Por ironia do destino
11 Diacho de Ren
Notas iniciais
No Sábado de noite fui com meu irmão até o shopping, Gabriel havia encontrado um lugar que vendia peças para consertar o Atari; acho que tanto ele quanto eu já estávamos quase morrendo de ansiedade para ver aquela belezinha funcionando. Gabriel é simplesmente muito objetivo quando o assunto é compras e não me deixa olhar nada até vermos o que fomos buscar, mas depois ele também se esquece do tempo e deixa eu fazer o que quiser. Fomos à loja e achamos as quatro peças que ele precisava e encomendamos mais duas, rodamos um pouco o shopping e resolvemos ir tomar sorvete.
Descendo as escadas meu irmão avistou uma colega na praça de alimentação, até aí tudo bem, só que eu só fui entender isso depois, porque o FDP do Gabriel simplesmente me pegou pelo braço e quase me arrastou pelo braço, escada rolante abaixo, até o lugar onde a garota estava sentada.
—Senpai! —Disse Gabriel meio sem jeito.
—Gabriel-Kun, que bom te ver aqui—Disse uma garota extremamente fofa e simpática.
—Então, dando um passeio noturno? —Disse Gabriel totalmente sem jeito.
“Que cuzãaaaoooo esse moleque, depois ainda fala de mim...Idiota! ”.
—Hum, na verdade vim acompanhando meu irmãozinho, ele está fazendo trabalho.
—Que legal, parece que é um costume não só dos japoneses trazer suas irmãs ao shopping—Disse eu me intrometendo na conversa—Esse aqui por exemplo, me arrastou até aqui para comprar peças de Atari—Disse eu apontando para meu irmão.
Ela riu contidamente, depois me disse sorrindo:
—Então você é a irmã do Gabriel, é Samanta não é? Prazer, sou Yoshida-san, ele sempre fala de você—Disse a Garota curvando ligeiramente sua cabeça para mim— Então ele finalmente achou as peças?
—Sim.... Agora posso consertar o console.
—Que ótimo, quando você pretende me chamar para jogar com você?
—Bem, preciso terminar primeiro.... —Disse Meu irmão já se sentando à mesa ao lado da garota.
Como não tinha nada a ver com aquela conversa, acabei deixando meus pensamentos irem um pouco longe ao ver que meu irmão não precisava mais de minha ajuda, fui longe demais, voltei ao ouvir alguém me chamar.
—Hã?! —Disse eu sem saber para onde olhar, pois não sabia quem havia me chamado.
—Você a conhece Ren? —Disse a garota que meu irmão conversava, ela olhava para algum ponto atrás da minha cabeça.
—Sim, ela é da minha escola—Disse uma voz conhecida vindo detrás de mim.
—Ren!!! —Disse eu assustada quase caindo para trás.
Na verdade, eu quase caí mesmo, mas ele me segurou fortemente pelo braço e me puxou para o lado. Você vai dizer “—foi gentileza”. Foi gentileza um cacete! Ren mal olhou em minha cara, simplesmente me puxou para o lado contrário para poder se sentar. Odeio esse garoto, ele me tira do sério simplesmente com seu jeito arrogante de ser. Ren sentou-se de frente para mim, que ainda estava de pé e ficou me encarando enquanto tomava seu milk shake.
—Que coincidência, nossos irmãos estudam na mesma escola, só falta dizer que são da mesma sala—Disse a garota, que agora sei que se chama Aiko. Se não me engano, claro— Isso não é legal Gabriel?
—Claro —Disse Gabriel sentado ao lado de Aiko todo e todo.
—Vai ficar em pé aí Samanta? —Disse Ren sério e sem tirar os olhos da mesa.
—Bem.... Eu na verdade... —Olhei para meu irmão—Eu acho que já vou indo Gabriel, te vejo em casa.
Quando estava me virando, Aiko me segurou pelo braço.
