Por enquanto

3 Eu não sei como essas coisas funcionam


— E aí? Tão a fim de ir lá pra casa hoje depois da aula? A gente pode comprar bolo daquela confeitaria que fica aqui perto. — a Mina sugere.

— Seria legal. — a Tsu parece se animar.

— Ah, eu gostaria muito. Mas hoje não dá, tenho a entrevista de emprego no restaurante do pai do Todoroki-kun.

— Você ainda vai? — a Tsu não chega a fazer uma careta, mas o tom em sua voz indica seu estranhamento.

— Ué, por que ela não iria? — a Mina questiona.

— Porque ela contou para o filho do dono do restaurante onde vai fazer a entrevista que está apaixonada pelo outro filho dele? Vocês duas não veem nada de errado nisso?

— Sim, eu vejo. — Ochako garante.

Ela soube que estaria prejudicando a oportunidade que o Todoroki lhe proporcionou assim que decidiu contar a ele o que sentia por seu irmão mais velho. Não foi nem um pouco sensato de sua parte, e ela não sabe bem o porquê, só sentiu algo estranho quando viu o garoto de cabelos bicolores olhar pra trás depois de se despedir no dia em que eles foram à cafeteria.

Por um breve segundo, Ochako teve a sensação de que ele percebeu, não seria improvável, ela não fez absolutamente nada para disfarçar seu encantamento pelo Natsuo, principalmente quando ele também não fez o mínimo esforço para ser charmoso. O jeito que pegou em seu ombro para que ela não se curvasse ao se desculpar, o respeito e gentileza com que a tratou… e então veio o golpe final quando ele disse que só quis levá-la a um lugar legal por apreciar como ela se arrumou para encontrá-lo.

Não estava em seus planos, mas assim que contou para a Mina que o Natsuo queria encontrá-la ainda naquele dia, a amiga de cabelos rosados decidiu que uma intervenção fashion se fazia necessária, e praticamente lhe arrastou para sua casa. Quando se viu no espelho, Ochako se achou um pouco exagerada, mas qualquer dúvida quanto a isso morreu depois do que o Natsuo lhe disse, e tudo o que resta é uma imensa gratidão à Mina.

E ela acreditou que o Todoroki tenha percebido tudo isso. Ele ficou calado durante boa parte do tempo na cafeteria, e Ochako se sentiu vigiada em alguns momentos. Levou um tempo até que ele mesmo se incluísse depois dos esforço dela e do Natsuo em fazê-lo parte da conversa, e as suspeitas dela se diluíram depois disso. Ele pareceu meio estranho e um pouco intimidador quando conversaram pela primeira vez, mas Ochako se deu conta de que o Todoroki é só mais calado mesmo, e talvez um pouco desajeitado para interagir.

Ao que tudo indica, ele é o garoto de quem o Deku falava quando ainda estudava na mesma escola que ela. O amigo de cabelos verdes estava na sala do Todoroki, e dizia simpatizar com ele por seu jeito aparentemente avoado, mas que se dedica muito aos estudos e às atividades escolares. Ochako confia e sempre confiou muito no discernimento do Deku quanto a pessoas, tendo o conhecido na cerimônia de abertura no primeiro ano quando ambos se perderam para chegar à escola. Eles não se viam muito estando em salas e clubes diferentes, mas mantiveram uma amizade sólida por todo esse tempo. É fácil de entender porque alguém como ele seria amigo de alguém como o Todoroki, por mais estranho que possa ser imaginar os dois interagindo, mas assim que conversou mais com o garoto, Ochako passou a apreciá-lo ainda mais por ter feito tudo em seu alcance para que ela se encontrasse com o irmão dele.

E quando ele se virou e a olhou antes de ir embora, como se estivesse tentando entender algo que não foi dito por ela, mas estava escrito em seu rosto, Ochako sentiu que poderia se abrir com ele. O Todoroki não parece ser do tipo que julga, e ele melhor que ninguém deve entender porque Ochako poderia estar tão fascinada, ele conhece seu próprio irmão e presenciou toda a conversa entre eles.

