colocou na próxima corrida.

— Fiquei sabendo que o Marcos acabou de correr e ficou em primeiro, tudo bem com isso?

— Não posso fazer nada.. Nada além de ganhar, é claro. – diz Thomas convencido.

— Quem é Marcos? – pergunto e os dois se entreolham e riem novamente.

— Marcos era o antigo campeão invicto, até esse meu amigo aqui poder participar das competições, fazendo o Marcos comer poeira. – responde Ian dando tapinhas no ombro de Thomas. – Agora você precisa se arrumar, se não vai perder a largada.

Thomas concorda antes de ir até a caminhonete vermelha que estava do lado da moto dele e com toda a liberdade do mundo abrir a porta do passageiro e começar a tirar de lá tudo o que precisava. Logo deduzi que o carro era de Ian, que agora estava entretido com a moto, tirando do bolso uma chave de boca e dando os últimos retoques. Volto a olhar para Thomas, é quando me deparo com ele inescrupulosamente tirando a roupa, passando a regata pela cabeça e a substituindo por uma blusa de mangas compridas e bem equipadas vermelha com o nome Motriz em letras pretas.

— O que significa "Motriz"? – pergunto me apoiando na moto enquanto Ian ainda está agachado checando as rodas e Thomas tira a bermuda e coloca uma calça complementando o uniforme.

— Bem, no dicionário quer dizer força que impulsiona, que faz mover. – diz Ian sem desviar a atenção do que estava fazendo na moto.

— Não seja idiota, Ian, a Sam não quer saber isso. Motriz é a minha equipe, além de ser o nome da bem conceituada oficina desse babaca aí. – responde Thomas acabando de vestir suas botas pretas, que dão um contraste com o uniforme vermelho.

— Ah, bem, isso também. – resmunga Ian aparentemente distraído com alguma coisa que encontrou. – Você viu que.. Que aquele acessório indesejado caiu?

— Não, sério? – diz Thomas se aproximando para olhar a moto também. – Eu não tive nada a ver com isso, então não podem me culpar.

— Você sabe que vai ser culpado do mesmo jeito. – rebate Ian se levantando e limpando as mãos sujas na bermuda sem se importar em sujá-lo. – Agora pegue suas luvas e vá correr, pode deixar que eu cuido da sua garota.

— Eu não sou a garota dele! – protesto, ainda que esse não seja o único motivo para minha indignação. Afinal, tudo estava indo tão bem e do nada eles começaram a falar de "acessório indesejado" como se eu não fosse perceber que isso era uma espécie de código.

— Não, claro que não é. – fala Ian passando um braço sobre o meu ombro, alheio a minha revolta interna.

Thomas olhou por um tempo para o braço de Ian, depois para o próprio amigo e depois para mim, tomou uma respiração profunda, pegou e colocou as luvas antes de fechar a porta no carro sendo nada delicado. Quando o som estridente da porta batendo chegou aos ouvidos de Ian, o mesmo me soltou de seu aperto e se apressou em direção ao seu carro, tirando Thomas do caminho. A cara de preocupação do loiro foi impagável enquanto checava se o seu querido carro não sofreu nenhum dano diante do ataque de Thomas.

E ali estava ele, sorrindo diante da maldade que fez com o melhor amigo e vindo na minha direção, com a expressão demonstrando toda a leveza que ele sentia nesse momento. Thomas parou na minha frente enquanto eu não continha o riso diante da cara de irritação do Ian, que parecia seriamente considerar se vingar do amigo. Volto meu olhar para Thomas quando ele já ocupa todo o meu campo de visão, me prendendo entre ele e sua moto logo atrás de mim.

— Não fique com raiva. – diz ele e antes que eu possa perguntar que motivo eu teria para ficar com raiva, Thomas cola sua boca na minha. Não foi nada exploratório, mas também não se limitava a um mero encostar de lábios, era puramente arrebatador como todo beijo dele parece prometer ser. Não demorou mais de cinco segundos, mas quando ele se afastou eu ainda podia sentir a pressão de seus lábios sobre os meus. – Para me dar sorte.

