Por que ainda não fizemos nada sobre isso?

1 Por que ainda não fizemos nada sobre isso?


Notas iniciais
Essa one-shot se passa na temporada de "Barbie Dreamhouse Adventures" intitulada de "Um toque de mágica", após o maravilhoso filme interativo "Barbie: Epic Road Trip". Eu passei 3 dias na Netflix montando esse filme de tudo que é jeito. xD Agora já sei qual é meu final favorito e como chegar nele. Sobre o desfecho dessa one, eu prefiro como aconteceu no filme, apesar de o "quase" (Odeio esses quases!!!) desfecho nessa temporada de DA, também foi super fofinho. Como é interativo e com vários finais, meio que nenhum deles vale de verdade nos episódios seguintes de BDA, só alguns detalhes são fixos, como um souvenir que Barbie pega num parque, que aparece em um episódio, mesmo se você escolher não pegá-lo quando estiver "jogando" no filme. Essa one se passa após a situação alternativa nessa temporada, e tem referência do filme também. Recomendo demais que assistam tudo que houver disponível de Dreamhouse Adventures. Essa é minha Barbie favorita de todas, apesar do quanto amo Margot Robbie e todos os filmes da Barbie. Boa leitura! ;D

Por que ainda não fizemos nada sobre isso?

De Dani Tsubasa

Ken não conseguia tirar os olhos daquela foto. Era tão adorável... Os dois juntos, elegantes e claramente tímidos, mas felizes, no Museu da Selfie. Era um dia confuso do qual ele se lembrava de pouca coisa, devido a toda a confusão causada por Rock. Sentia raiva e frustração por não se lembrar, mas era um consolo ter a foto. Ele e Barbie já tinham tentado falar sobre isso, mas não havia muito a dizer uma vez que ele mal se lembrava de como chegaram ali, e ela menos ainda.

Pensando nisso pelo que devia ser pelo menos a centésima vez, ele adormeceu.

******

Ken acordou rápido quando as lembranças saltaram de seu subconsciente. De olhos arregalados, ele permaneceu parado em sua cama, deixando que as memórias assentassem e se fixassem em sua mente antes de averiguar se eram reais ou não. Ele ficou feliz por ser madrugada de sábado, já que seu sono se esvaiu enquanto encarava o aplicativo de mensagens de seu celular, escrevendo e apagando, nunca achando as palavras perfeitas. Por fim, acabou enviando apenas um emoji com dois olhinhos atentos, ficando nervoso no instante em que o fez.

— Ai, ai... – se preocupou ao pensar no que a amiga pensaria, mas somente até receber a resposta com o mesmo emoji e o aviso de “Barbie está digitando” aparecer num canto da tela.

— Insônia?

Ken não soube o que responder de imediato, e sentiu o rosto aquecer enquanto pensava rápido no que digitar.

— Você também?

Ela respondeu com um emoji risonho, fazendo Ken sorrir, e respirar fundo buscando coragem. Nada estava acontecendo para atrapalhá-los agora.

— Você quer me contar?

— Só se você estiver a fim de pular o muro pra cá agora e arriscarmos sermos pegos e nos colocarem de castigo de novo.

— Ken! – Ela respondeu com vários emojis dando risada.

— É que é uma coisa muito importante. Quero falar com você pessoalmente.

— Algo mágico?

— Não! Bem, mais ou menos... Adoro nossos amigos mágicos, mas que bom que tudo acabou por enquanto. Tava difícil ficar sozinho com você.

— Não posso discordar... Também sinto saudade disso.

O loiro sorriu, sentindo todo o corpo esquentar e esfriar quase que ao mesmo tempo. Puxou o travesseiro sobre a cabeça, mesmo que Barbie não pudesse vê-lo agora. Como ele faria isso? Era muito mais fácil pelo celular.

— Ken...? Pegou no sono? Rs

— Não! Não. Só... Você quer vir me encontrar aqui em casa, no jardim, amanhã à tarde?

— Estarei aí! Nenhuma dica sobre sua lembrança misteriosa?

— Quer spoiler? Rs

— Como você espera que eu volte a dormir sem um, Carson?

