Por ironia do destino
6 Quem você matou?
Como eu ainda não estou em nenhum clube fui até a diretoria e consegui ser liberada para sair depois da aula e pude voltar para casa. Pensei em passar no mercado só para ver o Yuan mesmo, mas lembrei que ele disse que iria estudar e provavelmente nem me olharia, então fui direto para casa. Quando estava entrando no condomínio vi uma garota com uma pilha de caixas atrás de mim, devia ter minha idade, era muita coisa para uma garota só carregar. Ela ia na mesma direção que eu, iria perguntar se ela queria ajuda para carregar aquilo tudo, mas quando olhei para trás suas coisas já estavam espalhadas pelo chão.
Eu corri para ajudá-la, percebi pelos joelhos ralados, a garota não havia apenas derrubado as caixas, havia caído junto. Abaixei-me para ajudá-la e ela escondeu o rosto de mim, não estava chorando, mas estava desorientada.
—Eu vou te ajudar, aonde você mora? —Disse eu sem olhar em seus olhos.
—Bloco três ou quatro, não sei ao certo na verdade. Sou nova aqui—Disse ela em um tom baixíssimo.
Assim que pegamos tudo, ela pegou o papel no bolso em sua bermuda e me entregou. Estava escrito “Bloco 4, apartamento 472” que era no mesmo andar que o meu, acho que o segundo apartamento depois do meu.
Eu a acompanhei até o apartamento, ela não disse nada o trajeto inteiro, estava ou muito envergonhada ou ela é realmente assim.
—Aqui estamos, apartamento 472. Tem mais caixas para subir? —Perguntei.
—Não, essas foram às últimas.
—Ah, a propósito… Meu nome é Samanta.
—Prazer Samanta, meu nome é Naoko.
Ela olhou para seu machucado, acho que agora que havia se dado conta dele.
—Prazer Naoko. Olha, meu apartamento é o 465, se precisar de mim é só chamar.
—ok.
Ela abriu a porta e eu pude ver que os móveis ainda estavam tampados com lençóis para não empoeirarem. Naoko é realmente uma recém-chegada, se bem que ela já havia dito que era nova aqui.
—Então você é recém chegada aqui? —Perguntei antes da porta fechar.
—Sim.
—Seja bem vinda.
—Obrigada.
Finalmente fui para meu apartamento, assim que abri a porta vi que meu irmão já havia chegado. Ele estava sentado na sala de costas para mim, ele virou-se e me disse eufórico:
—Corre aqui Samanta, vem ver o que eu trouxe!
Fui até a sala sem perguntar o que havia acontecido, ao chegar lá vi um velho console de vídeo game, li o nome em japonês e estava escrito Atari ”アタリ”. Vi aquilo e comecei a rir do meu irmão.
—Ué, o que foi? —Perguntou ele.
—Pensei que você iria arrumar um PS3, PS4, ou até um Wii...Nunca pensei que chegaria em casa com um Atari.
—Engraçadinha... Isso é uma relíquia e eu achei na ida para a faculdade. Uma senhora estava jogando fora a hora que eu passei.
—Então você pegou isso do lixo?
—Na verdade não. Eu a vi jogando então fiz mais ou menos assim…
………. (Flashback on)..........
Eu estava atrasado, correndo eufórico descendo o mais rápido possível a colina e rezando para conseguir ainda ver a primeira aula que por ironia hoje começa às oito e meia. Todos os outros dias da semana começam 08:00 e eu chego na hora, mas justamente hoje, o único dia da semana que eu tenho aula com uma gostosona sueca eu tenho que me atrasar.
Na descida passei em frente à casa de uma velha senhora, ela estava com um saco preto na mão, eu a vi jogando um controle de vídeo game no lixo. De longe não vi de qual jogo era, mas ao me aproximar eu vi dentro do saco escrito Atari no aparelho. Meus olhos brilharam instantaneamente.
