— Eu existo porque você existe.

Midori continuou. — Há um número infinito de realidades. Sei que tive, em todos eles, a sorte de te conhecer. — Deu uma pausa para respirar. O queixo tremia e as palavras saíam fora de ordem, enquanto tudo que estava ao seu alcance era prosseguir; e foi o que fez. — Somos completamente insignificantes diante de tamanhas galáxias e, assim, realidades. Existe tanta coisa muito além da nossa compreensão por aí… É fascinante pensar sobre, embora isso seja contrariante com o que acabei de dizer. Não conseguimos pensar sobre, pois é mais que nossa imaginação pode aguentar. Há um propósito em tudo...? Eu acredito que sim. Nada acontece por acaso, ou o acaso é de tão medonho que desejamos pensar ser apenas mero fruto dos humanos para tentar explicar coisas inexplicáveis. Quer dizer, desde sempre nossa espécie procura esclarecer tudo que é desconhecido; não aguentamos incógnitas. — Entrelaçou sua mão com a dele, sorrindo afetuosamente. Os dedos estavam trêmulos e frágeis, pálidos como sua face e todo o seu ser. — Nós somos ainda menos que um grão de areia, se você quiser comparar com todo o universo, mas eu não me importo tanto com isso; eu existo porque você existe, e o lugar que pertenço é ao seu lado. Essa é a minha resposta conclusiva para as duas maiores perguntas do universo, e eu acho que a maioria das pessoas procura a vida inteira para encontrar o que já encontramos. Todos vamos morrer, e se pudermos renascer, tenho plena certeza que renascerei ao seu lado; e se não, bem, eu te encontrarei alguma hora. Almas-gêmeas estarão sempre destinadas a se encontrarem — murmurou, colando suas testas —, porque viver é arriscar tudo, e eu abdicaria minha própria moral, ideais e humanismo por você, se assim tu desejaste, Morisawa.

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