Ken riu sozinho, tanto de alegria quanto de nervoso, sentindo o coração disparar enquanto digitava.

— Acho que sei o que aconteceu com a gente naquele dia no Museu da Selfie.

Ken quase infartou enquanto esperava que ela respondesse, sem consciência de que na casa ao lado a amiga estava tão alterada quanto ele agora.

— Barbie...?

— Eu... Também queria falar com você sobre isso. Só não tinha conseguido coragem ainda.

— Você se sente mal sobre isso? – Ele perguntou imediatamente, seu coração afundando de preocupação de que ela não desejasse o mesmo que ele.

— Não. Só me dói muito não conseguir lembrar de um momento que acho que foi bom pra nós. Aquela foto não nega. E... Nós também não conversamos no jardim naquele mesmo dia? Ou foi só um sonho?

— Sim! Sim!

— Vou encontrar você assim que concluirmos a rotina da manhã por aqui.

— Vou esperar.

— Boa noite, Ken.

— Boa noite, Barbie.

Ainda foi difícil dormir depois disso, mas o cansaço os venceu.

******

— Hey!

— Aaaaahhhh!

— Opa! Desculpa... – Barbie tentou dizer por cima da cerca enquanto via Ken tropeçar e cair na grama macia do jardim.

— Barbie... – ele reclamou do susto enquanto se levantava.

— Você tá bem?

— Tô sim, vou abrir a porta pra você.

Ela assentiu, descendo a cerca e indo até a porta dos Carson. Ken a saudou com um sorriso tímido quando a viu, e lhe deu espaço para passar, fechando a porta e indo se sentar com ela no jardim, no mesmo lugar daquele dia estranho.

— E então? O que você lembra sobre aquele dia? – Ela perguntou ansiosa, deixando Ken grato por ela pular a parte em que os dois ficariam sem jeito sobre como começar o assunto.

— Você se lembra que muitas vezes, quando encontrávamos com a Rock, perdíamos boa parte das nossas memórias recentes sem explicações?

— Sim! Ela nunca confessou sobre aquele dia, mas depois nos deixou claro que podia apagar memórias.

— Isso. E enquanto estávamos no Museu da Selfie naquele dia, você ficou nervosa e saiu pra ir ao banheiro, mas voltou estranha, sem falar coisa com coisa, como se não soubesse porque estávamos ali.

Os olhos azuis da garota desviaram dele para o chão enquanto ela tentava vasculhar suas lembranças, suas sobrancelhas franzidas expressando concentração.

— Nossa, é verdade... Mas só lembrei disso agora que você falou.

— Pois é! E pouquíssimo tempo depois, você realmente quis ir ao banheiro, mas voltou ainda mais estranha e mais confusa. Quando você foi pela terceira vez, eu fui com você pra tentar descobrir o que estava acontecendo. E é aí que eu também perdi quase tudo que aconteceu. Até a noite de ontem.

— Então... Você sabe a verdade? Foi mesmo a Rock? Como você descobriu?

— Sim, sim, foi ela. Mas não acho que fez... Por mal. Ela nem sabia que estávamos num encontro, e não era oficialmente nossa amiga ainda.

Barbie ergueu uma sobrancelha, querendo mais explicações.

— A verdade... – Ken falou um pouco embaraçado, apesar de sorrir – Eu gosto muito daquela foto. E eu não consigo parar de olhar pra ela todos os dias.

— Nem eu – a loira sorriu, deixando a felicidade, misturada a um pouco de timidez, clara em seus olhos.

— Então... Ontem, antes de dormir, eu peguei no sono vendo essa foto. E... Eu acho que sonhei com o que aconteceu no museu. Era real demais. Por um tempo, eu jurava que tava vivendo tudo de verdade. Você foi mais afetada pela magia da Rock do que eu. Você recebeu três doses, e eu e o restante das pessoas lá só uma. Talvez por isso você ainda não lembra. Na última vez, muita gente deu de cara com a Rock fazendo um feitiço de comunicação com o Consulado Glifo, então ela disse...

Barbie estreitou os olhos, flashs começando a se formarem em sua cabeça com as descrições dadas por Ken, e quando o amigo pôs o celular que exibia a respectiva foto da questão em suas mãos, sua mente se iluminou.