—Senhora, isso é o que eu estou pensando? —Disse eu indo eufórico em sua direção.
—O que?! —Perguntou ela fechando a cara para mim.
Eu mantive uma certa distância da senhora, porque né pela cara dela... Vai que ela resolve me bate com o saco de lixo.
—É um Atari?
—Sim, por quê?
—A senhora vai jogar fora? Joga não...Se quiser eu compro—Disse eu já tirando minha carteira(Não tinha um tostão furado, mas a carteira estava lá ainda).
—Não seja idiota garoto, não vou lhe vender algo quebrado. Quer o jogo?
—Sim, eu quero muito.
A senhora me entregou o saco e então disse:
——Espere aqui, há mais jogos do meu filho no sótão. Volto em cinco minutos.
Eu estava sorrindo estridentemente, peguei o controle no lixo e ao abrir o saco vi uma caixa de sapatos rasgada cheia de jogos e muitas miniaturas antigas de Mario. Olhei para o céu e pensei “hoje é meu dia de sorte”. A senhora voltou alguns minutos depois carregando mais uma caixa de sapatos cheia de mais jogos e umas miniaturas que eu não sabia do que era. Ela colocou o que havia trazido e eu não conseguia parar de sorrir.
—Muito obrigado senhora-Disse eu me curvando.
—De nada, é muito bom para mim me livrar dessas tralhas.
Permaneci calado, vai que eu falo algo e ela decide me tomar o vídeo game. Mas fico impressionado como o lixo de um pode ser o tesouro de outro.
Desci a ladeira calmamente e foi aqui que eu me dei conta que estava atrasado, quis correr, mas ao olhar o relógio vi que era 08:53.
—Ah foda-se relógio… Meu Deus a Samanta não vai acreditar nisso.
………..(flashback off)...........
—Então foi assim que eu consegui essa belezu-u-u-ra-Disse Gabriel sorrindo.
—Então, já ligou essa “belezura”?
—Não, está realmente quebrado, mas vou consertar. Sem contar que eu tenho que trocar o plug para entrar na tomada aqui de casa, essa gracinha é muito antiga e o plug da tomada também.
—Legal, então você já tem um projeto de verão para fazer.
—Primavera você quis dizer né? Porque não vou aguentar esperar nem o mês que vêm para conserta essa belezinha.
—Tanto faz. Ah, a gente tem uma nova vizinha, ela é mais ou menos da nossa idade.
—É japonesa? —Perguntou entusiasmado meu irmão.
— Sim e parece bem tímida também.
—Droga! Mas já foi muita sorte minha conseguir essa belezinha aqui.
—Gabriel, tu é muito sortudo.
Abracei meu irmão e sentei-me ao seu lado para olhar os jogos, havia basicamente todos os clássicos, mal posso esperar para ver esse Atari funcionando.
No dia seguinte na hora do almoço eu estava descendo as escadas quando vi o Ren no andar de baixo, perto da escadaria conversando com uma garota com cabelo preso repartido em dois, eles pareciam estar discutindo.
—Tomiko, você acha que eu não sei o que você estava fazendo? Se eu te ver tentando fugir novamente não vou mais te proteger—Gritou Ren.
Ouvi isso ainda no andar de cima.
—Ah me deixa.
Eu passei pelo campo de visão do Ren que estava de frente para a escada, ambos pararam e me olharam quando eu passei por eles, aparei um pouco á diante, longe do campo de visão deles para ver se iam brigar, se fossem eu ficaria do lado da menina, óbvio.
—Eu já vou—Disse a garota.
—Não, você vai voltar para a sala! —Falou Ren em tom alto.
—Me solta!
Ouvi um som alto, pela sombra na escada a garota havia caído.
—Você está doido...
—Vou falar pausadamente, volta... Agora... Para... Sua...Sala. AGORA!!
