Por Um Momento
2 Capítulo 2: Apenas Um Trato
Notas iniciais
O caminho para o hotel foi sufocante para ambos, ninguém disse palavra alguma, evitando a possibilidade de começar uma discussão. Catherine se concentrou na direção, não se atrevendo a olhar nem por um momento para ele, com medo de que ele pudesse ver toda sua angustia, todo o seu arrependimento de ter deixado essa amizade ficar tão grande a ponto de não deixar se quer um espaçinho para o seu amor.
Nick olhava pela janela, relembrando cada momento que passou com ela. Desde o primeiro dia em que a viu sentiu uma atração, afinal era uma mulher bonita, mas nem passava por sua cabeça fazer algo a respeito. O que aconteceu foi que no decorrer dos anos ele se apaixonou pelo jeito dela, pela companhia dela.
No começo ele pensou ser só carinho de amigos, apesar de a atração continuar lá, mesmo ele tentando expulsá-la ela persistia em aparecer de vez em quando. Isso foi crescendo ao longo dos anos e ele foi ignorando criando uma bola de neve que agora está perto de virar uma avalanche.
Depois de minutos que mais pareceram horas, eles chegam a um hotel na costa leste. Essa área é conhecida por seus restaurantes a beira mar, mesmo as praias não sendo muito bonitas por causa da areia grossa e escura e as águas agitadas do mar não se podia negar sua beleza natural.
Nick salta do carro tão rápido quanto pode, batendo a porta. Catherine suspira imaginando o quanto seria complicado dizer a ele o que Ecklie lhe disse no telefone mais cedo. Ele havia mandado Catherine suspender Nick por não obedecer a um superior, ela tentou convencer a Ecklie que não era necessário e que Nick tinha aprendido a lição. Mas Ecklie não aceitou e disse que se ela continuasse a proteger seus subordinados teria sérios problemas.
Ela sente um aperto no estomago quando imagina o que Ecklie faria se eles tivessem um relacionamento, com certeza mudaria um deles de turno e a rebaixaria isso se ela lhe implorasse para não perder o emprego. Ela balança a cabeça lançando esses pensamentos fora saindo do carro e caminhando ao lado dele para dentro do hotel.
Eles se dirigem ao recepcionista, Nick toca a campanhinha de chamada, mesmo o cara estando na frente deles. O homem gordo em um uniforme vermelho faz uma careta para Nick que faz Catherine sorrir.
- posso ajudá-los? – pergunta o homem com uma voz zangada se apoiando no balcão para encarar Nick de perto.
- queremos dois quartos. – Catherine diz e o homem se vira para ela.
- isso é um hotel o que vocês poderiam querer? – o homem pergunta sorrindo ironicamente.
- olha como fala, cara. – Nick diz se deitando mais sobre o balcão, colocando o dedo no rosto do homem.
- e você vai fazer o que? – pergunta o homem gordo de bochechas avantajadas.
- vou chamar o seu gerente. – Nick diz e começa a bater na campanhinha sem parar. – olha, se você não gosta do seu emprego o problema é seu, eu não te coloquei aqui, mas você tem a obrigação de tratar bem as pessoas.
- Nick, tudo bem. – ela diz tentando evitar mais confusão, mas ele continua a bater na campanhinha até um homem de cabelos brancos em um terno impecável aparecer.
- algum problema aqui? – ele pergunta e Nick se vira para ele, Catherine cobre o rosto com a mão, com vergonha do que Nick estava fazendo, mas achando bom ele a defender.
- o seu funcionário nos tratou com falta de respeito e por isso estamos indo procurar outro hotel.
- não senhor, pedimos desculpas pelo transtorno e o nosso ilustre funcionário como um pedido de desculpas vai tirar do salário dele a diária de vocês. – o homem de terno diz causando uma careta de desapontamento no recepcionista bochechudo.
- isso não será necessário, apenas um pedido de desculpas será o bastante. – Nick diz e o patrão encara seu funcionário, esperando que o mesmo se desculpasse.
- eu sinto muito. – ele diz contra a vontade. Catherine vê como Nick sorri vitorioso.
- mesmo assim insisto que aceitem esses convites para um coquetel que o hotel vai oferecer em parceria com um restaurante na praia hoje às nove horas. Como um ressarcimento pelo transtorno – o dono do hotel diz entregando os convites à Nick que acena em agradecimento e se dirige ao elevador com Catherine logo atrás.
As portas se fecham e os dois amaldiçoam que o elevador estava vazio. Naquele lugar fechado Nick percebe seu perfume, é tão doce e familiar lhe traz boas lembranças dos casos juntos, dos cafés que eles tomavam depois do turno, mesmo com todos da equipe eles se sentiam mais íntimos do que os outros.
