Por Amor - One Shot

1 Capítulo Único - Por Amor


Notas iniciais
Oooi, aqui está mais uma one para vocês...Esta estória foi escrita a muito tempo, estava guardada e só agora resolvi postar, eu espero que gostem.

Por Amor

Olho pelas janelas, a chuva caia tímida sobre as casas do vilarejo, simpáticas e monocromáticas.

– Vamos Meg! Vamos nos atrasar! – Sim, Meg sou eu, na verdade Margareth, Margareth Morgan.

– Sim mãe, eu estou quase pronta. – Minha mãe, Sophie Morgan, uma bela e jovem viúva – meu pai faleceu quando eu tinha só quatro anos.

Olhei-me no espelho (de novo) e vi meu reflexo: uma jovem de cabelos loiros – no momento coberto um pouco de um lado por um arranjo de flores creme, deixando soltos meus cachos – e olhos verdes e belos. Levantei-me e fui andando em direção às grandes portas de saída.

Segui para a carruagem, onde minha mãe já me esperava, em uma mão eu segurava o guarda-chuva e na outra a saia de meu belo vestido creme com detalhes dourados, para que não molhasse. No caminho, fui com a cabeça cuidadosamente encostada, olhando a chuva e pensando no que me esperava.

– Está muito bonita! – Elogiou-me minha mãe, sorrindo.

Sorri torto.

– Obrigada, mas temos mesmo que ir?

– Claro minha querida.

Não respondi, fechei meus olhos e voltei a pensar...

– Meg! – Minha mãe me chamou docemente e notei que havia cochilado. – Estamos chegando.

Olhei pela janela, a chuva estava parando e já se podia ver o casarão dos Montevic. Quando paramos desci com ajuda de um empregado muito bem vestido. Sorri para ele e o agradeci. Adentrei o salão com minha mãe alguns passos atrás de mim, eu parei ao chegar a alguns metros da pista de dança, minha mãe havia parado antes para conversar.

Olhei para os lados e o vi: James Montevic. Minha paixão secreta, algo que ninguém além de nós dois sabia e mais forte do que a gravidade que me prende a Terra, o único motivo de eu aceitar estar ali. Avancei alguns passos em sua direção. Faltavam apenas mais alguns metros, ele também andava em minha direção com seu deslumbrante sorriso.

Mas o irmão dele, Henrie Montevic, ele sempre me pareceu arrogante, egocêntrico e metido, mas admito que é muito belo. É claro que não tanto quanto meu amado. Eles são extremamente opostos, tanto no comportamento quanto na aparência, quem não os conhecesse diria que não tinham parentesco algum.

– Olá! – Ele me cumprimentou sorrindo e com um breve gesto me beijou a mão.

– Olá. – Respondi educada, mesmo que não goste muito dele.

– Se me permite dizer, está muito bonita.

– Obrigada Henrie, é muito gentil de sua parte.

– A verdade não é uma gentileza! – Poderia parecer rude se não tivesse sido dito com tanto charme, só assenti. – Quer dançar?

– Importa-se se for daqui a um instante? Ia cumprimentar seu irmão antes de encontrar-te. – Disse educadamente.

Ele olhou acima de mim, provavelmente vendo seu irmão, com um olhar de desprezo, notei que ele revirou os olhos e depois voltou a olhar-me sério.

– Como quiser... – E então se retirou.

Voltei a andar na direção de meu amado. Ele sorria radiante, senti que eu fazia o mesmo. Quando estávamos próximos fez uma breve reverência e beijou minha mão, mesmo que nossa vontade fosse de nos abraçar e girar como duas crianças animadas com uma bobeira qualquer.

– Está muito bela! – Ele disse educadamente.

– Obrigada! – Murmurei corando. – Também está! – Sorri olhando-o timidamente.

– Obrigado.

– Não é nada... – Iniciou-se outra música.

– Quer dançar? – Perguntou-me estendendo sua mão.

– Claro! – Era a única forma de estarmos juntos sem levantar suspeitas. James era o filho caçula dos Montevic, mesmo tendo só seis meses de idade a mais que eu. Seu irmão era um ano e meio mais velho que eu.

Girávamos pelo salão, assim como outros casais que nos cercavam, sorriamos e trocávamos olhares confidentes, estávamos em nossa bolha e o momento não precisava ser expresso por palavras. Uma mão tocou meu ombro, nos interrompendo, me virei para conferir quem era.

Ouvi James resmungar alguma coisa como “Intrometido”. Ele havia expressado meus pensamentos em palavras e de forma mais educada do que as inúmeras blasfêmias que passavam em minha mente por termos sido interrompidos por ele.

– Me prometeu uma dança. – Declarou Henrie.

Ótimo, eu tinha prometido. Que inferno! Respirei fundo e sorri da forma mais simpática possível, tentando esconder meu rancor e me esforçando muito para não revirar os olhos e voltar para os braços de James. Comportamento esse que não agradaria em nada a Sra. Minha Mãe.

– Claro Henrie.

Ele me puxou mais para o meio do salão. Para que todos nos vissem.

“Idiota exibido!” Pensei ainda sorrindo falsamente.

James manteu minha mão na dele o maior período possível, antes de nos separarmos o olhei desconsolada, tendo o cuidado de ocultar isso de Henrie. Após poucos minutos dançando Henrie me puxou para o alto da escadaria, eu não entendi nada, só notei que a música havia diminuído e todos nos olhavam.

