Por enquanto
2 Capítulo 2
Notas iniciais
25 de Dezembro
Após a pequena discussão com Arizona, Callie rapidamente se despediu de Sofia, prometendo ligar assim que chegasse em NY, e saiu da casa da loira, como já estava com suas malas no carro que havia alugado, a morena partiu direto para o aeroporto. Não sabia ao certo o motivo por ter ficado tão incomodada pelo comentário de Arizona. Não foi pelo o tom, não podia culpar a mulher pela raiva que estivesse sentido, ao levar Sofia embora com ela, apesar da permissão para o mesmo, era esperado que Robbins ficasse ressentida pelo acontecido. Não saberia dizer se foi pela memoria do passado que buscou ao conversar com a mulher, mas ela realmente precisava pedir de pedir desculpas pelo que fez com a loira no tribunal. Também não poderia considerar o que foi dito, ela estava realmente com medo de perder Penny, certo? Ela não teria feito tudo isso se não fosse esse o motivo, o medo de perder Penny. Será que era isso mesmo? Ela fez o certo ao lutar com todos os argumentos sujos que se dispôs para ficar com Sofia e ir embora para longe com a ruiva?
Ao desembarcar em NY, Callie esperava que todas suas dúvidas acabassem ao encontrar a mulher mais nova. Ao chegar em casa, chamou por ela, mas não obteve resposta, só notou um bilhete perto da comoda do quarto.
Hey Calliope, sei que você chega hoje, mas o pessoal do hospital resolveu fazer um happy hour no bar perto do hospital, caso não esteja tão cansada da viagem venha nos encontrar. Beijos, te amo. Penny.Callie, riu ironicamente para o bilhete, os happy hours eram costumeiros para a nova turma de amigos de sua namorada. No início, a morena tentava acompanhar as saídas pós expedientes, mas com Sofia, ela sempre tinha que ir para casa mais cedo, o que acabava atrapalhando os novos relacionamentos da ruiva. Com isso, passou a sair cada vez menos com o novo pessoal.
Com cansaço físico e mental para sair de casa, ela simplesmente mandou uma mensagem rápida para a ruiva avisando que havia chegado em casa. A resposta não veio. Após jantar, e de rapidamente tomar um banho, a morena resolveu ligar para Arizona para poder falar com Sofia.
— Alô? — Após o quarto toque a loira atendeu.
— Arizona, hey, cheguei em casa agora pouco, será que poderia falar com Sofia? — A latina, não sabia como agir naturalmente com a loira após o acontecido.
— Hey, Callie. Claro que pode, ela esta no quarto com Zola, uma farra só. A viagem foi bem?
— Sim, sim, só muito cansativo. — A morena estranhou o bom humor da loira, tão diferente da despedia fria e curta ao sair da casa mais cedo naquele dia.
— Mama, já estou com saudade. — Disse sofia ao começar o telefonema com sua mãe.
— Oh, Sof, mama também já esta com saudades, como foi o dia de hoje?
— Foi ótimo, mama, fui para casa da tia Mer, e agora Zola está aqui para gente poder brincar mais.
— Que bom, baby. Se comporte direitinho viu. Te amo.
— Também te amo, mama.
Callie, esperou antes de desligar o telefone, achando que Sofia fosse entregar para Arizona, ou ela mesma desligasse, mas não aconteceu, então a latina ficou alguns minutos ouvindo a menina conversar com Zola. Após algum tempo, ela resolveu que já era hora de desligar o telefone, porém, antes de terminar a chamada, ouviu a garota dizer para amiga que gostaria de ficar em Seatle, com seus amigos, mas que só não ficaria pois a mama poderia ficar triste. Antes de poder ouvir qualquer coisa a mais, a latina ouviu a voz de Arizona ao fundo e a linha ser desligada.
Mesmo com o cansaço, a morena não conseguia mais dormir, ouvir Sof falando que lá era sua casa foi a gota d'água para que os sentimentos da morena viessem a tona e chorasse o que estava tentando guardar desde de que saiu da casa da loira naquela manhã. O desejo de voltar no tempo nunca foi tão grande. Mesmo sem perceber acabou adormecendo, a morena acordou horas depois com um barulho vindo da cozinha, ao levantar para verificar o que estava acontecendo, se deparou com a ruiva bêbada, tentando limpar cacos de vidro de um copo que havia quebrado.
