Notas iniciais
Primeiro capitulo da minha nova fic eeeeeh *-*
O estilo da escrita é bem regional, e fica bem mais engraçado se vocês lerem de um jeito nordestino.

Tudo começou há oito meses atrás, no mês de setembro. Minha família tava quase passando fome! Não tinha buchada! . Além disso, minha relação com minha família não era das melhores, a gente vivia tretando pelo último pedaço de cuscuz. Mas não se preocupe, vou explicar exatamente como aconteceu.

Já estávamos no mês de setembro, não fazíamos a “feira” do mês desde janeiro se não me engano, mas nunca faltou cuscuz com ovo. Meu pai era autônomo, e minha mãe trabalhava em casa, ela lavava a privada do povo, eu tinha uma irmã de sete anos que não fazia nada para ajudar, era vagabunda– em geral, digo – e eu, que não podia trabalhar porque a escola sozinha já acabava comigo, e porque eu era preguiçosa, eu não conseguiria dar conta de um trabalho no horário da manhã já que estudava pela tarde. Enfim, nunca faltou comida na mesa porque minha mãe comprava fiado, tínhamos o básico, sempre o nosso cuscuz, isso era o suficiente na cabeça do meu pai, mas eu e minha mãe nos irritávamos constantemente com a falta de pequenos luxos — como buchada, macaxeira, caldo de cana, rapadura, tapioca com coco e uma porção de coisas que no momento o orçamento nos impedia de adquirir- . Sem contar com as outras dívidas da família, fizemos uma farra no ano novo e ainda não pagamos tudo . Mas de vez em quando podíamos passear, mais especificamente em algum shopping da cidade, a gente entrava, mas não comparava nada, eu só queria ir nos restaurantes que serviam cuscuz.

Era sábado a tarde, e eu ia pedir a minha mãe que deixasse meu namorado vir para nossa casa no dia seguinte, porque eu queria dar uns pega nele, mas nem tive a oportunidade de pedir porque ela decidiu que no dia seguinte iríamos ao shopping, ai eu pensei: “Eita que sem graça, olhar as coisas e não comprar nada.” Tentei não ficar chateada, afinal não ia fazer mal algum sair um pouco, eu tava enfornada no meu quarto há dias,e lá fazia um calor da peste,e no shopping tem ar condicionado. Sábado a tarde, nada pra fazer, fui pro meu quarto e liguei o notebook, e fui olhar as receitas de buchada. No meu quarto não tinha nada de especial, apenas uma cama, um guarda-roupas, e a mesinha do notebook que também era uma espécie de armário para os meus livros, e não,não tinha porta, ou seja: privacidade zero, eu não podia tirar os nudes! Conectei à internet e loguei no facebook, onde conversei com meu boy magia pelo chat e disse a ele que não poderia vir no dia seguinte porque íamos sair, pra olhar as coisas e não comprar, e que dinheiro era bem vindo. Ele não ficou chateado nem nada, mas nós queríamos nos pegar.Passei o resto do dia conversando com ele pela internet, fui dormir bem tarde nessa brincadeirinha.Dormi logo depois, e sonhei que tava tomando caldo de cana com pastel de vento.

Domingo de manhã,não tinha ninguém me perturbando, arrumei a casa e fiz o que mais tinha para ser feito e comecei a me arrumar, iríamos ao shopping depois do almoço- que na nossa casa era por volta das 11 da manhã, e era composto por cuscuz e água — . Não tive tempo de ficar na internet conversando com as pessoas, eu não estava a fim.

Quando terminei de comer todo o meu cuscuz, tomei um banho de cuia, só por causa do calor e comecei a me arrumar: deixei meus cachos soltos, coloquei uma calça jeans, uma blusa de mangas médias, — pois eu queria torrar de calor naquele dia- , e meu par sapatilhas pretas, mas tava com chulé. Deu vontade de usar maquiagem, mas eu tava com medo de parecer o coringa que nem minha amiga Hallyna, normalmente eu não uso sombra nos olhos, mas nesse dia usei, deliniei os olhos na parte de cima e na de baixo, rímel extra volume, um pouco de blush nas maçãs do rosto, fiquei parecendo uma palhaça, ai tirei um pouquinho e ficou melhor, e um batom discreto, mentira, era preto.

Chegando ao shopping andamos por lá, minha sapatilha tava fedendo tano que eu tava ficando com vergonha – o único luxo possível para nós:compramos uma barra de rapadura, três reais- . Enquanto andávamos – minha mãe, minha irmã e eu- eu olhava para as vitrines e admirava as belas roupas, parecia de escola de samba, acessórios de maluco, capas de iphone, diversos sapatos, casacos e tudo mais, cheguei à conclusão de que pessoas ricas são mais felizes, porque assim eles podiam comprar toda essa palhaçada e buchada. Por que,quem não fica feliz quando compra roupa nova? Quem não ficaria feliz exibindo uma linda capa de iphone? Quem não ficaria feliz comendo o que quisesse quando quisesse?Quem não ficaria feliz ostentando uma buchada com cuscuz? Fiquei deprimida com esses pensamentos, porque eu não tinha nem cinco reais pra comprar um caldo de cana de 500 ml.

Mas o lado bom de ir ao shopping era que eu podia ir à livraria e ler um pouco dos livros que eu não tinha em casa, e lá tinha ar condicionado. Naquele dia eu li O Retorno da Buchada Voadora, ou melhor, li 69 páginas . Depois de quase uma hora por lá, minha mãe decidiu que queria ir embora, e nós fomos, voltaríamos para o calor.

