Por Que Eu Sei Que É Amor.
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Enfim, espero de coração que gostem.
Boa leitura.
Roberta narrando:
_Eu recomendo que a senhora procure um psicólogo para levar sua neta já que o afogamento não foi um acidente e sim uma tentativa de suicídio. Vai ser bom para ela poder conversar com um profissional.
Acordei ouvindo a conversa entre o médico e minha avó. Continuei com os olhos fechados tentando evitar ter que olhar para ela e ver a decepção estampada em seu rosto. Aquilo que era para acabar com a minha dor, além de só aumentá-la atingiu também àquela que naquele momento eu sabia que era a única pessoa em quem eu podia confiar.
_Pode deixar Doutor, eu vou procurar algum profissional para levar minha neta.
Quando eu estava na praia o suicídio pareceu tão certo, a minha única saída. O fim de toda aquela dor que me consumia.
Ouvi a porta do quarto bater e um suspiro longo da minha vó.
_Dizer que eu não preciso de um psicólogo vai adiantar?- me virei podendo olhar para ela.
_Sinto que não, mas vai ser bom pra você conversar um pouco com alguém. Vai te fazer bem.
Uma hora depois nós já estávamos no carro voltando para casa. O caminho foi praticamente todo em silêncio, cada uma perdida em seus próprios pensamentos.
_Preciso te contar uma coisa.- chamou minha atenção.
Ela parecia escolher cuidadosamente cada palavra que diria a seguir como se por vírgula mal colocada uma catástrofe pudesse acontecer. Passou as mãos nos cabelos bagunçados e olhou para mim.
_O que foi Glória?
_Sua mãe...
_O que tem ela?- incentivei.
_Ela está aqui, eu a trouxe comigo.
O ataque de raiva que ela parecia esperar da minha parte não veio. Acho que no fundo eu sabia que quando a Glória visse minha mãe, sua filha, seu coração não suportaria a idéia de perdê-la outra vez. Ela não seria capaz de deixá-la sozinha nas ruas de São Paulo. Confesso, eu estava aliviada por aquilo. No fundo eu amava minha mãe, apesar da dor eu me preocupava muito com ela e tinha medo de que se ela ficasse por conta própria buscasse ajuda em lugares errados de novo.
Não demorou muito paramos em frente a casa. Fiquei sentada ainda dentro do carro tomando coragem para encaram o que me esperava ali dentro. Como será que ela estaria depois de meses sem a ver?
_Fique o tempo que quiser., só não se esqueça de trancar o carro quando sair.
5...10...15 minutos se passaram e só quando algumas gotas d’água começaram a cair sobre o vidro do carro que resolvi finalmente sair dali. Caminhei até a porta e depois de um logo suspiro entrei. A cena que vi parecia ter sido tirada dos melhores sonhos. Uma família de verdade. Elas estavam sentadas na cozinha, uma de frente para a outra e conversavam animadamente, rindo hora ou outra. Quanto tempo fazia que eu não via um sorriso daqueles estampado no rosto da minha mãe? Quando dei por mim, já sorria bobamente observando as duas mulheres. Assim que me viram foram diminuindo gradativamente até sobrar apenas um sorriso carinhoso acompanhado de um olhar maternal.
_Vou deixar vocês duas a sós.
Após se levantar, Glória veio em minha direção e me abraçou apertado.
_Saber perdoar é uma dádiva, uma coisa que poucos têm a honra de conseguir realizar com sinceridade. Algo que só os fortes e realmente bons de coração conseguem. E você Roberta, é a melhor e mais forte mulher que eu já tive a honra de conhecer, tenho certeza que tomará a decisão correta. – disse perto do meu ouvido para que somente eu escutasse.
Assim que ouvi a porta da casa bater e o barulho do motor do carro sendo ligado caminhei até a mesa e me sentei de frente para a mulher que parecia me observar como uma mãe que vê o filho dando os primeiros passos e tem medo de segurar e impedir seu progresso mas também teme que ele caia e se machuque. Sentei-me na cadeira de frente à ela e após um longo silêncio ela pareceu criar coragem para falar.
_Durante o tempo que eu fiquei naquele lugar eu pensei várias vezes em fazer o que você tentou ontem. Tentei acabar de uma vez com a minha vida, tirar aquela dor de dentro de mim. Eu pensava que o monstro que machucou a própria filha não podia ter privilégio de respirar o mesmo ar, de ver todos os dias o brilho do sol e a luz do luar. Eu não merecia uma segunda chance quando você carregaria para o resto da vida essa marca que eu deixei, essa cicatriz. Mas sabe o que me deu forças para continuar respirando?
As palavras pareceram travar em sua garganta. Abaixou o rosto e com as mãos limpou lágrimas que já caiam.
_O que?- sussurrei.
_Foi a certeza de que mesmo não conseguindo apagar todos os meus erros do passado eu te daria o presente e futuro que você merece. Foi a certeza de que eu provaria pra você que eu mudei, me recuperei e que eu te amo Roberta, e que nada nem ninguém nesse mundo nunca vai mudar isso. Não vou dizer que você tem que me perdoar, o que eu fiz foi horrível e eu sei que nada justifica meus atos. Não pedirei seu perdão, falar é fácil, eu vou te mostrar. Vou provar dia após dia que eu sou digna do seu perdão e do seu amor. Vou recuperar os anos que eu não tive, que nós não tivemos. Vou provar que mereço ser a sua mãe.
Minha vontade era dizer algo ou me levantar e abraçá-la, tentar fazê-la parar de chorar, mas não consegui dizer uma palavra sequer ou me levantar da cadeira, apenas estiquei o braço e segurei suas mãos.
Eu te darei uma segunda chance.