Depois disso eu mesma me assustei com o tom do garoto, então desci rapidamente o resto da escada, a menina passou por mim no andar de baixo, estava chorando, queria ajudar, mas não sabia como. Credo a Ingrid me disse que as coisas que acontecem na escola se espalham rapidamente, eu pensei “que povo mais fofoqueiro” quando ouvi isso, mas agora depois de presenciar isso me sinto uma fofoqueira também... Aff.
Por fim fui me encontrar com Hiro que não estava sozinho hoje, havia uma garota ao seu lado de cabelo curto um tanto amassado, era para ser um chanel de bico, mas era como se tivesse dormido e depois não o tivesse arrumado. Ambos estavam sentados debaixo da árvore.
—Samanta, essa é Miki Fijimoto, é uma amiga minha e estava doida para te conhecer.
—Oiiiiiiiiii Saaamaaantaaa—Disse ela acenando alegremente.
“Hum, pessoal animado dessa escola. Gosto disso é bom para eu me enturmar”
—Ah, oi Miki... Prazer em conhecê-la—Disse eu curvando-me.
—O prazer é todo meu—Disse ela curvando-se também.
Sentei-me entre Miki e Hiro como eles haviam pedido.
—Então, o que tem para hoje? — Perguntei.
Nota: Hoje eu almocei rapidamente antes de descer.
— Hum, eu trouxe meu celular para jogamos—Disse Miki.
—Eu trouxe salgadinhos para comermos—Disse Hiro mostrando a embalagem.
—Anem Hiro, isso não é comida—Disse Miki me dando o celular.
—Perdão.
—Toma, eu trouxe um Gyudon para dividirmos—Disse Miki pegando seu bentô enorme.
Algumas anotações. Gyudon é um prato japonês que basicamente tem carne acebolada sobre uma tigela de arroz. E eu li na embalagem do Hiro que o nome dos salgadinhos era Wasabeef, e como o próprio nome dizia tinha wasabi, então pelas minhas más experiências com wasabi eu não vou comer isso nem á pau, só digo isso.
Miki entregou hashis para mim e para o Hiro, mas eu recusei a comida, então fui olhar os jogos no celular dela. Havia uma pasta só com os jogos, o que ajudou bastante, mas todos eram japoneses. Menos um que eu conhecia e gostava muito, violento e que eu pessoalmente não havia visto em um celular até hoje. O jogo era Mortal Kombat, ficamos jogando isso basicamente o almoço inteiro, foi tão bom ver um jogo que não fosse made japan para variar. Quando o sinal tocou Hiro que estava perdendo feio na sua vez reclamou.
—Anem, agora que estava ficando bom.
—Pois é pessoal, mas depois a gente joga mais—Disse eu me levantando.
—Espera Samanta—Disse Miki levantando-se também—Vamos subir juntas?
—Claro.
Enquanto subíamos a escadas conversávamos.
—Então Miki, de qual sala você é?
—2A e você?
—3C. Miki, por que o Hiro sempre parece matar o horário depois do almoço?
—Ah, geralmente ele saí junto com a Narata a professora de matemática. Ela tem aula dois dias da semana na sala dele depois do almoço... Ham, creio que Minori tenha algo a ver com isso.
—Hum, bem esperto da parte dele. Mas e os outros dias da semana?
—Um ele tem aula de japonês, então duvido que ele mate aula... Outro dia eu sei que ele realmente mata aula e o outro não faço ideia.
—Sabia que ele matava aula, mas tá bom.
—É né... Mas isso é bem a cara dele,ele é bem folgado e muito puxa saco, um bajulador de primeira, mas também um amigo muito legal... Só não é um aluno nota dez—Disse Miki rindo.
—Qual a graça?
—Nada, é que tenho dois amigos na sua sala e um deles é nota dez e gosta de jogar isso na cara dos outros, lembrei-me dele agora.
— É um tal de Ogawa?
—Hã? O Ichiro? Conhece ele?
—Não, mas o Hiro comentou uma vez o sobrenome dele — Respondi.