—Que isso Samanta, fica aqui com a gente—Disse Aiko sorrindo meigamente—Fica chato, a gente mal se conheceu e você já vai embora? Que isso, fica aqui, conversa com a gente.
—É Samanta, fica—Disse Ren quase que só por dizer, porque seu olhar parecia estar em um mundo distante desse.
Os dois universitários conversavam freneticamente enquanto eu fiquei lá sentada de frente para o Ren; ele já não me encarava, pois, basicamente não tirava os olhos de seu celular. Enquanto isso Aiko e Gabriel não paravam de tagarela. Em determinado momento simplesmente cansei de fazer papel de vela e resolvi puxar assunto com Ren.
—O que está fazendo? —Perguntei, mas ele simplesmente me ignorou—Ren, o que está fazendo?
—Jogando—Disse ele friamente.
—Tá, mas o que você está jogando?
—Provavelmente você não conhece, mas se chama Sayonaka.
Meus olhos até brilharam nesse momento.
—Conheço sim, jogo ótimo, mas superdifícil de jogar.
—Sim, mas mesmo assim um idiota venceu meu recorde. Agora estou tentando bater ele.
—Hum, que interessante.
Ele virou o celular para mim e eu fiquei catatônica por alguns instantes, se não me engano aquele era o celular do Hiro.
—Uma tal de Satan-girl bateu meu recorde—Disse Ren friamente, não ligando muito para mim, ainda bem, estava suando frio.
—Hum.... Que legal—Disse eu com um pouco de voz que me sobrou.
—Isso não é nada legal, eu fiquei quase um mês jogando a versão beta para conseguir aprender as jogadas básicas do jogo e esse cara, porque certamente é um cara usando nome de garota; ele basicamente me venceu em uma rodada. Isso é humilhante, preciso melhorar.
“Epa, foi uma semana, uma semana corrida ainda por cima”.
—Deve ser frustrante— Disse eu já olhando para os lados—Mas ainda bem que é só um jogo. E esse celular é seu?
—Sim, é claro que é meu, se bem que o Hiro pega ele tanto que parece até que é dele…E sobre os games, infelizmente é isso o que todos acham, mas para mim não é apenas um jogo, vejo isso como um esporte mental.
—Ah, entendo. Eu pessoalmente gosto de jogar, te entendo bem.
—Hum.... —Disse Ren como se dissesse “e daí? ”, odeio esse modo dele se comunicar.
Na boa, toda vez que ele faz esse “hum” para mim, não parece diferente...Dá vontade de pegar a cabeça dele e bater contra a parede para ele largar de ser idiota e conversar comigo direito.
Para melhorar minha alegria de estar tendo aquela agradável conversa com aquela praga, meu irmão quis dar uma volta com Aiko. Eles foram se levantando do nada, sem nem dar satisfações, quando vi isso grudei no braço do meu irmão e lancei um olhar que dizia “—Se tu me deixar sozinha aqui, te mato quando voltarmos para casa”. Graças a Deus ele entendeu minha agonia.
—Ren, vai ficar aí jogando? —Disse Aiko sorrindo para o irmão.
—Gostaria, estou bem ocupado agora.
—Ah, qual é? Vamos andar, não seja antissocial—Disse sua irmã, já o puxando.
—Você não tem jeito mesmo, não é? — Disse Ren sorrindo para a irmã. Nunca o vi sorrir antes, então isso me assustou um pouco. É estranho ver alguém que só te trata com paus e pedras sendo legal com outra pessoa.
Eu fiquei ao lado do meu irmão o tempo todo, estava distante, comecei a pensar e juntar os pedacinhos de um quebra cabeça. Primeiramente só para constar, aquele garoto me odeia e eu também não gosto do jeito que ele me trata, RIDÍCULO!! Segundo, se aquele celular é do Ren, ele é amigo do Hiro. Terceiro, eu bati o recorde do Ren...Uhuuuuu! Quarto, ele vai ficar possesso quando descobrir isso.
