Por las manos del Destino
7 O Por Favor
Notas iniciais
Regina:
Olhei para Henrique sem reação, apenas virei as costas e entrei no carro dando partida, olhei pelo retrovisor e o vi parado olhando o carro se distanciar, não sabia o que pensar o beijo me tirou do eixo, foi inesperado, mas não consegui me afastar ele parecia um imã, escuto meu celular tocando longe respirei fundo e atendi.
— Oi Regina só para te avisar que já estou à sua espera no restaurante.
Arregalei os olhos, tinha esquecido completamente do almoço com Antônio.
— Antônio eu já estou a caminho. – Nos despedimos e vou direto para o restaurante.
Entrei e Antônio se levantou, me aproximei e o cumprimentei com um beijo no rosto.
— Desculpe o atraso Antônio.
Ele puxou a cadeira e eu sentei.
— Não se preocupe Regina, tenho que te dizer que está linda.
Ele sentou de frente para mim, sorri. – Obrigada Antônio.
Fizemos nosso pedido, Antônio me contava sobre o trabalho, a viagem que ele iria fazer, mas sinceramente eu estava longe, meus pensamentos estavam em Henrique, no beijo, o jeito em que ele me olhava.
— Regina, Regina, Regina...
A voz de Antônio se aproximava, sai dos meus pensamentos e o olhei envergonhada.
— Desculpe, acho que hoje não sou uma boa companhia.
Ele sorriu e pegou minha mão. – Você sempre será uma ótima companhia para mim, te noto longe aconteceu alguma coisa precisa de ajuda?
Balancei a cabeça. – Está tudo bem, apenas pensando nas coisas que pretendo fazer no centro.
— Sabe que se precisar de alguma coisa estou aqui.
Apenas sorri, terminamos o almoço e nos despedimos, voltei ao centro e fui direto para a minha sala, precisava conversar com a Renata sobre as obras do centro, mas não estava com cabeça, fui até a janela olhar a vista do meu escritório para o jardim me dava tranquilidade, tentei pensar em outras coisas, mas sempre Henrique invadia meus pensamentos sem pedir licença, apenas consegui para de pensar quando bateram na porta, era minha irmã e Renata.
— Oi Regina.
Renata veio até mim me cumprimentou.
— Oi Renata, eu ia te procurar. – Me sentei no sofá, minha irmã na cadeira a minha frente e Renata do meu lado. – Vamos começar as obras segunda feira a empresa do Gustavo vai estar cuidando disso e ele mesmo vai supervisionar.
— Então assim que estiver quase pronto entramos em contato com o diretor do hospital.
— Teremos muito trabalho.
— E além do hospital nos ajudar meu pai também quer participar, ele pediu para falar com você, quando pode encontra-lo?
Prendi a respiração, encontrar o Henrique depois do beijo, como o encarar depois do que aconteceu, masnão podia dizer não.
— Eu vou verificar minha agenda e te falo.
— Tudo bem, agora vou para minha sala que eu tenho um atendimento.
Renata saiu da sala deixando minha irmã e eu sozinhas, me levantei e sentei na minha mesa, Blanca não parava de me olhar enquanto eu fingia que organizava alguns papéis, queria fugir das perguntas tinha certeza que ela reparou na minha reação quando Renata disse que teria que me encontrar com Henrique, olhei para ela, abaixei o papel que estava na mão.
— O que foi Blanca, tirou o dia para me admirar?
Ela riu. – Não minha irmã só quero sua companhia, conversar.
Revirei os olhos. – Pergunta logo o que quer saber.
Ela se inclinou para frente. – Porque se assustou tanto quando Renata falou que você teria que se encontrar com pai dela?
— Acho que foi impressão sua.
— Regina sabe que não pode mentir para mim, te conheço em tudo, e vice-versa.
Respirei fundo passando a mão em meu rosto, precisava desabafar, entender um pouco o que estava acontecendo.
— Hoje antes do almoço que marquei com o Antônio passei no cemitério, estava na lapide da minha filha quando Henrique apareceu, disse que a esposa de um amigo e sócio havia falecido, perguntou o que estava fazendo ali e não sei porque mas contei a ele sobre minha filha, ele me acompanhou até o carro e...- Blanca arregalou os olhos e colocou a mão na boca.