—Um cheater de primeira, mas é bom jogar com ele.
—É ele o exibido?
—Não, mas você já deve conhecê-lo... Samanta eu já vou para minha sala, mas faz assim... Sei que você tem educação depois da aula hoje, então depois da aula vou ficar com os meninos na escola aí a gente joga e conversa mais... Que tal?
—Pode ser... Até mais Miki.
Corri para minha sala, mas quando estava no corredor vi o professor entrando na sala. Por ironia do destino era o senhor Ōmori, os horários devem ter mudado, porque não tinha aula dele hoje. Tomei coragem, bati na porta com a maior cara de pau e dei aquele sorrisinho sem graça, sabia que ele não me deixaria entrar, mas não custava tentar, porque a esperança é a última que morre... Ai que besteira para dizer numa hora dessas, ridículo.
—Entre! —Disse ele sem olhar para mim.
—Obrigada—Disse eu correndo para meu lugar.
Ele terminou de fazer seja lá o que estivesse fazendo e voltou o olhar para a classe, mas especificamente para mim.
—Só uma coisa Samanta, não pense que isso vai acontecer sempre, só estou te deixando entrar porque agora nem é minha aula... Então te perdoo—D8isse antes de sentar-se sobre a mesa—Bem turma, eu só vim substituir o professor de química que teve que sair mais cedo hoje por problemas que eu mesmo não sei e ainda vou ser sincero... Não entendo nada de química, então apenas peguem os deveres que ele deixou e fiquem em silencio durante o resto da aula.
Ele passou distribuindo as folhas, depois que ele passou por mim e por Ingrid que senta na fileira ao lado da minha ela sussurrou para mim:
—O Senhor Ōmori está estranho.
—Deve estar cansado ou sem paciência—Comentei, mas havia achado estranho também.
—Isso não é bom sinal, isso não é nada bom mesmo—Disse olhando a folha.
—É, também acho estranho—Disse eu já fazendo o dever.
—Só por perguntar... Você já arrumou um clube?
—Ah não, estou procurando.
—Por que não tenta o de jardinagem?
O professor me jogou um papel amassado, voltei minha atenção para ele que simplesmente me fez um sinal para que eu me calasse...Permaneci assim, alguns minutos depois respondi Ingrid.
—Não tenho boa mão para mexer com plantas.
—Mas é só cuidar...Vamos, não é tão difícil.
—Tudo bem, semana que vêm eu visito seu clube. Mas vamos ficar em silêncio, não quero receber outro rala do professor.
—Eba.
Passados alguns minutos Ingrid me chamou novamente.
—Amiga... —Disse ela em português.
—O que foi?
—Olha disfarçadamente por cima dos meus ombros quem está te observando desde que a aula começou—Sussurrou Ingrid.
—Quem?!
Engaçado que sempre que falam “olha disfarçadamente” a pessoa vira a cabeça como se fosse a garota do exorcista e geralmente paga o maior mico por causa disso. Adivinhem só, foi exatamente o que eu fiz. Virei de uma vez e vi o Sayama olhando para mim, ele assustou e arregalou os olhos, respirou fundo e acenou para mim sem graça, acenei de volta, depois ele virou-se para frente rapidamente.
—Tadinho amiga, assustou o garoto—Disse Ingrid rindo baixinho.
—Ué, eu não sabia.
—Se prepara que se o Sayama está de olho em você daqui a pouco é vez do Ren.
— Aff, os dois competem até nisso?
—Pois é, sim.
—E eu não sou lá grande coisa para eles se interessarem por mim.
—Tá maluca... Claro que é, você além de ser bonita é novata aqui... Seria um bônus para qualquer um dos dois se ficassem com você.
—Mas nenhum dos dois vai ficar, que ideia idiota... Além do mais, eu já tenho alguém.
—Uuhh... Quem é?
