Por Você..

1 Rendido Por Você.


As primeiras sensações que sentia naquela manhã, era o lençol de linho contra seu corpo, os travesseiros macios lhe causavam relaxamento, e as cobertas quentes davam a sua pele uma sensação de preguiça maravilhosa, a vontade de sair dali era muito pequena, e se afundou mais contra o colchão…, mas mesmo com os olhos fechados aquela sensação não ia embora.

Desde que o baile acontecera já haviam se passado 3 dias, não haviam ido embora ainda pois o ferimento de John não estava bom, e na queriam forçar nada no meio do caminho, porem fazia três dias que Marguerite não dormia direito e ela acreditava que John também não.

Todos as noites ela estava voltando aquela sala do sonho, as vezes sozinha, e as vezes John também estava lá, era como se fosse um local secreto da mente dos dois, e descobria que ele também sentia isso quando de manha ao se encontrarem o olhar deles dizia tudo. Os dias que Roxton não estava na sala ou chegava bem depois dela, eram os dias em que a noite ele não conseguia dormir direito ou que George e Malone chamavam ele para ficar ate mais tarde conversando, mesmo o caçador ficando ansioso de dormir cedo.

Os amigos notavam que algo estava a se passar, quando pela manha eles se olhavam e se afastavam e quase não se falavam direito, situação que era diferente da rotina do casal que mesmo em meio a intrigas e pequenas discussões estavam sempre próximos.

Sabia que tinha sido um sonho, mas um sonho real de mais para controlar suas emoções e desejos, por isso lorde Roxton estava se mantendo longe da herdeira, sabendo que se ficasse sozinho com ela, ele não iria controlar suas ações e temia passar da linha que Marguerite tinha imposto, e se afastar dela foi a melhor opção que encontrou para manter os dois seguros.

A morena em compensação entendia o caçador, gostava do respeito dele, mas ao mesmo tempo queria que ele não fosse tao cavaleiro assim, e não se sentia preparada para ser ela a dar o primeiro passo, mas quando eles estavam naquela sala, se esqueciam de tudo e deixavam acontecer todos os mais primitivos desejos que seus corpos e suas almas ansiavam desesperadamente.

— Marguerite? Podemos falar? – A herdeira estava tao distraída que não viu Veronica se aproximando.

— Oh! Veronica, não havia visto você ai, sim… claro que podemos, o que houve?

A careta que Verónica fez perante as palavras, tirou risadas da morena, já que sabia que nunca era aberta para conversas, pelo menos não com todos… somente com John, mas não podia pensar nele agora.

— Estamos preocupados, você e Roxton estão estranhos e se algo os aflige, nos atinge também, sabem que somos uma família e não queremos voltar a casa da arvore com algo mal resolvido… esta tudo bem?

Pela primeira vez desde que se conheceram verónica, viu Marguerite corar, era algo tao inusitado que fez verónica sorrir, ela ficava com uma cara tao inocente assim, levemente corada e sem jeito. E Marguerite não sabia se contava algo tao íntimo a loira, mas ao mesmo tempo guardar só para si a estava sufocando e ela não sabia mais o que fazer e pelo jeito nem disfarçar direito estava sendo um sucesso.

— Veronica, eu vou te contar uma coisa, mas se você contar a alguém, saiba que eu acabo com você esta entendido? — a loira arregalou os olhos, mas concordou com a cabeça, estava ansiosa. — A três dias atras quando fomos atacados, depois de cuidar de John, eu tive um sonho, estava em um lugar aqui mesmo nos domínios de tribuno, e John também estava lá, e certas… coisas ocorreram. — Se possível ela ficou mais vermelha ainda e depois de uns instantes Verónica compreendeu o que ela estava querendo dizer ficando ruborizada também. — E cheguei mesmo a pensar que era só coisas da minha mente ate acordar e ir ver John, e ele falar algo que somente quem esteve nesse sonho saberia…

— O que? você esta querendo dizer que ele estava no mesmo lugar que você? — Verónica estava espantada, isso seria possível?

