Por Teu Amor.

2 A Nova Chapeuzinho Vermelho.


Notas iniciais
Oiiiiiee

A Nova Chapeuzinho Vermelho.

Coisas que a vida ensina depois dos 40

Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para

mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.

A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.

Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...

O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...

Artur da Távola

Capítulo 2

Mordi meu lábio inferior e franzi minhas sobrancelhas pensativa enquanto batucava meu dedo contra a minha penteadeira de madeira branca.Soltei um suspiro frustrado e passei a mão por meus cabelos cor de fogo,olhando meu reflexo no espelho e desejando que uma ideia surgisse bem diante dos meus olhos para acabar com esse jantar indesejado.

–Mio Dio, preciso de uma luz — Sussurrei derrotada apoiando minha testa na bancada da penteadeira.

Faltava poucas horas para o maldito jantar acontecer e eu ainda não tinha a mínima ideia do que fazer para arruinar essa palhaçada toda e espantar meu noivo.

Como se eu fosse casar obrigada e para completar minha desgraça com um desconhecido.

Não caso nem amarrada e arrasta para o altar.

– Tia Lola — Uma vozinha infantil e adorável me chamou da porta do meu quarto, despertando-me das minhas ideias não-perfeitas de como acabar com o próprio jantar de noivado.

Ergui minha cabeça cada vez mais desanimada da penteadeira e fitei minha sobrinha sorridente vestida de princesa.

Isabelle vestia um lindo vestido azul de princesa igual da Cinderela.

Um sorriso surgiu em meus lábios na medida, que as engrenagens começavam a funcionar dentro da minha cabeça. Eu ainda tenho uma fantasia de princesa perdida dentro do meu closet, que usei no aniversário de 5 anos da minha loirinha.

Papai irá ficar louco de raiva.

–Você é um gênio, Isa — Falei empolgada enquanto pegava minha sobrinha no colo e beijava sua bochecha corada.

–Eu sei, tia Lola? — Respondeu sorrindente — Tia o que um gênio?

[...]

Fitei meu reflexo no espelho e sorri ajeitando o capuz vermelho sobre meus cabelos.

– Mio Dio — Uma voz exclamou soando horrorizada da porta do meu quarto.

Virei-me para trás e sorri travessa vendo minha irmã parada na soleira da porta, olhando-me da cabeça aos pés incrédula e com os olhos arregalados.

– Oi, Ka — Cumprimentei ela fingindo inocência — Gostou do vestido? — Indaguei apontando para meu micro vestido vermelho com detalhes em branco e preto.

– Mio Dio, Lorena — Repetiu fechando a porta a trás de si e chegando perto de mim.

– O que?

– Você perdeu o juízo garota? — Murmurou franzindo cenho e ficando séria — O pai vai ter um troço se te ver assim, Lo.

Revirei meus olhos e voltei a olhar meu reflexo.

– Io non perdi o juízo. Papai que enlouqueceu com essa ideia de casamento arranjado — Murmurei distraída ajeitando as meias 78 brancas nas minhas coxas — Além do mais meu vestido é fofo.

– Certamente, que sim — Concordou minha irmã cruzando os braços — Para uma festa a fantasia e não um jantar de noivado, Lorena.

– Io non vou casar, Karen — Afirmei séria, fitando-a através do espelho — Se papai faz tanta questão desse casamento, case ele e não eu.

Karen bufou descruzando os braços.

– Venha. Senta aqui comigo — Pediu sentando na beirada da minha cama de casal e apontou para o espaço ao seu lado — Quero conversar sério com você, princesa.

Sentei-me ao lado dela e Karen segurou minhas mãos nas delas carinhosamente.

– Eu sei que você não quer casar, querida — Karen sussurrou com a voz baixa e carinhosa — Concordo que papai exagerou com essa ideia.

Um nó se formou na minha garganta.

– Eu não quero casar com um desconhecido, Ka. Não quero — Sussurrei com a voz embargada e permitindo que as lágrimas caíssem livremente por meu rosto — Não quero ter uma vida infeliz ao lado de uma pessoa que não sei quem é e suas verdadeiras intenções. Quero casar com alguém que eu ame e o que o sentimento seja reciproco. E não assim.

–Vem cá — Abriu os braços.

