Alice olhava sobre os enormes cantos daquela sala redonda, não havia entrada ou saída daquele lugar, ela confusa e assustada sobre aquilo tudo olhava para o pequeno homem com um péssimo humor, ansiosa para acabar com vida dele.

— Quem é você seu idiota? — disse em direção
- Huhuhu, não vejo tal desejo impetuoso de querer me matar tem centenas de anos. Como anda minha jovem?
- Com os pés, babaca.
- Uuuuh! – disse o senhor retrucando de forma bem irônica.
- Como ousa a falar assim comigo? Seu idiota! Vou acabar com você usando minhas próprias mãos! – retrucou a menina, com desejo de morte.
- Fico sentido em dizer, minha convidada, ainda que seu poder possa ser extremamente alto, a fonte deles não passam de nada mais ou menos do que seus sentimentos ruins e desejos de vingança relacionado aos pais que deixam seus filhos sem vigilância.
- Do que está falando? Acho que surtou se sabe algo sobre mim.
- Oh, de maneira alguma posso dizer isto... a palavra saber é uma palavra muito forte para poder se usar, eu simplesmente digo que tenho algo em mente sobre a sua existência.
- Do que você sabe sobre mim? Onde está minha casa?
- Sei que você teve uma vida tranqüila, contudo curta justo porque foi destruído graças a desejos e fantasias. E não, você não tem mais alguma moradia.


A menina calou-se por um curto momento, olhou para dentro de si ao mesmo que seus olhos já lacrimejavam, ela se agacha lentamente, abraçando suas próprias pernas, curva sua cabeça e apóia em seus joelhos. Começa a chorar na frente do homem estranho.


- Sinto falar, jovem. Ainda que você chore, sofra, odeie, deseja, não justifica o que você anda fazendo com outras crianças. Essas pessoas que você matou são inocentes, tanto quanto você já foi – disse ele da forma mais sincera do mundo.
- Já basta me lembrar do que aconteceu. Agora você me julga?! O que é você? – retrucou a menina, não com raiva, mas com uma imensa tristeza dentro de seu coração.
- Me desculpe, acho que não me ainda apresentei para você. Que grosseria da minha parte. Prazer, meu nome é Igor, e essa é a Velvet...
- Eu não perguntei quem você é, eu perguntei o que você é – disse Alice interrompendo Igor.
- Sinto muito minha cara, mas não conseguiria te explicar de forma que entenda. Definir-me seria bastante difícil para qualquer um de entender. Mas sente-se por favor.

Alice se levanta, morta por dentro, mas com o seu corpo bem atento e talvez até vivo. Foi em direção a mesa que o senhor estava sentado e se sentou. Ambos sentados em lugares opostos a mesa, aparece uma mulher de repente aparece sentada em outro banco entre os dois. Uma mulher de cabelos brancos e curtos segurando um livro em sua mão.


— Está vendo este livro que está em minha mão? – disse a bela moça, estendendo o braço com o livro em suas mãos, com intenção de entregá-lo para a menina – pegue-o, abra, e leia qualquer página para mim, por favor.

A menina ainda chorando pegou o livro e o abriu. Curiosa mas sem vontade. De pouco a pouco, a atenção da menina sobre aquele livro aumentara cada vez mais que o lia.

— Como assim?! – exclamou a menina para a moça. – o que diabos seria isso que está escrito?
- São reportagens sobre os seus pais, do que aconteceu após o seu desaparecimento.

A menina pasma, não entendeu direito o que estava escrito naquelas páginas, mas tudo o que apontava, eram que os pais nunca a esqueceram e que até as suas mortes ficaram procurando a sua filha durante a vida inteira.

Poucos segundos depois, as mãos da menina não suportaram o peso de seu coração de do livro, então o deixou cair. Em poucos segundos, a menina se vira para a moça e fala.

— Me desculpa? Eu acho que fui injusta demais com tudo mesmo tendo sido tudo um acidente... – disse a menina chorando, rendida deitada na mesa e sem parar de chorar – posso te pedir uma coisa?
— Peça.
Por favor, morra por mim?! – disse Alice, invocando sua magia mais poderosa.
— Tome cuidado Elisabeth – disse Igor para a moça.
— Mas claro – respondeu ela.

Em frações de segundos, Elisabeth se teleporta para o lado de Igor e várias cartas de baralho bem afiadas em forma de soldados caíram sobre a área em que ela estava.

— Huhuhu, mas que poder mágico admirável você tem – disse Igor rindo e admirando – teste-a, Elizabeth, eu quero agora realmente saber até onde chega o poder desta menina.
— Pois claro.