— Eu não sei explicar, ok? — Marguerite já tinha levantado e andava as voltas com as mãos nos cabelos – só sei que ele esteve la também, e agora todas as noites, quando fechamos os olhos voltamos naquele Salão, mas quando acordamos a situação ainda é tao inexplicável que não conseguimos nos aproximar.

Veronica começou a entender o que estava a se passar, por isso o distanciamento, e não sabia mesmo como resolver aquilo, logo iriam embora e como seria na casa da arvore, e mais, como explicar isso, duas pessoas tendo o mesmo sonho no mesmo lugar, como se não fosse um sonho e sim uma outra realidade? O platô tinha sim muitos mistérios, mas ela nunca tinha ouvido algo assim, claro que quando Malone entrou naquele sonho e foram todos parar a Londres foi uma exceção e também era uma ritual zanga…

— Já tentaram ao menos conversar sobre isso? – tentou a menina da selva.

— Não conseguimos, eu tenho a impressão que se ficarmos sozinhos em algum lugar, não vamos nos controlar, é mais forte que nós mesmos.

E frustrada a morena caiu sentada, porem na hora que Verónica ia falar algo , a porta atras de si abriu-se trazendo os rapazes e tribuno, que falavam de algo sobre as terras, o olhar do caçador foi direto para a herdeira que ainda estava vermelha pela conversa com Verónica, a mesma o olhou de volta e a tensão no ar era palpável, mas não era um tensão de coisas ruins, mas de uma sensação de ansiedade, Verónica que agora sabia da situação começou a sentir ate a sala mais quente, se abanando com as mãos, o que atraiu o olhar de Malone que a olhava estranho. Estava esse calor todo?

Todos começaram a se sentar em torno de uma mesa de centro que tinha naquela sala e em poucos minutos servas trouxeram alguns vinhos e aperitivos, não interrompendo a conversa de tribuno com George que lhe falava de modificações para que o local ficasse mais seguro e mais habitável, Malone também conversava com Verónica tentando descobrir o que estava a acontecer, e demorou uns instantes para Roxton notar que o único lugar vago era ao lado da herdeira que o olhava ansiosa, ao se sentar suas peles se tocaram e automaticamente as lembranças atingiram os dois.

Eles não olhavam os amigos em volta, estavam hipnotizados pelos olhos um do outro, a respiração deles ate estava suspensa, ela chegou a morder o lábio de tensão chamando a atenção do caçador para o local, ele tinha que se controlar! Ela cuidadosamente por baixo da mesa escorregou as mãos delicadas e pequenas segurando a dele, eles não poderiam viver assim, então tinha que testar seus limites, em menos de um segundo o mesmo correspondeu sua caricia, apertando forte as mãos da mesma, que eram tao pequenas comparam as dele.

Foi instantâneo, o arrepio consumiu os dois, fazendo a boca da herdeira secar e o coração do lorde ficar acelerado, eles tinham que sair dali, eles não tinham como negar aquilo, não sabiam o que estava a acontecer mas não podiam mais evitar… quando ele começou a fazer o movimento de se levantar para tira-los dali, ouviu ao longe alguém chamar seu nome.

Ele tentou ignorar, mas o chamado continuou, e quando se virou com a cara fechada viu que quem o chamava era Charllenger e o mesmo ate recuou um pouco com a cara do lorde, será que ele tinha interrompido algo?

— Hã... Roxton estava a dizer a tribuno que você conhece algumas defesas que poderiam ajuda-lo… — o caçador não queria falar nada daquilo naquele momento… ele só queria sair dali com Marguerite e nada mais…

Ele respirou tao fundo, que todos prestaram atenção em seu gesto, ate mesmo Verónica e Malone que estavam conversando sobre um assunto paralelo, a herdeira com esse gesto não pode evitar de rir, sabendo o quão John estava evitando não ser grosso por terem sido interrompidos mais uma vez…

— Sim, eu sei algumas coisas…podemos discutir isso em outro lugar então e deixar eles aqui descansando, não precisam ouvir essas coisas…- ele se levantou com um pouco de ajuda pois o ferimento ainda não estava plenamente cicatrizado, foi em direção a porta com tribuno, mas antes de sair lançou um olhar profundo a herdeira, que novamente mordeu o lábio, em sinal de nervosismo.