Talvez ela não deveria ter contado, mas assim que o fez, Ochako se sentiu aliviada em falar disso com alguém além da Tsu e da Mina. Suas amigas são maravilhosas, e ela aprecia demais o fato de que as duas pensam completamente diferente uma da outra, a Tsu claramente acha toda essa história envolvendo o rapaz de cabelos brancos insanidade pura e a aconselha a ter cuidado, já a Mina se diverte muito e a encoraja, existe um equilíbrio que mantém Ochako ancorada, permitindo-se fantasiar sem necessariamente tirar os pés do chão. Mas as três se conhecem desde o Fundamental, ela já sabia qual seria a opinião delas a respeito disso assim que se percebeu interessada pelo rapaz de cabelos brancos que aparecia na lojinha de conveniência em que ela trabalhava. Ochako queria uma perspectiva de fora, de alguém que não a conhece, de alguém que a viu interagir com o garoto que gosta sem um juízo d valor pré-estabelecido.

E… ela não teve essa perspectiva, porque Todoroki Shouto não disse absolutamente nada depois que ela contou gostar do irmão dele. Ele só ficou olhando-a por alguns segundos, o mesmo olhar que lançou a ela no dia anterior antes de ir embora, como se estivesse tentando entendê-la. Arrependimento começou a tomar conta, e Ochako considerou dizer que estava brincando, mas achou que isso só deixaria a situação pior.

Antes que pudesse suplicar para ele dizer alguma coisa, qualquer coisa, o Todoroki acenou com a cabeça e disse que precisava ir. Ochako resistiu à vontade de bater a testa contra a grade do terraço em vergonha, e mandou uma mensagem pedindo desculpa, agradecendo mais uma vez e dizendo que entendia se ele achasse melhor ela nem ir ao restaurante do pai dele.

A resposta veio só hoje de manhã, como ele confirmando o horário e em qual dos restaurantes ela deveria ir. Ochako se viu incapaz de dizer que não iria mais, primeiro por achar grosseria depois de ele ter mantido o que foi combinado, segundo porque ela realmente precisa de um novo trabalho o quanto antes.

— Ah… bom, ele parece ser bem sério e maduro. — a Tsu diz depois que Ochako explica tudo isso e mostra a mensagem.

— É. Eu vou me desculpar pessoalmente, só pra ter certeza que está tudo bem.

— Pois é, não pode começar um relacionamento brigada com o irmão mais novo do seu amor, né? — a Mina suspira.

— Relacionamento? — ela arregala os olhos — N-não, não é nada disso, Mina-chan!

— Não é?

— Claro que não!
— Então por que quis se encontrar com ele, hein? E por que contou pro irmão dele?

— Você sabe o porquê! Eu só queria… me explicar e ver se tava tudo bem com ele!

— E sobre ter contado pro irmão dele…? — a Tsu questiona.

— Eu… não foi por nenhum motivo especial, eu só… eu só achei que ele me entenderia. O que não aconteceu, eu sei, e é por isso que vou me desculpar e nunca mais falar sobre isso.

— Tem certeza?

— Sim. Se eu conseguir mesmo esse emprego, não vou fazer nenhuma besteira que possa me prejudicar, e… se o Todoroki-kun está disposto a fingir que nada aconteceu, então eu só vou agradecer pela gentileza dele e fazer o mesmo. — ela diz decididamente.

— É, acho que é a coisa mais racional diante disso tudo. — a Tsu analisa, deixando Ochako aliviada, pois era exatamente isso que ela estava esperando ouvir da amiga.

— Mas é meio sem graça, né? — a Mina lamenta.

E Ochako entende um pouco, o seu lado que fantasia e se sentiu alimentado diante de tudo o que aconteceu na cafeteria lhe alerta de que não foi o bastante, e deveria ter mais.

Mas o seu outro lado, que lembra dos pais e do quanto ela precisa de mais um emprego lhe garante que foi mais que o suficiente, e que agora tá na hora de acordar.

E é isso que ela vai fazer.

***

Shouto mexe no celular sem muita atenção, aproveitando a brisa de fim de tarde e relaxando sobre o banco que fica na entrada do restaurante. O Natsuo respondeu à mensagem que ele enviou sobre a Uraraka ter ido para a entrevista de emprego com um emoji e depois disse que estava em aula e não responderia mais por um tempo, pedindo que ele desejasse sorte à Uraraka, ele estaria torcendo pelo melhor para ela.

O Natsuo provavelmente acha que esse melhor é não ir trabalhar para o pai deles, mas não falou mais nada mesmo depois que Shouto lhe informou que tinha conseguido uma vaga para ela. Uraraka expressou que estava interessada no trabalho, então ele não iria querer contrariá-la. No pouquíssimo tempo em que eles se conhecem, o Natsuo já compreendeu que tipo de pessoa ela é e respeitou isso, mesmo que vá de encontro a algo que ele pessoalmente não concorda.

