Faço questão de que você volte pra pegar aquela caixa velha com suas coisas, mas vai entra pela porta de trás, com a cabeça baixa. E vem logo, porque está fazendo sujeira, acumulando pó e mofo. Está tudo no porão, aquele lugar úmido e escuro em que você me obrigou a deixar meus livros. Aproveita que vai passar por aqui e some com esse tapete persa horrível que a sua bisavó te deixou. Aquilo me dá enjoo. Se quiser, pegue as joias que me deu. Pode te dar algum trocado, sabe? Mas lembre-se: É penhorada.

Você consegue se virar, eu sei bem. Mas agora eu quero ver, peça para essa ruiva deslumbrante que dorme com você arrumar a sua cama. Fale pra ela lavar a roupa e a louça, tirar pó das estantes e ainda ter bom humor quando você chegar cheirando à álcool em casa. (Quantos anos ela tem mesmo? Vinte e dois?)

Desejo muita alegria pra você, juro! Mas antes, quero que você passe as madrugadas em claro, se arrependendo por ter me deixado ir. Quero que sinta o meu perfume no seu travesseiro e saudades da minha voz. Quero que chore pela falta que minhas mãos no seu cabelo ralo fazem. Fora isso, muita paz.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!