Elisabeth corre em direção à Alice e segurou firme o braço dela antes que os olhos da menina conseguissem ver, arremessando em seguida o leve corpo em direção a um dos cantos daquela sala. No impacto era percebível a imensa força posta no arremesso, o barulho em que a grade fez dava para se escutar a quilômetros de distância, até que o corpo de Alice fosse colocado de volta ao chão. Então a assistente de Igor re-evoca o livro no ar, pegou-o firmemente e disse para a menina:

— Está esperando o que? – disse Elisabeth em posição de confronto – Mostre-me o que você tem — rapidamente, sem mais lagrimas, Alice se levanta encara Elisabeth com olhares mortais como se já estivesse aceito o desafio.
— Mas é claro que sim, moça.

Alice ergue seu braço e aponta a palma de sua mão em direção à Elisabeth, e lentamente, quando mais ela iria fechando sua mão mais Elisabeth iria perdendo suas forças.

— Interessante, mas não o suficiente – disse compreendendo que Alice não era tão fraca como pensava — Não é, Trumpeter?! – grita Elisabeth abrindo o seu livro.

Então a personagem que tinha acabado de gritar, puxou uma carta e passou entre as páginas do livro que de repente começou a flutuar. Então ele se abriu, e da luz surgida de suas páginas surgiu um anjo decaindo do céu, com seu trompete em mãos.
- Debilitate! – disse Elisabeth para seu persona, ordenando ataque contra Alice. Ele por então levou o bico de seu trompete e o soprou. O ruído causado fez com que Alice imediatamente se ajoelhasse, sentindo uma tontura fora do que ela já havia sentido. O próprio som se escutar a vinda de sua morte.
- Pare com isto sua maldita.
- Não tenho culpa se você é mais fraca do que qualquer um dos meus personas, inclusive a Pixie – disse Elisabeth com o puro desejo de irritar a menina – está na hora de por um fim nesta patética batalha sem sentido.


Elizabeth anda tranquilamente até que seus pés ficassem par-a-par com o rosto de Alice que estava ajoelhada e de cabeça baixa, suportando o peso.

— Espere Elizabeth, não seja tão grosseira – disse Igor com o mesmo sorriso de sempre – mesmo você sabendo disto tudo, Alice, ainda tem o mesmo desejo de morte? Poderia me dizer por quê?
- ... – ainda respirando, Alice se levanta e diz – eu não quero mais ficar sozinha, eu já passei muito tempo nos meus sonhos imaginários por ter ficado presa naquela coisa durante o resto da minha vida. Quero achar algo com que eu possa ficar para sempre, alguém que possa entender minha solidão, ante tudo minha dor... Alguém que possa preencher o vazio de não poder morrer. Irei continuar matando e adquirindo companheiros, nem que isso tenha que depender da tristeza de outras pessoas.
- Entendo – disse Igor seriamente – você nega a morte – ao escutar isso, Alice queria chorar mais ainda que não agüentasse – você nega a morte assim como a morte te nega. Ela não te buscou porque você não queria morrer, preferiu viver em seu mundo imaginário, criou algo que só é para você por ter caído em um local que ninguém teria imaginado e seu corpo passou o resto de sua vida lá dentro, mas você, nunca sentiu isso, por algum motivo você se manteve no seu mundo imaginário como rainha até quando você entendeu o seu vazio físico. O vazio de não sentir dor...

Igor levantou da cadeira, foi em direção a menina e se sentou em frente a ela. Ela mesmo assim sorriu e deu uma pequena gargalhada, por causa que o senhor havia sentado um tanto distante dela ainda por causa do tamanho do seu nariz.


- Hihihi, vejo que há sentimentos doces dentro de você – disse ele, emocionado por ter conseguido algo que até lá ele achava impossível, tocar o coração de uma menina – Você, morte e vida andam lado a lado. A vida já se cansou de você, passou dos limites permitidos pela natureza. A morte está te esperando e um dia, você irá encontrar exatamente o que procura, irá lutar em causa do que mais esteve fugindo esse tempo inteiro. Não só vai entender, mas como irá amar. Amar de todo fundo do seu coração. Boa sorte.

Ainda que a menina estivesse atenta, não conseguia mais conter e desmaiou. Sem perceber que o local em volta, pouco a pouco, estava mudando novamente para outro rumo. Após um tempo indeterminado, Alice se levantou, sem qualquer ferimento por causa da luta. Sem pensar muito depois que abriu seus olhos, reparou que o lugar que estava era bem familiar. No escuro, estava um belo horizonte, a lua direcionava sua luz para um local bem perto dela. Ao reparar o local iluminado, deu alguns passos em direção a iluminação e entendeu para onde e porque Igor teria deixado-a. Nada mais simples e fácil do que começar do início de tudo, o local que ela havia morrido, a mesma colina com a mesma árvore, porém mais velha, e com o mesmo buraco que ela havia caído a anos atrás. Onde nunca teriam encontrado-a.