Nick percebe quando ela se encosta contra as paredes do elevador ao canto tentando manter a máxima distância entre eles. Ela suspira cansada, ele sabe que ela não está bem e não poder apoiá-la por uma banalidade está o matando, mas ele sente medo de que se começar a falar os sentimentos por anos reprimidos serão lançados fora como uma cascata, pois o que ele mais quer é prensá-la contra a porta desse elevador e fazê-la esquecer toda essa droga de caso.
Embora correndo o risco Nick sabe que não pode deixar isso como está uma hora alguém teria que falar então quanto mais rápido o curativo é puxado menos dói, porém não nesse caso onde a ferida continua aberta. Ele sabendo o quanto orgulhosa ela é e que isso não partiria da mesma ele decide acabar logo com isso.
- Cath... – sua voz suave faz o corpo de Catherine se arrepiar e lentamente ela abre os olhos na direção dele, deixando que ele veja tudo que estava sentindo. – desculpa. – Nick sussurra, não querendo entrar em detalhes que puxassem o assunto confiança para fora, sabendo que seria o motivo de decepções e amarguras.
- eu sei que coloquei a investigação em risco. – ele completa abaixando a cabeça.
- colocou mesmo, mas o pior de tudo foi o risco que você correu. Eu sou a supervisora é o meu dever cuidar para que todos fiquem bem e ai você persegue um serial killer e... – ela faz uma pausa mais uma vez suspirando tentando voltar sua voz ao tom natural retirando toda a raiva dela. – deus sabe o que poderia ter acontecido, a responsabilidade é minha. – Catherine diz estampando seu medo de perdê-lo, ele não imagina o medo que ela sentiu quando ele levou aquele tiro, seu mundo desabou sobre seus pés. Ela não podia passar por isso novamente.
- sabe, você esta me confundindo, quer dizer isso como minha supervisora ou como alguém que se importa comigo? – Nick pergunta e Catherine abre a boca para responder, mas a porta do elevador se abre ao mesmo tempo e eles saem para o corredor. Ficando em silêncio até que as pessoas ali entrassem e as portas se fechassem novamente deixando o corredor vazio.
- então, desculpas aceitas? – Nick pergunta querendo ter certeza de que estava tudo bem. Eles param em frente ao quarto de Catherine que fica ao lado do de Nick.
- como alguém que se importa com você sim, mas não como sua supervisora. – ela diz com um pequeno sorriso. Seu sorriso encantador, que fazia qualquer turno de merda valer à pena. O sorriso no qual Nick se perdia diversas vezes e se sentia incapaz de não sorrir junto.
- então, vamos fazer um trato? – ela o olha curiosa. – em Los Angeles somos duas pessoas que se importam, e não uma supervisora furiosa e um subordinado cabeça dura, pode ser? – ela sorri, seu sorriso encanta a Nick desde sempre, por mais que ela não sorria muito nesse trabalho.
- tudo bem. – ela diz e seu sorriso aumenta. Nick se sente aliviado que eles não precisariam brigar por causa disso. Fica feliz que a amizade deles é tão forte a ponto de passar por qualquer barreira, ele queria que seu amor também fosse assim.
- ótimo. – Nick diz e se vira para ir ao seu quarto.
- Nick, espere. – ela pede fazendo Nick se virar para olhá-la nos olhos mais uma vez. – Ecklie mandou que eu suspendesse você. – Catherine pode ver a decepção nos olhos dele ao ouvir suas palavras e lamenta não poder fazer nada a respeito, nem mesmo confortá-lo como ele sempre fazia com ela.
- eu tentei argumentar, mas ele não aceitou.
- eu entendo. – ele diz sabendo que ela não poderia fazer nada a respeito. Ele a olha, ela parece cansada, ele não gosta de vê-la assim.
- eu sinto muito. – ela diz o fazendo sorrir em agradecimento.
- vejo você mais tarde. – ele diz balançando os ingressos que tinham ganhado.
- oh, não, acho melhor não. – Catherine diz tentando fugir de ficar tanto tempo perto dele. Essa paixão já estava à flor da pele depois de todos esses anos, bastaria uma faísca para criar um incêndio.
- fim de papo! Concordamos em ser duas pessoas que se importam lembra? Faz parte de se importar jantar com os amigos e saber como andam as coisas. – Catherine sorri vendo em seus olhos que isso terminaria mal, mas ela não tinha como fugir, Nick não deixaria que ela o fizesse.
- até – ele diz se virando.
- até. – ela sussurra quando ele entra em seu quarto fechando a porta atrás dele.
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