Por enquanto

8 Como nos mangás


— Bom dia!

A Fuyumi cumprimenta animadamente enquanto termina de pôr a mesa e servir o café. O Natsuo já está sentado, mexendo no celular de maneira despreocupada.

— Você deu uma atrasada, hein, Shouto? Essa é novidade! — ele aponta.

— Nem foi tanto assim.

— É, mas normalmente você acorda antes de mim. — o Natsuo tira os olhos do celular — Demorou pra dormir ontem? Já faz uns dias que tá assim, né?

— Como você sabe, nii-san?

— Não sabia, mas você acabou de confirmar. — ele sorri, e Shouto o olha com tédio.

— Você está com problemas para dormir, Shouto? É por causa das provas? — a Fuyumi pergunta ao se sentar ao seu lado.

— Não, acho que não. — ele boceja — Já tô acostumado com as provas de fim de trimestre, não devem ser mais difíceis do que normalmente são.

— Mas tem alguma outra coisa te preocupando?

Shouto se deitou na mesma hora de sempre ontem à noite, e nas noites anteriores também. Mas, por algum motivo, ele vem demorando a pegar no sono. Sua rotina segue a mesma: acordar, arrumar-se, tomar café, ir para a escola, ter aulas de manhã, almoçar, participar do clube de arco e flecha à tarde, ir ao restaurante do velho dia sim dia não, voltar para casa, tomar banho, jantar, estudar e ir se deitar. Não é assim tão cansativo, mas é cheio o suficiente para ele não demorar a dormir.

Não houve mudanças particularmente significativas na última semana, tirando o fato de que ele tem passado mais tempo no restaurante nos dias em que vai até lá. Shouto costuma esperar a Uraraka terminar o expediente para acompanhá-la até a estação. Ela insiste que não é necessário, e realmente não é, ele sabe disso, mas ainda assim, não vê motivo para não ir com ela. Qual sua outra opção? Ir embora com o pai? Sem chance. Isso sim seria motivo para estressá-lo a ponto de perder o sono.

Acompanhar a Uraraka até a estação não leva mais que 20 minutos, é uma caminhada rápida. Parece ainda menos às vezes, ela lhe conta coisas que acha engraçado no trabalho, e Shouto admira como a garota consegue encontrar algo de divertido em um ambiente impregnado pela presença de seu pai. Eles também conversam sobre a escola e seus clubes, essa semana têm falado muito sobre as provas, que acabam hoje.

Ontem, Uraraka chegou a mencionar rapidamente as férias que se aproximam, mas logo eles chegaram à estação, e esse assunto não continuou. Shouto não sabe quais são os planos dela, mas também ainda não sabe os seus próprios, então tudo bem.

O que eles não têm falado muito é sobre a questão do Natsuo. Uraraka pergunta como ele está, Shouto responde, mas não entra em detalhes. Ela não pergunta sobre os próximos passos para ajudá-la a conquistá-lo, e Shouto não os oferece por iniciativa própria. A verdade é que nem mesmo ele sabe, mas, mesmo se soubesse, esse não parece ser o assunto mais urgente do momento nem pra ela, então por que seria pra ele?

Além do mais, ela já fez imenso progresso sozinha. O Natsuo compartilhou uma informação bastante pessoal sobre a família, isso prova que ele confia nela, o que já significa muita coisa. Então, mesmo que Shouto se deite na cama e fique pensando em maneiras de fazê-los se aproximarem, nada lhe parece bom o bastante, ou mesmo necessário.

Uraraka e Natsuo já são próximos.

— Não, não tem nada me preocupando, eu acho.

— Bom… de todo jeito, as férias já tão chegando, não é? Você já sabe o que quer fazer? — a Fuyumi pergunta.

— Ainda não. Eu sei que vou ter que ajudar no restaurante de vez em quando.

— Você não quer mesmo ir lá ajudar, quer? — o Natsuo pergunta em descrença.

— Não faz diferença. Pelo menos entediado eu não fico. — ele dá de ombros.