—Não é da escola Ingrid e nem é chinês— Disse eu (Opa, errei o que queria dizer).
—Hã? Samanta você está no Japão.
—Ai perdão, quis dizer que ele é chinês.
—Uuuuhhhhh—Ingrid apoiou-se em minha mesa.
O professor viu que estávamos conversando e mesmo sem entender nossa língua nos mandou calar e ficarmos no lugar.
—Amiga, conta mais...
—Nada de mais, só marquei um encontro com ele, e é amanhã, espero que dê certo.
—Estarei torcendo por você.
—Obrigada...
O professor fez “Shhh” Para nós.
—Eu acho né—Completei a frase.
Depois da aula tive educação física de novo, mas hoje foi diferente, as meninas ficavam com a quadra e os garotos corriam, ou seja, foi a nossa vez de jogar futebol e a dos meninos de correr, mas eles estavam muito mais dispostos que nós na quarta.
Eu me surpreendi quando consegui fazer um gol, depois de cometer várias gafes e erros ridículos saiu um gol graças á Deus. Uma hora ou outra vi os meninos passando em um pique até bom por nós enquanto jogávamos, olhei rapidamente, mas vi que novamente o Sayama e o Ren estavam competindo. Não pude olhar muito porque estava bom o jogo, mas sempre que olhava eles estavam se empurrando e tentando ultrapassar um ao outro.
Depois de um tempão jogando e satisfeita por ter feito um gol, finalmente deram um descanso para nós. A maioria das garotas ficou sentada nos banquinhos ao redor da quadra, Ingrid foi beber água enquanto eu literalmente me joguei esticada na grama ao lado da quadra, havia corrido demais, minhas pernas doíam. Ficar na quadra com certeza era mais cansativo que correr ao redor da escola, mas eu não aguento correr muito de todo jeito, então estou fazendo mais do que posso nesse quesito. Olhei para trás e justo na hora os garotos estavam passando, olhei para Sayama e ele acenou para mim sorridente, isso durou alguns segundo e foi o suficiente para quase ser jogado fora da pista pelo Ren que o ultrapassou facilmente.
Ingrid estava voltando com a água e sentou-se ao meu lado.
—Aceita um pouco de água? —Disse Ingrid me dando à garrafa.
—Não, obrigada... Estou sem sede—Disse eu ainda olhando para trás.
—Ok, olha demais não se não você pode se cegar.
—Não exagera... Esses dois competem com tudo mesmo?
—Sim... Às vezes é muito engraçado vê-los brigando, a maioria das vezes na verdade.
Jogamos mais dez minutos, quer dizer... Eu joguei dez minutos á mais, porque depois vi Miki sentada nas escadas que dão acesso á quadro e dei um jeito de sair de lá.
—Uau... Pensei que não te veria mais hoje Senpai—Disse Miki sorridente.
—O jogo estava bom. Hum... Senpai... Sabe o que significa isso em português?
—Dá para ver que se divertiu, está com grama até no rosto. Eu não sei o que significa.—Disse ela abafando um riso com a mão esquerda.
—Canhota?
—Sim e com orgulho... Hihihihi.
—Bem, significa alguém que não tem pai.
—Que terrível.
—Ah, mas não deixa de ser ver... — Fui interrompida por Miki que me puxou, quase fui atropelada.
Os meninos já haviam parado de correr, mas quando estávamos indo para á árvore passamos pela pista e quase fui atropelada pelo Ren que ainda competia com Sayama não sei o que na verdade.
—Desculpa! —Gritou Ren ainda correndo.
—Retardado, quase atropelou a moça! —Disse Sayama empurrando Ren com o corpo.
—Culpa sua que me empurrou, idiota—Disse Ren empurrando Sayama com uma mão—E chega para lá ô viadão!