— Vocês se beijaram. – Não foi nem uma pergunta ela afirmou, apenas balancei a cabeça em afirmativa, ela se levantou. – Eu sabia que tinha alguma coisa entre vocês.
— Não tem nada entre nós, não sei porque aconteceu o beijo.
— Regina um beijo acontece quando os dois querem ou sentem algo, e isso é exatamente o que acontece entre vocês mesmo que não queira admitir.
Esfreguei os olhos. – Eu não sei, mas isso tem que parar, ele namora e nem passa pela nossa cabeça nada disso, foi apenas um momento de consolo.
Blanca balançou a cabeça, se aproximou de mim e pegou minha mão. – Você acha que está certa, tudo bem, mas sabemos que não é isso e espero que quando você realmente confessar o que sente ou o que está começando a sentir não seja tarde, te amo. – Ela beijou minha testa e saiu da sala.
Me levantei, precisava fazer alguma coisa para tirar tudo aquilo da cabeça, sai da sala e fui andar pelo centro, algumas mulheres estavam conversando, passei pela área de artesanato, o centro não era grande mas comportava um bom número de pessoas, ouvi Renata me chamando e me virei, ela veio sorrindo eu sorri também, não sabia o porque mas eu tinha um carinho, um amor tão grande por ela, ela chegou perto de mim.
— Eu falei com meu pai agora, ele disse que está livre e está vindo aqui para falar com você sobre a construção, tudo bem ou você tem algum compromisso?
Olhei para ela sem reação, minha vontade era dar uma desculpa, mas não podia era sobre o centro, não ia deixar assuntos pessoais atrapalhar um trabalho tão importante.
— Não tenho nenhum compromisso, não sei como agradecer Renata.
Ela pegou minha mão. – O que você faz aqui nesse lugar é de uma grandeza única, você me agradece demonstrando todo carinho e amor que eu já tenho por esse lugar.
A abracei forte, e quando nos separamos notem que os olhos dela estavam cheios de lagrimas.
— O que foi Renata?
Ela enxugou uma lagrima que caia, sorriu sem graça. – Não foi nada Regina, é que...
Ela respirou fundo, peguei na mão dela e a levei até um banco que tinha no jardim, nos sentamos, eu afastei um pouco dos cabelos dela que estavam, no rosto, limpei outra lagrima que caia. – Você está me deixando preocupada, eu fiz ou falei alguma coisa?
Ela balançou a cabeça. – Você não fez nada, minha mãe morreu eu era quase adolescente, mas nós nunca fomos muito próximas e o seu abraço me fez sentir um carinho único, que uma filha sente quando sua mãe a abraça, desculpa. – Ela balançou a cabeça, agora eu estava emocionada.
— Se minha filha estivesse viva ela teria sua idade e eu penso nela assim, a imagino assim como você, linda, boa e com um coração tão nobre.- Nesse momento nós duas estávamos chorando.
Renata sorriu para mim, e não sei dizer o motivo, mas esse sorriso aqueceu meu coração e depois de tantos anos acalmou um pouco minha alma, a abracei de lado forte.

A soltei quando ouvi a voz de Henrique.
— Desculpe atrapalhar, mas está tudo bem?
Nos afastamos, Renata levantou e abraçou o pai.
— Está tudo bem papai, não se preocupe foi apenas uma conversa e ficamos emocionadas.
Me levantei, Henrique olhou para mim tentando saber que o que Renata disse era verdade, sorri para ele confirmando que estava tudo bem ele se aproximou e me deu um beijo no rosto, a lembrança do aconteceu mais cedo veio forte e o coração disparou.
— Eu vim para a nossa reunião, mas se quiser podemos remarcar.
Balancei a cabeça. – Não de maneira nenhuma, vamos para o meu escritório, Renata queria que estivesse presente. – Torci mentalmente para ela nos acompanhar, não podia ficar a sós com Henrique de novo, prendi a respiração quando ela negou com a cabeça.
