Notas iniciais
Último capítulo, pessoal! Nunca pensei, em toda minha vida como escritora de fics, que finalmente iria finalizar uma fic! Eu sempre começo a escrever e desanimo no meio da história, mas Por favor, esteja é uma que eu adorei muito escrever! Então não poderia deixar de postar no dia 3, né? Porque a cada atualização sempre foi (inconscientemente) postada no dia 3 de cada mês ^^ Boa leitura!

Jane acordou antes de Matthew. Sorriu, pois era a primeira vez que o via dormindo. Sempre era ele que acordava antes dela. Mas esse dia foi diferente. Esse dia seria diferente. Porque, provavelmente, esse seria o primeiro e último dia que acordava antes de Matthew.

A menina se levantou da cama e vestiu seu lindo e tão bem feito vestido. Olhou para o seu lado e viu o tão belo corpo de seu amado descansando tranquilamente na cama. Suas costas levantavam e abaixavam conforme ele respirava. Jane sorriu, mas sentiu pequenas lágrimas formarem em seus olhos. Como conseguiria fazer isso com ele? Abandoná-lo?

Depositou seu livro nos pés dele. Pelo menos deixaria para trás um peso que a incomodava. O livro que a incomodou durante todos esses anos.

Ela tinha acabado de ganhar seu primeiro livro, Romeu e Julieta, e odiou o final. Por que Romeu se matou ao saber da morte (a qual era 100% falsa e planejada) da sua esposa Julieta? Jane bufou, achou a maior idiotice do mundo. Custava Romeu esperar mais alguns minutos até Julieta acordar? Ele podia muito bem continuar admirá-la enquanto isso.

Fechou o livro de capa dura bruscamente e ajeitou os cabelos. Por mais que tivesse muito tempo livre, ainda precisava ajudar seu avô no comércio e na memória. Desceu as escadas e abriu a porta dos fundos para cumprimentar seu querido avô, mas sua visão foi atraída por dois seres desconhecidos dentro da loja.

A movimentação era diferente. Tudo bem que, diariamente, poucos clientes visitavam a loja, mas Jane não se referia a esse tipo de movimentação física. Ela quis dizer que o ar era outro.

A garota beijou ambas as bochechas de seu avô, o qual estranhou, porque não se lembrava de nem o motivo que o fez sentar atrás do balcão de uma loja que supostamente seria sua e de nem quem era aquela pequena boneca. Após isso, a menina se infiltrou dentro das estantes.

Não ia negar, ela tinha sim reparado no jovem dentro da loja, mas a timidez de nunca ter se interagido com outra pessoa a assustava de tentar chegar perto de alguém.

Assim que avistou o mensageiro dos ventos, correu para mais perto do objeto e fechou os olhos, na esperança de conseguir alguma coragem para conseguir conversar com o garoto, e que ele aparecesse atrás dela e magicamente falasse como Romeu se dirigia a Julieta. Então ouviu passos e sorriu ao perceber que aquele corpo atrás dela só poderia ser dele. Quem mais se arriscaria a se infiltrar nas estantes marrons e empoeiradas cheias de antiguidades?

Mas ao contrário do que Jane desejava, ele ficou quieto. Então ela resolveu abrir os olhos e puxar assunto. Quem sabe não era ela quem deveria ser o Romeu nesse momento:

— Bonito, não é?

Ela já estava na plataforma esperando o próximo trem quando sua consciência voltou. Olhou para seus pequenos pés. Mal sabiam eles que seria a causa do adeus dela, porque, afinal, eles a guiaram ao fim da jornada.

Dentro de seu peito ela carregava a saudade que já sentia de seu avô. Será que ele se daria bem? Será que eles se encontrariam em breve, ou Jane terá de esperar sozinha?

O grande relógio da plataforma indicou 10h40min.

O próximo trem estava perto, Jane o sentia.

Os passos apressados, as pessoas sem expressões, a falta de amor, a solidão que estava presente num lugar tão lotado eram motivos para Jane fazer aquilo.

Ela precisava parar as pessoas.

A vida pode ser bela.

Ela finalmente entendeu porque Romeu se matou por causa de Julieta: ele não conseguiria viver sem a amada, da mesma forma que Jane não conseguiria viver num mundo que Matthew sofria diariamente pela morte de seu pai.

O barulho dos trilhos aumentou de intensidade, indicando que o trem passaria apressadamente por eles antes de frear.

