Notas iniciais
Último capítulo, sniff...
tenho saudades desta história...
Enjoy...

Jensen ficou em Vancouver por cinco semanas. Aproveitou as férias súbitas para esquiar, descansar e garimpar novidades para tocar na Gênesis. Jeffrey também apareceu, ficou por lá cerca de dez dias e foi bom ter o amigo por perto. Mas estava na hora de voltar a Santa Cruz, a vida precisava continuar e ele sentia saudades do trabalho e dos amigos. Além do mais, não poderia se esconder de Jared para sempre. Sabia que um dia iriam se encontrar e que precisaria enfrentá-lo. Só esperava que isso demorasse tempo o bastante para Jared já ter superado tudo, partido para outro.

Ao chegar, depois de descarregar as malas, a primeira coisa que Jensen fez foi ir à praia, matar a saudade do sol, da areia, do calor. Passou boa parte da manhã caminhando e tomando suco de frutas de seu quiosque favorito. Voltou ao apartamento, tomou um banho relaxante e foi para a rádio, cumprir seu horário, depois de tanto tempo. Era bom estar de volta à ativa e cheio de novidades para tocar.

Jared estava ouvindo a Gênesis quando ouviu a voz de Jensen.

– Boa tarde aos ouvintes amantes do bom e velho rock’n’roll. Eu sou Jensen Ackles e estou de volta das férias cheio de novidades trazidas na bagagem, direto de Vancouver, para tocar para vocês...

“Vancouver”, pensou Jared. “Por isso Steve disse que não adiantaria dizer onde Jensen estava. Precisou sair do país para se esconder.” Não conseguiu evitar sentir uma pontada de dor. Reuniu todas as forças para resistir à vontade de ligar para a rádio e deixar um recado, ou ir até lá e esperá-lo sair.

Resolveu deixar passar uns dias antes de procurar por Jensen, dar um tempo para que descansasse, se ambientasse, antes de tentar uma reaproximação. Talvez Steve o ajudasse. Talvez Jensen o procurasse. Talvez um milagre acontecesse.

Quando Chris chegou do trabalho Jared contou a novidade.

– Jared, vá com calma para não se machucar ainda mais...

– Estou indo com calma. Decidi que vou deixar ele se instalar primeiro antes de procurá-lo, talvez dar uma semana... quem sabe ele tenha pensado a respeito e me procure? O Steve ficou de falar com ele, contar o que realmente houve...

– Jay, não crie expectativas, cara...

– Puxa, Chris, pare de me pôr para baixo.

– Não estou te pondo para baixo, estou sendo realista. Não quero que se machuque ainda mais.

Jared deu um suspiro. Sabia que o amigo tinha razão. Não deveria criar expectativas ou ficar alimentando esperanças. Provavelmente Jensen já o tinha esquecido. Voltado a ser o homem de uma noite apenas. Sabe-se lá quantas noites ele viveu em Vancouver... Uma onda de tristeza invadiu seu coração. Talvez o mais certo fosse desistir de vez de Jensen.

J2J2J2J2

Faltavam duas semanas para o Halloween. Jared não conseguiu evitar pensar que, há quase um ano, ele havia conhecido Jensen na festa da praia. Bastava fechar os olhos que ele via, com perfeição, o loiro de corpo definido e sorriso luminoso vestido de Lanterna Verde. Sentiu-se ainda mais deprimido. Desde a briga com Jensen ele não sabia o que era sorrir, ser feliz. Estava cada dia mais infeliz e cansado. Desanimado mesmo.

Era sua vez de evitar Jensen. Resolveu ir à praia no meio da tarde, pois sabia que o loiro estaria na rádio. Rádio essa que ele havia deixado de ouvir para não se sentir ainda mais para baixo. Jensen, sempre alegre e extrovertido, dava mais certeza de que havia superado Jared, estava dando continuidade à sua vida, coisa que Jared mesmo não conseguia.