Rastejei para o colo da minha irmã, sentindo os braços quentes e acolhedores dela circularem meu corpo em sinal de conforto. Afundei minha cabeça contra o pescoço dela e chorei minha magoa, que eu vinha carregando no meu coração deste que recebi a notícia de meus pais sobre o casamento.

– Sabe, tenho muito orgulho da mulher que você está se tornando, Lorena — Karin murmurou carinhosamente alisando meus cabelos e quebrando o silêncio — Uma linda mulher.

Limpei os últimos vestígios de lágrimas das minhas bochechas com as palmas das mãos enquanto saia do colo da minha irmã e me sentava ao seu lado.

– Você está falando sério, Ka? — Perguntei sorrindo francamente.

– Sim. Muito, princesa — Sorriu — Você é doida e rebelde, mas é madura do seu jeito.

Franzi minhas sobrancelhas e fiz biquinho infantil.

– Io sei que sou rebelde, mas doida Ka? — Perguntei levemente indignada.

Ela riu e apontou para minha roupa. Levantei da cama dando uma volta em torno de mim mesma.

– Chapeuzinho vermelho, Lola? — Minha irmã arqueou uma sobrancelha debochada — Não teve infância não, Lorena?

Crispei meus lábios aborrecida.

– Tive sim, querida irmã — Resmunguei e depois sorri — Papai vai ficar louco quando me ver vestida assim — Ri.

Karen riu também balançando a cabeça negativamente.

– Tem certeza que vai provocar a fera,princesa?

– Sim — Murmurei convicta da minha ideia louca.

– Mio Dio, vou descer para ver isso de perto — Falou ela rindo na soleira da porta, mas antes voltou a me olhar — Aliais, Lola essa fantasia é a que você usou no aniversário de Isa?

Ri balançando a cabeça positivamente.

– Sim.

– Louca — Resmungou fechando a porta atrás dela.

Ri novamente arrumando as fitas do espartilho da fantasia.

[...]

Parei no alto da escada respirando fundo e descendo os primeiros degraus sentindo meu estômago embrulhando e minhas mãos soando na medida, que eu chegava mais perto de encarar papai vestida de chapeuzinho vermelha sexy.

– Buonasera– Desejei parando na frente de todos sorrindo.

Todos presente na sala me olhavam incrédulos e como se eu fosse de outro mundo. Olhei brevemente para minha irmã sentada ao lado da esposa no sofá, que segurava o riso. Myrella sussurrou algo no ouvido de Karen e voltou a me encarar. Mamãe estava com olhos arregalados e a mão sobre o peito. Por último meus olhos caíram sobre papai.

Se olhar matasse, naquele momento Robert Masen teria me trucidado tamanho era a raiva, que seus olhos verdes exalavam na minha direção. O rosto dele estava extremamente vermelho e poderia ser facilmente comparado com a cor dos cabelos ruivos dele.

Mantive minha pose de ninguém-pode-comigo com as mãos na minha cintura, quando, na verdade por dentro eu estava pela primeira vez morrendo de medo da reação dele. Eu nunca havia o desafiado tanto assim.

Mas foda-se meu medo.

Porque casar eu não caso nem sobre sentença de morte.

Ergui meu queixo tentando parecer confiante por fora, porque por dentro eu tremia na base.

– Tia Lola estou combinando com você — Minha sobrinha falou quebrando o silêncio mórbido, que formou-se na sala deste minha chegada, e apontando para sua fantasia de branca de neve sentada no colo de Karen.

– Está linda, meu amor — Murmurei jogando um beijo para minha loirinha encapetada.

– Está linda, Lorena — Murmurou uma voz desagradavelmente conhecida e rouca -Aliais, que belas pernas.

Olhei incrédula para aquele abusado britânico.

– Ciò che rende Blake abusato qui?– Perguntei indignada e assustada com a presença daquela coisa abusada.

(O que você faz aqui Blake abusada?)

– Vim jantar com minha noiva e a família dela — Murmurou rouca com os lindos olhos negros olhando descaradamente para minhas pernas cobertas com a meia 78 brancas.

– O que?! — Exclamei horrorizada fitando Hope, que carregava um sorriso torto no rosto delicado e perfeito.

Maldita britânica charmosa e seu sorriso perfeito!

Sou um poeta
E não aprendi a amar..

Cassia Eller

Notas finais
Eita kkkkk Barraco no próximo capítulo. Bjusss