— Super esqueçam! – Os dois falaram juntos.

— Eu me lembro! Não sei se de tudo, mas... Lembro! – Ela sorriu.

— Ai, que alívio... Você não vai achar que sou doido ou tô mentindo.

— Eu sei que você não mentiria pra mim sobre algo importante, por mais absurdo que pareça ser.

— Não – Ken confirmou – Especialmente sobre isso. Mas... Você também consegue se lembrar do que conversamos antes de ir ao museu, sentados aqui nesse mesmo lugar?

Barbie fechou os olhos, procurando se concentrar em quais fragmentos de memória poderiam estar faltando. Aquele dia tinha sido ensolarado. Peggy ainda era filhote e havia mais gente com eles, suas amigas e mais Roberts, mas saíram para deixar os dois sozinhos de propósito... Ela estava feliz, mas nervosa, e seu coração ansioso e disparado, ainda que sua voz se mantivesse calma e suave.

Barbie sorriu, e abriu os olhos com um suspiro, virando-se para encarar o amigo.

— Estávamos em um encontro... – ela disse – Ou meio que... Num teste pra um.

— Sim, estávamos – Ken respondeu, emocionado.

— Porque ficamos com medo de arriscar nossa amizade.

— E... Ainda estamos?

— Com medo?

Ele assentiu.

— Acho... Que sempre vamos ter. Disso, ou de nada mais acontecer – o loiro pontuou.

— Não vamos saber se nunca sairmos do lugar.

Ela lhe ofereceu a mão livre, que Ken segurou com ternura, mesmo que estivesse tremendo um pouco de tão nervoso.

— Você também já se perguntou... Por que ainda não fizemos nada sobre isso? – Barbie repetiu a frase daquele dia que quase fora esquecido.

— Bem... Podemos responder isso agora. Ou tentar.

Barbie deixou o celular no banco e balançou o pulso, lhe mostrando que estava usando a pulseira de vidro marinho que ele lhe dera no verão anterior quando estavam viajando.

— O que você me diz de tentarmos transformar esse verão no terceiro melhor verão de todos? – Ela sugeriu.

— Eu adoraria. Mas não vamos ao Museu da Selfie de novo. Vamos?

Barbie gargalhou.

— Não. Definitivamente, não! Vamos a algum lugar que nós dois gostamos e que também seja especial. Nos deixar guiar por nossos medos não nos levou a muita coisa. Apesar de termos uma linda foto pra lembrar.

— Acho que você tem razão. Então também não tem porque ficar adiando isso – Ken sorriu, reunindo coragem e tomando as mãos dela nas suas.

Barbie suspirou, sentindo o coração disparar.

— Barbie... Tá pronta pra ir além da amizade? O que você quiser tá bom pra mim. Sim, não, ir devagar... Mas depois de todo esse tempo, eu queria saber o que eu sou pra você.

— Eu nunca... – ela começou nervosa, não sabendo como continuar a frase e quase desaprendendo a falar – O que você perguntou mesmo?

— Barbie, tá pronta pra ir além da amizade? Ou não tá?

Ela desviou os olhos dele por um momento, sentindo seu coração disparado, o ar fugindo de seus pulmões, e o vidro marinho verde-água brilhando em seu pulso. Não querendo pensar demais, não querendo esperar demais, encarou Ken por um milésimo de segundo antes de se aproximar e beijá-lo nos lábios. Ela o ouviu suspirar, surpreso, e depois corresponde-la, entrelaçando seus dedos e relaxando no contato, que foi breve, mas inesquecível.

— Isso foi... Sim?! – Ele riu sem jeito, e Barbie gargalhou.

— Claro, seu bobo! Foi sim.

Eles trocaram um sorriso, ela deixou que Ken a abraçasse demoradamente.

— Ainda quer ir a nosso primeiro encontro oficialmente?

— Claro! Vamos sozinhos. Hoje é sábado, e não temos compromissos inadiáveis com nada. Ao menos eu não.

— E nem eu. Então... Você quer ir à praia? – Ele sugeriu.

— Achei que nunca fosse perguntar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!