Por cima

6 Uma Xícara de Café


Notas iniciais
Desculpe o atraso!! Estava ocupada com minha outra que acabei não tendo tempo de escrever aqui... Mas finalmente terminei *O*
O que posso dizer, eu achei esse cap meio fraco... Provavelmente toda a ação da batalha vai ficar para o próximo... Ops, estou dando informações adiantadas. Espero que gostem!

Sentei na cama rapidamente, levando um susto com um grito que veio lá de baixo. Olhei para o relógio preso na parede oposta, que marcava seis horas em ponto. Relutante, me espreguicei e desci da cama, saindo do quarto e passando pela rampa.

- O que está acontecendo? — perguntei assim que cheguei na sala.

Alguns funcionários olharam para mim e ao mesmo tempo começaram a falar.

Eu consegui entender algumas palavras soltas, compreendendo metade do que se passava logo tão cedo.

- Sua mãe… Na cozinha… Vestido… Está brava… Cuidado…

Concordei com a cabeça, ainda um pouco confusa e atravessei a sala em direção à cozinha. Tudo estava quieto demais para um dia em que gritos surgiam logo tão cedo.

Passei pela porta lentamente e vi minha mãe sentada, com uma xícara de café em uma das mãos. A outra estava em seu peito. Havia um notebook em sua frente, em cima da mesa. Seu rosto não demonstrava nenhuma emoção. Ela estava apenas lendo algo.

Não vi vestido nenhum.

- Mãe, o que foi esse grito de agora pouco? — perguntei não muito confiante.

Ela olhou para mim como se pudesse me desintegrar se quisesse. Abriu a boca com a intenção de dizer alguma coisa, mas desistiu. Franzi a sobrancelha e olhei para ela um pouco mais confusa. Fez de novo até que suspirou e tomou um gole de café.

- Mãe…?

- Meu vestido foi criticado, satisfeita? Parece que ele não valorizou meu colo, ou alguma merda assim. Me deixou com cara de grávida?! Que tipo de pessoa grávida resolve usar uma porra de vestido tomara que caia? Qual o problema dessas pessoas? — gritou olhando para mim. Seu café ainda estava todo dentro da xícara e sua mão agora estava na mesa. Ela não era do tipo que falava gesticulando com as mãos.

Ela se levantou da cadeira, fechou o notebook e o jogou contra a parede da frente. Olhei pasma para ela, me virando para o resto das pessoas dentro da cozinha. Nenhuma delas parecia muito surpresa, só alteradas por causa do barulho. Era como se soubessem que isso aconteceria uma hora ou outra.

Ela pousou seu café na mesa, passou por mim, e saiu da cozinha.

Fiquei parada por meros segundos, espantada com aquela reação. Bety veio até mim e passou um de seus braços em meus ombros, me dando um meio abraço Era a primeira vez que eu via minha mãe fazendo algo assim.

- Laura? Esta tudo bem? — perguntou preocupada.

Balancei a cabeça, voltando ao normal e olhei para ela.

- Claro… Hoje não vou querer comer nada — murmurei e sai da cozinha, indo para meu quarto.

Depois de subir e fechar a porta, comecei a me arrumar. Vesti o uniforme que havia colocado em cima da cama mais cedo, já todo passado e engomado, e peguei minha bolsa.

Olhei para o relógio mais uma vez, seis e trinta e seis.

Quando desci, ele já estava me esperando ao lado da porta. Abriu a porta para que pudéssemos sair e me ajudou a entrar no carro. Deu a partida e começou a dirigir Tudo sem dizer uma palavra. Provavelmente havia conversado com Bety sobre o que tinha acontecido.

Foi só quando estávamos quase chegando na escola ele falou comigo.

- Você esta legal?

- Não vou vomitar nem desmaiar, se é isso que esta querendo dizer. Fiquei um pouco surpresa, mas já estou bem.

Ele balançou a cabeça concordando, mas ainda preocupado. Percebi isso porque sua testa ainda estava um pouco franzida e olhava pelo espelho. Como um irmão mais velho.

Abri um sorrisinho. "Tsc, Tsc…" Era bom ter alguém se preocupando comigo. Tanto Bety quanto ele.

Chegamos na escola e como sempre, ele me ajudou a sair do carro e a sentar na cadeira, mesmo sabendo que eu conseguia fazer isso sozinha.

- Obrigada por perguntar — disse isso e entrei na escola.

Depois de subir pelo prédio com a ajuda de elevadores, fui para minha sala e andei até meu lugar. Bruno já estava sentado.

Esperei por mais alguns minutos e o sinal tocou. Alguns atrasados chegaram e a Vanessa entrou, fechando a porta. Ela estava frenética.

Dessa vez usava um vestido florido com os cabelos soltos batendo em seus ombros. Calçava uma sapatilha e sem seus óculos.

- Bom dia, meus queridos! Como todos sabem, hoje é o grande dia. A batalha contra a sala 1-B. Espero que tenham estudado e se preparado para a luta contra eles. Não tinha explicado antes porque não havíamos decidido ainda como seriam as batalhas, mas vamos lá!

"Vou separa-los em duplas. Cada dupla deverá enfrentar uma outra adversária. O vencedor vai adiante e o perdedor não terá mais chances de competir. No final, a sala que tiver mais duplas vencedoras, ou uma dupla apenas, ganha. Porém! Não pensem que as coisas serão fáceis. Além de batalhas que exigirão raciocínio, terão aquelas que testarão seu físico. Estejam preparados."

A sala entrou em alvoroço. Todos começaram a escolher suas duplas e comentar como estava empolgado.

