Por Amor

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Dedicado inteiramente a ma dear Petit-ou. Feliz dia dos namorados! ;_; (L)

Aquele mundo era – no mínimo – estranho, Souma pensou.

Então percebeu os casais saltitantes, as pessoas sorrindo e a felicidade excessiva e, por um acaso do destino, teve a certeza de que ia odiar o lugar.

“Bem vindos à Liebhaber-Kuni!” Um jovem casal, dando as mãos, apareceu para saudá-los. “Eu sou Tsunao Kisora e este é o Mitsuri. Somos do comitê de boas vindas deste país.” E a mulher, mostrando uma pulseira cor de rosa para o quarteto, perguntou: “Quem é de quem?”

Chibiko, sem entender nada, virou-se para encarar Souma que assumira um curioso tom de vermelho-paixão no rosto. O mago, então, perguntou: “Como assim, senhorita?”

“Neste mundo, os pares nascem predestinados a se encontrarem e, uma vez que o tenham feito, não podem se separar.” A garota mostra tanto a pulseira que usava e a do parceiro. “O mesmo deve ser feito com todos os viajantes que chegam! Neste país também há várias opções do que se fazer... Praias, cinemas, até fontes termais! Tudo criado para o conforto de casais...”

“Ah, então~” O vampiro se pronunciou. Um calafrio passou pela espinha do soldado e ele tentou impedir Mausi de pronunciar aquelas palavras, mas era uma batalha perdida. Sentiu-o abraçar suas costas e falar aquelas palavras amaldiçoadas. “O Soumazinho é meu!~~”

Souma Kyoku decidiu confiar nos seus instintos daquele dia em diante e, no momento em que tivesse um mau pressentimento, acreditar totalmente nele e pedir para Nami-san mandá-los para um outro país imediatamente.

“EU NÃO SOU SEU, SEU CRETINO!”

“Ah, tão mau... Você só se aproveita de mim, não é mesmo?!” O vampiro enxugou uma lágrima.

“Então, isso faria da moça e do outro um par, não é?” A menina de cabelos rosados continuou. “Mit, por favor, amarre as pulseiras neles também.” O rapaz de óculos fez o que foi pedido, mas amarrando cordões amarelos nos pulsos dos dois. “Senhor Cretino, por favor, ate este símbolo como prova de seu amor!” disse, estendendo a Mausi uma fita cor-rosa-choque-não-olhe-por-muito-tempo.

“Certo! Soumazinho~~~”

“NEM MORTO EU USO ISSO!”

XXX

Depois de muito tentar convencer o loiro, Nami elaborou um plano de rápida execução com o vampiro. Sem divagar mais, digamos que Souma descobriu que aquela pulseira era inquebrável.

“Ah, seu maldito!”

“Veja pelo lado bom, Soumazinho! Agora estamos presos pela eternidade!”

“NÃÃÃÃO!!!”

“Então...” Chibiko começou, ignorando os protestos do outro. “Acredito que devamos nos separar para procurar o fragmento do espelho deste país.”

“Sim!” Souma prontificou-se. “Eu irei com Nami-san e Chibiko-san deverá ir com Mausi-”

“Nananinanão.” O vampiro novamente o abraçou por trás. “Somos os dois predestinados, não podemos nos separar!”

“Cê ta brincando, né?”

“Claro que não. Todas as palavras de amor que dirijo à você são verdadeiras! <3”

“... Você me assusta. E por que raios tem um coraçãzinho depois da fala?”

“Oras, vamos! Nami, cuide bem da Chibiko, sim? Seja gentil com ela! <3”

“Certo!” O mago respondeu prontamente, segurando a mão dela. “Vamos, Chibiko-san!”

“Sim, Nami-san!”

“COMO ASSIM ELE TEM DE SER GENTIL COM ELA?” Souma gritou.

“Esse é o tipo de coisa que você não entenderia, Soumazinho. Mas se você quiser que eu te explique, Tsunao-san nos deu vários panfletos de vários hotéis. Eu ia ter muito prazer em te ensinar.”

“Cala a boca, seu pervertido! Droga, por que eu tenho de andar com você...?”

Mausi suspirou. “Se realmente não quiser, podemos nos separar aqui. Você procura por essa parte da cidade e eu irei na outra direção, tudo bem? Nos encontramos aqui depois para as nossas... aulas.” O vampiro piscou, dando um beijo estalado na bochecha do outro.

“Seu maldito!”

XXX

Horas depois, o soldado terminou de andar pelas ruas sorteadas. Não tinha encontrado nenhuma pista do paradeiro do fragmento. Era tão estranho... Sentado na escadaria da loja que combinara com Mausi, Souma ponderou se os outros estavam tendo alguma sorte. Provavelmente o báculo do mago já deveria estar acusando alguma coisa...

Se ele não estivesse sendo gentil com a Chibiko... ‘Espera aí, o que eu tô pensando? Claro que o Nami-san ia ser gentil com ela, mas... AAH, aquele maldito até confunde minha cabeça!’

Um casal saiu da loja atrás dele, carregando um pequeno pacote vermelho. Será que ela daria um desses – não, pensamentos horríveis implantados por aquele cretino... Ele não queria admitir, mas ficara um pouco ansioso. Mesmo não sendo a primeira vez que ganhara um chocolate desses...

‘Aqui, prove isso, Souma...’

“Ah, Amaya... Carregue para mim aqueles livros, por favor...?”

‘Você, fazendo chocolate?’

“Você está brincando comigo, Asami.”

‘Uma das criadas me ensinou a fazer, prove logo.’

“Por favooooor~”

‘Do jeito que você fala até parece que tem veneno.’

\"Está bem.\"

‘Então eu não posso provar?’

“Himitsu! Por onde você andou?”

