Por Que Você Não Sai Da Minha Cabeça?
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
Não me responsabilizo por danos a leitores após a leitura.
Se gostarem, comente e favorite por favor.
xoxo
Meu nome? Não sei, só sei que sou filha de Melina Allen e Georgie Peter namorados do colegial. Eles eram completos malucos mas um completava o outro com seus defeitos e qualidades. Nunca outro casal do colégio poderia chegar aos pés deles por serem tão bons gentis e simpáticos com todos os outros, mas a pior crueldade que fizeram foi comigo a primogênita deles, o sangue de seus sangues, aquela que daria tudo que fosse preciso em troca de um simples "obrigada".
Minha história começa bem antes deu ter nascido. Melina e Georgie eram desconhecidos e nunca haviam se falado antes, se esparravam pela escola, se viam todos os dias, porém não estudavam na mesma sala mas possuíam amigos em comum que os apresentaram formalmente depois de algum tempo de troca de olhares e "ois" pelo corredor.
Numa daquelas festas famosas que os adolescentes dão na casa de um deles foi que eles finalmente falaram um com o outro sem a pressão de estarem dentro do colégio ou de alguém estar atrapalhando a conversa. Eles conversaram durante quase a noite toda até meu papai chamar mamãe para dançar na pista, já que naquela hora tocava uma música lenta e romântica. Ele falou algo no ouvido dela, mas não me lembro bem o que foi só sei que ela gostou e fechou os olhos levemente, e logo depois acabou rolando o primeiro beijo dos dois.
Mamãe estava linda naquele dia. Vestia um vestido preto com uma faixa azul na altura da cintura e uma sapatilha da mesma cor, tinha os cabelos negros presos com uma trança embutida do lado direito da cabeça, cílios com rímel e um batom vermelho não muito chamativo nos lábios, já papai era mais prático. Ele usava uma camisa polo verde musgo com uma calça jeans rasgada na canela e calçava um tênis esportivo, seus lindos fios loiros jogado para o lado e seus olhos verdes brilhavam a festa inteiro olhando somente para ela.
Nessas festas poderia rolar de tudo. Bebidas, drogas, sexo, além de sei lá mais o que, mas como os dois na percepção dos meus vovôs eram conscientes não foram além de nada e não ultrapassaram nenhum limite tanto ele como ela. Beberam no máximo um ou dois copos de ponche e o resto da noite refrigerantes ou sucos gelados. Estavam se comportando e se dando muito bem, até que mamãe teve que voltar para casa e papai decidiu levá-la e ir embora também. Pegou a bolsa e foram indo apé até onde moravam.
– Obrigada Georgie. — mamãe disse dando-lhe um beijo na bochecha antes de entrar.
– De nada Melina, posso te ver de novo? — ele perguntou ansioso.
– Claro, boa noite. — ela foi indo de costas até abrir a porta e entrar.
– Boa noite. — ele ficou a observando.
Mamãe não queria dormir ou se quer conseguiu depois de voltar da festa, porque a muito tempo esperava por isso e não queria esquecer nunca o que aconteceu. Papai foi a mesma coisa, voltou para casa comemorando e cantando baixo pelas ruas uma música que ambos gostavam e que tocara na balada. Eles ficaram na cama até que o sono os pegasse de surpresa e os levasse até outra dimensão, as dos sonhos impossivelmente possíveis.
No outro dia mamãe levantou mais cedo do que ultimamente para ir se arrumar, tomar café e sair logo para o colégio, mas é lógico que meus vovôs ficaram desconfiados de alguma coisa e perguntaram, porém ela garantiu que estava tudo bem só que marcou de passar na biblioteca encontrar uma das melhores amigas dela para pesquisarem sobre um trabalho. Eles disseram que tudo bem e desejaram um bom dia de aula e bons estudos depois de darem um beijo nela.
Mamãe chegou cedo para ver papai e não estudar como disse para os meus avôs. Ela chegou primeiro e esperou até que ele chegasse para encontrá-la na porta onde muitos outros alunos estavam e alguns já dentro do colégio fazendo diversas coisas. Da parte dela o nervosismo e falta de coragem reinavam, além de ficar olhando para o relógio de minuto em minuto até que chegasse a hora de se encontrarem.
– Oi desculpa a demora. — papai chegou perto de mamãe.
– Oi, relaxa. — ela deu um sorriu tímido.
– Tudo bem?
– Sim e você? — ele deu um beijo no rosto dela que fechou os olhos e suspirou.