Por último cheguei à uma conclusão que me fez gelar até os cabelos do pé, o Tanker que os meninos falaram no clube quinta, na verdade é o Ren. Eu tinha falado mais cedo com a Miki e ela disse que já ia arrumar minha papelada para eu entrar no clube do Mangá, depois de saber que vou estar no mesmo clube que o Ren....Como vou dizer.... Bateu uma afliçãozinha, sabe? (¯―¯٥).
A caminho para casa, meu irmão e eu ficamos em um silencio terrível, então puxei conversa sobre o óbvio, ele e a irmã do Ren:
—Então você está pegando a Aiko?
—Puff, quem me dera, a Aiko é a japinha mais bonita que eu conheço. Sério, se a Sango já é bonita, você precisa ver a Aiko.
—Hã?! Espera, quem é Sango?
—Ué, a garota que eu estava conversando agora pouco, ela faz curso de arte na mesma faculdade que eu.
—Aquela não é a Aiko então?
—Não, a Aiko é mais alta, mais alta que eu na verdade, e ela está no último período de engenharia mecatrônica, uma estrela onde estudo.
—Espera, ultimo período? Então ela não é da sua idade?
—A Sango é.
—Não idiota, a Aiko.
—Idiota é você, como eu ia saber que você ia se interessar tanto por essa garota? Enfim, a Aiko tem 22 anos, quer saber mais alguma coisa sobre ela?
—Não, ai Gabriel, perdão. É que tem umas histórias que correm na minha escola sobre o Ren e a irmã dele, a Aiko, pensei que a Sango fosse ela. Mas então, você está pegando a Sango então?
—Sapatão não gosta de homem, pensei que você soubesse disso.
—O que?! Ela é lésbica?
—Sim.
—Nossa, não tem cara.
—Pois é, mas mesmo sendo fofa, aquilo lá pega mais mulher que eu.
—Gabriel, desde que você veio para o Japão, não tem pegado ninguém, então obviamente qualquer um pega mais mulher que tu nesse lugar.
Meu irmão me fuzilou, mas não respondeu grosseiramente, como já era esperado.... Isso não é normal, acho que devo me preocupar. Cara, é muita coisa para pensar, infelizmente, tudo parece estar de uma forma ou outra relacionada a aquela praga.
O Sayama mentiu sobre a irmã da Ren, ela realmente existe, mas quando ela tinha 14 anos ele tinha 9, nenhum garoto dessa idade fica apaixonado, muito pelo contrário, detesta garotas. Mesmo se fosse o contrário, ele tendo 14, ela teria 19, acho difícil uma garota maior de idade se interessar por um adolescente riquinho. Ou seja, a história do Sayama é falsa. Droga, e pior que eu me comovi com ele sobre o assunto, me sinto enganada agora.
Mas voltando a falar sobre outros assuntos, também relacionado ao Ren (Morre diaxo), assim que cheguei em casa tratei de ligar para Miki e falar sobre esse assunto, mentira, primeiro eu mandei uma mensagem de boa noite para o Yuan, aí eu liguei para a Miki.
[Miki]: Alô Samanta.
[Samanta]: Miiiiikkiiiii, pelo amor de Deus me diga que você não fez minha ficha de inscrição para entrar no clube do Mangá.
[Miki]: Hã?! Você não quer mais entrar? Por quê?
[Samanta]: Bem, é uma longa história, mas eu não acho que posso entrar para seu clube. Perdão.
[Miki]: Mas por que mudou de ideia tão rápido assim?
[Samanta]: Eu já disse, é uma longa história, por favor me ajuda Miki, por favor!
[Miki]: Tudo bem então, mas é uma pena que você não queira mais entrar para nosso clube.