Fiquei parada olhando os dois correndo um tanto boquiaberta, juro que não o vi perto de mim, se fosse um carro eu já tinha virado panqueca. Depois de voltar á mim alguns segundos depois, Miki me perguntou se eu estava bem e eu já havia voltado á mim, então fomos nos encontrar com Hiro que estava sentado perto de outro garoto, esse era da minha sala... Mas nem sabia o nome dele.
Olhei os dois e pensei “As coisas evoluíram desde o almoço”, Hiro estava segurando um iPad branco de 12 polegadas. Já joguei no da minha irmã lá no Brasil uma vez...É ótimo.
—Oi Samanta! —Disse o garoto com cabelo bagunçado.
—Ahh Oi!
—Então Samanta, esse é o Ichiro... Meu grande amigo que estuda na sua sala—Disse Hiro.
—Então Samanta vem jogar?— Disse Miki me puxando novamente(Acho que ainda estou passada com o susto).
—Ah claro, o que estão jogando?
—Sayonaka—Disse Ichiro.
—Não conheço esse jogo.
—É um jogo japonês de corrida—Disse Miki.
—Ahh...Legal.
“Droga...Acho que peguei raiva com jogos japoneses, não sei por que mas sou uma fã deles, simplesmente não gosto”.
—Você vai gostar—Disse Miki ao ver minha cara de desgosto.
—Tá bom, como ele é?
—Bem, estamos jogando no modo de competição onde o jogo te dá dois minutos para correr o mais longe possível. O mais legal desse jogo é que as pistas são aleatórias e criadas na hora o que deixa tudo mais interessante, porque não tem jeito de trapacear decorando as curvas—Disse Miki sentando-se perto de Ichiro—Não é Ichiro?
—Ah que foi gente? Eu nem trapaceio tanto assim—Disse Ichiro.
—Atá que não... —Disse Hiro.
Peguei o iPad e resolvi jogar uma partida, me saí pessimamente como já esperava, porque sempre fui péssima em jogos de corrida e também nunca havia jogado aquele jogo, mas gostei muito do danado. Acho que ele deve ter várias pistas e nesse modo que eles colocaram o próprio sistema vai misturando partes das pistas, porque toda hora muda de cenário e isso é bem legal na verdade. Gostei desse jogo e dessa jogabilidade, depois vou tentar baixar no meu celular.
— Mais uma noob na turma? —Perguntou Ichiro — Melhor que o Hiro pelo menos.
—Ei! Eu não sou tão ruim assim—Defendeu-se Hiro.
—Só da muita mancada—Disse Ichiro.
—Tá...Mas voltando para a Samanta, ela estava jogando super bem aquele jogo que nem você mesmo, seu cheater conseguiu passar. Ela não é uma player ruim de jeito algum—Me defendeu Hiro.
—Dá um desconto gente... Essa é a primeira vez que eu jogo esse jogo... Mas
Vou treinar quando chegar em casa...Aí eu quero ver.
—Ui...Então Samanta...Quer competir comigo? —Disse Ichiro em tom desafiador.
—Pode ser, eu vou conseguir a melhor pontuação desse jogo—Disse eu.
Ichiro e Hiro começaram a rir, Miki me olhou com cara de “ixi fez merda”. Não sabia por que tudo aquilo, então perguntei.
—O que eu disse de errado?
—Olha a pontuação máxima nesse aparelho—Disse Hiro.
Fui nos recordes e olhei a melhor pontuação, era de um player chamado “falling angel” ele havia feito 202.456 pontos, todas as outras pontuações eram abaixo de 60.000 e isso não é muito bom, em primeiro lugar...Quem consegue fazer mais de 100.000 em dois minutos? Em segundo, eu bati tanto agora pouco que mal consegui 5.000 e eu sou terrível em jogos de corrida, lascou.
—Te dou 500¥ (Equivalente á uns 15 reais) se você vencer o recorde—Disse Ichiro.
—É seu o recorde?
—Não, de um amigo nosso, mas enfim... Topa? —Perguntou Ichiro
—Hum... Sei não.