Jane começou a correr em direção ao barulho, já sentindo as lágrimas escaparem de seus olhos e escorrerem pelas suas bochechas rapidamente. O trem estava mais perto agora.

De longe ela escutava os passos correndo para chegarem primeiro perto da linha amarela.

Não ultrapasse a linha amarela da plataforma.

Jane estava em cima da linha.

O trem já estava à vista.

As pessoas começaram a se amontoar mais ao fundo enquanto esperava o trem chegar.

O veículo estava mais perto.

Jane fechou os olhos.

Jane mergulhou no ar.

Jane dormiu antes de Matthew.

Matthew não chegou a se suicidar ao lado de Jane quando a viu morta nos trilhos do trem.

Havia se passado três meses depois do incidente. Matthew não estava em choque ou ainda sentia os arrepios ao ver a cara sem expressão da -agora- falecida Jane. Mas uma coisa ele não podia negar: o garoto não sabia mais como era sorrir e viver.

Agora ele trabalhava durante meio período numa biblioteca, para ajudá-lo a pagar a faculdade de engenharia civil. Era um bom aluno e o seu chefe o considerava um bom -senão o melhor- funcionário da biblioteca.

Pelo menos em alguma coisa eu sou bom, o rapaz pensava.

E sua vida se tornou monótona, mas já estava acostumado. Levantava-se da cama, trocava de roupa, pegava o carro e ia estudar de manhã na faculdade. Depois disso, ia trabalhar na biblioteca. Matthew nem lembrava se comia as refeições diárias.

Um belo dia o rapaz se pegou não pensando em nada, ergueu a cabeça e esfregou o rosto com as mãos, para acordar para a realidade. Ele estava trabalhando sozinho na biblioteca nesse dia. A gigantesca biblioteca e suas inúmeras estantes de madeira só o faziam sentir mais e mais falta de Jane. Quem sabe não era por isso que ele resolveu inconscientemente trabalhar lá? Para, de alguma forma, matar as saudades que o matava por dentro.

Depois de meia hora brincando com sua caneta esferográfica azul, seus pensamentos descartáveis foram interrompidos por um baque no balcão.

— Cara, você precisa superar isso. — Uma voz desconhecida disse. Matthew seguiu o olhar para onde vinha o som e avistou uma menina segurando um livro de capa dura. — Eu odeio esse livro, mas não é por causa disso que eu vou sair por aí com essa cara depressiva. Dá pra perceber sua tristeza a metros de distância.

Matthew levantou-se e pegou o livro, mas o que leu quase o fez derrubar o livro e desmoronar-se no chão: Romeu e Julieta. Jane também odiava o livro. Ele limpou a garganta e disse:

— Veio devolver?

— Sim. — A menina respondeu com um sorriso amarelo.

Após Matthew ter anotado a devolução do livro e a menina ter ido embora, precisou sair de trás do balcão para colocá-lo no devido lugar da estante.

Estava no meio da estante de obras de Shakespeare, quando suas memórias com a Jane chegaram à tona. Ele não estava preparado e começou a chorar. Deixou até que seus joelhos cedessem e encontrassem o chão.

Ouviu risadas, mas não qualquer risada. Era a risada dela, Jane. Ele se virou e a encontrou, no fim do corredor, em pé e vestindo o vestido que tanto amava, o vestido que usou na sua morte.

O vestido cor de lavanda.

Jane correu em direção a Matthew ainda largado no chão e se ajoelhou na frente dele. Olhos nos olhos. A menina sorriu docemente ao olhar para ele, porém antes que o garoto pudesse encostar suas mãos tremendo no rosto da amada, ou dizer qualquer coisa, Jane caiu morta e fria no colo de Matthew, sumindo logo em seguida.

Ele não podia negar, sua vida tinha se tornado um grande nada depois do suicídio de Jane e sua vida estava se tornando cada momento mais complicado, porque Jane fazia falta. Porque Jane era o único motivo de sua felicidade.

E Matthew sabia que independente do tempo passar, nunca conseguiria superar isso.

Notas finais
Me perdoem pelo final, mas eu já tinha planejado tudo no momento que comecei a escrever o primeiro capítulo! É isso, gente, espero que tenham gostado, que eu não tenha magoado ninguém e que tenha sido um bom divertimento! Ainda não tenho outros projetos para outras short-fics, mas qualquer coisa só ficar de olho no meu perfil! Eu estou numa fase de escrever fics com outras categorias (ou seja, não originais), então não sei quando pretendo postar outra fic na categoria original! Beijos JinX
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!