E vendo tudo aquilo Verónica não poderia ficar parada, ela tinha que ajudar de alguma forma, senão os amigos não conseguiriam, conviver bem com toda essa tensão acumulada, e com isso ela olhou para Ned com um sorris tao estranho que o jornalista sabia que a loira realmente estava escondendo algo, ele só não sabia que faria parte de todo esse plano.

Naquela tarde eles decidiram que aquele seria o último dia ali, tribuno estava a ser muito hospitaleiro, mas queriam mesmo era retornar a casa da arvore, John já estava um pouco melhor e já não havia riscos de seu ferimento se abrir.

Naquela noite Roxton correu para seu quarto desviando de qualquer um que quisesse para-lo para uma conversa, Marguerite também não estava com muita conversa aquela noite e se retirou cedo, inventando uma desculpa que tinha que dormir para saírem cedo pela manhã. Mas sabiam que a vontade era de fecharem os olhos e se encontrarem novamente, naquele lugar tao deles que nada nem ninguém poderia interrompe-los.

A sala continuava a mesma, com a mesma penumbra da noite e somente a luz da lua e algumas velas para iluminar o lugar, as almofadas no chão continuavam as mesmas, mas eles já não ligavam mais para isso, os dois chegaram ao local ao mesmo tempo, porem ela estava de costas e não o viu.

O desejo e a ansiedade dentro de si queimavam de uma forma que ele não sabia explicar, por isso não esperou e a segurou por trás cheirando seus macios cachos negros, e a apertando dentro de seus largos braços. Naquele lugar não havia palavras, mas elas nunca eram precisas entre eles, pois só com o olhar eles conseguiam transmitir tudo. Desta vez ela também estava ansiosa, e não demorou para se virar e infiltrar as mãos nos cabelos curtos o puxando para mais perto de si, os lábios ansiosos se encontraram em um beijo urgente, querendo que aquilo não passasse de um sonho, e que logo eles pudessem na vida real saciar seus maiores desejos.

Os raios da manha chegaram mais rápido do que o esperado e logo mais uma vez frustrados os dois acordaram, arrumando suas coisas para a viajem de volta.

— Tribuno muito obrigado pelo convite, apesar de tudo foi deveras interessante. — Agradecia Roxton com seu sorriso de sempre, Marguerite estava impaciente, e queria logo sair dali, ainda mais com tribuno fazendo gracinhas com ela e lambendo a sua mão, o que a deixou enojada com o gesto e tirando risada dos outros.

O dia estava bonito e com um sol quente, mas que não incomodava muito pois tinha uma leve brisa fresca, prováveis sinais de que logo uma chuva de verão chegaria ao planalto. Todos estavam dispersos em pensamentos, e sem perceberem todos envolvidos entre si, Marguerite pensava em Roxton, e o mesmo pensava nela, Verónica pensava em um plano que estava desde ontem a ver detalhes com Malone, e o mesmo não entendia muito bem os detalhes, mas fazia de tudo para agradar a menina da selva, por isso logo concordou com tudo. E George, bem... ele estava mais uma vez nos pensamentos científicos dele e não se apercebia de nada.

Caminhavam em silencio atentos aos barulhos da selva, e sem notarem o anoitecer chegava, caminhar a noite não era tao inteligente e resolveram montar acampamento, mas nem isso estava como deveria ser, pois Marguerite sabia que se dormisse ela ficaria sozinha naquela sala, já que John mesmo magoado se ofereceu para a fazer a guarda e ele nunca dormia completamente quando isso acontecia.

Apos o jantar todos foram para suas barracas, e o caçador se sentou perto da fogueira como sempre, abaixando a aba do chapéu e fechando os olhos, mas atento a todos os movimentos, querendo mesmo era dormir para encontrar a herdeira que ficaria sozinha naquela noite. Porem o mesmo não percebia que Marguerite não conseguia dormir, de tao inquieta que estava, por diversas vezes tentou fechar os olhos, mas o corpo e e a mente pareciam saber que o caçador não estaria la para a esperar.

