Por onde você vaga agora?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava sob uma enorme árvore, sua mão pousava no largo tronco, ao olhar para cima mal podia ver a copa, milhares de flores de diferentes tipos apareciam ao seu redor. A imagem a minha frente era alta e bela. O vento fazia seus longos cabelos ruivos voarem, eram como chamas. Seus olhos cor rubra me fitavam com interesse, entretanto se assemelhavam a horrível expressão que sempre odiei.
– Lembra-se de quando o mundo começou? — Sem perceber disse tais palavras, baixa o suficiente para que nem mesmo eu ouvisse.
– Estávamos abaixo da árvore da vida — Respondeu voltando seu olhar novamente para a grande árvore.
Não sabia ao certo o que estava acontecendo, palavras saiam inconscientemente da minha boca, com tanta naturalidade que pareciam ser minhas. Ao contrário, o rapaz a minha frente parecia ter total controle de si e do que dizia. Ele deixou a estranha árvores de vários espécimes de flores, e andava em minha direção. Eu o olhava admirado, imóvel, a sombra das folhas que caíam cobrindo o sol, passavam a impressão de serem assas.
– Ouvíamos o canto das baleias — Assustei comigo mesmo com o que acabara de falar, coloquei minhas mãos sobre meu lábios para tampá-los e evitar que ocorresse novamente. Em vão.
Ele tomou minha mão, afastando-a de vagar e aproximando de seu próprio rosto, ele era quente, tanto que chegava a me queimar, porém não sentia dor e meu corpo não respondia a suposta queimadura que não existia, seu toque era confortável, e de alguma forma, nostálgica.
– Amávamos tanto que o céu invejava.
Ainda segurando minhas mãos proclamou palavras constrangedoras que me fizeram corar.
– A terra e o mar enciumavam nosso amor.
Aproximava seu rosto do meu a cada palavra, seu cabelo caia sobre meus ombros enquanto ele me olhava de cima. Sem que eu percebesse estava em seus braços, minhas mãos já não eram seguradas estendiam-se em direção ao solo, me peguei fitando-o, observava cada segundo, cada toque sobre mim. Sua mão acariciava meu cabelo, e deslizava até meu rosto, inclinando minha face levemente, nossos olhos se encontraram.
– Lembra-se de quando fomos ver o sol nascer?
Estávamos tão perto que mude sentir sua respiração. Antes que pudesse responder ou dizer qualquer coisa meus lábios foram tampados, algo macio e quente era pressionado contra eles. Seu calor espalhava-se pelo meu corpo, sentia como se eu não fosse eu mesmo, quando me dei conta, abraçava-o e retribuía seu beijo. A cada momento tinha a impressão de que já o conhecia, como se já sentisse o que sinto há muito tempo... Como se tivesse recuperado algo há muito perdido. Suas palavras sussurravam e ecoavam em meus ouvidos, era algo que talvez nunca esqueceria e que futuramente ouviria novamente
– Por onde você vaga agora?
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