Notas iniciais
Passei um tempo sem postar, mas espero que continuem lendo e rindo dessas mundiças.

— Annelise, Annelise! – gritou um mundiça no meio da multidão.

Eu não sabia de quem era a voz, não fazia idéia de quem poderia ser, até que um adolescente tocou meu ombro.

— Annelise, espera aí. Eu to ficando sem fôlego, não aguento correr, armaria.

Quando me virei pude ver quem era. Um adolescente muito gordo que eu não conhecia.

— Oi? — disse eu.

— Oi, Annelise. Meu nome é Armando. – disse o garoto.

— Oi, Armando. – estendi a mão para ele. – Prazer em conhecê-lo.

— Igualmente. Olha, eu vi você cantar, e eu adorei. Cantou muito. – ele deu um empurrão no meu ombro. – A muriçoca soca, soca. – ele riu.

— Obrigada, que bom que gostou. – olhei assustada por causa do empurrão.

— Pode ter sido uma coincidência, Annelise, mas Muriçoca é uma das minhas músicas favoritas. – disse ele. – Ela já me ajudou diversas vezes.

— Pois é, a mim também.

E surgiu um silêncio constrangedor até que minhas amigas apareceram.

— Aaaaaah, maaai gódi!! – gritou Julie. – Você nunca disse que cantava, sua louca.

— Eu nunca imaginaria que você tem essa voz toda, Liz, ainda bem que não parece um bezerro gritando que nem eu. – disse Gabrielle.

— Foi lindíssimo, amiga! – disse Andressa.

— Eu to tipo, chocada. – disse Ariella. – Mas você arrasooooooou!

E elas me deram um abraço coletivo.

— Nhaaaaaa, obrigada pelo apoio, migas! – eu disse.

Alguém pigarreou alto. Armando ainda estava lá.

— Meninas, este é o Armando. – disse eu. – Acabamos de nos conhecer — acrescentei rapidamente.

— Oi, modelos. – disse Armando acenando com a mão.

— Estas são Julliet, Gabrielle, Andressa e Ariella. – disse eu.

Ele tocou o vestido de Jullie, acho que ele tava tentando limpar a mão suja de fritura.

— O seu vestido é mais bonito que o da minha prima, mas nem Deus para convencê-la do disto.

Andressa engasgou, e cuspiu um pedaço de osso de galinha.

— Quem diabo é a sua prima? — perguntou Ariella.

— A Mayra. – disse Armando revirando os olhos. – Ela fez todo mundo da família vir neste desfile idiota, mas até que valeu a pena. Enfim, eu preferia estar jogando em casa. – ele revirou os olhos de novo e puxou um iphone do bolso, mas tava com a tela rachada.

— Nós conhecemos a Mayra. – disse Jullie cuidadosamente.

— Como é que você aguenta aquela vaca?? — disse Andressa.

Olhei pra ela com reprovação, afinal não era culpa de Armando ter uma prima tão cruel.

— A gente não escolhe a família, Andressa. Infelizmente. – disse Armando com um olhar divertido. – Perto dos pais Mayra não é tão ruim.

— Gente, eu tenho que encontrar minha família. – disse eu. – Vocês entendem né?

Eles concordaram comigo.

Achei minha família alguns minutos depois. Meus pais estavam muito orgulhosos de mim. Nunca tinha os visto tão felizes.

Não me lembro muito bem do que eles disseram por causa do barulho ao redor. Mas sei que estavam muito felizes por mim. Eles estavam comendo de tudo, pareciam uns mundiça. Alice, minha irmã, estava agarrada num prato de cuscuz com tripa.

Continuamos por lá por mais algumas horas, minha família não queria ir embora por causa das comida, até que as pessoas começaram a ir embora, e Rick e Hugo chamaram todas as modelos para pegar o cachê, finalmente receber meus money.

Depois que nos pagaram, as meninas começaram a se despedir, a maioria trocava números de telefone, facebook, ou snapchat.

Rick me chamou.

— Annelise, estou orgulhoso de você. Você cantou muito naquele palco, e quero manter contato para discutirmos o futuro de sua carreira.

— Eu vou ter uma carreira? — perguntei maravilhada.

— Mas é claro. Me dê seu número — comecei a olhar pro meu pé — Não é o do sapato, lesada. Amanhã vou ligar pra você para combinarmos uma reunião com seus pais.

Ele continuou falando um pouco mais e me dando instruções. Minhas amigas estavam me esperando, então ele me dispensou.

— Aaaaah, Lizziiiiiiiii. Vamos sentir sua falta. – miou Andressa.

E todas nós nos juntamos para um abraço coletivo. Andressa, Samara, Julliet, Gabrielle, Ariella. Minhas amigas.

