Por que nem todo circo tem seu palhaço?
1 Capítulo único.
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Era uma manhã penosa como todas as outras do ano, logo próximo a uma pequena tenda se encolhia uma garotinha de aproximadamente seis anos de idade. Era criança e era flor, tremia em meio a torrente de palavras atiradas ao vento cortantes no rosto, ouve-se vários momentos que o que a cortou possuía gosto metálico. Então, como poderia uma tão jovem flor de menina conhecer tão cedo o sabor da dor? Eram questões vazias como pó compresso de uma pedra de crack, o efeito era alucinante entorpecente como o maldito praguejo de um monstro imoral.
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A verdade é que as noites se tornavam sombrias, que os ossos chegavam a lhe doer e o baixo ventre ainda muito jovem a se comprimir. Estava ali romanceando a própria solidão na noite, porque sabia bem a pequena menina que esta não a envolveria por longos estágios de tempo. Era como ricochetear a alma com a brisa para depois se deixar cair em um labirinto sinuoso, só a flor saberia dizer o quanto tortuoso era o caminho para a liberdade. Estava a alguns passos de ser engolida por uma terrível cratera dentro de si quando a cortina se escancarou, mas para apenas a fazer sentir a acidez do medo mistura ao nojo percorrer seu corpo.
Deitou-se junto as outras crianças na grama fofa e verde para observar o anil do céu, pobre era a garota que se perdeu em muitos sendo levada pelo girar imperceptível da terra, pobre era a flor de menina que já não conseguia ver barquinhos e corações desenhados em nuvens pelo simples voar da imaginação. Alarde, descompasse, falta de atenção o que dizer para quem nem se quer podia notar tal situação? O circo se fechou após mais uma apresentação, correndo com o coração em mãos e vestígios de lágrimas teimosas descendo de suas nascentes ela se agachou abraçando as próprias pernas. Estava ali temendo mais uma vez ser violada, fechando os olhos claros e logo ouvindo passos pesados em sua direção. Pobre foi a menina que era jogada contra a cama com tamanha força, arrancava-lhe as roupas como um desvairado ouvindo o choro baixo e rouco se colocando entre as pernas pequenas e a penetrando. Foi então que já saciado se desfez, caindo adormecido ao lado de um corpo tão frágil, enquanto Elisa, sentia o bolo formado em sua garganta. Havia sangue e sêmen unidos quase em um só, tremia involuntariamente e pedia baixo por um socorro que não veio, haveria ela morrido por dentro desde a primeira noite? Acho que a resposta o silêncio soprou.
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Sempre existiria uma verdade nua e crua, esta assustaria até aos mais doces e puros corações. Porque nem sempre os olhos enxergaram a alma e muito menos verão o podre de um coração. E em algum momento quando resolver então julgar, somente descobrirá por trás das cortinas o porquê de nem todo circo ter o seu palhaço.
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