Simples assim. Foi tudo o que ele me disse depois de me beijar e antes de afastar uma Samantha sem reação de perto da moto, colocar o capacete e sair pilotando a mesma em direção a linha de largada da corrida. Eu só poderia está parecendo um peixe fora d'água, pois abrir e fechei a boca algumas vezes a procura de algo para dizer enquanto meus olhos permaneciam arregalados pela surpresa.

— Eu não deveria dizer isso, mas ele não precisa de sorte para correr. – afirma Ian ao meu lado, me tirando do meu estado de choque. – Agora vamos procurar um lugar bom para assistirmos a corrida, essa já vai ser a última eliminatória antes da final.

Sem me atrever a falar uma palavra enquanto aquela onde da espanto e vergonha ainda tomava conta do meu corpo, guardo minha bolsa que nem me lembrava mais dentro do carro de Ian e seguimos desbravando a multidão.

Uma coisa é certa de ser dita, Ian é um cara muito popular aqui nesse lugar de corridas. Por onde andávamos as pessoas abriam caminho para ele passar, cumprimentavam ele com patinhas nas costas e apertos de mão, sendo cercado sempre por incontáveis suspiros femininos. Só conseguia pensar nos supostos comentários da Olívia caso ela estivesse aqui e o que poderia acontecer se eu apresentasse esse monumento grego para ela. Por fim chegamos a um local que só poderia ser a área vip, pois era absolutamente de frente pra pista e dava uma visão perfeita da largada/chegada.

— Aqui é só para patrocinadores. – diz Ian parecendo ler meus pensamentos antes de me passar uma garrafa de água e uma cadeira alta e sentar em uma idêntica ao meu lado. – Sabe, o Tom me falou muito de você.

— Sabe, ele nunca me falou de você. – digo e nós dois rimos. – Mas não leve a mal, já que ele não costuma falar muito da vida dele quando conversamos. Vocês se conhecem a muito tempo?

— Desde que ele era um pirralho! – responde ele prontamente.

— Você fala como se fosse muito mais velho. Quantos anos você tem?

— Tenho 23 já, Sam, sou praticamente um ancião. – diz e não me contenho em olhar para a extensão musculosa, bronzeada e bem definida antes de voltar a encará-lo levantando uma sobrancelha. – Não posso fazer nada se sou bem conservado. – fala passando as mãos pelos gominhos no abdômen fazendo-me rir.

— Como vocês se conheceram afinal? Frequentaram a mesma escola de convencidos?

— Na verdade essa parte de ser seguro de si eu fui o professor dele, mas acabamos por nos conhecer na época que meu pai trabalhou com o dele antes de.. Antes dele mudar de área. – conta e eu percebo da leve evasiva que ele deu. – Conheci o Thomas quando ele tinha uns 12 anos, eu já tinha mais que 15 nessa época e não nego que me juntava ao Túlio nas implicâncias contra o Tom.

— Então você é amigo do Túlio também?

— Não mais. – diz friamente. – Se você passa tempo demais com o ele acaba percebendo que justiça não faz muito parte do seu dicionário, entre outros princípios importantes. Estudei com ele o final do meu ensino médio e tínhamos planos de seguir para a mesma universidade, que no caso seria de administração, mas quando as implicâncias com o Thomas não tinham mais sentidos além de maltratar o garoto, quando percebi que não queria fazer administração dentre outras percepções que não coincidiam com as dele, acabamos por nos separar.

— Er.. Eu acho que entendo o quer dizer. – declaro.

— Foi aí que parei de atacar Thomas e comecei a protegê-lo, o que foi mais um ponto que desagradou Túlio. Perder o amigo para o irmão mais novo, por assim dizer. Mas você me entenderia melhor se estivesse no meu lugar, Thomas sempre foi um cara muito bom, mesmo eu tendo feito várias coisas conta ele, o garoto nunca me tratou mal. Depois disso meu pai parou de trabalhar com o pai deles, o Túlio viajou para estudar fora e a minha amizade com o Tom só cresceu.