— Me desculpe Regina, mas tenho dois atendimentos seguidos agora depois eu passo na sua sala para me contar o que decidiram. – Ela beijou o pai na bochecha e depois sorriu para mim indo para sala dela, olhei Henrique que não tirou os olhos da filha enquanto ela não desapareceu de vista, o olhar dele era de um amor incondicional que só um pai e uma mãe sentem, quando Renata saiu do campo de visão ele me olhou, sustentamos o olhar por alguns segundos quando eu desviei.
— Vamos até minha sala.
— Você primeiro.
Ele me deu caminho e me seguiu, chegamos até minha sala, eu comecei a conversa o mais formal possível.
— Renata me disse que você se interessou pelo meu projeto de ampliar o centro e fazer um pequeno ambulatório.
Henrique balançou a cabeça. – Sim me interessou muito e quero te ajudar, ajudar a tornar esse projeto real.
— Como pretende nos ajudar?
Eu sabia que estava sendo extremamente fria, mas era como uma proteção a mim mesma, não podia me deixar levar pelo o que estava sentindo mesmo não sabendo o que era.
— O que precisar, com doações em dinheiro, em material para a obra, eu sei que você já tem a empresa de construção a Renata me comentou que seu amigo vai fazer essa parte, o hospital vai ceder alguns equipamentos e ver se algum profissional quer ser voluntario, então você me diz Regina, o que precisa de mim?
Ao fazer essa pergunta eu sabia que se referia a tudo, Henrique se inclinou para frente esperando uma resposta minha, respirei fundo tentando responder aquela pergunta mais formal que conseguiria.
— Como você disse eu já tenho a mão de obra e preciso dos materiais para a construção, eu estou tentando negociar com uma loja de materiais de construção, mas se você doar metade já vai ser uma ajuda maravilhosa.
— Fazemos assim não precisa negociar com nenhuma loja, eu vou doar todo material necessário para a construção.
Me pegou de surpresa não soube o que e como responder, balancei a cabeça. – Henrique eu agradeço, mas não posso aceitar é muita coisa mesmo sendo uma coisa pequena essas coisas são caras.
Ele se levantou ficando atrás da cadeira que estava sentado. – Regina isso não importa eu posso e quero ajudar, por favor aceite.
— Não posso, Henrique você já fez uma grande doação se eu deixar você fazer isso não vou me sentir bem, preciso de ajuda, mas esse centro isso tudo é meu, ideia minha.
O jeito que ele sorriu de lado mexeu mais ainda comigo.
— É exatamente por isso que eu quero ajudar com tudo o que eu puder, porque tudo isso é seu, tudo isso é um sonho seu e quero realizar como eu puder.
As palavras de Henrique me deixaram sem reação, fiquei imóvel apenas o olhava, até que voltei a mim e me levantei.
— Eu não sei o que te falar.
— Apenas aceite minha doação.
Sorri agradecida. – Muito obrigada Henrique, com isso vou conseguir terminar a obra mais rápido do que pensei.
— Fico muito feliz. – Ele se aproximou eu não conseguia recuar ou não quis. – O brilho que vejo em seus olhos quando fala ou quando esta aqui é maravilhoso, como a Renata diz você passa todo seu amor por este lugar para as pessoas que te cercam, ainda mais quando se sabe o porque disso, porque você abriu esse centro. – Ele pegou minha mão e eu não conseguia tirar os olhos dele. – Você é uma mulher especial, forte e guerreira, não sabe o quanto te admiro e sinceramente eu não sei o porque, mas a única coisa que quero e anseio é estar ao seu lado nem que seja em silencio.
Estávamos muito próximos minha vontade de ficar e minha razão se debatiam, mas não tinha forças para me afastar.
— Henrique por favor.
— Por favor o que, por favor se afaste ou por favor me beije, qual dos dois você quer Regina?
Fechei os olhos assim que senti sua mãos em meu rosto, eu podia tentar negar para quem quisesse, mas eu sabia o que estava sentindo por Henrique e isso me dava medo e a lembrança da namorada dele me fez ir para trás em um impulso, com o mesmo impulso ele colocou o braço ao redor da minha cintura para não me deixar ir.