Do nada apareceu Suzzane, e disse que também queria um abraço. Nós a incluímos na rodinha.

Mayra estava do lado de fora da porta com seu grupinho quando estávamos saindo.

— Ah, olhem! A Annelise Pobretona Ribeiro. – disse Mayra rindo, e suas amigas riram feito hienas. – Você está melhor, querida? Depois de encher o bucho você até que ficou mais apresentável. — disse ela me olhando.

— Por que você acha que eu não estava bem?- perguntei.

— Porque você parecia um pato engasgado naquele palco, sua ridícula. – respondeu ela provocando mais risadas em suas amigas.

— Isso tudo é inveja, Mayra? — perguntei rindo, minhas amigas também riram.

— Pois é, Mayra, você tá ficando vermelha, parece uma catenga! – disse Andressa.

— Saia da frente, queremos ir embora. – disse Jullie.

— Sairemos quando a Lizzie implorar. – disse Mayra.

Então eu empurrei ela e sai andando, quando olhei pra trás vi que ela havia tentado se apoiar em uma de suas amigas, e fez com que ela derrubasse caldinho de mocotó em seu cabelo quando caiu no chão.

Minhas amigas começaram a rir.

— Desculpe, Mayra. Quebrei seu Verdanni? — perguntei maliciosa. – Ah, não. – eu mesma respondi. – Ele já estava quebrado, só estraguei sua chapinha.

Minhas amigas riram ainda mais,e as amigas de Mayra tentavam levantá-la.

Nós fomos embora e as deixamos lá dando chiliques. Uma ótima maneira de fechar a noite.

***

Depois da festa fomos para casa, meu pai insistiu em deixar Ramonn em casa, mas nós não conversamos muito no caminho, eu ainda queria discutir sobre nossos problemas, mas não ia ser legal fazer isso na frente de meus pais. Minha irmã pegou no sono e estava quase babando em meu vestido. Logo depois ela começou a peidar, sabia que não deviam ter deixado ela comer tanta cebola crua.

Assim que deixamos Ramonn em casa fomos diretamente para nossa casa. Eu mal podia esperar pra cair na minha cama.

Eu dormi. Pareciam ter sido 30 segundos, mas eu dormi por 14 horas seguidas.

Já eram quase 3 da tarde quando finalmente despertei. Saí da cama aos tropeços encontrei minha mãe na cozinha.

— Boa tarde, morta de fome. – disse ela.

— Nem tão fominha assim. – disse minha irmã.

— Nhe. – mostrei a língua pra ela. – Estou com fome, mãe .

— Me surpreenderia se não estivesse.

Depois de comer uma excelente refeição, cuscuz com ovo, fui pegar meu celular para me conectar à internet, roubando o wi-fi do vizinho. E vi 7 chamadas perdidas, 3 do Rick, 2 do Ramonn e 2 da Thays.

Liguei a cobrar para Rick, ele atendeu e desligou na minha cara, mas ligou de volta.

— Até que enfim. – ele atendeu com a voz arrastada.

— Bom dia, Rick. – disse eu.

— Boa tarde, Annelise. Presumo que você acabou de acordar.

— Sim. – disse eu bocejando.

— Bom, vamos marcar uma reunião com seus pais pra hoje, já entrei em contato com um amigo que é dono de uma gravadora, e outro amigo que tem contatos com a rede Record, está quase certo que você vai aparecer em um programa de rede nacional.

— EU O QUÊEEEE????

— Isso mesmo, meu bem. Achou que eu dormia no ponto? Aqui é 8 ou 80, escreveu não leu, o pau comeu. – ele riu.

— Não , mas não achei que você era tão rápido.

— Vamos precisar de uma música top para alavancar sua carreira, espero que você já comece a escrever uma.

— Eu tenho algumas, posso melhorá-las.

— Ok. Me passe seu endereço, avise aos seus pai que as 19:00 em ponto estarei aí, e não, não quero jantar com vocês.

— Eu ia convidar pra comer buchada...

— Não se preocupe, Liz. Essa semana eu só comerei frutas, perdi uma aposta. É uma longa história.

— Ok, então até às sete.

— Tchau.

Desliguei o telefone e fui correndo contar pra minha mãe. Ela disse que tudo bem desde que eu a ajudasse a arrumar a casa e preparar uma salada de frutas. Concordei.

Fui falar com Ramonn pelo facebook pra saber o que ele queria, e por sorte Thays também estava online.

Fiquei nervosa quando Ramonn falou comigo. Algo endureceu dentro de mim, pensei que eu ia vomitar o cuscuz.

Notas finais
Leiam tudo seus mundiça :3