‘Argh, o que você ta fazendo aqui?’

“Maiko-san... Algumas garotas estavam com problemas lá atrás, no celular delas... Pediram para tirar fotos até que conseguissem consertá-lo.”

‘Não posso vir nas minhas cozinhas, Souma?’

“SEU BURRO! Elas tavam é se aproveitando de você!”

‘Ah, senhor Andrei, claro que pode provar...’

“Ah, vou prestar atenção da próxima vez, Maiko-san!”

‘Não dê isso pra ele!’

\'Com ciúmes, Souma?\'

“Algum problema, moço?”

Deixando de ouvir as pessoas que passavam, Souma encarou a menina de cabelos negros que sentara na escadaria ao seu lado. Vestia roupas tradicionais daquele país (ao menos era o que ele achava): um vestido cor-de-rosa, com babados e sapatos combinando. Mas possuía olhos negros, diferentemente dos olhos rosados dos nativos.

“Por que não está com o seu ‘predestinado’?”

“Aquele cretino não é meu-”

“Mas vocês se dão tão bem! Ele... parecia triste.”

“Quem, o Mausi? Duvido, ele tava com aquela cara besta de sempre.”

“Mas, mesmo assim... Ele parecia bastante triste.”

“Duvido, nada abala aquele cara!”

XXX

“Não, me desculpe, não houve nenhuma ocorrência como a que o senhor descreveu...”, o casal respondeu.

“Entendo. Muito obrigada assim mesmo.”

Mausi suspirou. Era o último endereço da sua parte e nada. Nenhuma informação, nenhuma pessoa misteriosamente em coma...

Nenhuma pista sobre a cura para Amin.

“Droga!”

Os cabelos esvoaçantes e aquele sorriso...

‘Mausi... O dia não está lindo hoje?’

“Amin... Eu vou achá-los. Certamente.”

XXX

A conversa entre eles continuou com Souma contando as coisas terríveis (na opinião dele) que Mausi já o havia feito passar. Diversas vezes ela passou a mão pelos cabelos, rindo, quando o tritão finalmente percebeu que a garota não usava uma corrente.

“A sua corrente-”

“Sabe por que usam essas correntes neste mundo?” A menina o cortou. O tom de voz dela mudou tão rapidamente que ele só balançou a cabeça. “Porque, aqui, podemos dizer que nascem... ‘metade’ de alguém. Você nasce incompleto. Então, você encontra aquela pessoa... E não pode mais se separar dela. Já ouvir dizer que a dor é horrível. Então, vocês passam a conviver. Até que... Até que...”

“A minha... pessoa especial já se foi. Mas...” A morena colocou uma mão em seu rosto. “Se eu tivesse nascido aqui, a dor teria me matado...” Ela o encarou de novo. “Isso não é injusto...?”

Eles ficaram por algum tempo em silêncio. ‘A morte da pessoa mais preciosa’...

“Eu não acho... que ele gostaria que você morresse... Mesmo que ele não estivesse por perto, eu acho... eu acho que ele gostaria que você vivesse e... e sorrisse! Mesmo com todas as dificuldades, eu acho que ele gostaria que você fosse feliz!”

‘Como... ele diz as mesmas coisas que ele com tanta facilidade?’ Pensou.“Você é um bom garoto, não é?”

“Hein?”

“Deveria dizer isso a Chibiko-san, sabe. Enquanto tem tempo...” Ela então pegou alguma coisa da bolsa. “Bem, devo ir agora. Ele já vai chegar. E... vocês estão procurando por isso, não é?” ela colocou o objeto nas mãos dele, fechando-as em seguida. “Boa sorte!”

“Soumazinhooooo~”

“Cretino-”

“Olha quem eu encontrei de mãozinhas dadas na volta? Chibi-chan e Nami-san! Queimoral, nãoacha?”

“Imoral é você que fica achando essas coisas!”

“Ah, infelizmente, não achamos nenhuma informação... Parece que não há nenhum fragmento neste mundo.”

“Ah, que pena-” Souma abriu a mão e ali estava. O pedaço brilhante de vidro que aquela menina o dera — um Fragmento do Espelho do Tempo. “Oh. Mas... como...?”

“Ah!” Chibiko e Nami exclamaram. “Souma-san, porque não nos contou que possuía o fragmento este tempo todo...?”

“Foi uma menina... ela conversou comigo e me entregou o fragmento...”

“Huhuhu, uma menina? Soumazinho, você está me traindo?” Colocando uma mão no peito, a frase foi dita no tom mais melodramático possível.

“Oh, um caso!” o mago exclamou.

“Oh, pobre Mausi-san...” Chibiko suspirou, correndo para consolar o outro.

“CALEM A BOCA! E não acredite nisso, Chibiko-san!”

Souma parou momentos antes de esganar o pescoço daquele maldito. Algo estava estranho.

“Como ela sabia que eu gosto-”

“Como quem sabia que você gostava de mim?” Mausi o abraçou por trás.

De uma vez por todas, Souma seguiria seus instintos. Não importaria o que as pessoas pensassem dele, ele iria seguir seus objetivos até o fim. Os finos dedos se enrolaram no cabo da espada e...

“EU VOU MATAR VOCÊ, SEU CRETINO!!!”

Chibiko sussurrou para Nami, baixo o suficiente para somente o mago ouvir. “Nami-san, deveria eu contar para Souma-san que Tsunao-san nos afirmou que as pulseiras sairiam quando chegássemos ao próximo mundo?”

“...” O mago observou os outros dois naquela brincadeira de gato e rato de sempre e suspirou.

“Não estrague a felicidade deles por enquanto.”

Notas finais
...
Já pode me crucificar =D

(Fala sério, C!Syaoran!Y!Mausi é tudo.)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!