Veronica que dividia a barraca com a mesma, começou a ficar impaciente de tanto que a herdeira mudava de lado tentando achar alguma posição que a agradasse, ate que por fim sentou irritada:

— Marguerite pelo amor de Deus, se não consegue dormir, vai la fora com o Roxton, e converse com ele, mas eu preciso descansar! – a herdeira a olhava aflita, pois tudo que ela menos queria era sair da barraca e ficar la fora sozinha com John, mas o olhar de Verónica era bem firme e ela não teve escolha senão se vestir e sair.

Ela mal fechou a entrada da barraca e parou no lugar, o mesmo não havia se mexido e nem dado indícios que sabia que ela estava ali, com os dedos finos ela apertou o cobertor que estava em suas mãos dando passos silenciosos, mas fora inútil, logo o caçador levantou o rosto e endireitou o chapéu a olhando curioso, e depois com desejo.

Roxton não sabia o por que, mas sabia que a herdeira estava bem perto de si, era como se um íman o puxasse ate ela, e foi só levantar os olhos que a encontrou parada, meio acuada como uma presa indefesa esperando algum movimento para poder correr o mais rápido possível, alem de curioso o caçador teve seus instintos ativados, e o desejo de ir atras de seu alvo corria em suas veias. Era bem primitivo se fosse ver, a mulher que tanto se escondia e se defendia de todos estava acuada como se fosse frágil e indefesa.

Com movimentos lentos ele se levantou deixando o rifle de lado e andando ate ela, que não conseguia se mexer mesmo que desse ordens a suas pernas, estavam a poucos centímetros um do outro as respirações se misturavam, e parecia que ate a selva estava em pleno silencio.

— O que você faz aqui fora Marguerite? — A voz rouca não passava de um sussurro, tao baixo que era como se não tivesse forças para pronunciar nada, exatamente como no Salão de baile.

— Eu… bem... eu não conseguia dormir e a Verónica queria descansar... então eu vim cá para fora.

Respirando fundo Roxton ponderou, poderia tira-la dali se embrenhar na mata, puxar seus sedosos cabelos para mais perto, faze-la sua, sem interrupções, mas ao olhar para os olhos verdes que brilhavam em dúvida sobre os próximos movimentos ele esqueceu tudo, e aquele instinto de proteção que tinha sobre ela veio mais forte que qualquer desejo carnal.

— Venha vamos nos sentar, quem sabe assim você não pega no sono. — E delicadamente ele a puxou pela mão a levando para onde estava sentado antes, e a cobriu, apoiando sua cabeça em seus ombros e a rodeando com os braços, o cheiro dos seus cabelos lhe trouxe uma calma repentina, e as batidas do coração ritmadas do caçador foram tao relaxantes que logo ela dormiu. E desta vez não foi para sala nenhuma, somente envolta no sono mais profundo que havia tido nos últimos 4 dias.

Veronica espiava pela fresta da barraca e sorriu, Roxton a surpreendia cada dia mais, e agora já sabia o que tinha que fazer, assim que chegasse a casa da arvore colocaria o plano em prática.

De manha como conhecia Marguerite mais que ninguém tentou acorda-la pois sabia que a morena não gostava de olhares questionadores para cima de si, e ela tinha que voltar a barraca, porem ela só resmungou e voltou a se aconchegar nos braços do caçador que sorriu divertido para ela, por isso mesmo com o machucado ainda sensível ele se levantou e a pegou no colo, causando um incomodo que ele ignorou a levou para a barraca onde Verónica já estava acordada, e o olhou divertido também fazendo sinal com o dedo como se fosse um segredo entre os dois, o caçador sorriu mais e deitou a herdeira em suas mantas deixando um delicado beijo em sua testa, e saindo com Verónica para começarem ma arranjar as coisas e partirem para casa.

Marguerite estava de ótimo humor o que era diferente do habitual dela, ate por que estava a dias sem café, mas havia dormido tao bem, que nada poderia tirar o seu humor, em apenas alguns minutos estariam na casa da arvore e nada poderia deixar ela mais feliz. Teria um bom banho, suas coisas, e sua maravilhosa cama, e olhando de canto vendo John, mais tempos sozinha com ele.