Jared sentou-se na areia, encarando o horizonte. Nem a beleza da praia e da natureza que o cercava o animava mais. Ainda assim ficou ali contemplando o mar até perder a noção do tempo. Estava escurecendo quando decidiu voltar para casa. Estava próximo ao calçadão quando avistou Jensen que caminhava distraidamente. Não conseguiu resistir e chamou-o:

– Jensen!

Ao ouvir seu nome, Jensen voltou-se automaticamente. Quando se deu por conta de que era Jared quem o chamava tentou disfarçar, mas era tarde demais.

– Hei, Jen... podemos conversar?

– Não acho que temos o que conversar, Jared.

“Jared. Ele nunca me chama de Jared...” pensou o rapaz, com uma ponta de mágoa.

– Você poderia ao menos me ouvir, Jen? Por favor? Eu sei que errei, que fui um estúpido, bruto, irracional, mas...

– Isso aí nem começa a descrever o que você foi, Jared. Nem o quanto você me machucou, ofendeu com as suas acusações. Sim, porque o Steve me contou do que você estava me acusando. De ter te passado HIV. Eu que sempre, sempre, tomei cuidado, que só deixei o cuidado de lado com você. E se você está pensando no Michael, saiba que eu fiz exames meses a fio depois para ter certeza de que estava bem, faço até hoje, para me sentir tranquilo... – Jensen falava entre dentes enquanto sentia lágrimas nascerem em seus olhos, um nó se formar em sua garganta.

– Jen...

– Você não tem ideia do quanto você me magoou com a sua falta de confiança, Jared. Porque eu sempre acreditei que amor tem a ver com confiança, entende? E você provou que não confia em mim, portanto, seu amor não era forte o bastante, ou eu não merecia essa confiança, Jared? Você simplesmente me acusou sem me dar o direito de defesa, sem sequer cogitar que eu pudesse não ter culpa do que estava acontecendo... – Jensen despejava as palavras com rancor, tomando o cuidado para não levantar a voz, já que estavam na rua. Mas a maneira sussurrada, era ainda a mais dolorosa de ouvir o que Jensen dizia para Jared.

– Por favor, me deixe...

– “Me deixe explicar”? É isso? Pois economize suas explicações, Jared. O Steve já me contou a sua ladainha. “Estava desesperado, bêbado, não sabia o que estava fazendo”, blá blá blá. Não, Jared, para mim chega. Eu te amei muito, como nunca amei ninguém, baixei todas as barreiras por você, me expus, e você... – fez uma pausa e deu um suspiro antes de continuar. — Por favor, me esqueça! – Dizendo isso, deu as costas a Jared e deu dois passos.

– Só se você me explicar por que eu não mereço uma segunda chance! Você mesmo contou que deu uma segunda chance para o Michael que te machucou de todas as formas possíveis! – implorou Jared, com a voz um tanto mais alta.

Jensen parou e voltou, com lágrimas ainda brilhando em seus olhos, implorando para que tivessem permissão para escorrer pelo rosto do loiro.

– Porque você sabia tudo a meu respeito, tudo pelo que passei, eu abri minha vida para você, confiei em você como nunca antes, e especialmente porque você sabia o que passei com o Michael. Porque eu achei que sabendo de tudo o que você sabe jamais fosse capaz de jogar tão sujo, descer tão baixo, a ponto de fazer o mesmo que ele fez – Jensen sofria dizendo tudo isso, mas apesar de ainda amar Jared, sentia necessidade de tirá-lo de sua vida, talvez isso amenizasse a dor que o corroia.

Pensando nisso, Jensen virou-se novamente e começou a caminhar apressadamente em direção a seu apartamento. Não era desta forma que ele havia imaginado o reencontro com Jared, mas foi o que sentiu no momento. Estava confuso, amava e odiava ao mesmo tempo. Bastou retornar a Santa Cruz para que o emaranhado de sentimentos voltasse à tona e o deixasse desnorteado. Talvez Jared merecesse uma segunda chance, sim, mas ele não estava pronto para dá-la. Ao menos não agora. Seu pensamento estava tão desordenado que, quando se deu por conta, estava no meio da avenida com um carro vindo em alta velocidade em sua direção.