- Sala, me escute! — gritou um pouco mais alto que antes. — Sei que muitos não vão gostar do que tenho a dizer, mas as duplas quem escolhe sou eu! Não entrei nessa para perder. Não quero que uma má dupla perca por falta de estratégia. Vocês acham que o Paul me poupará com as humilhações? Não, ele não irá! Nós temos que vencer! — disse decidida., batendo na mesa. Eu podia ver uma bola de fogo ao seu redor, de tão empolgada que estava.

Suspirei. A ideia de fazer dupla com alguém me incomodava, mas era preciso. Não teria chances nas batalhas esportivas.

- Vou escolher baseando me nos últimos trabalhos que vocês fizeram — anunciou para a sala, pegando uma folha de sua mesa e o lendo. — Bom, vamos ver, nossa primeira dupla será… Bruno Fountain e Laura Laughs!

Eu quase bati na mesa e me levantei revoltada, mas não fiz isso, até porque minhas pernas não funcionam. Ao invés disso, me endireitei na cadeira para ficar um pouco mais alta e levantei minha mão, esperando que ela olhassem para mim.

- A segunda dupla… Diga, Laura — olhou para mim ainda com aquele sorriso empolgado.

- Ahn… — comecei nervosa — Isso não me parece muito justo, por que colocou Bruno e eu juntos? Achei que fosse equilibrar as coisas.

- E é o que estou fazendo. Segundo meus dados, você foi a que teve o pior desempenho nos trabalhos — disse conferindo sua folha. — Ficar com o melhor da sala é justo para mim, não concorda?

- Sim, mas você não pode deixar de levar em conta que fui bem em todas as provas e nos outros trabalhos.

- Tem razão, Laura, mas passei esses trabalhos justamente para avaliar seus níveis nessa semana. Você pode muito bem ter tirado uma boa nota, mas já se esqueceu da matéria. Prosseguindo…

Voltei a sentar normalmente, um pouco exausta. Sabia que minha primeira folha havia sido sabotada, mas a segunda era novidade. Terem anunciado que eu era, atualmente, a pior da sala me acertou em cheio também…

O resto das duplas foi seguindo o mesmo padrão. O segundo melhor da sala ficava com o segundo pior.

Enquanto Vanessa terminava, apoiei minha cabeça nos braços e a deitei na mesa. Não que eu não quisesse fazer dupla com Bruno. Acho que entre todos da sala, ele era com quem eu menos me importava, ele e o garoto A, talvez. Era só que fiquei preocupada em ele' não querer me ter como dupla. Ainda estava recendida com o modo que Bruno agiu na festa revidando os olhos para mim.

Não era nem metade da primeira aula quando todos da sala já tinham sua dupla. Descemos para o auditório especial, o que fez com que todo mundo ficasse um pouco empolgado. Inclusive eu.

Nós não éramos autorizados a entrar no auditório especial em hipótese alguma. Alguns veteranos que já puderam visita-lo não contavam nada sobre sua estrutura, apenas que era o lugar mais incrível da escola. Caso você insistisse mais, eles finalizavam explicando que não era para estragar o momento.

O resto da sala chegou. Havia descido pelo elevador acompanhada pela professora, então chegamos antes. Ela pediu que todos fizessem silencio e depois de alguns segundos um tanto dramáticos, abriu as portas.

Perdi o fôlego. De primeira, a única coisa que passa pela sua cabeça é estar em um jogo de basquete. No centro havia um palco quadrado, telas nas quatro paredes mostrando o meio, duas bancadas com microfones, luzes coloridas iluminavam o ambiente e só consegui ver alguns cantos do auditório. Se me perguntasse quantas fileiras de cadeiras aquele lugar possuía, eu não saberia responder. E olhe que sou a segunda da sala. Bom, pelo menos eu era.

Do outro lado, minusculamente vi a 1-B em frente a uma porta aberta. Não os teria notado se o professor Paul não tivesse chamado nossa atenção.

Estava usando um megafone quando soltou um longo grito.

- Atrasados como sempre! Se bem que não posso culpa-los, afinal, não foram vocês que escolheram sua coordenadora de sala.

Me assustando e quase estourando meus tímpanos, a professora Vanessa respondeu de forma bem razoável. Ela tirou seu próprio megafone não sei de onde e deu um passo para frente.

- Quero ver você abrir a boca quando ganharmos essa disputa e tudo que irá receber será um grande nada! — gritou prolongando bastante a ultima parte.

- Veremos! — disse Paul, desligando seu megafone logo em seguida.

- Veremos! — repetiu minha professora.

Todas as luzes se apagaram e apenas dois holofotes de luzes brancas começaram a correr pelo auditório. Uma faixa clássica de tambores começou a tocar, dando a impressão de que algo estava para surgir.

Quando finalmente já estava na hora da musica acabar, o nosso diretor Sr. Salvatore apareceu no meu do palco. De tão longe não conseguia se ver nada além de seu pequeno corpo, mas junto com as luzes centrais, as quatro telas se acenderam, permitindo que todos pudessem ver perfeitamente o rosto do diretor. Já possuía alguns fios grisalhos, mas estava muito bem.

- Sejam bem vindos ao auditório especial! E que os jogos comecem! — ele gritou.

Mesmo sendo nosso diretor, não pude deixar de rir. Não, foi mais uma gargalhada. Comecei a imagina-lo com um vestido cor de rosa e cabelos verdes. Depois percebi como estava sendo desrespeitosa e parei de rir. Um pouco…

Notas finais
É, as coisas vão sim ficar para o próximo, mas tudo bem, porque provavelmente vai ser grande... Eu espero.
Aceito críticas! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.