—Vai Samanta, aceita—Disse Hiro—Te pago 600¥ também, você é uma boa gamer... Vence ele por nós.
—Eu também entro nessa—Disse Miki—Mas só tenho 300¥.
—Nossa gente, mas é só um jogo.
—Que seja... Please... Vence esse recorde Samanta... Se precisar de mais eu ainda falo com uns amigos meus para te dar mais dinheiro... Só vence isso por favor—Disse Hiro.
—Por favor—Disseram os outros dois.
—Nossa, gente... Para que isso tudo? Tudo bem, eu faço isso, me deem uma semana e eu acho que consigo.
—Tudo bem, viu pessoal... Eu falei que ela era legal—Disse Hiro.
Depois de ficar jogarmos até 16:30 eu troquei-me e voltei para casa, fui fazer o jantar, baixei o jogo e fiquei tentando jogar, mas sou um desastre nesse tipo de jogo. Puxa, pelas minhas contas se eu conseguir vencer isso já tenho o que seria cerca de 45 reais, o que é um bom dinheirinho na minha opnião.
Meu irmão chegou e meu viu na cozinha reclamando com o celular, ao invés de me ajudar ele resolveu roubar a massa crua de pastel que eu ainda não havia terminado de montar.
—O que foi Sasá? —Disse Gabriel de boca cheia.
—Você vai dar dor de barriga se comer isso cru.
—Aff, lá vêm a chata. E aí... O que está fazendo?
—Jogando.
—O que?
—Sayonaka... Um jogo de corrida.
—Mas tu é péssima nesses jogos.
“Mas você não né Gabriel... Poxa... É isso... O Gabriel pode me ajudar”
— Gabi’s, tá afim de ganhar 700¥?
—Ixi... Quem você matou para me pedir ajuda?
—Ninguém bobo, mas eu conheci uns carinhas lá na minha escola que são gamers igual a gente e eles me desafiaram a vencer o recorde deles em um jogo de corrida, mas como você sabe eu sou...
—Podre em jogos de corridas, -20 na escala Richter, possivelmente o pior desastre já criado por Deus...
—Não exagera garoto.
—Ok..Te ajudo.. Mas quero 900.
—Mas cara eu vou ganhar 1.400, isso é mais da metade do que eu vou ganhar.
—E daí, você consegue mais dinheiro depois.
—Ora, você também.
—Quer ajuda ou não? —Disse Gabriel saindo da cozinha.
—800?
—850, adiantados e a gente não conversa mais no assunto.
—Tudo bem... —Disse eu indo pegar minha bolsa —Mas se perder quero reembolso.
—Tá maluca, sem reembolso... Você nunca me dá reembolso quando peço dinheiro emprestado.
—Mas você sempre gasta tudo.
—Pois é... Mas voltando ao assunto... A gente pode jogar amanhã o dia inteiro se quiser, estou livre.
—Pode ser, mas de noite tenho um encontro.
—Oi?! Como assim encon o que? Encontro... Mas com quem? Você não conhece ninguém.
—Conheço sim bobo e só porque você está solteiro eu não devo estar também.
—Deve sim, só te autorizo arrumar um namorado quando eu tiver o meu garantido... Quer dizer, uma namorada e não um namorado... Ah tenha paciência, você entendeu.
—Como se você mandasse em mim Gabi’s.
— Só me diz uma coisa... É um japa? Tu gosta de japa alias?
—Não ele é Chinês.
—Puts, China in box... Você vem para o Japão conhecer caras chineses? Gozado.
—Também acho, mas ele é um cara legal.
—Sou eu aqui que direi se ele é legal ou não maninha, tá achando que vou deixar minha maninha andando com um pé rapado qualquer?
—Eu já ando com um pé rapado que é você então... —Ele me jogou um pedaço de massa de pastel, justo na cara— GABRIIIEEELL!!
Ele saiu correndo da cozinha e eu voltei a fazer a janta.
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