— É bem legal a história da amizade de vocês. – elogio, feliz por saber um pouco mais da vida de Thomas. – Então você desistiu da administração e fez engenharia mecânica?

— Estou fazendo ainda, penúltimo semestre! – diz erguendo as mãos ao céu em forma de agradecimento. – Estudo na mesma faculdade de vocês, só que no período da noite. Tive que trancar por um tempo quando abri a oficina, mas agora só paro quando terminar de vez!

Não tive tempo de responder, pois um som chamou a atenção de todos mostrando que a corrida iria começar. Consegui avistar Thomas com seu uniforme vermelho totalmente combinando com sua moto da mesma cor. Houve uma contagem regressiva e a corrida teve inicio, fazendo a torcida explodir de animação. Ian me chamou a atenção ao meu lado, ele estava concentrado em Thomas que estava entre os primeiros dos oito competidores presentes na pista e não parava de resmungar coisas estranhas.

— O que você tá falando? – questiono me aproximando mais dele.

— Duplo, triplo, duplo.. Costelas malditas!

— Ian! – insisto chacoalhando seu braço tatuado para chamar sua atenção para mim.

— Oi? Que? Ah sim, é porque gosto de meio que narrar a corrida para mim mesmo.

— Pois pode narrar para mim hoje, você entende muito mais do que eu e eu adoraria saber mais do que estou assistindo.

— Tá, tudo bem. – diz ele aproximando a cadeira da minha. Nesse período os pilotos já haviam completado a primeira volta. – Duplo é quando ele salta e vence dois obstáculos e triplo é quando vence três, olha ali no começo do percurso, aqueles obstáculos tem diferentes tamanhos e diferentes espaçamentos, por isso que os pilotos podem ultrapassá-los de diferentes formas. Droga, Thomas, acelera nessa curva!

Olho para onde Ian me apontava antes, mas instantaneamente busco por Thomas que perde uma posição ao ser ultrapassado durante uma curva bem fechada que tem no trajeto.

— Voltando a explicação, mais ali na frente você pode ver o que chamamos de costelas, nelas a altura e o espaçamento dos obstáculos são o mesmo, isso obriga o piloto a manter um ritmo e ter muito controle da moto para não perder velocidade enquanto passa por ali.

Esses obstáculos que Ian falou são na verdade morros de terra que davam forma a pista de corrida, mas depois dessa explicação dele pude notar que são realmente diferentes dependendo do ponto da prova. A pista contava também com curvas altas e abertas, além de curvas fechadas e perigosas, e um morro que parecia um planalto logo antes da chegada, onde o piloto poderia pegar mais velocidade para passar fazendo manobras diante da grande descida que vinha a frente.

— Eles não ficam com dor na bunda depois que passam por essa costelas? – pergunto com sinceridade e escuto a alta gargalhada de Ian.

— Eu nunca pensei nisso, Sam, mas é realmente um ponto para se analisar! – diz continuando a rir. – Mas falando sério, eles treinam para isso, então sabem como fazer para a moto não bater repetidas vezes assim na bunda deles.

O resto da corrida acabou sendo rápida, com Ian me dando uma explicação adicional aqui e ali. Thomas ganhou confiança depois da quinta volta e começou a ultrapassar adversário atrás adversário, para estar na liderança com folga no final da ultima volta. Ele mandou um beijo na minha direção e tentei não morrer de constrangimento enquanto ele ia se juntar aos outros competidores para a grande final.

— Quanto tempo faz que o Thomas corre?

— Dois, mas não por vontade dele. – responde Ian voltando com um enorme saco de Doritos e sentando do meu lado. – Eu trouxe ele aqui quando ele tinha uns 15 anos, eu corria nessa época, aqui era uma pista mais amadora e tal. Um dia ele chegou com uma habilitação falsa tentando se inscrever para correr, mas claro que ele não encanou o Mike. Outra vez pegou a minha moto enquanto eu tava distraído e entrou na pista no intervalo das corridas e só aceitou sair depois que deu uma volta completa, mostrando assim seu talento.