Duda narrando:
_Ok. Você errou, mas e daí? Vocês nem namoravam ainda. Aí agora vai ficar aí se culpando, se martirizando e vai deixar mesmo as coisas assim? Vai lá na casa dela Duda, grita, bate o pé, diz o que sente, mas saí dessa cama. AGORA.
Desde que havia voltado do hospital no dia anterior minha vontade era de ficar deitada dentro do meu quarto pro resto da minha vida. O mundo podia acabar lá fora que não me faria mover um dedo para fora da minha cama. Mas é claro que eu não contava com a presença da minha querida amiga Luíza. Ela acabou sabendo da história da Roberta e depois das 16 ligações rejeitadas por mim ela resolveu vir até a minha casa saber o que estava acontecendo.
_Ela não quer me ver, ela mesma disse isso. Será que dá pra você entender isso? Não tem nada que eu possa fazer agora, eu a magoei, ela não vai querer olhar na minha cara nunca mais.
_Nossa, eu realmente achava que você estava gostando dela Duda, mas pelo visto foi só uma paixãozinha passageira, uma aventura pra você.
Aquilo foi a gota d’água. Ela sabia melhor que ninguém que o que eu sentia pela Roberta era verdadeiro. Senti uma vontade absurda de voar no pescoço da Luíza e sem perceber o fiz. Levantei da cama rápido e a empurrei contra a parede prendendo-a com o meu corpo e olhando diretamente em seus olhos assustados.
_Ótimo, você levantou da cama.- sorriu e piscou um olho só para mim.
A raiva que eu sentia passou para surpresa e confesso, aquilo foi engraçado. Soltei-a e dei um tapa leve em seu ombro arrancando uma gargalhada alta dela.
_Eu poderia ter te matado garota, me deixou com raiva.- comecei a voltar para a cama.
_Você não acha que eu coloquei minha vida em risco pra deixar você voltar pra sua fossa assim né?!- me puxou pelo braço e começou a me empurrar para o banheiro. _Toma um banho. Vou te levar para recuperar o amor da sua vida;
_Tem certeza que isso vai dar certo? E se ela não gostar? Ela não quer me ver. Ai, não vou fazer isso, vou voltar pra casa e esperar a poeira baixar.
_Vai dar certo, você é ótima com isso e você sabe. Ela está magoada, isso não significa que ela não quer te ver. Você sabe muito bem que a gente diz isso na hora da raiva mais quer que a pessoa volte.
Já era começo de noite quando eu e a Luíza paramos de frente para a casa da Roberta.
_Pronto. Você fica aqui fora que eu vou entrar e chamá-la. Use o charme que existe dentro de você minha amiga.- riu alto e correu para dentro da casa.
Fiquei parada no meio da rua. A chuva grossa já havia passado e naquele momento apenas uma garoa chata caia do céu. O violão pendurado no meu ombro nunca pesou tanto quanto naquele momento. Meu corpo todo tremia de nervoso, medo da reação dela.
A porta da casa voltou a abrir e de lá saiu primeiro a Luíza com um sorriso enorme no rosto trazendo pelas mãos com uma expressão não tão boa a Roberta. As duas pararam no portão e assim que recebi um leve aceno da primeira cocei a garganta e comecei os primeiros acordes da música.
Pra falar do amor de verdade,
Vou começar pela melhor metade
E te mostrar tudo de bom que tenho,
E se for preciso eu desenho;
Que eu amo você, que eu quero você.
A outra metade é defeito,
Você vai saber de qualquer jeito
Anjo ou animal, suave ou fatal;
O que de um grande amor se espera
É que tenha fogo;
Que domine o pensamento
E traga sentido novo.
Que tenha paixão, desejo,
Que tenha abraço e beijo,
E seja a melhor sensação;
Que preencha a vida vazia,
Mande embora a agonia,
E que traga paz pro coração.
É você, é você...
Que preenche a vida vazia
Manda embora a agonia
E que trouxe paz pro coração;
Que preenche a vida vazia,
Manda embora a agonia,
E que é dona do meu coração... é você.
Não consegui cantar a segunda parte da música. Um nó havia se formado na minha garganta, eu queria chorar ali mesmo, mas eu tinha que criar coragem e dizer além da letra daquela música.
_Eu fiz besteira, eu sei. Mas você não sabe o quanto eu me arrependo de ter te magoado Roberta. Eu... Eu te amo.
Nossos olhares se e encontraram e os dela estavam avermelhados devido ao choro.
_ Sei que nada que eu diga vai conseguir apagar o que eu fiz, mas me dá outra chance? Deixa-me provar que aquilo nunca mais vai se repetir?- comecei a me aproximar dela, andando lentamente. Neste momento era só eu e ela, literalmente. Em algum momento a Luíza saiu dali nos deixando sozinhas. Parei a alguns passos dela, esperando por sua resposta. Senti uma felicidade enorme quando ela acabou com aquela pequena distância que restava entre nós e me abraçou. Foi um pouco desajeitado já que o violão ainda estava na minha frente. Começamos a rir e assim que o retirei ela voltou para os meus braços e me beijou.
_Nunca mais faz isso, por favor. – disse com a voz chorosa.
_Nunca. E ah, já ia me esquecendo... Quer namorar comigo?
Abriu o maior sorriso que ela tinha e depois de me dar um longo selinho.
_Quero.
Notas finais
ah, essa música é do Jorge e Mateus e chama Duas metades. Procurei na memória uma música que falasse de perdão mas é sempre assim: quando a gente quer lembrar de alguma coisa não vem na cabeça. Ai acabei colocando uma da dupla que se você escutar minha querida, você está apaixonada, do latim: fudida u.u kkkkk
Fale com o autor