Jensen olhou assustado, paralisado pela surpresa. Foi tudo muito rápido. Ele simplesmente sentiu um empurrão que o lançou para a calçada e uma multidão se formou ao seu redor. As pessoas perguntavam se ele estava bem, se tinha se machucado, mas ele não conseguia se coordenar para responder. Ouviu alguém gritar:

– Alguém chame uma ambulância! O rapaz não está respirando!

Jensen sentou-se com auxílio e viu Jared estendido no meio da avenida. Ele havia salvo sua vida, havia empurrado Jensen para que não fosse atropelado e acabou sendo atingido em seu lugar.

– Não... Jared...

Os paramédicos chegaram logo em seguida e conseguiram reanimar Jared. Na ambulância, a caminho do hospital, Jensen segurava a sua mão, mal conseguindo manter seu próprio equilíbrio diante de um Jared de rosto ensanguentado que ameaçava ficar inconsciente a qualquer momento. Sentiu remorso por não ter dado a segunda chance que Jared pediu, sentiu culpa por Jared ter sido atropelado em seu lugar, sentiu-se o pior dos seres humanos...

– Jay, aguenta firme, por favor. Jay, olha pra mim! Você precisa estar vivo para eu te dar aquela segunda chance... Jay... por favor... resista... JAY!

J2J2J2J2

– Gostosuras ou travessuras?

A voz de Jared tirou Jensen de seus pensamentos. Há duas semanas ele achava que nunca mais ouviria aquela voz, quando Jared ficou inconsciente por dois dias inteiros depois do atropelamento. Mas, felizmente, o rapaz era saudável o bastante para se recuperar rapidamente, para espanto da equipe médica. Nada além de uma concussão e uma perna quebrada, haviam dito.

– Hei, Jay. Que tal os dois?

– Quem sabe na volta da festa? Não quero perder isso, especialmente depois de tanto trabalho para me fantasiar.

– Você se queixando do trabalho? Fui eu quem passou uma hora te embrulhando!

– Múmia era a única fantasia que combinava com o gesso da perna, ué! – respondeu Jared em meio a gargalhadas.

– ‘Tá bom, eu mereço. Vamos logo, dona múmia. Eu mandei colocar uma cadeira especialmente para você no meio da praia, assim o peso dos anos e do gesso não te deixam cansada.

– Parece um sarcófago?

– Infelizmente não, mas ao menos é confortável.

– A propósito, Jen, você fica lindo de mago, com essa túnica azul marinho esvoaçante.

– E é gostoso porque entra um ventinho por baixo – respondeu Jensen com olhar sapeca. — Agora vamos. Essa festa de Halloween é especial. Vamos comemorar um ano que nos conhecemos, afinal.

– Jen?

– O que foi, Jay?

– Obrigado.

– Pelo quê?

– Por ter me dado uma segunda chance.

– Nós dois merecíamos essa segunda chance, Jay.

J2J2J2J2J2J2J2J2J2J2J2

Notas finais
Estranho isso de me chamar de autora, já que escrevo por prazer mesmo. Mas aí vai. Em primeiro lugar quero explicar aos leitorinhos que tomei a liberdade de criar certas coisas que julguei fundamentais para a história. Criei para o caso de não existirem, pois não tive muito tempo para pesquisar. Se existem, melhor. Se não, paciência. É ficção mesmo, me senti no direito. Entre essas coisas estão a faculdade de publicidade, por exemplo. E a pequena cantina italiana. E a praia isolada onde aconteceram as festas. Desculpem por isso.
Em segundo lugar quero agradecer a todos os novos leitorinhos que acompanharam esta humilde historinha que escrevi para um concurso tempos atrás. Fiquei em quinto lugar, mas tudo bem, me diverti da mesma forma.;)
Por fim, uma explicação. Eu ia até descrever todo o drama do Jared no hospital e tal, o desespero de Jensen, a recuperação... mas deu pena. Chega de drama pros meus guris, por enquanto. Aí resolvi utilizar o pulinho no tempo como nos seriados, rsrsrs.
Obrigada mais uma vez.
bjos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!