Ela nunca tivera sido a menina perfeita, muitas vezes foi criticada pelo seu jeito espontâneo, porém, sempre teve muitos amigos por esse jeito espontâneo.

Por vezes, muitas vezes, teve que deixar de ser ela mesma para tentar agradar os outros.

Quantas vezes lhe falaram que ela tinha que ser como fulano ou beltrano, mas nunca lhe falaram que alguém tinha que ser como ela, talvez, ela não fosse exemplo para ninguém.

Falou baixo, sem palavrões, riu discretamente, não bebeu...

Mas essa não é ela. Ela é assim... errada, se é que o certo existe. Imperfeita com as suas perfeições ou perfeita com as suas imperfeições.

Ela dança, ela bebe, ela fala alto, ela tem gargalhadas escandalosas.

Foi criada com pai e mãe, foi criada com muitos amigos e foi criada pela vida.

Aproveitou muito a sua vida, cada segundo que ela lhe proporcionava.

Aprendeu direitinho a não ligar para nenhuma crítica, mas um dia, tudo mudou.

Um dia, ela deixou ser tolhida e encolhida por todas as críticas, e, se perguntou porque permitiu isso?

Diziam que se ela falasse alto, não teria emprego; se ela risse alto, não teria namorado e que se falasse palavrões, ninguém chegaria perto.

Hoje, ela percebe que as verdadeiras pessoas que se aproximaram dela, foi exatamente pelo seu jeito de ser e não pelo que ela fingia ser.

Foi obrigada a montar um “ela” que não era ela, e dessa forma, passou a viver sua vida se olhando de fora, não como protagonista da sua história, mas como mera expectadora da sua própria vida.

Com o passar do tempo, sentiu as consequências desse peso que carregou, uma culpa constante por não se sentir boa para nada, nem como ser humano, nem como filha, nem como esposa, nem como mãe e o reflexo disso não foi nada bom.

Ela tinha que ser linda, perfeita, uma dama, para que pudesse ter o feedback das pessoas, mas, ninguém nunca lhe falou: Seja você, seja apenas você!

Será que ser ela não era certo? Ninguém nunca lhe perguntou se ela estava gostando daquilo.

E ela, que sempre teve atitude para tudo na vida, acabou se vendo encapsulada, morando dentro de um casulo. Só que normalmente, em casulos, a lagarta feia se transforma em um linda e livre borboleta, mas, o efeito borboleta com ela foi inverso... ela era uma linda e livre borboleta, e se transformou em uma feia e intocada lagarta.

O que mais lhe incomodou nisso tudo é que ela sempre foi tão verdadeira e transparente e deixou de ser, não com as pessoas, mas, consigo mesma.

Era corajosa para vida, destemida... tudo isso mudou. Preferiu acreditar que esse seu antigo “eu” não estava morto, e, sim, escondido em algum lugar bem escuro nessa profundeza do seu ser, e que um dia, ela o reencontraria e tomaria posse de tudo novamente.

Ela não sabe onde irá chegar, mas, busca principalmente a sua paz completa e plena.

Deseja acabar com esses pensamentos de que sempre faz tudo errado, pois, quando está mais fraca é que esses pensamentos ficam bem fortes.

Agora, ela que queria ficar bem forte, para conseguir dominar tudo em sua vida, e voltar a ser quem era antes. Acabar com a culpa que sentia todos os dias e viver de forma que ela não tenha a impressão de estar constantemente em uma montanha russa, sempre subindo e descendo e, principalmente, voltar a tomar decisões.

Já viveu poucas e boas nessa vida, mas, de tudo ela tenta guardar apenas as boas recordações, lembrando com carinho de todas as amizades que teve, e de como elas foram importantes em todos os momentos.

E se realmente a males que vem para o bem, ela está aguardando o que virá de bom agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.