— Calliope! — Exclamou a mulher com a voz arrastada. — Te acordei me desculpe, eu só queria um pouco de água. — Disse cambaleando para próximo da latina.
— Não, tudo bem.
— Olha, queria estar aqui na hora que você chegasse, mas o pessoal resolveu de ultima hora sair. Como foi lá em Seatle?
— Tudo bem, vou voltar dois dias antes. Bailey pediu ajuda em uma cirurgia.
— Oh, claro. Como isso não iria acontecer, não é mesmo. — Disse se atrapalhando com a vassoura e quase caindo sobre os cacos.
— Penny... Vamos, deixa isso aí que eu limpo, vá tomar banho para poder se deitar.
— Não, eu não quero dormir, eu quero você. — Disse se aproximando da latina. — Senti saudades. — Completou tentando beijar a morena.
— Não com você cheirando a álcool, você não trabalha amanhã?
— Só a noite, tenho tempo de me recuperar até lá.
Após a ruiva sair, e Torres terminou de arrumar a bagunça feita na cozinha, a morena seguiu para o quarto, ao chegar viu a ruiva deitada na cama apenas com a roupa intima. Callie, sou um suspiro pesado, cobriu a namorada e voltou para sala. Deitou no sofá, e mais uma vez a fala de sua filha veio em mente. Agora, Callie sabia que a menina deveria estar sofrendo. E o pior, não se queixaria por não queria que ela ficasse triste. Lembrou também, da conversa com Arizona. A mulher que ela tanto amou, deixou sua filha ir embora, por ela. E se fosse tudo diferente? A morena pegou se pensando. Agora, ela estava se sentindo mais perdida do que em qualquer outro momento na sua vida. Teria, ela, chance de concertar o que agora via como um erro?
26 de Dezembro
No dia seguinte, ao acordar, Penny, se deparou com Callie sentada ao seu lado na cama. Como já era de se esperar a dor de cabeça estava presente. Callie, ao perceber a que a ruiva tinha despertado, se virou encarando a mulher.
— Tem um remédio no balcão da cozinha, já avisei o pessoal da escola da Sofia que ela vai terminar o ano letivo em Seattle. Também mandei minha carta de demissão para o hospital. Não consegui escapar do aviso prévio, mas já reservei um hotel para as próximas semanas.
— Callie, do que você tá falando? — Perguntou a outra mulher confusa com o bombardeio de informação logo de manhã.
— Penny, foi um erro. Não me entenda mal, mas foi um erro. Tirar Sofia de sua aldeia, com as pessoas que ela conhece, longe de sua mãe, foi um erro. Eu tentei, você viu como eu tentei nesses meses ficar bem aqui, com você. Mas não deu certo. E acho que a gente sabe não vai dar certo. Já avisei ao dono do apartamento, que você vai se mudar para um outro menor, e também já paguei o aluguel para o próximo mês.
— Callie, não... Você tá falando que vai embora, é isso? Assim? Do nada?
— Não foi do nada. Minha filha não está feliz aqui, ela sente falta das pessoas de lá, e eu não posso ver isso e não fazer nada para mudar. E, eu também quero voltar.
— Eu sabia, que essa sua ida para Seattle não iria acabar bem. É a Arizona, não é? Eu estava sentindo você distante há algum tempo, antes mesmo dessa viagem, e não sei o motivo, mas eu sentia que se você voltasse para lá, ia ver que não queria estar mais aqui.
— Bom. — Callie não podia negar o que a mulher mais nova falava, era exatamente isso. — Eu adiantei meu voo para hoje a noite. Ainda tenho que ir no hospital acertar algumas coisas, então.. Tchau Penny, seja feliz, você merece alguém que esteja inteiro para você.
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Callie não tinha avisado ninguém sobre o adiantamento do voo, ou da sua volta definitiva, então, ao desembarcar em Seatle, ainda aquele dia, a morena decidiu ficar em um hotel próximo ao aeroporto, ela teria ainda pelo menos mais um dia para então poder dar as caras no hospital. Aproveitou aquele momento para por os pensamentos em ordem. Agora que ela estava de volta, será que conseguiria ter sua vida de volta? O trabalho, as amizades, a felicidade de Sofia, e claro, queria também uma nova chance com Arizona. De todos os desejos, ela sabia que o ultimo seria o mais difícil de conseguir realizar.
