Por favor, espere.
1 Prólogo.
SEE Enterprises Holdings, Inc.
Bento chegou na hora marcada, e foi direto ao balcão de atendimento. Não estava nada se sentindo confortável com aquela roupa social, e o cabelo que vive sempre bagunçado, hoje estava arrumado e cheio de gel. Bento encostou-se ao balcão e pigarreou para que uma moça loira que falava ao telefone e lixava as unhas o notasse.
― Pois não? ― A moça loira perguntou. A garota era jovem, mas nada bonita. Nem todas as secretárias são bonitas e gostosas, essa pelo menos não era. Tinha olhos grandes cheios de maquiagem, um óculos fundo de garrafa, algumas manchas de espinhas nas bochechas e aparelho colorido nos dentes. Ela sorria de forma encantadora, mas isso realmente não funcionava muito bem.
― Eu tenho uma entrevista marcada para as 14:50. ― Bento disse sério e sem retribuir o sorriso para a menina.
― Qual seu nome? ― Ela perguntou de forma calma.
― Bento Anderson. ― Bento disse com sua voz calma e bonita. O rapaz não tinha a voz grave, mas ainda assim a voz era bonita.
― O.k Senhor, Anderson. Espere um minuto. ― A moça disse calma. E então pegou o telefone, ela falou ao telefone por um tempo e logo colocou o mesmo no gancho. ― O Senhor, Goulart vai atendê-lo. Siga-me, por favor!
Bento olhou para a moça que levantou. E a segui.
Os dois caminhavam devagar por um corredor, havia várias portas de vidros que davam para salas pequenas com uma parede também de vidro. Dentro das salas havia pessoas trabalhando. Eram os colunistas. Bento estava tentando vaga para uma grande revista. A SEE.
Bento sentiu seu coração começar a acelerar e o nervoso bater. Essa era a chance da sua vida, o emprego que ele estava em busca a meses. Quando essa vaga surgiu, foi tudo que Bento precisava e sonhava no momento.
A moça loira bateu na porta e abriu a mesma para Bento.
― Pode entrar Senhor Anderson! ― Ela disse sorrindo, e então falou baixinho. ― Boa sorte!
Bento então sorriu para ela pela primeira vez.
O homem então entrou na sala e ficou abismado, a sala era gigante, com grandes janelas de vidros. Dali ele podia ver toda a cidade. Ele sorriu e então olhou na direção da mesa. O CEO da SEE Enterprises Holdings, Inc. Estava com sua cadeira virada de costas para Bento.
― Sente-se, Senhor... ― Ele deu uma pausa e parecia ler algo. ― Anderson!
Bento sentiu os pelos dos seus braços arrepiarem, a voz máscula e forte do homem o havia deixado desnorteado.
Bento então se sentou em uma cadeira e ficou em silêncio.
― Então? ― Perguntou o homem.
― É, desculpe? ― Bento perguntou sem graça por não entender a pergunta.
― O que o trouxe até aqui? ― O homem perguntou.
Bento mordeu a língua. A vontade que o garoto teve foi de dizer “o metrô.”
― Não entendi senhor! ― Bento disse sério.
― O.k, vou ser mais direto, Senhor Anderson. Por que acha que merece a vaga? ― O homem perguntou.
― Bom, eu tenho todas as qualificações pedidas para o preenchimento da vaga, até algumas que não são pedidas. E tenho um diferencial, morei por dois anos na Inglaterra, e ganhei muita experiência em revistas publicadas lá. Falo inglês e francês fluentemente. E... ― Bento foi cortado.
― Não preciso saber suas qualidades, o tamanho do seu pinto, ou quantas vezes você da o cu durante a semana, garoto menina. ― O homem disse e riu.
Bento sentiu seu coração gelar, não tinha palavras. A última vez que tinha ouvido esse “apelido” tinha sido no último dia de aula do terceiro colegial.
O homem continuou rindo.
― A vaga é sua, garoto menina. E prazer eu sou. ― O homem então virou sua cadeira. ― Gregori Goulart.
Bento sentiu seu mundo desabar.
O que parecia bom antes, nesse momento parecia um inferno.
― Greg? ― Bento falou baixo.
― Eu mesmo, “Senhor Anderson!” ― Gregori disse com uma ironia exagerada no Senhor Anderson.
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