Notas iniciais
Eu particularmente não gosto dessa One, mas a pedido, e também para não perdê-la, a Poor Kitty está aqui.

Feita em junho/2012.

"Sabe, alguns têm medo de mim. Mas se aproxime, não seja uma dessas pessoas. Sou tudo que imaginar, menos injusta. Não farei mal á você, pode se aproximar, baby. Bom gatinho." A mulher sorriu com todos os dentes, pegando o filhote negro desajeitadamente e o colocando em seu colo.

"Quer vodca? Acho melhor não. Piá, ando fudida. Não igual essas putas ai que dão pra todo mundo, eu estou falando no sentido de quebrada. Mas fudida igual elas também dá pro gasto. Já fudeu? Ainda é pequeno, acho que não. É bom, baby. Faz dezoito anos que faço essa porra. E que porra hein." Por um instante parou de falar, tossindo com força e dando um gole grande de bebida. Seu vestido estava quase na cintura, mas não era algo importante no momento.

"Tá ouvindo esse tic toc, neném? Ou tum tum, que seja. Eu tô e isso não me parece uma coisa boa. Foda-se, nessa vida não tem coisa boa mesmo. Mas tá irritando, e como tá hein. Única coisa que me irrita mais que esse barulhinho são meus pais. Filhos da puta. Nem moro com eles mesmo, graças á Deus. Ou graças ao Diabo, sei lá. Aliás, nem sei onde moro mais. Moro ali, moro aqui, moro na rua, moro em lugar nenhum...Eu moro é em qualquer lugar. Você deve ser tipo eu né não, piá? Sem nada nem ninguém. Tu foi jogado sozinho no mundo igual eu, certeza. Mas tudo bem, tá adotado. Vou depois comprar uma gatinha gostosa e vai ver o que significa uma boa foda, acho que vai curtir. Mas não engravida a outrinha, beleza? Ou vou colocar tu e a vadia pra fora de casa. Igual minha mãe fez comigo quando eu tinha dezesseis anos. Deu nem tempo de contar que já foi me metendo a vassoura na cabeça, aquela velha. Deve ter raiva da vida porque meu pai nunca fodeu ela de verdade. Vai ver que é gay, pelas marcas nas costas." Fez uma pausa rápida ao observar um carro passar pela estrada e continuou.

"Se for gay já me avisa pra eu num arrumar mina nenhuma pra você, viu baby? Meu namorado fez isso, não contou e peguei ele de quatro. Depois o que rolou foi muito legal não.Meu é meu, ninguém nem respira perto ou eu quebro o pau, entende? E se não tiver um, arranco os cabelos mesmo.

Sou meio ciumenta, dá pra ver né, piá? Mas até que nem tanto, já deixei fazerem tanta merda nas minhas costas que já perdi a conta. O que o amor não faz, né, piá? Já matei muito por ele, menino, menina, tanto caras quanto uns coroas por aí. Fui presa e agora estou aqui, conversando contigo. Fugi ontem daquela porra de prisão, devem estar me procurando tudo doido, com arma na mão prontinha pra meter na minha cabeça e fazer POW." A menina deu um soluço amargurado, rindo.

"Mas eles não precisam se preocupar não, eu já estou morta por dentro né. Sou uma mulher má, piá. Uma criança má. Vou dar o gostinho do meu sangue pra eles não, mas também não quero acabar sozinha. Tu vai comigo?" Sussurrou, recebendo um miado gentil e confuso como resposta. Outro carrose aproximou dali em alta velocidade, mas parando num segundo pouco tempo depois.

Havia atropelado uma garota e um gatinho. Pobre gatinho.

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