— É o que eu ia falar. — seu irmão dá uma risada seca e revira os olhos — Mas você vai sair com seus amigos, né? A Uraraka-chan?

— Eu já vou vê-la quase todo dia, então não sei.

— Mas não é a mesma coisa! — o Natsuo protesta — Vai, Shouto! É seu último ano, rapaz! Tem que aproveitar bem as férias!

— Eu concordo, Shouto. Acho legal você querer ajudar o papai, mas… — ela serve a comida dele — Faça coisas que são divertidas pra você e seus amigos.

— Tipo o quê?

— Ah, bom… — ela fica pensativa.

— Nas minhas férias de verão do colégio, a gente ia pra praia quase todo dia pra jogar vôlei e quebrar melancias, e teve uma vez que fomos procurar besouros.

— Isso foi no seu último ano do colegial? Parece coisa de quem tá no fim do fundamental. — Shouto observa, ganhando uma olhada feia do irmão e uma risadinha da irmã.

— É que o Natsuo frequentou um ensino médio só de meninos, né? É normal que eles gostassem de fazer coisas que a maioria dos meninos gosta. Bom… tem muitas meninas que iam gostar disso também, mas…

— Isso, Fuyumi-nee. Dá umas sugestões que agradam meninas. Presta atenção, viu, Shouto?

Ele estreita os olhos em confusão. Por que Shouto deveria prestar mais atenção do que já está prestando nessa conversa?

— Bom, eu… eu estudei em um colégio só para meninas, então nossa visão era bem romantizada, nós queríamos ir para festivais de verão usando yukata, soltar estalinhos e admirar as estrelas.

— E conhecer o garoto dos seus sonhos. — o Natsuo afina a voz — Isso parece aqueles mangás shoujo bem água com açúcar, nee-chan.

— A gente lia muitos desses mesmo. — ela admite, rindo — Mas… como você sabe disso, Natsuo?

— Hã?

— O que acontece em mangás shoujo. — ela lança um olhar atento na direção dele.

— Ah, bom… é que… — ele parece ficar sem graça — Um colega meu de faculdade me deu essa dica. A gente dá uma olhada nessas coisas de vez em quando… pra saber o que as mulheres curtem, e… e tal.

— Da faculdade? Então você anda lendo shoujo atualmente?

— N-não atualmente, tipo… agora agora, mas… às vezes.

— Por essa eu não esperava. — a Fuyumi parece genuinamente surpresa.

— Bom, enfim… fica a dica, Shouto. Dá uma olhada nuns shoujo qualquer dia desses, pode te inspirar.

— Certo. — Shouto assente e volta a comer.

Porém ele segue pensando nisso durante todo o caminho de casa para a escola. A conversa despretensiosa com os irmãos durante o café da manhã levou a uma descoberta interessante. O Natsuo anda lendo histórias de romance para aprender o que as mulheres gostam, será que há uma garota em específico a quem ele quer agradar?

Será que a Uraraka gosta dessas histórias também? Ela nunca comentou nada, está normalmente falando do trabalho, da escola e do judô, mas talvez fosse algo que ele deveria saber. Não só para tentar entender o que ela poderia gostar nessas histórias, mas também para explorar isso como um interesse em comum que ela e o Natsuo poderiam ter.

Talvez eles não precisem de mais uma coisa em comum. Já estão próximos o suficiente.

É o que Shouto conclui depois de chegar à escola e ser cumprimentado pelo Iida antes de iniciar as provas do dia.

Mas depois que todas acabam, e ele é dispensado do clube um pouco mais cedo por eles já estarem praticamente de férias, Shouto vai até a biblioteca da escola e procura a seção de mangás.

Não tem ninguém, e olha que essa é uma parte que está quase sempre movimentada. Shouto vasculha as estantes, procurando por mangás shoujo, há só alguns que ele pesquisou e descobriu ser os mais populares em vendas, vai ver a direção não aprova certos títulos por acharem que são muito provocantes para a escola ou alguma coisa assim, ele lembra de já ter ouvido o Iida e a Yaoyorozu comentarem sobre isso uma vez quando estavam falando de verbas para a biblioteca.

