Por Ela Nosso Amor Renasceu
22 A Filha Que Eu Quero Ter
Notas iniciais
Allegra ainda estava dormindo na casa de Karina e Pedro apesar de Dandara e Gael insistirem muito para que a menina voltasse para casa.
–Quero saber por que você ainda esta dormindo aqui?!- Karina estava preparando a menina para dormir.
–Ta me expulsando é Karina?- a menina pergunta fazendo careta.
–Claro que não meu amor e só que você mora com o papai e a Dandara e eles sentem sua falta- Karina explica.
–Eu não quero mais morar lá- a menina confessa e Karina se espanta- Não e por que eu não os ame, mas... Sei lá K.
–Essa sua preocupação tem nome sobrenome: João Spinelli. Acertei?
–Não quero mais olhar na cara dele quanto mais morar na mesma casa que ele- Allegra fecha a cara.
–Que tal nos fazermos uma brincadeirinha com ele?- Karina e Allegra sorriem maliciosamente e pensam milhões de coisas para tentar aprontar com João, mas o sono vence a menina antes de elas terminarem.
Karina levanta da cama da menina com cuidado para não acordá-la e volta para seu quarto. A jovem vê o quarto vazio, mas escuta uma voz familiar, mas nada agradável.
–“Olhinho bem fechado, sorriso assim de lado, será que e muito cedo pra eu ser seu namorado...”- Pedro se esgoelava no chuveiro.
–Pedro para de gritar. Isso são horas de você estar cantando a essa altura- Karina repreende o namorado.
–Desculpa esquentadinha linda do meu coração- o guitarrista vai na direção da namorada, mas antes de chegar e barrado.
–Pode voltar para o banheiro e secar esse cabelo direito- Karina diz apontando para o cômodo- Você tem que parar com essa mania de sair do banheiro com o cabelo todo molhando.
–Cruzes Karina! Ta parecendo ate minha mãe!- Pedro volta para o banheiro- Você falou com a Alle?
–Falei sim! Ela me disse que não queria voltar pra casa do pai. Tudo isso e culpa daquele seu amigo viciadinho-Karina dizia enquanto acariciava a barriga.
–Meu amigo que, a proposito, e seu meio irmão e compadre- Pedro faz questão de frisar a parte do compadre.
–Eu sei disso- a fisionomia de Karina muda der repente o que deixa Pedro preocupado- Ai Pê!
–Que foi amor? Vai nascer? Mas você só ta de cinco meses- Pedro se desespera.
–Calma amor! E só cólica, já vai passar- Karina começa a respirar fundo.
–Vou cantar pra você a mesma musica que a tia Mari cantava pro Otávio antes deles nascer- Pedro chega perto da barriga da namorada pra falar com a filha- A musica fala sobre um menino, mas o papai vai fazer uma versão só pra minha princesa.
Pedro vai ate o canto do quarto e pega seu violão e começa dedilhar a introdução da musica: O filho que eu quero ter do nosso saudoso Vinicius de Moraes, na voz do também maravilhoso Toquinho.
É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim chorando acalentar a filha que eu quero ter
Dorme, minha pequenininha, dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar numa menina igual a mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Uma menina sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Uma filha a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menina levada, dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe o rosto me roçar no derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer
Tua filha sonha acordada, com a filha que ela quer Ter.
Os últimos acordes foram calmos assim como a musica. Karina escutou tudo maravilhada com a afinação do namorado e depois de um tempo percebeu que a dor avia parado.
–Não sei com que eu fico mais impressionada: Com o fato da dor ter parado assim que você começou a cantar ou você ter cantado tão bem- Karina estava realmente impressionada.
– Ei sabia que sua dor ai parar, por isso que eu cantei.
–Como você sabia?- Karina pergunta.
–O Jeff me disse que quando a Mari começava a cantar ou escutava uma musica que realmente gostava ela se esquecia da dor e o Tavinho ficava mais calmo e assim as cólicas paravam- Pedro explicou.
– Ok meu cantor favorito vamos dormir que eu estou morrendo de sono- Karina da um selinho em Pedro e o mesmo a abraça e eles se deitam.
