Por Favor Jolene!
1 Por favor, Jolene.
Notas iniciais
Jolene - The White Stripes.
Esfregou as mãos uma na outras pra aquecê-las. Estava frio o dia inteiro, e depois da chuva que caiu no enoitecer, a temperatura parecia ter caído mais alguns graus. Melissa se considerava razoavelmente bonita, com seu rosto pequeno e redondo. Os lábios levemente carnudos e olhos amendoados cor de avelã assim como os cabelos ondulados, mas, sua beleza infantil e delicada não conseguia competir com de Jolene.
Além de ser dois anos mais velha, ela tinha cabelos vermelhos como fogo que iam um palmo abaixo do ombro, caindo em cachos. Olhos verdes como esmeralda, sempre denotando uma malícia. Uma pele de marfim e lábios tão sedutores que pareciam estar em um pedido eterno pra serem tomados e beijados. Corpo esbelto e bem distribuindo, abusava de toda a sensualidade que tinha em roupas que valorizavam suas curvas em decotes discretos, sempre tentado a mente masculina a imaginar o que esconde.
Mas isso não incomodaria Melissa, não mesmo, se não fosse por Harry. Por que Harry tem que ficar olhando pra ela? Devorando-a com os olhos e falando seu nome enquanto dorme?
Por quê?
Jolene, Jolene,Jolene, Jolene.
Estou te implorando,
por favor não tome o meu homem.
Porque ela tem que ficar direcionando olhares maliciosos a ele? Sorrindo com seus dentes perfeitos, passando a mão em seus ombros e fazendo questão de dar um selinho em seu rosto quando não faz isso com os próprios amigos? Porque lhe fala com sua voz baixa e calma que seduz tantos homens?
Porque Jolene? Porque tem de ser o meu homem? Perguntou-se mentalmente olhando pelas ruas esperando que ela aparecesse a qualquer momento. A ladra de homens, Jolene.
E ela apareceu. Vestia uma calça de moletom e uma daquelas blusas de frio que deixam à barriga a mostra. Usava o capuz da blusa, cheia daqueles pelinhos. Aproximou-se com ar de superioridade, cruzando os braços abaixo dos seios.
— O que você quer comigo? – ela perguntou sem se preocupar com cumprimentos. Estava em sua casa quando Melissa ligou e pediu que ela viesse até ali e falasse com ela.
— Eu quero que você deixe o Harry em paz. – disse tentando ser firme – Que não fale com ele e nem se aproxime.
— E por que eu faria isso? – ela tinha um sorriso debochado.
— Ele é meu, Jolene. – falou – e não vou deixar que ninguém tome ele de mim.
— Hm... – fez ela pensativa – Só que você não está considerando ele querer ser tomado. – falou olhando pras próprias unhas.
— Ele não vai ser se você não ficar se insinuando pra ele! – acusou ficando impaciente com a indiferença dela. – Eu quero que você pare com isso!
— Se não o quê? – ela perguntou com um sorriso mal-intencionado aproximando-se de Melissa e segurando seu rosto pra que ela lhe olhasse quando dissesse. – Não há nada que você possa fazer se ele me quer. Nada.
E soltou o rosto dela. Ficou olhando por alguns segundos a expressão surpresa dela antes de decidir ir embora. – Vá pra casa. – disse.
— Por favor... – disse Melissa em tom de voz baixo – Por favor... — Jolene parou de andar e virou-se pra ela. — Por favor, eu o amo muito. – pediu – Por favor, não tome ele de mim só porque você pode. – ela estava chorando e a ruiva estava achando-a patética daquele jeito. Implorando por um homem.
— Você devia ter mais confiança em você mesmo. – disse com desprezo e iria voltar a andar se Melissa não tivesse a segurando pelo ombro.
— Eu pedi por favor! – exaltou-se ela – Não o tome de mim! Por favor Jolene!
— Me larga! – exclamou tirando a mão dela de seu ombro bruscamente e jogando-a no chão. – voltou a andar rapidamente. Mas ela tornou a parar sem dar muitos passos pra longe de Melissa. Dessa vez não virou-se pra olhar pra outra somente abaixou o olhar para o próprio peito, onde era visível a ponta de uma faca. O sangue começou a escorrer, manchando o tecido claro da blusa de frio. – Mas o quê?...
— Eu pedi por favor. – repetiu Melissa sem o tom desesperado de antes – Eu perdi a droga de um por favor e você se recusa? Eu nunca pedi a merda de um por favor, sua vadia! – e puxou a faca pra em seguida Jolene cair de joelhos no chão, levando a mão ao peito e sujando de sangue. – Podia ter concordado! – e enfiou novamente a faca nela, agora seu rosto estava convertido em uma expressão de ódio. Enfiou na altura do ombro por causa da altura.
— Você podia ter concordado! – e iniciou uma sessão de facadas, descontando sua raiva e frustação, tanto por Jolene quanto por Harry.
Depois, quando ela já havia cansado de ficar repetindo a mesma ação, ficou olhando o corpo ensanguentado de Jolene. Era bem tarde da noite e provavelmente só descobririam seu corpo de manhã. Ainda com a faca na mão ela correu. Correu de volta pra casa. Entrou sem a preocupação de alguém vê-la suja de sangue, os vizinhos eram velhos e dormiam cedo. Largou a faca na cozinha e foi direto por banheiro.
Iria lavar o sangue e toda e remorso.
— Remorso? – falou pra si mesma – Não, não sinto nenhum. A culpa era toda de Jolene, porque queria tomar o que era seu. Podia ter ficado com todos os homens do mundo, não ligaria se deixasse o seu em paz.
Mas ela quis ir pelo caminho difícil.
Abriu o chuveiro e deixou a água levar as manchas de sangue. Mais tarde queimou suas roupas sujas e enterrou a faca. Ninguém iria saber que foi ela que matou Jolene, e nunca, jamais contaria a ninguém. E se desconfiassem dela, jamais admitiria.
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