Roxton que ia atras sentia já um certo incomodo no seu ferimento desde que se esforçará para pegar Marguerite no colo, mas como sempre ignorava, porem já estava ficando um incomodo bem dolorido, mas não ia parar os amigos por algo que achava ser bobagem, até que Marguerite se virou para olha-lo e parou abruptamente, ficando mais branca que o normal.

— John! – a preocupação na voz dela chamou a atenção dos outros que viraram para o amigo, e o mesmo não entendia o que se passava, até Marguerite correr para ele e tocar seu ferimento causando um som de dor da parte do mesmo, e quando ela levantou as mãos, elas estavam banhadas em sangue. — O que houve? por que sue ferimento voltou a abrir?

Veronica ia abrir a boca, mas o olhar do caçador para ela a fez se calar, os dois sabiam muito bem que foi quando ele se esforçou para carrega-la ao colo.

— Bom Marguerite eu não sei... não tinha reparado para falar a verdade. Estamos bem perto da casa da arvore e com isso lá poderemos ver melhor. Vamos continuar sim...? — a herdeira continuou a olha-lo com preocupação e olhou para George esperando que ele disse-se se poderiam esperar ou não, e se nada aconteceria, o mesmo estava analisando o tempo de chegada a casa da arvore e o sangramento e fez um sinal afirmativo de que daria para esperar.

Marguerite então pegou o rifle da mão de Roxton a contragosto, e entregou a Malone, e passou as mãos em volta do corpo que era bem maior que o seu num intuito de apoia-lo, como se o mesmo estivesse com dificuldades de andar, o gesto para o caçador foi definitivamente muito querido, pois ele estava em plenas condições de andar, mas não ia negar os cuidados. Logo em menos de talvez uma hora eles chegaram a casa da arvore e agradeceram por não terem encontrado nenhum perigo pelo caminho ainda mais com John naquele estado.

A herdeira preocupada já o sentou em uma das cadeiras e sem esperar autorização já foi abrindo os botões de sua camisa, afoita para ver o ferimento, ele tentava segurar suas mãos, mas a mesma era mais rápida e logo ele estava com o tronco nu, e as pequenas, mãos vagueavam para tirar as faixas que envolviam o ferimento. Ele tentava pensar em outras coisas bem tristes pois as mãos quentes dela o tocando, traziam imagens a sua mente que naquele momento não eram as mais apropriadas.

Ela quando viu o ferimento suspirou de alivio, não era nada muito grave e o ferimento estava bom, somente um dos pontos abriu, mas com era em uma área abdominal tinha saído mais sangue do que o esperado, a mesma empurrou o lorde para o banho, para desinfetar a área, e quando ele saiu, fechou novamente o ponto que tinha aberto, colocando uma pasta de ervas frescas e enfaixando novamente com novas bandagens, ninguém se aproximou, pois a mesma rodeava o caçador cm um nível elevado de superproteção que não quiseram intervir.

Marguerite fez ainda Roxton comer um pouco de sopa que Verónica havia feito, e depois lhe deu um dos chás de Summerle que relaxava o corpo e o faria dormir em poucos minutos, e a última imagem que o caçador viu antes de apagar completamente foi os lindos olhos verdes que sorriam para si.

— Como Roxton esta Marguerite? – já fazia algumas horas que eles haviam retornado e ate ver John bem a herdeira não havia descansado nem comido e agora estava a mesa com Verónica tomando uma sopa, para poder tomar um banho e ficar de olho em John durante a noite.

— Esta bem Verónica, talvez eu tenha exagerado, o corte em si esta bem, não tem inflamações e somente um dos pontos abriu, creio que em dois dias ele ficará bom, mas vocês acham que eu não percebi a troca de olhares entre vocês os dois? Na hora em que perguntei por que o machucado tinha aberto? — O olhar fixo que a herdeira lhe deu, causou arrepios pela espinha, verónica sabia que Marguerite era perspicaz, mas que tinha olhos na nuca era novidade – Eu sei o que causou o rompimento dos pontos Verónica, e é por isso que somente eu vou cuidar dele. — E sem dizer mais nada a bela morena se levantou e foi tomar um banho a noite seria longa e ela queria estar preparada.