Não há muitos mangás shoujo, mas ele encontra alguns, e os coloca sobre a mesa. Shouto olha seu relógio, concluindo que pode perder um pouco de tempo com isso, hoje ele não planeja ir para o restaurante mesmo.

Ele começa a folhear um deles despreocupadamente, não é o volume inicial, mas não é difícil entender a história. O desenho chama atenção, a protagonista tem olhos grandes e desenhados para parecer vibrantes, o rosto dela é redondo, e há muitas páginas dela sorrindo.

Ela lhe lembra alguém.

— Todoroki-kun?

Ele ergue a cabeça e encontra a Uraraka olhando-o curiosamente.

— Oi. — Shouto a cumprimenta.

— Oi! Já terminou as atividades do clube?

— Já, fomos liberados mais cedo por já estarmos de férias.

— Lá no judô também! Veio devolver os livros antes de entrar de férias? Eu não fiz isso ano passado e levei uma multa, acredita?

— É o que acontece quando se atrasa pra devolver. — ele diz monotonamente, e ela parece rir de nervoso, isso o deixa incomodado — Não vim devolver nada, só tô matando um tempo aqui. Como você me achou?

— Ah, ouvi algumas meninas do 1º ano falando que te viram aqui. É fácil te achar, é só escutar qualquer grupo de garotas conversando, quase todas são suas fãs e sabem o seu horário e localização certinhos. — ela dá um sorriso amarelo — Inclusive, se você prefere ficar sozinho, eu já tô indo.

— Você vai trabalhar hoje?

— Hã? Ah, hoje não. É minha folga. O Takami-san disse que hoje é dia de fazer o balanço e… tinha mais alguma coisa que eu esqueci.

— O circuito de culinária metropolitana começa daqui a um mês, eles precisam organizar um cardápio especial para o evento.

— Ah, isso! O Takami-san me explicou, mas… às vezes ele fala muito rápido, nem sempre eu consigo entender.

— Ele é cansativo, não tenho muita paciência pra conversar com ele.

— Eu não diria assim, mas… enfim… — ela inclina a cabeça um pouco, mas se ajeita quando o vê observando-a.

— O que foi?

— Nada. — Uraraka olha de relance para os mangás na mesa. Shouto vira um deles para que ela possa ler o título, já que parece estar tão curiosa — Você… hã… eu não sabia que você gostava de “Primavera do Coração”.

— Não gosto.

— Não?

— Você gosta?

— Ah… mais ou menos. — ela se aproxima — O casal principal é meio irritante, tem um casal secundário que é mais legal, mas eles não aparecem muito.

— Irritante como?

— Hum… o garoto é meio sem-noção às vezes, não percebe que tá magoando a garota, e ela também não sabe como dizer isso pra ele, aí eles ficam andando em círculos. O casal secundário é mais interessante, ela se considera rival dele em tudo, nos estudos e nos esportes, mas ele só é apaixonado por ela e acha engraçado como ela não percebe. É engraçado e bonitinho.

— Então você gosta desse mangá, não é só “mais ou menos”.

— Haha, é legal, mas passa longe de ser dos meus favoritos. Não fala isso pra Mina-chan, ela adora esse!

— Não vou. Então, qual o seu favorito? Tem aqui na biblioteca?

— Tinha alguns volumes, deixa eu ver… — ela anda até as estantes e pega um encadernado — Esse!

— “A Lei da Espada”. — ele lê em voz alta — Isso é um romance?

— Hum… mais ou menos. É sobre um ronin que salva uma cortesã, depois ela revela ser filha de um aristocrata que teve suas terras saqueadas e a cabeça cortada, ela ainda tá sendo procurada pelo cara que roubou as terras dela e promete pagar se o ronin ajudá-la a se vingar. E aí eles vão viajando juntos e deixando uma trilha de sangue pra onde vão.

— E onde tá o romance nisso?

