Por trás de Frozen
1 Prólogo - Coração gelado
Notas iniciais
POV ANNA
Eu estou sozinha.
Completamente sozinha.
Meus pais estão mortos. O navio em que eles estavam naufragou.
Se eu, pelo menos, pudesse olhar o reino pelos portões, ou até mesmo pelas estúpidas janelas, não me sentiria tão sozinha. Mas tudo está trancado, tudo está escuro, assim como as roupas que eu e meu coração vestimos.
Ouço a porta do quarto de minha irmã se abrindo e, por um momento — só por um mísero momento — tenho a esperança de que é para falar comigo. Para me confortar. Para nos confortarmos e chorarmos, como fazíamos quando éramos pequenas e nos machucávamos.
Mas tudo o que ela faz é andar para frente com as mãos entrelaçadas e observar o quadro em que meu pai e minha mãe estão pintados ser fechado com cortinas pesadas e marrons.
Mais uma coisa escura e fechada, como minha casa, minha irmã e Arendelle.
Mas eu não serei assim.
Nunca serei assim — fria e congelada, num inverno constante.
Daqui a três anos, quando os portões abrirem, tudo vai mudar.
Eu sinto que tudo vai mudar, e o inverno se transformará em verão, um verão eterno.
Elsa se retira, sem ainda olhar para mim, e a dor que sinto se intensifica tanto que parece que estou quebrando ao meio. Meu coração parece gelo – tento demonstrar que ele está forte mas, com as palavras certas, ele pode se despedaçar facilmente em mil pedaços.
Respirando fundo para tentar me acalmar, dirijo-me ao meu quarto — não podemos ir assistir ao velório de nossos pais, porque é expressamente proibido que passemos pelos portões, apesar de não saber o motivo — e vou ler sobre lugares felizes, com finais felizes e muito, muito verão.
Nem que seja por uma vez na eternidade.
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