Por trás das câmeras
18 Hora da reunião
Eu não notifico meu interesse em um encontro, apenas me encaminho para o quarto do manager com toda a minha determinação. Se eu pensar demais, sei que vou desistir, então não o faço. Deixo meus sentimentos mais obscuros guiarem os meus passos e mando meu profissionalismo, junto com o mínimo de bom senso, calar a boca.
Ao chegar ao meu destino, só não abro a porta de uma vez porque não tenho como (malditas travas magnéticas). Sendo minha única opção, bato na madeira sem descanso e com toda a minha força. Isso, por si só, é desrespeitoso e já pode me encrencar o suficiente. Não me importo (a Lisa racional entrou no táxi com a Carol e foi embora).
Kim Sungchan responde ao chamado já bufando de raiva e tenho certeza que o fato de ser eu a agressora da sua porta não melhora a situação (tudo bem, também não estou feliz em vê-lo). Não espero convite. Se já fui rude e desrespeitosa, não tem problema esticar um pouco mais. O estrago já foi feito. Então empurro a porta, terminando de abri-la, e adentro o cômodo. Ele me olha indignado e parece pronto para me dar uns bons tapas, mas não o faz, o que considero um bom começo.
“Por que diabos você demitiu a Caroline?” Não estou com paciência para voltas, então vou direto ao ponto.
“Caroline?” Ele me olha como se eu fosse louca e só então percebo que não devo estar fazendo sentido. Esse é o nome brasileiro dela, o qual ele não deve conhecer.
“SeulBi. Na real, vamos ser honestos, eu sei por que você pensa que a demitiu. Mas por que diabos fez isso? Como conseguiu? Você tem noção do que fez com a garota? Como consegue ser uma pessoa tão baixa?” A cada pergunta, cuspo junto uma parcela maior de desprezo. Espero que ele perceba.
“Eu a demiti porque ela seduziu um dos meninos. Não vejo problema no que eu fiz, é apenas mais uma das várias funções do manager, o que você não entenderia, claro, pois é só mais uma funcionária.” Ele tenta ser sarcástico como costumo ser, mas falha miseravelmente. Parece descontrolado demais para o seu objetivo.
“Oooh, ela realmente seduziu ele, que menina malvada, não? Tenho certeza que o seu menino precioso é completamente inocente, só mais uma vítima dessas criaturas ardilosas que são as mulheres.” Reviro os olhos. “Me poupe! Se quer demitir os envolvidos, demita Hyungwon, que é tão culpado quanto. Não venha me dizer que fez a coisa certa, quando você só humilhou e desesperou uma garota que não fez nada além de seguir seu coração. O namoro não era nem público, não fazia diferença!”
O manager vem na minha direção fervendo de raiva, seu rosto está completamente vermelho e os olhos arregalados. Consigo sentir seu ódio vazando pelos poros de seu corpo. Penso que vai me bater, e ele chega a levantar a mão, mas, em vez disso, segura o meu pulso com força e, embora eu não seja branquela, tenho certeza que vou ter uma marca roxa como recordação desse momento.
“Você não entende nada, então pare de falar merda!” Ele grita na minha cara. Não recuo, mantenho firme o olhar desafiador. Não vou abaixar a cabeça, não dessa vez. “E quem você acha que é para questionar minha decisão? Você está abaixo de mim, garota. E, se eu quiser, destruo a sua vida igual eu fiz com a vadia da sua amiguinha.”
“Vadia? Quem você pensa que é para falar dela assim? SeulBi é muito mais mulher do que um dia você vai ser homem.” Tento puxar meu braço, mas ele o aperta com mais força. “E você não destruiu a vida dela. Acredite, eu vou conseguir que ela seja reconhecida de uma forma que você não consegue nem sonhar. E, quando ela estiver no topo, eu quero que você lembre-se do lixo que você é.” Finalmente consigo soltar meu braço e, o empurrando, começo a caminhar até a porta.
“Eu vou demitir você, sua vaca. Vou falar com o CEO agora e vou demitir você.” Em outro momento, eu ficaria com medo dessa afirmação, mas agora estou com raiva e convencida demais pela admiração do CEO ao meu trabalho para fazer algo além de olhar para traz, com um sorriso nos lábios.
“Eu adoraria vê-lo tentar.” E vou embora, deixando um manager nada feliz atrás de mim.
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