Ele se ajoelhou na minha frente, meu coração pulou, olhei para a multidão que nos assistia, em busca de algum socorro, mas ao invés disso eu encontrei o olhar tristonho e desamparado de James, tive vontade de correr para ele. Eu resistia à vontade de me beliscar para me certificar de que aquilo não era um pesadelo, o pior deles.

– Margareth Morgan, quer... – Não escutei mais nada.

Meus batimentos selaram meus ouvidos, eu só ouvia meu coração descompassado e tudo começou a girar, depois não vi mais nada, mergulhando na inconsciência. Depois de mergulhar em um mar negro de emoções e decisões consegui voltar.

Abri meus olhos com alguma dificuldade, primeiro ouvi algumas vozes, depois vi vultos acima de mim e finalmente enxerguei tudo claramente. Na sala onde me encontrava estavam minha mãe, que olhava pela janela, Henrie, resmungando com seus pais em um canto e James sentado ao meu lado.

– Você está bem? – Ele sussurrou para mim com um sorriso discreto.

– Acho que sim. – Respondi me sentando.

– Filha! – Minha mãe exclamou, vindo na minha direção.

Ouvi Henrie, o resmungão, vindo também em nossa direção, de cara fechada, seguido de seus pais. Minha mãe se sentou no mesmo sofá em que eu estava e segurou meu rosto.

– Filha, o que aconteceu? – Ela me questionou, aflita.

Eu ia ter que contar, não suportaria me casar com o irmão de meu amado, seria sofrer com a satisfação a meu alcance, tinha medo de fazer alguma besteira e eu certamente não seria uma esposa exemplar para Henrie, eu com certeza suspiraria pelos cantos com a mente ocupada por James, meu amado James.

– Preciso falar com vocês! – Olhei para eles. – Todos vocês. – Olhei para ele. Ele pareceu me entender e se endireitou. – Sr. e Sra. Montevic, Henrie, mãe, sinto muito, mas não posso me casar com Henrie.

– Mas, por quê? – Perguntou a Sra. Montevic com uma ruga entre os olhos.

Henrie fez careta e se afastou muito irritado. Respirei fundo, olhei para o rosto de cada um, Henrie extremamente irritado, o Sr. e a Sra. Montevic surpresos, James esperançoso e por último, minha mãe, ansiosa.

– Porque... – Fiz uma breve pausa e olhei para baixo, temerosa. – Pois, eu não poderia amar Henrie. – Outra pausa, enquanto eu recuperava o fôlego tomando coragem. Ergui o olhar e continuei. – Eu amo James.

Ouvi várias exclamações, mas não olhei para ver de quem vinham. Senti uma mão em minha cintura e automaticamente encostei a cabeça em seu ombro, eu sabia que era James, eu me sentia segura e confortável.

– Pai, mãe... Por favor! – Ouvi James pedir.

–Deixe-os pai, não quero mais nada. – Ouvi a voz irritada de Henrie e logo após a porta bater.

– Mãe?! – Tomei coragem e olhei para ela. Ela não estava tão mal quanto pensei que estaria, estava até tranquila.

– Se o ama mesmo meu bem, não a forçarei a nada, mas essa decisão não cabe a mim, você foi prometida e não sou eu que posso mudar as condições. – E ela olhou para o Sr. Montevic, seu olhar parecia uma súplica muda.

Minha mãe queria que eu fosse feliz, estendi minha mão e segurei a dela, movendo os lábios em um agradecimento silencioso. O Sr. Montevic pareceu pensar por alguns momentos, pareceram-me anos. Eu ainda estava encostada em James e me concentrei nisso, de olhos fechados, aguardando, provavelmente, uma repreensão.

– Bem... Seu pai lhe prometeu a um de meus filhos, ele não disse a qual. – Tomei coragem e abri meus olhos, a esperança voltava a existir naquele momento, olhei para o Sr. Montevic, ele estava um pouco sério. – Mas eu não tomei o cuidado de lhe consultar e nem à James. Pelo que parece, Henrie não vai mais aceitar coisa alguma, então... – Ele abriu um sorriso, para mim aquilo era significativo.

Abri um enorme sorriso.

– Muitíssimo obrigada Sr. Montevic, não sabe o quanto me alegra. – Lágrimas escorriam de meu rosto, lágrimas de gratidão, amor, satisfação, alívio e alegria.

– Disponha! – Ele disse sorrindo.

– Obrigada Sra. Montevic. – Disse sorrindo a ela.

– O que importa é que sejam felizes. – Ela disse sorrindo para mim também.

– Mãe? – Chamei por ela. Ela me abraçou.

– Seja feliz minha pequena. – Ela sussurrou apenas para eu ouvir.

– Obrigada. – Assim que sai dos braços de minha mãe me joguei nos braços de James, muito aliviada, nunca achei que aquele momento aconteceria.

– Eu te amo! – O ouvi sussurrar.

– Você é tudo pra mim! – Sussurrei em resposta.

Notas finais
Bem, é isso, espero que tenham gostado.Deixem seus reviews, elogios e críticas são muito bem vindos, mas ficarei feliz com um "oi".Obrigada por lerem, até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!