Shouto se lembra da Yaoyorozu dizendo que o pilar de um relacionamento é o respeito, a compreensão de que a pessoa que se ama nem sempre fará o que o parceiro espera, mas é importante que sua individualidade seja respeitada. Por um tempo, ele não sabia dizer se a colega estava apenas repetindo as coisas que ouviu os pais dizerem depois que começaram terapia de casal e contornaram uma crise que quase levou a um divórcio, mas hoje compreende que ela estava dizendo isso para tentar se convencer também, de que as coisas seriam melhores entre os pais dela se ela passasse a respeitar essa tal individualidade deles.

E dá pra entender agora que ele vê na prática. O Natsuo nunca foi o mais compreensivo, nem precisaria ser, e Shouto sempre admirou o quão claro ele é quanto a isso, então ver o irmão se conter em prol do que uma garota que mal conhece quer é surpreendente, mas é também interessante.

Será que isso significa que o Natsuo também gosta da Uraraka?

Ela sai pela porta da frente e olha ao redor, provavelmente se recordando do caminho que fez para chegar aqui e agora poder ir embora.

— Deu tudo certo? — ela dá um pulinho de susto ao ouvir a voz dele, e se vira pra trás para olhá-lo.

— Todoroki-kun! Oi… — Uraraka abre um sorriso — Sim, eu começo amanhã! Vou lavar louça, tirar o lixo, limpeza em geral.

— Não é grande coisa, eu sei.

— Não, imagina! É ótimo! Você tinha razão, o salário é bom!

— E o velho? Foi desagradável?

— Ah… eu nem falei com ele. Falei com aquele loiro… Takami-san? Ele foi muito simpático! Me explicou as coisas e disse quando eu começava.

— Sempre dá pra contar com o Takami pra criar uma boa primeira impressão em nome do velho. — ele suspira — Bom, agora ele é seu chefe, vou parar de falar mal dele na sua frente.

— Haha, acho que é melhor, né? Não é muito profissional. — ela concorda — Bom, já vou indo.

— Ok, vamos. — ele se levanta do banco e se aproxima dela, notando como ela parece surpresa — O quê?

— Você… não vai entrar?

— Não, já vou embora também. Só vim para ter certeza que ficaria tudo bem com você.

Ela segue encarando-o.

— Isso é… muito atencioso, Todoroki-kun.

— É? Só achei que fosse o esperado.

— Acho que não é, você já fez bem mais do que precisava.

— O Natsuo ia brigar comigo se eu só te deixasse se virar com o velho. Ele te desejou boa sorte, aliás.

— Oh… que gentil. Diz pra ele que eu agradeço.

— Você mesma pode dizer, se quiser. — ele saca o telefone do bolso — Quer que eu te passe o número dele?

— O quê? — ela para de andar.

— O número dele, você quer?

— Eu… não, obrigada.

— Você que sabe.

— Aham. Eu… acho que… acho que eu preciso te pedir desculpa, na verdade.

— Desculpa? Pelo quê? — ele a olha.

— Por aquilo que eu te disse no outro dia, sobre… gostar do seu irmão.

— Por que você tá pedindo desculpa?

— Porque eu te deixei desconfortável, eu não… eu não deveria ter te dito aquilo, ainda mais depois que você se ofereceu a conseguir um emprego pra mim! Foi… completamente inapropriado da minha parte. Sinto muito mesmo, Todoroki-kun. — ela se curva.

— Eu não sei se entendi o que uma coisa tem a ver com a outra.

— O quê? — ela ergue a cabeça.

— O que tem a ver você gostar do Natsuo-nii com o emprego?

— Bom, é que… você quis me ajudar, e eu deixei as coisas pessoais demais, ainda mais com algo tão bobo e infantil! Foi… foi ridículo.

Ela parece genuinamente envergonhada, mas também muito decidida em garantir que ele saiba o quanto se arrepende. E Shouto genuinamente não entende o porquê.

É verdade que quando a ouviu dizer que gostava do Natsuo, sua reação inicial foi de choque. Por um breve momento, parecia uma conversa forjada em algum sonho sem sentido, mas quando se deu conta de que ela disse o que ele ouviu mesmo, Shouto ficou curioso.

