Por Trás daquela Porta !
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Muito longe dali, depois de uma decisão tão firme e convicta, podia – se imaginar que tudo estava relativamente bem.
Mero engano.
Assim que Sara decidiu enviar aquela mensagem, se convenceu que era tudo o que precisava fazer. Parecia a coisa certa, tinha pensado tanto, ele precisava ser feliz também … ela precisava soltar as amarras que o prendia a ela. Não era mais um relacionamento.
Sentada à mesa do jantar com todos reunidos, falando muito alto, atropelando as palavras, ela não conseguiu se sentir tão bem, como descrevera.
Havia sonhado com ele a noite anterior e agora não conseguia parar de pensar.
Os olhos azuis a atravessando, as palavras certas, na hora certa, a inteligência aguçada que a fez se apaixonar tanto por ele.
Tinha milhões de motivos para reconhecer que ele era inesquecível. A decisão dela começou a pesar, balançar suas estruturas.
Ela pediu licença a todos e foi para sua cabine. Remexeu em suas coisas e encontrou uma foto que haviam tirado há tempos atrás.
Ele sorria abraçado a ela pela cintura, ela sorria também com as mãos sobre as dele.
Encarou aquela foto e decifrou cada milímetro daquele rosto tão amado. Parecia realmente bem feliz, assim como ela.
Em que ponto se perderam ?
Sentiu uma pontada no coração, muito aguda, quanto pousou seus olhos em sua boca. Podia sentir o gosto dele, o cheiro delicioso de sua pele, a rigidez do peito forte encostado a ela.
Ela fechou os olhos e se lembrou de um momento muito doce.
Eles voltavam para casa depois de um turno muito difícil.
Ele ligou para ela e se encontraram no alto de uma montanha para ver o nascer do sol.
Se lembrou com perfeição, o tom do céu naquele final de madrugada e início de um novo amanhecer. Eles pararam seus carros e desceram, encantados com a paisagem que se descortinava à frente.
Ele tocou sua mão e acariciou seus dedos.
Naquele momento nada parecia mais importante, a força da natureza os embalava, o impossível não parecia existir. Olhar a cidade lá em baixo, a névoa se dissipando, reflexos dourados desenhados tão perfeitamente, lhe deu uma sensação tão grande de bem estar. Estava frio. Ela se agarrou a ele.
_Você está com frio, querida ?
_Sim, um pouco.
Ele tirou sua jaqueta e acomodou a pesada peça em seus ombros magros. O cheiro dele naquele tecido tocando sua pele era quase que um delírio.
Ele então se enroscou por trás dela e a apertou contra seu corpo.
_Assim está melhor ?
_Muito melhor !
Ele beijou seu ombro com tanto carinho. Ele era tão doce, tão gentil …...
Uma lágrima passeou pelo seu rosto abaixo, ela não poderia se sentir mais nostálgica.
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