27 de Dezembro
Naquele dia a latina acordou bem cedo. Após um breve café da manhã, a morena saiu para tentar recuperar a vaga na antiga escola de Sofia, apesar do recesso de fim ano, a diretora da escola atendeu de bom grado a mulher, e garantiu que a menina poderia voltar assim que as aulas recomeçassem. Outro compromisso que a mulher se adiantou foi marcar uma reunião as escondidas com Bailey para acertar sua volta para o hospital. Torres contou os últimos acontecimentos para a chefe, que afirmou que assim que a morena cumprisse suas obrigações no trabalho de NY ela poderia reassumir o cargo que ainda não havia sido ocupado no GSMH.
— Callie? — Disse a loira surpresa ao ver sua amiga na porta de sua casa. — Você não viria só amanhã para a cirurgia com Miranda?
— Hey Mer, como você está? Estou bem também, obrigada.
— É, oi. Entra, tudo bem? — A mulher não conseguia esconder a sua surpresa com a presença da mulher latina na sua porta.
— Sim, e respondendo sua pergunta era para estar aqui só amanhã, mas na verdade estou desde ontem.
— Okay...
— Me separei da Penny, e estou voltando em 2 semanas em definitivo pra cá.
— Oh, muita informação. — Brinca a Grey. — Calma, entra e senta aí, vou buscar algumas bebidas e você me conta o que aconteceu.
Callie, disse tudo o que fez ela querer voltar, as constantes saídas de Penny com seus novos colegas, a infelicidade de Sofia, e claro a conversa com Arizona dias atrás.
— Então quer dizer, que Arizona foi o fez você ver que o seu medo não era perder Penny? — Disse Grey ao beber outro gole da cerveja.
— Mais ou menos, desde de Sofia e eu nos mudamos para lá, ela já estava diferente, sabe? Não a culpo por querer fazer novas amizades, nem nada do tipo, mas as vezes sentia como se estivéssemos atrapalhando esses novos relacionamentos dela, entende? Vir pra cá me fez ver a real diferença entre os dois lugares, se eu sentia isso imagina Sofia. Então quando eu ouvi ela dizer que queria ficar em Seattle, que não estava feliz lá, eu sabia na hora o que fazer.
— Bom, eu fico muito feliz que tenha voltado, você realmente fez falta aqui. — Disse Meredith, sincera.
— Eu também senti falta daqui. — Responde a morena emocionada
— Mas, eu ouvi, ouvi, ouvi e o nome que mais se repetiu na nossa conversa foi uma tal de Arizona Robbins, ela tem algum ponto nessa volta repentina?
— Eu... Eu a quero de volta, Mer. — Disse sem dúvida na voz. — Eu sei que a gente já passou por muita coisa, nós duas erramos muito, eu a magoei muito quando o casamento acabou, mas ela é o amor da minha vida, acho que não tenho como negar isso mais, não sei o que está acontecendo na vida dela, se ela está saindo com alguém ou não, mas eu não vou desistir, eu quero minha família de volta, eu quero Arizona Robbins de volta.
— Ela é seu McDream. — Conclui Meredith.
— Ela é meu McDream. — Diz Callie sorrindo para a amiga.
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No dia seguinte, a morena já estava no hospital quando Miranda chegou para a cirurgia, ela não podia negar o quanto sentiu falta de uma cirurgia daquele porte, o que nem sempre tinha oportunidade de fazer em NY. Após sair da sala de cirurgia, Callie aproveita o tempo livre para ver sua filha na creche do hospital e dar a noticia que elas estariam de volta na cidade.
— Mama! — Grita a menina, ao ver a morena na porta do local.
— Hey, princesa a mamãe sentiu muita saudade de você — Disse se ajoelhando e abraçando a pequena.
— Eu também, mama. A gente já tem que voltar? — Disse a menina, desviando o olhar de sua mãe.
— Você quer voltar? — Ao ver que a garota esta hesitante em responder, Callie segurou o rosto da menina para encontrar um olhar marejado. — Olha, pode dizer a verdade, mama não vai ficar brava ou triste, ok?
— Ok... eu queria ficar com a Mommy, eu sei que eu deveria voltar, mas aqui tem a Zozo e eu fico um pouco sozinha lá. Eu quero ficar com você e gosto da tia Penny, mas sinto falta da Mommy e das pessoas daqui.
— Eu sei meu amor. — Disse pegando Sofia e se sentando um pouco mais afastada do restante das crianças. — E se eu disser, que você pode ficar? Você ficaria feliz? — A latina, nem precisou da resposta da menina, que logo se levantou e abraçando a mãe, toda radiante. Literalmente pulando de alegria, a menina só parou ao ouvir uma voz na sala.
