Por Um Dia

15 Reaprendendo a Viver


Notas iniciais
Guilherme é um político ganancioso que há muito desaprendeu o que é o amor ao próximo, mas talvez ele possa descobrir novamente a importância do bem.

Certo dia, em um país não muito distante, havia um homem chamado Guilherme, cuja profissão lhe dava poderes para fazer a diferença na vida de uma população que sofria com a pobreza e a diferença social. Egoísta e preconceituoso, tratava mal seus subordinados e não tinha tempo para a sua própria família. Seus filhos sofriam com a sua ausência.

Só se importava com seu enriquecimento, aumentando sua fortuna à custa do dinheiro público.

Na época das eleições, sempre prometia mais nunca cumpria, tinha a audácia de enganar as pessoas.

Logo pela manhã, mal olhou para sua esposa que dormia ao seu lado, tomou seu banho, se vestiu e reclamou da camisa que estava um pouco amassada. Tomou seu café e se foi, sem ao menos dar bom dia para quem o servia há muito tempo.

O motorista estava aguardando, abriu a porta do carro e lhe entregou o jornal. Em troca, Guilherme nem deu um mísero “obrigado”, só falou que estava com pressa.

Em alguns semáforos, havia pessoas vendendo algumas coisas e outros pedindo dinheiro. O país estava enfrentando uma crise muito séria, mesmo assim ele continuava desviando dinheiro público, contribuindo para a pobreza do país.

No trajeto, o carro se deparou com um caminhão que o jogou para frente de um posto. E com a batida ele ficou desacordado. Depois de um tempo, Guilherme acordou, mas não estava em seu carro e suas vestes tinham mudado. Então ele exclamou:

— Meu Deus! Onde estou? — Era um cenário desumano. Um barraco embaixo de uma ponte.

Ele se levantou achando que era um pesadelo, deitou-se novamente, perplexo, e clamou por Deus. Há muito tempo, ele tinha se esquecido de que Deus existia. Os reais valores da vida foram desaparecendo e a ganância de querer sempre mais foi ocupando seu lugar. Começou a chorar e viu muitos carros passando na avenida e do outro lado. Avistou outras pessoas que se abrigavam embaixo da ponte e resolveu ir até lá.

Enquanto caminhava até o outro lado da ponte, começou a falar sozinho, e bem alto por sinal, se perguntava o que estava acontecendo e se isso tudo era uma brincadeira de alguma rede de televisão.

Chegando ao outro lado, um moço que estava junto com os demais se aproximou de Guilherme e ofereceu algo para comer. Ele, porém, negou, falando que todos estavam loucos. Observando que tudo era real, começou a chorar e os demais que estavam sentados ofereceram um abraço. Guilherme nunca se sentiu tão amparado, o que mais o surpreendeu foi ter percebido que não conhecia ninguém.

Perguntou para um homem porque eles se importavam com uma pessoa desconhecida, o homem respondeu que não fazia diferença, que para Deus todos somos irmãos e todos compartilham do mesmo sentimento de dor.

Então se sentaram ao lado de outras pessoas que estavam esperando a água do café esquentar na fogueira. Todos se apresentaram e contaram suas histórias, relatando suas dificuldades que os levaram para aquela vida. Ele ouviu e sentiu muita culpa, deixava de fazer muita coisa para a população que lhe foi confiada. Um dos homens, aparentando ter mais de sessenta anos, falou dos reais valores que Deus quer para a humanidade e outros falavam de amor, paz, esperança, fé para o bem maior, os recursos que a Terra que nos abriga nos oferece, principalmente falaram de respeito a si próprio e a todos os seres. Muitos deles acreditavam que o país poderia ser feliz e próspero, mas para isso era necessário ter respeito e honestidade com todos.

Guilherme sentiu um aperto enorme no coração e fez uma oração para Deus lhe dar outra oportunidade de fazer tudo diferente. E depois de muita conversa, ele se deitou e quando acordou estava no hospital cheio de aparelhos e muita tecnologia. No entanto, prometeu a Deus e para si mesmo que a partir daquele momento seria um homem com os reais valores na luta pelo bem maior.

Notas finais
Olá, garoto. Você não sabe o quanto eu fiquei feliz quando você decidiu participar! Assim como em tudo o que você faz, eu sabia que você daria o seu melhor nisto, e tinha razão. O texto é como você: modesto, mas certeiro, do tipo que sempre surpreende do jeito certo. Continue assim e nos dê sempre o gosto de sua presença.