No dia seguinte foi meu encontro com o Yuan, foi perfeito. Fomos até o parque de manhã, almoçamos em um quiosque lá perto, de tarde choveu e tivemos que sair do parque, então fomos para um fliperama ali perto onde passamos o resto da tarde jogando e rindo. A melhor parte foi uma foto que tiramos em frente a ponte, eu estava com um pau de self, então ele me pegou no colo e nos beijamos para a foto, ficou linda e pegou o lugar direitinho. Yuan disse que aquela foto seria o descanso de tela do notebook dele, e que todo dia quando ele fosse para a aula iria lembrar de mim. Estou cada vez mais encantada por esse garoto, ele é muito fofo minha gente!
Fiquei jogando conversa fora com o Yuan pelo what’s quase a noite toda, estava meio que pedindo por isso. E sim, nos encontramos de manhã e ficamos conversando pela internet quando chegamos em casa, sei que é deprimente, mas fazer o que?
Enfim, o resultado disso de manhã foi que eu olhei meu relógio e vi que estava muito atrasada. Mal vesti minha roupa, peguei minha comida e saí correndo. Enquanto corria tentava pentear meu cabelo, havia uma torrada na minha boca, não havia dado nó na minha gravata e para piorar meus livros estavam quase caindo.
Assim que cheguei na escola encontrei o porteiro fechando o portão.
—Nãaaaooooo—Gritei desesperadamente— Não fecha o portão pooooorrrr faaavooorrr!!!!
—Hã? —Disse o porteiro.
—Por favor, não feche o portão—Disse eu perto dele, estava ofegante.
—Você está maluca garota? Agora que é 7:20, a aula começa daqui uma hora.
—O que?! —Disse eu pegando meu celular.
O porteiro estava certo, era 7:21, fiquei perplexa, mas depois percebi que só poderia ser uma pegadinha sem graça do Gabriel, ele provavelmente deve ter adiantado meu relógio em uma hora. Liguei enfurecida para ele enquanto subia as escadas do segundo andar.
[Samanta]: cretino, filho da mãe, desgraçado... Droga, quase tive um treco ao olhar o relógio e ver que era 8:10 seu idiota.
Gabriel ria incontrolavelmente do outro lado da linha, deu vontade ir correndo até a estação de trem onde ele estava e o enforcar, mesmo que provavelmente ele já estivesse do outro lado da cidade àquela hora.
[Samanta]: E você ainda ri seu FDP dos infernos!
[Gabriel]: Como não rir, é muito engraçado.
[Samanta]: Engraçado um cacete, você me fez correr que nem uma doida para chegar na escola.
[Gabriel]: Viu, fiz você fazer exercícios.... Pode me agradecer, eu deixo.
[Samanta]: Ah, vai cagar Gabriel!!
[Gabriel]: Ok, tchau maninha.... Tenho que desligar, meu trem já chegou.
Subi a escadas e fui para minha sala, como esperado não havia ninguém lá, me joguei em minha carteira e acabei dormindo. Quando acordei faltava 5 minutos para a aula começar, Ingrid estava do outro lado da sala agarrada com o amigo do Sayama, mal notou que eu estava acordada. O Sayama por sua vez estava jogando xadrez com Ren, ele estava muito sério e parecia estar perdendo a partida, pois Ren já havia capturado mais da metade de suas peças. Eu estava pegando meu caderno debaixo da mesa quando percebi algo de diferente estava lá, olhei rapidamente e vi que era novamente um bilhete e uma rosa, esse dizia:
Linda Samanta
Sinto muito
Eu realmente sinto muito por isso
Sou como Erik
Vivendo em um belo mundo sombrio
“Quem viu teu rosto então
Só fez fugir
Sou tua máscara”
Eu não quero que entre nesse mundo
Seria doloroso para mim
Ver-te nas sombras comigo, sofrendo
Mesmo que goste de ti
Não tenho esse direito
Assim que li aquilo fiquei com uma cara de “que merda foi essa? ”, aquilo era para fazer sentido afinal? O engraçado, é que me chamou a atenção apenas uma frase “Sou como Erik”, eu já ouvi esse nome, mas não lembro onde... Estranho ter essa impressão....
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