— Meio irresponsável, não?

— Eu por deixar ou ele por fazer? – rebate me fazendo pensando enquanto comia mais do salgadinho laranja.

— Os dois! O tal do Marcos vai correr na final também, né? – pergunto quando os pilotos começam a se alinhar na linha de partida. – Qual é ele?

— O de verde com o desenho de cobra na blusa. Pelo menos o Thomas não vai largar perto dele, tenho certeza que ele poderia fazer alguma coisa pra sabotar o Tom.

Um novo alarme soa, todos os pilotos se preparam e por fim a corrida tem seu inicio. Ian me explicou que a corrida final tem 20 voltas, o que inicialmente achei muito, mas depois de ver como essa corrida está bem mais acirrada que a anterior me concentro em prestar atenção para não perder nenhum detalhe.

Thomas estava em terceiro já e o tal do Marcos estava logo atrás dele, tendo o número 70 logo ao seu lado, ambos disputando para ultrapassar o Thomas. É quando acontece algo que me surpreende, quando os dois estão passando por uma curva fechada o Marcos faz com que o número 70 ser ejetado da pista. Isso mesmo, ele fechou de tal forma a moto do 70 que ele não teve outra opção a não ser pular depois que a moto bateu com a parede de contenção.

— Isso pode? Você viu que o Marcos fez de propósito! – digo e Ian se limita a erguer os ombros não podendo fazer nada. – Espero que o piloto não tenha se machucado e que esse louco não tente fazer nada com o Thomas!

Thomas avençou na corrida, alcançando a dianteira na metade da prova tendo Marcos em seu encalço o tempo todo. Mais atrás na pista dois pilotos colidiram e não conseguiram voltar pra corrida, pois suas motos ficaram entrelaçadas que foi preciso que dois homens entrassem correndo para ajudar a arrastar o emaranhado de metal e rodas para longe do trajeto antes que mais competidores passassem por ali.

Marcos vinha bem atrás de Thomas, na segunda posição, mas quando chegaram novamente na parte das costelas Thomas perdeu um pouco de velocidade e o outro tratou de aproveitar, ficando ombro a ombro com Thomas. Eu estava apreensiva, pois essa era a ultima volta, apertava o saco de Doritos em minhas mãos sem me preocupar caso Ian quisesse pegar algum.

Vi quando Marcos, ao chegarem em uma curva fechada tentou fazer com Thomas a mesma coisa que fez com o número 70. Gritei na intenção de alertá-lo, mesmo sabendo que nunca ele poderia me ouvir dessa distância e com tantas pessoas gritando e torcendo ao meu redor. Mas Thomas mostrou que era muito mais esperto, desviando da fechada de Marcos, fazendo com que ele tivesse que frear para não bater na parede de contenção, dando assim a vantagem para Thomas e perdendo mais uma posição para o cara que vinha em terceiro. Muito bem feito!

Comemorei com a boa manobra de Thomas e mais ainda quando ele se dirigiu com uma boa vantagem para a linha de chegada. Ele acelerou e ao passar na chegada e receber a bandeirada quadriculada fez uma manobra no ar, abrindo as pernas e saindo do banco da moto. Eu não parava de rir do feito dele, comemorei, gritei e abracei Ian que parecia tão animado quanto eu, afinal Thomas ganhou a corrida. Acho que o meu beijo deu mesmo sorte!

Notas finais
Gostaram? Odiaram? COMENTEM E RECOMENDEM! O que vocês acharam do meu querido Ian, ein? Um gato, né?! s2 Mas o encontro (Isso não é um encontro~le Sam) do nosso casal não acabou por aí não! No próximo capítulo teremos mais desse dia de praia, sol e quem sabe uma dose de romance! Bjs, Tatá :3