Desde então dois dias haviam se passado e Roxton já estava ótimo, não podia ainda forçar muito os ferimentos, mas já não precisava ficar na cama como Marguerite o obrigava, e foi ai que Verónica viu a chance de colocar seu plano em pratica.

— Bom meus amigos, acho que faz tempo que não vamos a aldeia zanga, tenho saudades de Assai, e seria bom uma visita, vamos comigo Ned? Professor?

— Por que não vamos todos? – perguntou Marguerite curiosa sem entender por que ela e Roxton ficariam para trás.

— Roxton acabou de se recuperar Marguerite, e na seria bom caminhadas ainda, e alguém tem que ficar e cuidar dele, e como sempre o Charllenger é útil na aldeia zanga, e Ned já tinha me falar que queria ir, so sobra você para cuidar dele.- o sorriso de Veronica era resplandecente, o que fez a herdeira enrugar a testa em desconfiança. Mas John não estava ligando muito, não queria ir mesmo e ficar com a bela morena só para si, sempre lhe causava uma sensação gostosa no estomago.

O mais surpreendente é que Verónica já tinha as coisas arrumadas e Ned também, era como se só George tivesse sido pego desprevenido, mas logo arrumou suas coisas e eles partiram logo apos o almoço.

— Verónica eu não sei se você percebeu, mas não conseguiremos voltar antes de dois dias pois olhe essas nuvens, vai cair uma chuva pesada; — disse o professor com o senho franzido, não seira ideal saírem com esses tempos.

— Eu sei professor, por isso temos que nos apressar em chegar a aldeia zanga. — disse ela com um sorriso malicioso. Desde que saíram das terras de tribuno ela vinha observando o clima e sabia que em poucos dias choveria, por isso esperou os primeiros sinais, e assim que teve a confirmação que choveria em poucas horas ela planejou deixar a casa da arvore e a deixar somente com os dois la dentro. Não sabia como eles se arranjariam, mas esperava que desse certo.

Não havia muito a ser feito na casa da arvore, então a herdeira resolveu ir ate a horta, pegar alguns legumes par aquém sabe tentar cozinhar algo, já que cozinhar nuca era sua especialidade.

— Bom John eu vou descer, fique ai que eu já volto.

— Espere! eu vou com você… — ela revirou os olhos com essa preocupação boba mas não discutiu, e juntos foram até a horta, ele se encostou na arvore e observou ela trabalhar em silencio, estavam sozinhos, e isso era mais um motivo para ele se controlar, noite passada ele sonhou com ela, mas não estavam mais naquela sala, mas a intensidade das coisas eram as mesmas, descobriu de manha o porque ela não tinha aparecido no sonho, já que passou a noite inteira acordada olhando por ele. E sozinhos agora ele não poderia se aproveitar dela, já que a mesma não dava nenhum indicio, ou se queria algo disfarçava muito bem., olhando agora por esse lado, a felicidade que sentiu quando viu que ficariam sozinhos sumiu, pois não queria ficar sozinho com a pessoa que tirava seu sonho e embaralhava suas emoções, não conseguia pensar direito com ela tao perto e o perfume de flores doce que emanava de seus cabelos e de sua pele.

Marguerite era um ser indescritível, só Deus para entender o tanto de segredos que ela escondia, e para aguentar o mau humor que toma manha ela demostrava, era arrisca que nem um gato e perigosa que nem uma cobra pronta para dar o bote, mas também algo nela em todo a esse caos o atraia de uma forma surreal. Queria sempre ir mais e mais longe, e tentar destruir todas as barreiras que ela tinha em torno do seu coração. E por incrível que pareça a mesma mulher que parecia não ser alcançável, era tao doce e terna, em seus atos, as mãos delicadas também eram fortes e o corpo que parecia se quebrar já tinha aguentado várias lutas, quando Summerle estava entre eles, ela demostrava um carinho que quem olhasse pela primeira vez não saberia se realmente se encaixava com sua personalidade. E nessa bola de emoções todas que ele a queria mais e mais, e estava tao perdido nesses pensamentos que não viu a mesma parada em sua frente a uns bons minutos com as mãos na cintura, esperando ele para entrarem novamente.