— Ah, eles se apaixonam no meio disso. — ela se senta na cadeira ao lado — Mas isso nem importa muito.

— Não?

— Não, o legal mesmo são as cenas de luta. — Uraraka folheia o mangá e mostra uma página para ele — Olha! É bem detalhado!

Talvez um pouco demais. Histórias com cenas picantes podem não ser permitidas na biblioteca da escola, mas aparentemente ninguém tem nada contra cenas hiper violentas.

— Parece… interessante. — ele diz somente para não ficar encarando em silêncio.

— É ótimo! E o protagonista é tão legal! — ela diz empolgadamente enquanto mostra algumas páginas, e então para e olha para ele, depois para o mangá novamente — Hum.

— O que foi?

— Ele aqui nessa página… me lembra você quando eu te vi competir aquele dia. O olhar é parecido… — ela segue observando-o, e Shouto começa a ficar inquieto.

— Eu uso arco e flecha, não espadas. — ele limpa a garganta e volta a olhar para o mangá — Mas então, é de histórias assim que você gosta?

— Hum?

— Histórias de romance em que o romance não é o foco.

— Hum, sabe que eu nunca tinha pensado assim? Mas acho que é isso, sim. É legal ler uns romances bonitinhos de vez em quando, mas eu prefiro quando tem algo a mais, os personagens se aproximando antes de se apaixonarem, conhecendo o pior de cada um antes de ver as coisas boas, parece… parece…

— Mais real?

— Isso!

Shouto consegue entender isso, também lhe parece uma maneira mais genuína de se apaixonar, já que não há espaço para ficar idealizando a pessoa. Se algum dia ele se apaixonasse, gostaria que fosse assim.

Mas isso lhe deixa curioso, porque até onde ele sabe, Uraraka se apaixonou pelo Natsuo à primeira vista, ela não sabia absolutamente nada sobre ele até o incidente, nem mesmo o nome. O amor que ela parece apreciar é diferente do que ela sente.

Mas, bom… ficção e realidade são coisas diferentes. E ele não se parece em nada com o protagonista do mangá que ela gosta, por mais que olhe e tente achar a semelhança que ela disse ter visto.

— Todoroki-kun?

— Hum?

— Posso perguntar porque você tá lendo mangá shoujo?

— Só me bateu a curiosidade. — ele diz, não querendo mencionar que foi uma dica do Natsuo — Tô sem o que fazer e queria achar umas coisas pra ler nas férias. Por que a pergunta?

— Não, por nada! Só… nunca imaginei que você leria coisas assim.

— É assim tão estranho eu ter interesse em coisas do tipo?

— Não, não estranho. Na verdade… faz muito sentido.

— O que faz sentido?

— É que você é bem mais curioso do que parece, né? Você gosta de entender as coisas, principalmente as que são muito diferentes de você, e isso é… bem legal.

— Legal?

— Uhum! Você não tem preconceito com coisas novas e não julga sem antes conhecer. Eu gosto muito disso em você, Todoroki-kun.

Shouto pisca em surpresa e olha para o rosto sorridente e levemente ruborizado dela. Ele já ouviu muitos elogios sobre sua aparência e alguns aspectos superficiais de sua personalidade nas confissões amorosas que recebeu, “misterioso”, “calmo”, “frio, mas aparentemente intenso”, não é como ele necessariamente se vê, mas entende porque poderiam ter essa impressão. Sua curiosidade é algo que só quem o conhece muito intimamente sabe, basicamente só sua família, a Uraraka pode ter percebido porque o Natsuo mencionou isso quando eles se encontraram naquele café, mas isso de ser aberto ao novo é algo que ele nunca ouviu. Para Shouto, nunca foi algo digno de atenção, é só um aspecto que todo mundo deveria ter, mas… é, nem todos são assim, e descobrir que isso é algo que alguém poderia apreciar nele o deixa perplexo de um jeito… bom.

— Tem mais alguma recomendação de mangá? — sem saber o que dizer, ele desvia a conversa de volta para o início, trazendo o mangá que está em mãos mais para perto de seu rosto, sentindo-o mais quente de repente.