Andando pelo shopping novamente, vimos uma espécie de tenda, onde dentro vários maquiadores maquiavam garotas, no topo da tenda havia uma espécie de anúncio, o nome de um homem e ao lado sua foto: “Rickardo Fortinelli, maquiador”, na foto ele aparentava ser um viado, uns 30 anos, cabelos bem cortados de lado e com luzes e barba bem feita, ambos cor de caramelo, tinha olhos esverdeados, e usava um terno. Quando parei de olhar o anúncio, e olhei para a entrada da tenda lá estava ele, Rickardão Fortinelli, olhando para as pessoas, mas achei que ele olhava mais pros homens, ele vestia uma camisa pólo azul e usava uma calça jeans, e sapato social preto. Quando eu olhava os sapatos dele minha mãe me cutucou:

- Acho que aquele homem está chamando você, vá , mas não fale com estranhos.

Olhei pra ela meio zonza, e ela olhou para o Rickardo, e ele me olhava apontando pra mim e fazendo um gesto para que eu fosse até ele, olhei pra ele e levei a mão ao peito e perguntei: “Eu¿” e olhei pra trás pra ter certeza de que era comigo que ele estava falando, e ele confirmou balançando a cabeça. E olhou com uma cara que dizia “Quem mais seria, sua retardada¿”.

Olhei pra minha mãe novamente e ela fez um gesto para que eu fosse e me seguiu. Chegando lá Rickardo começou a falar:

- Você é bem mais bonita de perto.

Encarei como um elogio.

-Obrigada.

Ele estudou meu rosto e disse:

- Posso maquiar você?

- Eu já tô toda pintada.

- Não tem problema. – disse ele sorrindo- Venha.

Seguimos ele pela tenda, até que chegamos a uma cadeira vazia, e ele fez um gesto para que eu me sentasse. E ele começou o trabalho: removeu a maquiagem que eu estava e começou a fazer a nova.

Passei uns dez minutos aguardando o resultado. Quando me olhei no espelho eu estava linda, ele colocou uma sombra escura junto com uma mais clara nos meus olhos, deliniou meus olhos, e colocou um rímel de super extra volume, rosou levemente minhas bochechas e colocou um batom de cor clara, seria nude? Não sei.

Mas a combinação de cores se acentuou perfeitamente ao meu rosto. Fiquei lá me olhando, quando ele perguntou:

- Gostou?

- Mas é claro, ficou linda!Tô parecendo a miss Pernambuco. Obrigada.

Olhei pra minha mãe e ela sorriu de leve ao me ver,minha irmã estava um tanto boquiaberta, ela tava com inveja, certeza.. Levantei da cadeira e estava pronta pra ir embora, mas Rickardo tocou meu ombro e disse:

- Você gostaria de participar de um desfile?

Olhei pra ele um tanto surpresa, havia um brilho nos meus olhos.

- Eu adoraria, mas eu sou muito feia, pareço um traveco.

Olhei pra minha mãe com um olhar que dizia: “Aaaaaaaah, diz que sim vaaaaiii.” E ela me olhou com um olhar que dizia: “Não sei se é uma boa idéia”. E eu olhei de volta: “Aaaah, por favooooor!!”, e ela disse:

- Podemos falar com seu pai, mas ele não vai deixar, pra você não passar vergonha e depois vir chorando.

Sorri pra ela e para o Rickardo , e ele começou a nos explicar como seria e quando seria esse desfile e disse:

- Tome meu número, me ligue quando tiver uma resposta. E por favor, me dê uma resposta até amanhã de manhã, porque eu tô aperriado.

- Pode deixar.

- A propósito, qual é o seu nome?

- Annelise. Annelise Ribeiro.

Ele sorriu pra mim, e eu comecei a andar em direção à saída. Meu pai já havia chegado ao shopping para nos buscar.

Entramos no carro, e eu comecei a contar a ele sobre a proposta de Rickardo, e não esqueci de mencionar que teria um cachê, pois ele tava interessado era no money.

- Aaaaaah,paaai, é minha chance de fazer algo legal e ganhar dinheiro com isso, por favor. E vai ter buchada de graça!

Depois de insistir muito, meus pais concordaram. Quando cheguei em casa liguei para o Rickardo .

- Alô ,Rickardo?

- Oi, quem é?

- É Annelise Ribeiro, a menina da buchada.

- Ah ,oi, Annelise. E aí , vai poder participar do desfile?

- Posso sim.

- Que ótima noticia. Olha, o seu primeiro ensaio vai ser amanhã às sete da noite neste endereço...

Ele me deu o endereço e instruções, como: vá de salto alto, chegue na hora, me procure assim que chegar, não se atrase, não vá parecendo uma favelada. Essas coisas, depois me desejou uma boa noite e desligou.

Contei ao meu pai onde era o hotel onde seria o ensaio, e ele disse que me levaria lá depois da aula. Depois disso nós jantamos e meus pai e minha irmã foram dormir, e eu fiquei na internet contando as novidades pro meu namorado, Ramonn. Quando terminei de contar ele disse:

- Isso é ótimo, meu amor. Espero que dê tudo certo, e que lá você coma bastante buchada com macaxeira.

Notas finais
Espero que gostem de ler :3