Por acaso, ou não.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Com o tempo aprendi que nada vem por acaso. Tudo, mesmo que não pareça ter sentido, acontece por uma razão, um motivo. Depois que termina o colégio, como a maioria das pessoas pensei que seria fácil, afinal a pressão aparentemente acabou. Mas, por experiência própria, acontece exatamente o contrário. Depois que me formei, em função do tempo e da distância, muitas amizades acabaram. Hoje, posso contar nos dedos com quem realmente eu posso contar quando precisar e eu juro que sobra alguns dedos.
Durante os anos que fiz a faculdade morei longe das minhas melhores amigas. Com o passar dos anos ficamos cada vez mais próximas e apesar de cada uma ter ido morar em uma casa diferente ainda nos encontrávamos frequentemente, ou tentávamos. Entretanto, tinha uma pessoa que eu sentia falta durante esses anos, mas acabei me acostumando. Tudo aconteceu no baile da formatura. Daniel era meu melhor amigo desde a infância e passamos a maioria da adolescência juntos, todos falavam que ele sentia algo a mais, mas eu nunca acreditei que fosse verdade. Estamos falando da tão famosa “friendzone”. Durante o baile acabamos nos beijando e depois disso nossa relação não foi à mesma. Ninguém teve coragem de tocar nesse assunto por um longo tempo, até o dia que ele foi despedir-se de mim.
— Eu vou sentir sua falta – disse ele quando me abraçou.
— Eu também. Mas sei que isso não vai estragar nossa amizade, não é?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
— É claro que não. Eu sei que não é uma hora muito boa para isso, mas eu não consigo esquecer o que aconteceu na festa. — não consegui falar nada então ele continuou— Eu sempre gostei de você, mas de um tempo pra cá isso mudou. Eu sei que isso pode acabar com a nossa amizade, mas eu não sei mais o que fazer.
Ele aproximou-se de mim e colocou sua mão sob a minha bochecha. Eu podia sentir a respiração dele. Nossos rostos foram aproximando-se cada vez mais até que os seus lábios tocaram os meus. Eu o conhecia há algum tempo e que sempre fomos amigos, mas alguma coisa havia mudado e, apesar de eu estar gostando daquele beijo eu tinha medo do como poderia acabar.
Depois do beijo, lembro que sorrimos ao mesmo tempo e ficamos com os olhos fixos um no outro até que ele me abraçou.
— O que vamos fazer agora? – perguntei.
— Eu não sei, mas vou fazer de tudo para dar certo.
Depois de muitas lágrimas, vi o carro se afastando e ele abanando na minha direção.
Ficamos um tempo juntos, não denominamos aquilo namoro sério, por que, de certa forma, tínhamos medo do que a distância poderia fazer. E ela fez. Acabamos ficando ocupados com nossas próprias tarefas e tarefas e tínhamos pouco tempo para realmente conversar. Então chegamos à conclusão que deveríamos dar tempo ao tempo e talvez ele fizesse encontrarmos no futuro. Foi difícil, mas ambos pensamos que era o certo naquele momento.
Depois que terminei a faculdade, passei um tempo com meus pais e procurei vagas de emprego tanto na cidade deles quanto na que eu estava morando atualmente. E consegui um numa empresa que ficava perto do apartamento que eu havia alugado desde o inicio da faculdade.
Desde então não tive muito tempo para visitar meus pais, mas eles vinham uma vez por mês. Durante este tempo tive vários relacionamentos, alguns duradouros outros não. O relacionamento mais longo que tive foi com o Pedro, ficamos dois anos juntos. Ele era o oposto a mim, mas de certa forma deu certo, até que o encontrei no shopping com outra pessoa e aparentemente ele não estava lembrando muito que eu existia.
A principio fiquei um pouco chocada, mas então passei em frente a eles, de modo que me visem. Fiz um sinal de positivo e abanei. Ele logo que me viu tentou falar alguma coisa, mas simplesmente dei as costas e não voltei.
Depois de alguns dias levantei da cama com um pouco de mais animo. Na sexta-feira, fui até o shopping procurar algo para me distrair já que estaria de folga, mas a chuva me surpreendeu.
É incrível como a vida dá voltas. Como tudo acontece por alguma razão. Naquele sábado à tarde, no meio daquela tempestade a última pessoa que eu pensei em encontrar apareceu. Ele parecia um pouco mais velho, mas ainda tinha os olhos castanhos que sempre mostravam mais que ele mesmo desejava, o cabelo que antes era cheio de cachos agora estava raspado e junto ao terno que ele estava usando, fazia parecer que ele era um cara sério.
Estava sentada em um banco que ficava próximo a praça de alimentação, esperando a tempestade passar para eu finalmente poder voltar para casa. Tudo o que eu queria naquele momento era minha cama e um chocolate quente, quando alguém perguntou se eu poderia dizer as horas.
— São oito e meia. – falei sem observar muito o rosto da pessoa que havia perguntado talvez a pessoa pensasse que aquilo era uma falta de respeito, mas eu não estava ligando muito pra isso.
— Mariana?
Quando ouvi ele dizer meu nome, levantei a cabeça imediatamente e percebi que ele parecia tão surpreso quanto eu.
— Daniel?
— Ai meu deus! – exclamei e o abracei.
Ele me abraçou e naquele momento parecia que eu estava naquele dia que nos despedimos há alguns anos.
— Como você está? Quanto tempo! – falou ele enquanto sentava ao meu lado.
— Já estive melhor, mas você está indo a alguma festa? – perguntei.
— Na verdade, estou saindo do escritório. Sou advogado.
— Quem imaginaria que aquele menino que não chegava perto de um livro, seria advogado.
Ele riu.
— Pois é, e você?
— Jornalista, trabalho no jornal local e faço alguns textos para revistas.
Ficamos conversando até que ele perguntou se eu gostaria de ir até um restaurante. Aceitei e saímos e felizmente a chuva havia dado uma trégua. Após jantarmos, ficamos um bom tempo conversando e depois ele me deixou em frente ao meu apartamento.
— Você tem algum compromisso amanhã? – perguntou ele.
— Na verdade, não.
— O que você acha de um passeio à tarde? – perguntou ele.
— Seria ótimo.
— Pego você ás cinco, tudo bem?
— Combinado.
Esperei seu carro dobrar a esquina e subi até o meu apartamento.
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