— John…? John… John! — na terceira vez e com o berro que deu ele deu um salto de susto, encarando o belo rosto que estava emburrado – pare de sonhar acordado e vamos entra logo a chuva vai cair e não quero me molhar.

Mas não deu tempo, ela mal terminou a frase e um trovão no céu desabou uma chuva forte que em segundos deixaram eles molhados e como não poderia correr ainda e ela não o deixaria para trás, chegaram encharcados ao elevador da casa da arvore.

Ele saiu primeiro e estava distraído tirando a camisa que não viu que ela fazia o mesmo atras de si, por isso quando ele se virou para lhe falar das roupas molhadas as palavras sumiram de sua boca, ela já estava sem a blusa e só usava o bustie que por conta da chuva estava colado em seus contornos delicados, a saia também grudava em suas pernas o que deixava pouco a imaginação, e que el já sabia de cor tudo que tinha ali em baixo, os cabelos negros caim molhados pelas costas mas ele podia jurar que a chuva deixava o cheiro das flores mais acentuado. As mãos dele começaram a tremer ele não podia atacar ela assim, mas talvez dessa vez se controlar seja mais difici9l do que ele podia imaginar.

E num suspiro alto e em três passos largos ela a agarrou pela cintura infiltrando seus dedos nos cabelos longos e levantado o pequeno rosto que o encarava com surpresa, mas no fundo dos olhos havia algo mais, como se também não aguentasse mais esperar aquilo.

— Marguerite… eu…- mas ele não terminou de falar pois a mesma se colocou na ponta dos pés para colar o corpo junto ao dele e o beijo tao esperado de dias estava finalmente a acontecer, os lábios já sabiam o que fazer como se fosse algo comum para eles estarem se tocando, mas nada poderia descrever a sensação da realidade comparada aos sonhos que eles tinham, o calor da pele era diferente e o arrepio que os atingiu também era surreal.

Mas John iria com calma com ela, era seu bem mais precioso, e em seus sonhos eles já tinham ultrapassado todos os limites, mas a vida deles não era composta somente de sonhos, era real, e na realidade ele a trataria com todo amor possível e mostraria o quanto ele a amava.

Ele foi diminuindo a intensidade do beijo mostrando a ela como iria ser as coisas, e o coração dela se aqueceu quando notou o gesto, eles se separaram e se encararam por uns minutos.

— bom meu amor, vamos tomar um banho primeiro, para nos livrarmos desse frio..- ela não sentia frio nenhum naquele momento mas adorou a ideia do banho, cada um retirou suas peças de roupa sem vergonha nenhuma de seus corpos nus, e Roxton deixou a agua bem quente, dando a mão para ajuda-la a entrar, a gau quente causou uma sensação maravilhosa na pele gelada deles, o vapor que subia os rodeava dando um clima mais sensual e logo os lábios do caçador estavam nos ombros e no pescoço da herdeira que o abraçava pelos ombros deleitando-se com as caricias, ele pegou um dos gel de banho que ela tinha ganhado de Charllenger e logo que abriu o vidro o cheiro delicioso e característico dela subiu no ar, ele começou a massageá-la deixando todos os pontos sensíveis clamando por atenção. Os lábios voltaram a se unir, e a sensação era prazerosa demais, pois as mãos de ambos com sabão não paravam de se acariciar, aumentando o prazer dos dois.

Ele a queria tanto! mas não a tomaria ali, por isso fechou a água o que chamou a atenção da herdeira que tinha os olhos curiosos, ele a ignorou e pegou uma toalha secando os cabelos longos dela e sua pele, descendo sobre a barriga e as pernas e por fim a enrolando, ele também se secou, e a cada minuto a ansiedade dela crescia mais e mais, por que ele não fazia logo algo com ela ? será que tinha algo errado? Será que tinha se fechado tanto que John não enxergava mais os sinais de que ela também o amava e queria aquilo tanto quanto ele?

Quando ela abriu a boca para perguntar ele a calou com os dedos, e por fim ela entendeu, não se tratava somente de desejo, era algo que os dois tinham que ia alem disso, acreditava que se fosse só desejo não teriam aquela sala particular em suas mentes, algo que os conectava alem disso, e se naquela sala eles não podiam se falar mas se entendiam muito bem, por que no mundo real precisariam se explicar de algo que seus olhos e seus corpos já diziam por si ?