— Henrique você tem uma namorada e... – Ele não me deixou terminar.
— Não tenho mais namorada nenhuma, na verdade aquilo não podia se chamar de relacionamento.
A resposta dele me relaxou. – Eu não sei o que esta acontecendo Henrique, depois de anos eu não estou conseguindo interpretar meus sentimentos e nem controlar minhas atitudes.
Ele sorriu o sorriso mais lindo. – Você não é a única, eu só quero descobrir junto com você.
Sem esperar mais Henrique me beijou e sem reservas eu me deixei beijar e beijei, naquele momento eu sabia que estava indo para um caminho sem volta.
Henrique:
Não sei por quanto tempo ficamos nos beijando, mas quando acabou parecia que tinha sido rápido demais, queria mais, ela abriu os olhos e eu não conseguia parar de olhar para eles, prendi a respiração com medo dela me mandar embora, mas esse medo foi embora quando ela deu um sorriso.
— Eu não tinha te respondido qual era o por favor que eu queria.
Sorri sem solta-la. – Não precisou, você pode não saber mas seus olhos te denunciam.
Ela encolheu os ombros. – Culpada. – Ela saiu dos meus braços e fiquei surpreso em sentir um vazio. – Henrique não sei o que dizer nem o que fazer, por anos fiquei sozinha, com a minha filha e com a minha dor, mas você chegou e não posso negar que sinto algo por você só não tenho certeza do que é.
Me aproximei dela. – Então vamos descobrir juntos, tenho uma proposta. – Ela apenas balançou a cabeça esperando eu falar. – Vamos nos conhecer, digo como algo mais, sem compromissos mas com algo a mais do que só amizade, aceita descobrir junto comigo o que estamos sentindo?
Esperei a resposta dela como uma criança espera um presente, Regina me encantou logo de cara com sua determinação, com sua beleza .
— Eu aceito, mas vamos com calma essa é minha única condição.
Agora eu parecia uma criança quando abre o presente que mais na vida. – Combinado, será que agora você aceita jantar comigo?
Ela sorriu linda. – Aceito.
— Hoje as 20:00?
Rindo ela concordou. – Tudo bem, me passa onde será e nos encontramos lá eu prefiro.
Balancei a cabeça. – Te mando por mensagem, eu preciso ir nos vemos a noite.
Chego perto dela e beijo seu rosto demorando um pouco, me afasto e ela esta sorrindo, saio de sua sala e vou para o carro, precisava encontrar o lugar perfeito.
Quando encontrei o lugar certo mandei mensagem para ela e fui para casa, estava terminando de me arrumar, desci as escadas e Renata estava entrando em casa me olhou.
— Nossa onde vai tão lindo?
Dei uma volta mostrando como estava ela riu. – Estou bem?
Ela se aproximou arrumando a gola da camisa. – Esta um gato, vai sair com Catarina?
— Não, na verdade não tivemos tempo de conversarmos mas o que eu tinha com ela que na verdade eu nem sei o que era terminou, Catarina e eu não temos mais nada.
Vi Renata abrir a boca de surpresa. – Ual isso que eu chamo de novidade e das boas, mas então aonde vai?
— Tenho um compromisso. – Beijei sua teste e sai de casa, o restaurante ficava perto do centro da cidade, mas um pouco afastado, quando cheguei dei meu nome da reserva e o garçom me levou até a mesa, na verdade só tinha a nossa mesa nessa parte do restaurante, era uma área com um lindo jardim e uma mesa no meio com velas, me sentei estava quase dando 20:00, parecia um adolescente sempre olhando para o lugar que ela ia entrar e fiquei paralisado quando a vi, estava mais que perfeita me levantei esperando ela chegar perto, estava com um vestido longo, os cabelos metade preso e metade solto e o brilho nos olhos dela era o que realçava essa beleza, sorrindo ela se aproximou.
— Boa noite Sr Monterey. – Ela continuava sorrindo.
Peguei a mão dela e beijei e a olhando nos olhos a cumprimentei. – Boa noite minha senhora.
Continua...
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