— Hum… deixa eu ver… ah! Esse é legal também!

E eles seguem conversando.

***

Ochako não sabe o que fazer.

Ela não tem nada de particularmente importante pra fazer. Está de folga no trabalho, as provas acabaram, então não precisa estudar, ela poderia só ir pra casa logo.

Na verdade, é o que ela quer muito fazer, mas não dá só para levantar e ir embora com ele aqui, dormindo desse jeito.

Em algum momento, eles pararam de conversar e voltaram sua atenção aos mangás na mesa. Ochako resolver reler “A Lei da Espada”, o Todoroki continuou lendo “Primavera do Coração”, e o que se estabeleceu foi o silêncio característico de uma biblioteca, até que apareceu uma cena levemente romântica entre os protagonistas que ela queria que ele visse, mas… ao olhar para ele, Ochako encontrou-o com a cabeça apoiada no antebraço, os cabelos vermelhos lhe caindo sobre o lado esquerdo de seu rosto, e sua respiração suave e regular.

Todoroki estava cochilando.

E assim continua nos últimos 15 minutos, o fim de trimestre é sempre bem cansativo, dá para entender porque alguém cairia no sono quando se encontrasse no lugar mais relaxante possível, ela também tiraria um cochilo aqui se conseguisse, mas Ochako não pode, porque ela prefere sua cama. Mas não dá para ir para sua cama e deixá-lo aqui, ele vai acordar confuso e… bom, talvez não fique chateado se não a vir, mas ainda assim, não é certo.

Também não lhe parece certo acordá-lo, ele está tão… em paz. O rosto dele é sempre bem impassivo, não transmite tensão, mas Ochako nunca o viu tão relaxado, os cílios longos pairando sobre as bochechas, a boca levemente entreaberta, ele até ronca baixinho e enruga o nariz quando seu cabelo parece fazer cosquinha em seu rosto. É difícil não sorrir vendo-o assim.

Sem pensar, ela ergue a mão para afastar os fios de cabelo que cobrem os olhos dele, mas então se detém. Isso é… ok que eles têm se aproximado e se tornado amigos, mas isso é… um pouco íntimo demais, não? Tocar o rosto dele sem permissão assim, ele provavelmente não iria gostar.l

Ou talvez sim… o Todoroki é muito mais do que parece, ele passa a impressão de ser frio e distante, mas vai ver só nunca teve oportunidades genuínas de se aproximar. Deve ser difícil quando as pessoas olham para seu rosto e já pressupõem todos os lados de sua personalidade, ela mesma fez isso quando o viu pela primeira vez, mas teve chances de conhecê-lo e ver o quanto ele é gentil, interessado em tudo, meio atrapalhado… e doce.

Talvez ele não se incomodaria se ela o tocasse.

— Ochakoooo! — ela dá um pulo ao ouvir seu nome em um sussurro-grito, virando-se para trás e encontrando a Mina perto das estantes.

— Mina-chan! — Ochako leva a mão ao peito para tentar se acalmar — Faz muito tempo… que você tá aí?

— Acabei de chegar, por quê?

— Não, não… por nada! — ela balança a cabeça, não sabendo porque está tão afoita também.

— Faz um tempão que tô te procurando! Vem, vamo embora! A escola vai fechar!

— Ah, eu… mas o Todoroki-kun… — ela olha para ele, e suspira em alívio ao vê-lo se erguendo e esfregando os olhos — …acordou.

— O que foi?

— A gente precisa ir, Todoroki-kun, a escola vai fechar.

— Já?

— Como “já”? Já é quase de noite! O que vocês tão fazendo aí? — ela olha para a mesa — Ahhh, “Primavera do Coração”! Vocês leram o último capítulo? Foi tão lindo, gente! Eles-

A bibliotecária surge como uma sombra ameaçadora e os expulsa dali.