– Melhor agora. — ela corou de vergonha. — Se quer entrar ou ficar aqui?
– Tanto faz, quer ir para o pátio?
– Vamos pegar nossos cadernos e livros de hoje e depois podemos ficar de bobeira, o que acha?
– Ótimo.
Mamãe se virou de costas e papai foi até o lado dela, uma troca de olhares e pensamentos rondaram os dois que deram um selinho, sorriram e pegaram uma na mão do outro. Entraram no colégio e foram até seus armários deixar o material que levaram e o que teriam aula nesse dia, depois foram até o pátio conversarem mais e se conhecerem um pouco além do que já sabiam sobre eles.
Foram vários dias, semanas e meses assim até eles se apaixonaram por completo um pelo outro e papai a pedisse em namoro. Nessa época ela tinha dezessete e ele dezoito, já que ele acabou repetindo um ano de colégio. Meu pai levou rosas azuis e brancas, as favoritas dela, e chocolates belga juntamente com um ursinho de pelúcia e desse jeito não teve como. Mamãe aceitou prontamente o pedido dele.
Com a chegada da formatura dos dois veio a surpresa : ele iria para uma faculdade bem distante da dela, mas ainda sim não desistiram um do outro. Ficaram o máximo que puderam juntos até que esse dia chegasse e eles tivessem que se separam, porém decidiram manter o relacionamento a distância, o que fez com que a relação se tornasse ainda mais intensa e amorosa. Mamãe o visitava alguns finais de semana e papai a visitava em outros, sempre se viam.
Mas um final de semana foi quando fui criada por eles. Mamãe e papai fizeram sexo aquele dia na casa dos meus avós paternos que tinham saído para as compras, porém até que alguns meses se passaram nunca souberam que eu estava ali. Ela nunca se ligou em menstruação e tabelinha, mas com o passar do tempo notou que estava demorando demais e desabafou com minha avó que no dia seguinte a levou no médico.
Mamãe decidiu ir sozinha depois que vovó teve um imprevisto e não pode acompanhá-la na consulta, mas ela não estava preparada para a notícia que a médica da família estaria aguardando para lhe dar.
– Você está grávida Melina. — a médica tirou os óculos da frentes dos brilhantes olhos verdes, colocou na mesa juntamente com os papéis e amarou o cabelo loiro fino em um rabo de cavalo alto.
– Grávida? Não. Não pode ser.
– Sinto muito mas sim, você está grávida. Parabéns mamãe.
– Parabéns nada, eu não quero esse filho.
– Como não?
– Sou muito nova para ter essa criança.
– Pensasse nisso antes né meu amor.
– Sempre usamos camisinha, como posso estar grávida?
– Não sei, você usa pílula e toma suas injeções regularmente, então só pode a camisinha ter estourado ou você ter tomado antibióticos.
– Sim tomei, fiquei resfriada a algumas semanas atrás.
– Então está aí a resposta. Os antibióticos cortam a ação das pílulas.
– O que vou fazer agora?
– Mel, converse com seus pais mas de forma alguma aborte esse bebê.
– Tudo bem, terminamos por aqui?
– É...sim, você já pode ir.
– Obrigada doutora, até.
– Até.
Mamãe ao sair do consultório da médica foi direto ao banheiro onde chorou muito por saber que me teria e não acreditei quando disse que não me queria. Como pôde dizer aquilo? Afinal eu era apenas um bebê indefeso que não teve culpa de nada com o que aconteceu entre meus papais, só uma consequência. Ela ligou para papai que veio correndo da faculdade encontrá-la.
Ela aguardava no estacionamento bem no local onde disse que estaria pelo telefone por ele.
– Meu amor, o que foi? Por que está chorando. — ele chegou perto dela e agachou no chão junto dela.
– Eu estou...estou... — ela não conseguia falar.
– Está o que? Me diga, mas acalma-se estou aqui com você. — ele a confortava.
– Grávida.
– Grávida? Como grávida?
– Lembra quando peguei aquela gripe leve e tomei remédios?
– Sim, mas o que tem haver?
– Os remédios cortam a ação das pílulas que tomo.
– O quê?
– Sim, e agora amor? Não sei o que fazer.
– Teremos esse bebê. — ele pôs a mão na barriga dela.
– O que? Não. — ela tirou com força, saiu do meu dos braços dele e levantou.
– Como não Melina? — ele a olhou confuso.
– Não tendo, não vou estragar minha vida com ele. — ele se levantou e ficou frente a frente com ela.
– Melina, é um bebê. Uma vida dentro de você.
