Notas iniciais
O lobo, nessa drabble, é um animal que Chapeuzinho encontrou para representar o abusador. Universo alternativo, aliás. Boa leitura.

Por que a Chapeuzinho só usa vermelho?

Ora, Chapeuzinho sempre foi grande o bastante para saber das coisas, mesmo que elas nem sempre devem se ter o conhecimento sobre – metida, atrevida, descarada! Vermelho era a visão e a falta dela. Era o sangue esparramando por entre suas pernas cedo demais.

Ora, Chapeuzinho era curiosa demais, enxerida demais. Era sempre oito ou oitenta, mas entre eles, ela estaria entre noventa – talvez cem, quem diga duzentos! Esse seu vermelho era intenso, entusiasmo, impacto. Tudo o que Chapeuzinho tinha, e talvez tivesse até mais.

Ora, todos na vila diziam como ela era mocinha demais, responsável e sempre cuidadosa. Quão orgulhosos! Mas essa passagem de vida, tão rápida e igualmente indesejada, era surpresa demais para uma pobre garotinha. Mas tampouco o vermelho pudesse fugir dessa aura tão negra que pairava sobre todos algum dia, como de costume. Porque vermelho era agressividade, revolução, fogo, era a surpresa e do mesmo modo, vergonha.

Ora, o lobo estampado em seu corpo, invisível a outros olhos, era a sexualidade que ela nunca quis experimentar, sequer dar uma primeira mordida. Vermelho era perigo, o sinal nunca respeitado de pare, a força que Chapeuzinho tinha lutado com até o fim, mas em vão.

Ora, todos sabiam quanto vermelho era uma cor tão cheia de sentimentos, emoções e quaisquer outros imagináveis derivados. Vermelho era a vontade indiscutível de viver, era ao mesmo tempo sensibilidade e amor, era ação e excitação, era fertilidade, impulso e vitalidade, era cor do medo e do sacrifício.

No final, vermelho era vermelho e Chapeuzinho era vermelho; isso, ninguém poderia discordar.

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