Por favor, espere.
14 Por favor, eu realmente não me importo.
Notas iniciais
“Mas mesmo que as estrelas e a lua colidam, eu nunca mais quero você em minha vida. Eu não quero suas palavras e suas mentiras, eu realmente não me importo. – Demi Lovato”
Bento sentou sobre o banco branco de mármore e ficou em silêncio, o garoto tinha várias folhas brancas em mãos que se balançavam ao vento frio, o seu cabelo estava esvoaçando ao vento, mas o rapaz parecia não perceber ou não se importar. Bento tinha as bochechas vermelhas por conta do sol, estava um dia quente e com um sol lindo. Mas não para ele que estava a procura de emprego. Ele olhou para cima e viu aquele céu azul, pareceu buscar inspiração, força, ou até mesmo esperança em algo, mas isso pelo visto deu errado. O garoto começou a chorar e rasgar os papéis que estavam nas mãos.
― Não, não e não! ― Ele repetiu para si mesmo enquanto terminava de rasgar as folhas. ― Por que comigo? ― O rapaz perguntou e olhou para o céu novamente, esperando uma resposta, um sinal, ou qualquer coisa que pudesse lhe ajudar.
Não houve resposta.
O celular de Bento começou a tocar e ele atendeu rapidamente.
― Alô! ― Bento disse.
― Bento Anderson? ― Perguntou uma voz masculina no celular.
― Ele mesmo! ― Bento disse segurando o choro.
― Somos do Planeta DeAgostini, você deixou um currículo aqui, a informação confere? ― A pessoa ao celular perguntou.
― Sim... ― Foi só o que Bento conseguiu dizer.
― Nós gostaríamos de estar contratando... ― Começaram dizer.
― O que? ― Bento gritou no celular.
― Brincadeira. ― Risos ao telefone. ― Bento, deixa de ser bobo manézão.
― Negão? ― Bento perguntou reconhecendo a voz. Bento ficou puto. ― Que brincadeira de mau gosto do caralho é essa? Quantos anos você tem? Dois? ― Bento gritou com o amigo.
― Calmaí mermão. Estamos todos só querendo ajudar, lhe divertir... Você anda tão cheio de stress. ― Disse a voz ao telefone.
― E acha que fazendo essa palhaçada de brincadeira vai me deixar melhor? ― Bento perguntou. ― Eu só tenho amigo bosta mesmo.
― Opa, nem fala assim, eu sou um amor. ― Gritou outra voz ao telefone.
― Felipão? ― Bento perguntou mais bravo ainda. ― Eu vou matar você!
― Onde você está? ― Negão voltou a falar. ― Vamos lhe buscar, vamos à praia, você precisa relaxar um pouco.
― Eu não quero ir à praia, e nem estou de sunga. Estou numa praça em frente ao supermercado central. O multishopping. ― Bento disse.
― Estamos indo praí. ― Disse Negão e desligou.
Bento olhou a tela do celular indicando que a ligação tinha sido encerrada e quis matar os amigos.
Não demorou muito e o Jipe de Felipão parou na rua em frente ao banco de Bento. Bento olhou e viu seus amigos, sem camisa e com bermudas.
― Bora! ― Gritou Negão.
Bento fez uma cara de deboche.
― Vem logo, ou vou te buscar! ― Felipão ameaçou.
Bento resolveu ir achou melhor ir com suas próprias pernas, do que pagar mico sendo carregando pelos amigos. Ele pulou no jipe onde estavam os amigos.
― Eu não quero ir à praia! ― Bento falou bravo.
― Mas vai! ― Disseram os dois amigos em coro.
― Não tenho roupa! ― Bento disse.
― Trouxemos uma! ― Felipão disse mostrando uma sunga boxer vermelha. ― Essa com certeza vai ficar linda nesse seu bumbum enorme. ― Felipão riu, fazendo até Bento rir.
― O Luc não me obrigaria a fazer isso... Eu estou deprimido. ― Bento falou baixo.
― Bento, acorda pra vida. Faz dois meses que você e o Gregori terminaram, ou melhor. Que ele te chutou de uma forma idiota e cruel. Ele sequer ouviu o que tu tinhas pra falar. ― Felipão disse parecendo bravo. ― E quanto ao Luc, se você pudesse deixar o seu orgulho de lado talvez ainda tivesse a amizade dele.
Bento fez uma cara de nojo.
― Por favor, eu realmente não me importo com a amizade dele. ― Bento mentiu para si mesmo. ― E sabe? Pensando bem, talvez tenha sido o Luc que tenha vendido minhas fotos aos beijos com o Gregori.