— Posso saber que festa toda é essa?
— Eu vou ficar Mommy, eu vou ficar, a mama deixou eu ficar. Posso ir contar para Zola? — Disse a menina, que ao ter a confirmação de Callie, saiu correndo de volta para junto das outras crianças para contar a novidade.
— Do que ela está falando? — Perguntou a loira ao ficar sozinha com a ortopedista.
— Eu disse que ela pode ficar aqui, ela não estava feliz lá, e nós vamos voltar para cá. — Explica a morena.
— Como assim, ela pode ficar, e você decidiu isso assim, sozinha? Tem a escola, como ela vai ficar aqui sem ter uma vaga, ela não pode... — Foi interrompida por Callie.
— Arizona, calma. Eu conversei com a diretora, ela tem a vaga na escola antiga de volta. Eu pensei que você queria isso, Sofia aqui com você.
— É claro que eu quero. É o que eu mais quero.
— Que bom, então, eu tenho que voltar em para NY nos próximos dias para cumprir meu aviso, mas daqui duas semanas estou de volta, aí a gente vê como...- Agora foi a vez da loira interromper.
— Espera você também está voltando? Acho que você tem que me explicar o que está acontecendo. — Pede a loira.
— Eu vou. Mas para isso você aceitaria jantar comigo amanhã a noite, Meredith disse que Sofia iria dormir em sua casa. Então? — Pergunta em expectativa.
— Eu.. é, eu... Ok, mas você vai me explicar todos os detalhes. — A loira parece perdida em meio a tudo o que a morena está falando ainda, mas no fim acaba aceitando o convite pra o jantar.
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No dia seguinte, após pedirem o jantar, Callie começou a explicar, o que fez ela querer voltar, disse que ouviu Sofia conversando com Zola, contou sobre como estava a vida com Penny em NY.
— Então, você terminou com Penny e estará de volta em duas semanas. — Disse Robbins tentando absorver as informações ditas pela ex.
— Exatamente. — Respondeu a morena com um sorriso.
— E você me parece bem com isso.
— Sim, eu realmente estou bem com isso.
— Oh, Ok. — Disse a loira surpresa.
Após alguns minutos falando sobre amenidades, as duas mulheres resolveram que já esta na hora de ir embora. Aquele sentimento de estar em casa, novamente foi sentido, não só pela ortopedista mas pela cirurgiã fetal também. O clima que estavam compartilhando quando a morena chegou na véspera do natal também estava de volta.
— Calliope, é realmente bom saber que você estará de volta. — Disse a loira ao chegar em frente de sua casa — Quero dizer, pela Sofia, ela vai ficar muito feliz de ter suas mães por perto.
— Sim eu tenho certeza disso. — Disse a morena sorrindo ao ouvir sua ex falando seu nome completo. — Mas quero que você saiba, que Sof não foi o único motivo por eu querer voltar. — Concluiu ao se aproximar da loira.
— Não? — A voz de Arizona saiu como um sussurro ao sentir a latina tão próxima.
— Não. — Afirmou a mulher. — Eu quero você de volta Arizona Robbins. Eu não sei você está saindo com alguém ou algo assim, mas eu quero você de volta. Eu sei, não vai ser fácil, mas eu quero lutar por você, pelo nosso amor, e eu só preciso saber se eu tenho alguma chance, nem que seja a menor chance do mundo, mas não vou desistir de você.
— Callie, eu..
— Shiii, não precisa responder nada por enquanto. — A morena se aproximou mais ainda dando um beijo no canto da boca da loira. — Eu embarco amanha de manhã, mas volto em duas semanas e então você me dá uma resposta.
— Em duas semanas.
— Em duas semanas. — Reafirma a morena. Antes de sair completamente da portão de Arizona, Callie vê a loira ainda parada na porta, e não pode deixar de falar. — Eu te amo Arizona Robbins.
A morena, não teve sua resposta no mesmo momento, mas no dia seguinte, ainda na fila de check in, ela recebe uma notificação no celular, uma mensagem de Arizona.
Também te amo, Calliope Torres.A morena não poderia estar desejando mais que essas duas semanas passassem o mais rápido possível, para estar de volta não só com sua filha, mas também de volta para lutar pelo grande amor de sua vida.
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