Ele não entende o que faz uma pessoa se apaixonar por outra, jamais entendeu o que pessoas que se confessaram viram nele a ponto de sentirem a necessidade de compartilhar seus sentimentos de maneira tão aberta. É ainda menos compreensível que toda a situação envolvendo a Super Formiga e seu irmão tenha terminado com ela confessando estar apaixonada pelo cara a quem deve ter visto uma ou duas vezes na vida, e tudo isso lhe deixou curioso, legitimamente instigado a entender mais.

— Não, eu não acho.

— Hum?

— O que você me contou não é bobo. Pelo menos eu não achei.

— É, mas ainda assim, foi impensado. Eu não devia.

— Mas você contou porque achou que eu entenderia, foi isso que você me disse.

— É, eu achei que… você tivesse percebido alguma coisa, e… bom, você conhece seu irmão, eu só… queria falar sobre isso com alguém que o conhece, eu acho.

— Não, eu não percebi nada. — ele admite — Mas acho que entendo o que você quer dizer.

— Entende?

— Sim, acho que todo mundo quer ser entendido por alguém, principalmente nas coisas em que nós mesmos não entendemos direito.

— É… é, acho que sim.

— E é por isso que preciso falar que não te entendo completamente.

— N-não? Mas você acabou de dizer que…

— Eu entendo porque você quis me contar, mas não entendo porque você gosta do Natsuo-nii.

— Ah, bom… isso é… — ela cora.

— Mas eu quero entender. — ele afirma.

— Você… você quer?

— Sim. Eu não sei como essas coisas funcionam.

— Essas… coisas.

— É, essas coisas de se apaixonar. Não sei como começam nem como mudam, acho tudo muito esquisito e complicado.

— Bom, acho que pode mesmo ser assim pra algumas pessoas… não tem nada de errado em não saber.

— Mas eu quero.

— Ok… por quê?

— Por que o quê?

— Por que você quer saber? Você quer se apaixonar algum dia?

Taí uma coisa na qual ele nunca pensou.

Shouto não sabe se gostaria de se apaixonar algum dia. Talvez sua mãe tenha amado seu pai em algum momento, é difícil dizer se ele a amou de volta. Os pais da Yaoyorozu parecem se amar, apesar das crises, assim como os pais do Iida, mas deve ser diferente em se tratando de adultos. Ele já viu casais na escola, tem alguns colegas no time de arco e flecha que têm namoradas, vez ou outra ele se pega pensando se todos passaram pelo mesmo processo de receber uma confissão e decidir o que fazer, ou se se confessaram e esperaram pela resposta. O que se passa na cabeça de uma pessoa durante esses momentos? Shouto não tem ideia, mas tem curiosidade.

— Pode ser que sim, algum dia. — ele pensa melhor — Mas pode ser que não.

Ela parece analisar o que ele diz e, para sua surpresa, não está confusa, como se conseguisse entendê-lo.

— Até porque a gente nem tem controle disso, eu acho.

— Não tem?

— Ah, acho que não. Você discorda?

— Eu não sei, de verdade. Então é algo que não dá pra controlar? Você não escolhe de quem vai gostar?

— Bom, tem pessoas por quem você sabe que nunca vai se interessar, talvez porque elas não sejam seu tipo. E… às vezes você pode tentar evitar gostar de alguém quando sabe que esses sentimentos só vão te trazer problema. Então não, não dá pra controlar.

— Mas dá pra tentar se organizar.

— Acho que sim. — ela conclui — Pelo menos é o que eu gostaria de fazer.

Ele a observa lançar um sorriso meio triste.

— Como assim?

— Hum?

— Você não quer namorar meu irmão?

— O-O QUÊ? — ela olha ao redor, como se procurasse por alguém prestando atenção na conversa de dois adolescentes caminhando até a estação — P-por que… tá me perguntando isso?

— Você quer?

— Não! — ela diz veementemente — Quer dizer, eu não… eu não pensei nisso.

— Por que não? Se você gosta de alguém, é porque se imagina saindo com ela, não?

— Nem sempre? Eu… não sei! — ela parece perplexa diante da própria constatação — Olha, eu só… admiro seu irmão, ok? Eu o achei… adorável desde a primeira vez em que o vi, e… passei a gostar ainda mais depois que a gente conversou, mas isso não quer dizer que eu… me vejo n-namorando com ele, ou algo assim.

— Por que não?