Os três saem da escola, o Todoroki vem um pouco atrás, ainda meio sonolento, enquanto a Mina enumera todos os lugares em que a procurou. Ochako sabe que passou muito tempo ali, mas não tinha noção do quanto até encontrar o céu levemente arroxeado em fim de tarde.

Foi legal conversar com o Todoroki daquele jeito, ele é divertido sem nem se dar conta, e ela está feliz por ter conseguido não atrelá-lo à questão misteriosa e triste com a mãe. Ochako disse para o Natsuo que gostaria de ser amiga do irmão dele, e está bastante surpresa com o quão fácil isso acabou sendo, sem grandes esforços por parte dele ou dela.

O Natsuo… Ochako nem perguntou ao Todoroki como ele está.

— E então, Todoroki-kun, vai viajar nas férias? — a Mina pergunta de repente.

— Acho que não.

— Ah, sério? Então o que acha de fazer alguma coisa legal?

— Tipo o quê?

— Não sei ainda, só sei que vai ser legal! — ela diz empolgadamente, e Ochako ri — O que você acha, Ochako?

— Ah, bom… seria legal ir a algum festival ou…

— À praia! Ou à piscina!

— A piscina seria legal mesmo… — ela reflete.

— Sim! Aí a gente chama mais gente! A Tsu, o Kirishima… até o Iida-kun e a Yaomomo! Você acha que eles topariam, Todoroki-kun?

— Não sei.

— E você? Toparia?

— Acho que sim, não vejo porque não.

— Ah, então é isso! A gente vai pra piscina em algum dia! — a Mina decide — Você também poderia chamar o seu irmão! Né, Ochako? — e dá uma cotovelada nada discreta nela — Acha que ele toparia, Todoroki-kun?

— Não sei. Você mesma pode perguntar, Uraraka, você tem o número dele. — ele diz quietamente, e Ochako olha para trás.

— Sério??? Desde quando, Ochako?

— A-Ah, eu… já tem um tempo, mas eu nunca… eu só conversei com ele uma vez, quando a gente combinou de ir te assistir, Todoroki-kun. — ela se explica, sem saber bem o porquê.

— Agora você tem mais uma chance, pelo jeito.

— Ah, é… pois é. — ela dá uma risada sem-graça — A gente… a gente pode ir mais de um dia, né?

— Ué, sim. Mas por quê?

— Bom, é que… seria legal se o Todoroki-san viesse, não me levem a mal, mas… eu também quero sair… só com o pessoal da escola.

— Ahhhh, porque são nossas últimas férias de verão, né? — a Mina aponta e faz biquinho.

— Sim, por isso! — Ochako abraça essa explicação, nem se dando conta que talvez seja por isso mesmo, ela quer sair com seus amigos e ficar à vontade de um jeito que não ficaria com o cara que gosta ali por perto — O que você acha, Todoroki-kun?

— Por mim, tudo bem. — ele desvia o olhar.

— Legal! Vou fazer um grupo pra gente combinar tudo! — a Mina saca o celular e começa a digitar energicamente.

Os três se despedem na estação, e quando está entrando no metrô, Ochako sente seu celular vibrar com as mensagens no grupo que a Mina criou. Ela se surpreende em ver que o Todoroki tomou a liberdade de adicionar o Iida e a Yaoyorozu, e fica ainda mais surpresa em ler a mensagem dele.

“Nunca fui a uma piscina pública, espero que seja divertido.”

Ochako sorri, de repente muito animada para as férias. Ela vai ter que trabalhar, planeja treinar, mas também haverá tempo para se divertir.

E apesar de não ter entrado de cabeça na ideia de chamar o Natsuo para sair, ela começa a pensar que talvez seja uma boa ideia… um encontro no verão… parece coisa de mangá shoujo.

Notas finais
Oioi! Quanto tempo, não? Meu tempo e disposição pra escrever seguem tão ruins como sempre, mas eu queria muito atualizar essa fic, então saiu isso, e saiu bem do jeitinho que eu imaginei, isso é raro huahjuhas Obrigada por ler! Espero que esteja curtindo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.