― Cara, não fala a uma merda dessas. Essa acusação é muito grave para você fazer sem prova alguma. ― Negão reclamou.
― Ora, vocês não lembram que logo depois disso acontecer ele comprou aquele carrão? ― Bento perguntou ainda acusando o amigo, mesmo que ele também soubesse que Luc seria incapaz de fazer isso com ele.
― Você sabe que não foi ele, Bento! ― Felipão reclamou bravo.
― Está bem, eu sei... ― Bento falou triste. ― Só queria alguém para poder culpar.
― Praia.
Montanna Bebidas.
Um Gregori muito diferente tomou mais um gole de sua bebida. E sorriu, o homem estava meio bêbado. Gregori estava tão diferente, cabelos sem corte, barba grande e mal feita, não que fosse feio dessa forma, continuava gato, gostoso e malhado;
― Opa, vai com calma, garotão! ― Natan disse rindo do amigo. ― Ainda não entendi, porque estamos na praia em plena quarta feira.
― Bah, pra se divertir ora... ― Gregori disse alegre demais, e então tomou mais um gole de sua bebida.
― Chega, nem mais um gole! ― Natan tomou a bebida das mãos de Gregori. ― É meio de semana, cara; Você mudou muito desde que terminou com o Bento, o que está acontecendo?
― B-Bento? ― Gregori perguntou e soluçou. ― Quem é esse? O traidor filho da puta? ― Gregori riu sozinho.
― É melhor irmos embora, você não está em condições de ficar aqui. ― Natan disse sério e olhou para o amigo com olhos de pena.
― Não, não mesmo! ― Gregori disse rindo. ― Eu quero dar um mergulho, eu quero dar... ― Gregori disse rindo feito crianças.
― Jipe do Negão
Bento
― Droga, onde eu vou trocar de roupa? ― Bento perguntou bravo.
― Ora, estamos no jipe! ― Negão disse rindo.
― Sério? ― Bento perguntou olhando feio para os amigos.
― Claro. ― Negão disse rindo e pulou do jipe. ― Ops. Areia quente, ai areia quente! ― O homem falou enquanto pulava de um pé para o outro. ― Anda rápido, Bento.
Felipão pegou uma toalha e entregou para Bento.
― Hmmm? ― Bento perguntou sem entender.
― Troca logo essa roupa, e sim eu preferia te ver sem roupa, mas sei que você não concordaria com isso. ― Felipão disse sério e pulou do jipe.
Bento tirou o tênis e as meias, logo colocou a toalha sobre as pernas e arrancou a calça jeans, tirou a cueca também. Bento suspirou e olhou para os lados, sem demora vestiu a sunga e levantou. Bento ficou em pé no jipe arrumou a sunga em sua bunda. A sunga parecia ser um número menor, e ficou apertada em Bento o que o deixava ainda mais sexy. Bento arrancou a camiseta e pulou do jipe.
― Porra que areia quente. ― Bento reclamou.
Os outros dois gargalharam.
― Quem chegar por último na água é mulher do padre! ― Gritou Negão.
Bento riu com a brincadeira infantil do amigo, mas correu junto aos outros. Logo os três estavam brincando na água fria.
Não demoraram muito na água e logo saíram.
― Aquele é... ― Negão começou.
― O Gregori? ― Felipão terminou.
Bento se virou rápido e viu que Gregori e outro loiro caminhavam na direção em que eles estavam.
― O que você está fazendo aqui? ― Gregori perguntou irritado e bêbado.
― Gregori... Você está bêbado? ― Bento perguntou constrangido.
― E que roupas são essas? ― Gregori falou sério e partiu para cima de Bento. Natan foi mais rápido e segurou o amigo.
― Pega leve cara! ― Natan falou sério, como se fala com uma criança.
― Olha... Olha a roupa dele! ― Gregori falou bufando. ― Me solta! ― Ele pediu bravo.
― Galera, vamos... ― Felipão chamou e segurou no braço de Bento.
Gregori segurou no outro braço de Bento.
― Aonde você vai com esse cara? ― O homem perguntou bravo.
― Greg... Me solta! ― Bento pediu firme.
― Não... Você é meu! ― Gregori disse soluçando, o homem mal se agüentava nas pernas. ― Bento, por que você fez aquilo? Por quê?
― Eu... Eu não fiz nada! ― Bento falou baixo e segurando o choro.
― Eu te amo Bento! Mas nunca mais vou ficar com você! ― Gregori disse sério.
Bento pareceu pensar e fechou os punhos.
― Eu realmente não me importo Gregori! ― Bento disse sério e se virou. Saiu caminhando devagar, mas as lágrimas queimavam os olhos do rapaz.
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