— Porque é ridículo! Eu sou só uma garota que quase o matou quando queria salvá-lo! E… eu só sei… do meu lugar, e também sei do dele. Então… não, não quero namorar seu irmão.

— Mesmo se ele quisesse?

— Mesmo se ele… pera, o quê? — ela o encara — Por que você tá perguntando isso?

— Só por curiosidade.

— Não, mas… ele te falou alguma coisa sobre mim?

— Por que você quer saber?

— Por curiosidade também. — a voz dela vacila.

— Não, ele não disse nada assim. Mas…

— Mas?

— Ele tava… diferente quando tava conversando com você. Eu nunca o vi agir daquele jeito.

— Como assim?

— Ele costuma ser mais sério, e naquele dia no café, ele não tava… sério.

— Ele é sério? Nunca imaginaria, pelo menos não do que eu vi aquele dia e em algumas vezes na lojinha de conveniência.

— Exato. Ele estava agindo diferente. Gostar de alguém pode fazer as pessoas agirem diferente do normal, não pode?

— Talvez? Mas… não quer dizer nada.

— Como você sabe?

— Eu não sei! Mas- mas… não faz isso, Todoroki-kun!

— Isso o quê?

— Não me deixa ter esperanças!

— O quê?

— Eu só te contei porque queria falar com alguém! Não quer dizer que eu vejo isso dando em alguma coisa!

— Ok.

— Até porque não daria em nada!

— Ok.

— É sério! Não tem a menor chance!

— Se é o que você acha…

— Não, é o que eu sei. Seu irmão tá na faculdade, jamais se interessaria por uma colegial que quase quebrou a cabeça dele, e ele só tava sendo gentil aquele dia porque estava grato, e é só isso! Ok? — ela o olha incisivamente.

— Ok.

— Ok, então. — ela volta a caminhar, e Shouto a segue em silêncio.

Por que ela ficou tão brava de repente? Será que realmente jamais tinha cogitado um relacionamento com o Natsuo? Ela só queria mesmo pôr esses sentimentos pra fora e não fazer mais nada a respeito? Algumas pessoas que se confessaram para ele disseram que sabia que ele não estaria interessado, mas queriam falar mesmo assim, qual o sentido disso?

Mais uma coisa que ele não entende, mas adoraria entender. Talvez se ela se acalmar, eles possam conversar mais sobre isso em algum momento.

Shouto e Uraraka chegam à estação, e ele não planeja dizer mais nada sobre o assunto, mas então, antes de passar pela catraca, Uraraka se vira, meio hesitante.

— Mas… se eu quisesse me confessar… você acha que eu deveria?

— Não sei, é uma decisão só sua.

— Sim, mas… baseado no que você sabe do seu irmão, você acha que ele… consideraria?

— Ele realmente gostou de você, Uraraka.

Os olhos dela brilham diante disso, e Shouto não consegue parar de observá-la.

— Você… você me ajudaria?

— Hum?

— Você gostaria de me ajudar? Você quer entender melhor essas coisas, não quer?

— Quero.

— Bom, e eu quero… eu quero…

— O Natsuo-nii.

— Não fala desse jeito! — ela o repreende, levando as mãos ao rosto.

— Tudo bem.

— Hum?

— Eu te ajudo. — ele assente — Nós dois podemos aprender sobre o que não sabemos, desse jeito.

— É, acho que sim. — ela respira fundo — Bom, então… tô contando com você pra ser meu… cupido?

— Isso. Serei seu cupido.

— Mesmo que você não entenda nada sobre romance ou amor.

— Sim, mesmo assim.

— Ok… certo. — ela concorda — A gente se vê na escola, então.

— Ok, até mais.

Ela se despede e passa pela catraca, olhando para trás uma última vez antes de sumir de seu campo de visão. É um olhar diferente do daquela vez na cafeteria, igualmente incerto, mas também quase terno, como se estivesse confiando algo precioso para Shouto levar embora.

Talvez esteja mesmo.

E Shouto fará o possível para que tudo dê certo.

Notas finais
Oioi! Aqui estou com um capítulo que é basicamente só diálogo, que é o que eu mais amo escrever mesmo. Eu consigo ver todochako como um par surpreendentemente falante, então foi isso que saiu huhauhsuhuhs Não sei quando volto com att dessa, o fim desse mês vai ser corrido e tô planejando uma one-shot de Halloween com shinchako e muito hot hehe, então veremos o que é que sai Obrigada por ler! Espero que esteja curtindo!