– Georgie escute bem, eu não terei esse filho mesmo que você, meus pais e os médicos me obriguem.
– Melina, o que você está falando? Como pode?
– Georgie eu não vou estragar minha vida tão cedo, isso não vai acontecer.
– Você está ficando louca?
– Posso até estar agora, mas o que irei fazer é uma completa sanidade. — ela saiu andando.
– Melina volte aqui, vamos conversar.
– Conversar o que?
– Sobre isso.
– Não, eu não quero. Já decidi o que fazer.
– Mas...
– Mas nada Georgie, esse assunto se encerra aqui. — ela correu até a saída onde pegou um táxi para ir para casa.
Papai ficou irado com mamãe e foi atrás dela de carro, mas quando chegou na casa dos pais percebeu que não fora para que ela foi. Então se dirigiu até a casa onde estava morando com uma das amigas, mas quando chegou lá também não a encontrou. Ele a procurou dentro da faculdade, voltou para casa de meus avós e depois sentou na porta deles e começou a chorar.
Mamãe tinha ido até a farmácia e comprado abortivos para me tirar a força de dentro dela. Fiquei com muito medo do que ela pudesse fazer mas não iria a odiar por isso. Ela não teve coragem de me matar assim e ligou para papai que foi até onde estava, dentro do shopping da cidade, mas ela escondeu os remédios na bolsa com receio dele jogar fora.
– Melina, o que foi?
– Nada, só quis esquecer por um minuto essa loucura.
– Eu sei meu bem, mas o que você acha de termos ele? Prometo ficar ao seu lado.
– Georgie podemos ter outros filhos, mas mais tarde.
– E esse indefeso que está aí dentro.
– Sairá daqui.
– E posso saber como?
– Remédios.
– Melina, você quer matá-lo?
– Georgie você quer que eu o tenha?
– Sim né.
– Pois é não, se insistir com isso faço isso o mais breve possível.
– Tudo bem, pense com calma.
Mas mamãe não conseguiu pensar em nada sequer porque acabou desmaiando no shopping e papai teve que a levar no hospital mais próximo para ver o que estava se passando, mas era só um desmaio comum de início de gravidez e poderia acontecer de novo assim como mal-estares passageiros. Então ele se despreocupou por alguns minutos, enquanto ela acordava dentro daquele ambiente frio e assustador.
– Melina? — ele foi até ela.
– Oi? — ela sorriu fracamente.
– Eu apoio você.
– O que? Jura? — ela abriu um sorriso enorme.
– Sim, mas com uma condição.
– Qual?
– Que eu não tenha que presenciar isso e que nada dê errado.
– Tudo bem, eu te amo amor. Você é o melhor namorado do mundo. — ela o abraçou com a pouca força que tinha enquanto ele soltava lágrimas pelos olhos atrás dela.
Então quando foram para casa mamãe contou que já tinha os remédios e que tomaria assim quando chegassem. Ela sorria o tempo todo enquanto ele ainda estava deprimido e chateado com aquilo que iria acontecer, então quando chegaram correu para o banheiro para tomar os remédios e depois a levou ao hospital que esperou até que o resto de mim terminasse de sair para fazerem curetagem.
Aborto nos EUA não é ilegal, crime ou é proibido então depois que mamãe saiu do hospital papai ficou muito triste com e quis terminar, mas ela garantiu que teriam tempo de sobra depois que estivessem bem melhor financeiramente e psicologicamente.
Desde aquele dia ainda lembro de mamãe, aquela pessoa tão boa, gentil e linda com seu belo corpo e de papai, o rapaz mais bonito do colegial, simpático e brincalhão. Não tenho raiva ou qualquer sentimento parecido, porque eu amo meus papais mesmo que nunca me quisessem. Ainda observo os dois aqui de cima e cada dia os amo ainda mais, mesmo sabendo os problemas que causei, e os amo e sinto mais amor.
Eles depois de um tempo se separaram e estão hoje com outras pessoas, mas felizes com a vida e sucesso. Mamãe virou engenheira, atualmente é casada e teve outros filhos, meus irmãos, já papai virou médico e também se casou mas ainda não teve herdeiros.
Fico feliz por eles terem conseguido se ajeitarem e se sentirem bem, mas nunca vou esquecer que eu amo mamãe e papai e que eles nunca sairão da minha cabeça.
Notas finais
▬ No Brasil aborto é crime, mas em alguns países não.
▬ Se gostaram deixe seu comentário, favorite e recomende.
Mika, xoxo
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