Ela sorriu feliz, e o puxou para o seu quarto, a chuva la fora era forte e os trovoes cada vez mais alto, mas para eles era como se o momento fosse perfeito, a chuva era somente um som de fundo que os instigava a ir cada vez mais longe, sem interrupções e sem preocupações.

As toalhas foram jogadas no chão assim que ambos entraram no quarto dela, deixando a oportunidade dos corpos se juntarem em um abraço íntimo, apenas eles. Os dedos de Marguerite traçaram o contorno do rosto masculino dele, seus olhos não deixavam de gravar cada pequeno detalhe dele. Era como fazer um desenho, memorizar cada curva e cada expressão dele. Roxton por sua vez, apenas a abraçou com mais força a fazendo colar seu corpo ao dele, suas curvas moldavam tão bem ao seu corpo que era praticamente perfeito.

Então ele a beijou.

Um beijo de puro amor, uma dança mais antiga que qualquer outra coisa. A língua dela o provou, saboreando cada gosto dele e o eternizando em sua mente. John suspirou ao perder o contato com os doces lábios de Marguerite, mas rapidamente começou a adorar com sua boca e língua, beijou os ombros e pescoço intercalando entre caricias lentas e curtas. As mãos dele nunca deixaram o corpo dela, não poderia. Roxton queria gravar cada segundo daquele momento, ele não poderia dizer com palavras o que estava sentindo, era tudo apenas sentimento, como se suas almas finalmente tivessem encontrando a paz. A boca dele nunca se saciou do corpo dela e provar de sua intimidade e descobrir que ela era tão pecuniariamente doce, o fazia delirar de desejo.

A união de seus corpos selou qualquer dúvida que tinham, eles eram feitos um para o outro, em tão poucos minutos e tantas respostas foram dadas. Eles sabiam que no minuto que se conectaram intimamente, quando o corpo dela o recebeu de bom grado, eles sabiam que aquilo estava além de quaisquer pecados carnais, aquilo era de fato amor. Um amor puro e sem igual, ambos não acreditavam nas pequenas histórias sobre o amor e como tudo parecia tão perfeito quando por sorte, encontrava sua alma gêmea, mas naquele momento, no silencio do quarto e no calar da noite. Eles sabiam que agora estavam não apenas apaixonados, mas estavam predestinados a ficarem juntos. Não havia dúvidas, nem medo, as incertezas do coração dela haviam desaparecido, e em um ritmo que os dois conheciam de cor, eles chegaram ao ápice tendo como testemunha a forte tempestade que estava do lado de fora.

Ela logo caiu no sono rodeada pelos braços fortes de sue cavaleiro de armadura brilhante, mas o sono para ele não chegou tao rápido assim, ele não se continha de felicidade e imenso amor, e por hora afim velou o sono da mulher que amava.

Eu não sei se dizer a vocês que mesmo tentando contornar o destino ele ainda consegue nos pregar peças tao surpreendentes que quando vamos ver caímos naquilo que sempre esteve predestinado a nós. Seria o destino deles estarem ali, enquanto a chuva que não era prevista para aquela época se antecipou, pois, também queria ajudar o teimoso casal? ou seria mais que isso? Que uma ligação de gerações estava predestinada a se encontrar naquele platô ou ate mesmo fora dele, independente das escolhas que cada um deles fizesse?

Talvez o platô estivesse sempre a espera que seus hospedeiros voltassem, pois tudo que pertencia ao platô sempre acabava por retornar, de uma forma ou de outra.

Por isso que quando amanheceu o céu estava tao azul como se no dia anterior não tivesse havido nuvens negras de uma forte tempestade, o casal dormia tranquilamente, por fim estarem juntos, os amigos na aldeia zanga não imaginavam que o ato de amizade traria tantas coisas boas no futuro, e bom sair dali, daquele mundo perdido já quase parecia um sonho antigo…

Pois tanto nos sonhos da herdeira quanto do caçador, eles estavam rendidos um pelo outro…

— Sempre serei rendido por você…

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!