-Tarant está marchando pra extremo leste, ele vai se deparar com a Arquelândia. -Comecei a falar coisas sem sentido. Nem sabia direito se a Arquelândia era ali.

-Ele recuou. Ele está procurando alguma coisa que possa rotular de estopim. -Um centauro disse. Eu nunca tinha visto centauros, mas tinha uma dezena de centauros crianças, duas dezenas de mulheres centauras e uns 40 centauros. As pernas de cavalo eram absurdamente fortes e eles não pareciam desapontar a força em baixo com os troncos definidos. Até as crianças tinham um peitoral começando a ficar definido e pequenos músculos nos braços. As mulheres também pareciam fortes.

-Não poderemos mais andar por Nárnia de dia, de noite teremos que ser absolutamente silenciosos e principalmente, andar em bando e armados. -Disse um anão

-Isso é um absurdo. Terei de mudar toda a minha rotina por causa deles. Demoramos tanto tempo pra conseguir nossa independência, não a perderei agora. -Protestou uma fauna.

-Calma gente, calma. SILÊNCIO!- Pedro teve que berrar. Todos começaram a discutir o que fazer, e muitos gritavam guerra. -Estamos tão aflitos quanto vocês. Estamos tentando pensar em algo o mais rápido que podemos. Nárnia é livre. Ele não pode fazer isso. Mas ao mesmo tempo, se formos tentar uma decisão formal, seremos aniquilados pelo simples fato de que Nárnia é uma terra fantasma pra todos.

-Então temos que fazer Nárnia voltar a ativa. -Comecei a falar e logo me arrependi quando todos os olhos estavam grudados em mim. Mas nenhum deles me fazia ter tanto medo quanto os atentos do Ed.- Temos que voltar a produzir alguma coisa, temos que reerguer um palácio, temos que fazer o comércio recomeçar. Temos que nos mexer e segurar Tarant. E quando digo segurar, quero dizer, fazê-lo se perder mais na floresta. Coloquem pistas no caminho, levem-o até desfiladeiros, montanhas e rios. Façam ele se confundir por mais dois meses e estaremos fortes para tirá-lo daqui sem ele poder fazer nada.

-Ótima ideia Char -Lucia estava satisfeita com a minha ideia e os narnianos pareciam pensar a respeito.

-Mas não temos dois meses. -Começou uma criança centauro. -Eles já tem as tochas. Eles vão queimar tudo hoje a noite.

-Nesse caso, vamos apagá-los antes. -Ed tinha um olhar travesso e eu entendi o que ele quis dizer, mini guerra.

O plano foi aceito e começamos a andar em direção ao exército de Tarant a extremo leste. Ed e eu estávamos sentados no lombo de um centauro. Ele era o mais velho e mais forte do bando. Ele estava me contando sobre as aventuras sendo um fantasma refugiado de Nárnia. Ele falava fantasma como se fosse a melhor piada do mundo, o que de fato era para os nárnianos. Ed agora ficava bem mais perto de mim, o suficiente pra conseguir abraçar a minha cintura e ficar com a cabeça no meu ombro.

Quanto mais andávamos, mais medo eu tinha. Ed tinha proíbido eu e Lúcia de entrar na mini guerra. Tínhamos que cuidar das crianças. Ed tinha me jurado que se cuidava, e que se algo desse errado, Pedro protegia ele. E se algo desse algo errado com Pedro? Era isso que eles tinham esquecido.

Paramos a 250 metros de onde o exército repousava. A mini guerra não tinha como intuito matá-los, mas assustá-los, deixá-los sem reação, desarmá-los e deixar eles inconsientes por algum tempo com uma erva que eles haviam encontrado. Ela fazia a pessoa dormir por 4 dias direto. Rezava pra isso dar certo.

Eu dei um beijo em Ed e fui com Lucia cuidar das crianças, íamos ficar ali escondidas. E foi aí que todos começaram a correr pro acampamento, recolhendo armas, acertando eles com um punhado de ervas na cara. Eu ouvi um tronco se partir perto de onde estávamos, o vulto se escondeu atrás de uma árvore. Era alto e grande. Tarant.

Nem precisei gritar, Susana acertou uma flecha no seu ombro e Ed apagou ele. Enquanto eu corria até Ed, alguma coisa acertou ele na cabeça. E antes que eu pudesse chegar até ele para ver o que era, a coisa me pegou e começou a me arrastar.

Era o chefe das tropas de Tarant. E ele muito maior que o rei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.