Por quê?
1 Único
O garoto continuava a andar ao lado dela; prometera para si mesmo que não se apaixonaria. Acreditava ingenuamente que possuía a capacidade de controlar o mistério que permeia o amor. Jurava, cria veementemente que manipularia seu próprio coração de modo a não amá-la, a sua amiga. Ledo engano, o pobre rapaz não sabia que coisas como essas não eram possíveis de se compreender, tampouco dominar.
E o que o dominou foi esse sentimento, uma mistura de sensações, um êxtase indescritível, uma melancolia silenciosa, uma ansiedade amargurante que o movia cada vez mais até a outra. Sem se dar conta, já se perdia em ilusões.
Por que ele tinha medo de amar?
Ah, sim... Ilusões. Ele não as queria.
Apesar de tudo, não conseguia deixar de pensar nela. Que lástima, já estava apaixonado. Aquela garota, sempre alegre e disposta a fazer os outros rirem, sempre a sorrir, a cantar... Talvez sentira-se atraído pela felicidade que ela emanava. Quem sabe assim, ele não fosse contagiado por tamanha satisfação? Seriam ambos felizes.
Entretanto, por mais que procurasse, o rapaz nunca seria capaz de encontrar a felicidade nela. Porque a menina não era realmente feliz.
“Não busque a felicidade em mim. Você não a alcançará.”
Por que, por trás de seu simpático e amabilíssimo sorriso, ela mantinha-se calada, aos prantos, em desespero?
Dizia ‘estou bem’, quando não estava. Transpunha uma barreira entre si e os outros, enclausurando-se numa prisão por conta própria. Qual era o seu problema? Não percebia que, ao invés de proteger-se, acabava se ferindo ainda mais? Seu coração sangrava, partido em míseros pedaços, enodoado, resistindo por puro instinto, visto que a razão não mais existia.
“Falsa. Você é falsa.”
Viraram-se de costas, a distância aumentando cada vez mais... Ele sabia! Ele sabia que era tudo ilusão, e mesmo assim deixara-se levar. Não se repetiria, jurou.
Ela fechou os olhos. Claro que acabaria dessa forma. Era sempre assim, sempre fora. A muralha em torno de si se fortalecera, alimentado pela mágoa. Não quero ter sentimentos, pensou. E não os tinha, exceto uma pontinha de tristeza.
Por que tinham medo de amar?
Fale com o autor