No dia seguinte...
Os primeiros raios de sol do dia batem nos olhos do casal que dormia agarradinho. Os dois vão acordando aos poucos e começando a fazer as suas tarefas diárias, mas percebem que a casa estava muito silenciosa apesar de ter uma criança de dez anos que acordava com toda a energia possível.
–Ramos, você poder ir lá no quarto ver a Alle pra mim- Karina estava na cozinha preparando o café da manha.
–Claro que posso Duarte!- Pedro sobe as escadas e vai em direção do quarto da filha para ver como Allegra estava e quando chegou não gostou muito do que viu.
–Baixinha, vamos descer pra tomar café, sua irmã ta chamando- Pedro entra no quarto abrindo as cortinas, mas Allegra não responde- Vamos Alle ta na hora já.
–Pedro, não quero levantar- a voz da menina e abafada, quase como um sussurro e Pedro vai vê-la mais de perto.
–Que foi branquinha? Por que você esta com essa carinha?- Pedro senta na cama do lado da menina e tira a franja de cima de seu rosto- Nossa Alle, você ta ardendo em febre!
–Eu to com frio Pê!- a menina estava realmente mal. Seu rosto estava vermelho por causa da febre e seus olhinhos estavam opacos, quase cinzas.
–Fica aqui que eu vou chamar a Karina pra ver o que você tem- Pedro sai do correndo do quarto e volta para a sala.
–Karina- Pedro desce as escadas gritando e assusta Karina.
–Meu Deus Pedro o que aconteceu?
–A Alle esta com febre- Pedro explica ofegante.
–Você saiu gritando desse jeito só porque a menina esta com febre?- Pedro concorda com a cabeça- Pedro, ela tem dez anos e normal crianças terem febre. Manda ela descer aqui pra tomar o antitérmico.
–Karina, acho que não e só uma simples febre que dá em crianças- Pedro afirma.
–Como assim Pedro? Explica melhor- Karina começa demonstrar um pouco mais de preocupação.
–Ela não ta falando coisa com coisa, ta muito quente e com as bochechas bem vermelhas também esta suando muito- Pedro explica- Ela ta muito mal! Ate a cor dos olhos dela esta mudando.
–A cor dos olhos?- Karina pergunta espantada.
–Não mudando exatamente. Os olhos dela estão sem o brilho que costumam ter- Pedro explica melhor- Ela ta esquisita.
–Ela ruim assim e você deixa a menina sozinha?- Karina se enfurece de repente e vai em direção as escadas sendo logo seguida do namorado.
–Eu tive que vir aqui te chamar- Pedro diz.
–Você tem voz pra ficar gritando no chuveiro as duas da manha, mas não tem voz pra me gritar lá de cima- Karina estava cada vez mais nervosa.
–Mas Karina?- Pedro fica incrédulo- Quer saber de uma coisa? Deixa pra lá vai.
Karina e Pedro chegam no quarto e veem uma cena que nunca vão se esquecer. Allegra estava gemendo na cama e suando bastante e nenhum dos dois sabia o por que.
–Alle, o que foi? O que você esta sentindo?- Karina ajoelha com dificuldade do lado da cama.
–Ta doendo aqui. Doendo muito- a menina se contorcia e apertava a mesma parte da barrida do lado direito.
Karina e Pedro faziam de tudo para acalma-la, mas nada adiantava e a menina começou a gritar de dor. Pedro tentou pega-la no colo para leva-la ao hospital, mas todas as vezes que ele a erguia em seus braços Allegra gritava mais alto. Os vizinhos começavam a aparecer nas janelas e se perguntando o que era aquela gritaria ate que de repente os gritos da menina pararam por meio segundo e Karina começou a gritar logo em seguida. Allegra avia desmaiado e Karina começou a gritar de desespero, Pedro ligou para o sogro e relatou a ele tudo que avia acontecido e pediu para que pegasse o carro por que o guitarrista estava nervoso demais para dirigir.
Gael chegou cinco minutos depois, cinco minutos aqueles que para Karina e Pedro foram como uma eternidade colocou a menina ainda desacordada no carro e correram para o hospital.
Continua...
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