Ponto de ônibus

1 Perfeitas lembranças


Notas iniciais
Música que a Lucy canta : https://youtu.be/eM213aMKTHg

Fim das aulas, férias. Essas duas palavras fizeram o meu dia muito melhor, estava cursando administração na faculdade federal de Magnolia a MUF e teria um pouco de "descanso" , sim eu coloquei entre aspas pois você já viu universitário ter algum pingo de descanso? Sejamos francos isso não acontece de jeito nenhum quando você cursa faculdade principalmente se ela for uma faculdade pública.

Mesmo que você tenha um período de férias por digamos umas quatro semanas ou um mês você já ouviu falar em matéria acumulada? Aqueles montes de livros do lado da sua cama que assombra os seus sonhos transformando os quase que de imediato em pesadelos. Essas seriam as minhas próximas semanas, não sabia nem se chorava ou se eu ria da minha verdadeira desgraça.

— Lu-chan — falou a pequena azulada. — Vamos indo? — perguntou agarrando um dos meus braços.

— Claro — disse.

Levy era minha melhor amiga desde que eu me entendia por gente, graças a ela que estava em uma faculdade federal digo a ela e suas imensas seções de estudos comigo por sorte prestamos vestibular na mesma época então Levy não era mais adiantada ou algo assim ela só era mais inteligente ou como eu gostava de chamar rata de livros.

Caminhamos ate a lanchonete da faculdade, olhamos cada item nas vitrines pelo canto dos olhos, fizemos uma careta ao ver o preço de uma coxinha e um suco de maracujá e preferíamos optar por comer a marmita que fizemos em casa.

— Isso é um absurdo — falou a menor. — Pelo menos no último dia de aula poderiam abaixar os preços, qualé queria matar a minha vontade de comer coxinha.

Lucy ouvia aquele discurso aos risos.

— Levy-chan você está ficando com manias de uma gorda.

A pequena olhou aquilo com os olhos arregalados enquanto tinha o garfo entre os lábios em uma expressão realmente engraçada.

Ela fez questão de mastigar seu macarrão bem de vagar, dramatizando ainda mais aquele momento.

Assim que acabou de fazer isso, a dona dos cabelos de cor incomum respirou fundo e colocou seus olhos sobre a loira.

— Lu-chan — disse enquanto agarrava um pouco da sua barriga — Eu não estou gorda, eu só queria uma coxinha para matar a minha vontade poxa vida.

Lucy ao ver aquela cena apenas riu mais alto ainda. Colocou seus braços envolta dos ombros da amiga trazendo o corpo dela para mais perto. — Eu também amo você Levy-chan.

O resto de seu almoço com Levy foi bem normal, claro se não fosse pela visita inesperada de Gajeel Redfox que levou uma macarronada na cara por ter provocado a baixinha.

Nota mental, não diga para ninguém que tem uma altura um pouco fora do normal que é baixinha ou pode sinceramente acabar muito ferrado ou com macarronada na cara no caso de Gajeel.

(...)

Agora a loira estava com metade do corpo encostado em uma parede metal, ouvindo uma música qualquer que saia dos fones de ouvido conectado ao celular bem guardado na mochila. Lucy depois de almoçar com Levy no refeitório da MUF tratou de pegar o primeiro ônibus para casa sendo que esse era apenas o início de sua longa viagem.

Os olhos cor de chocolate admiravam a paisagem sem graça que passava nas janelas enquanto dizia baixinho a letra da música.

— Picture perfect memories,Scatteredall around the floor, Reaching for the phone cause, I can't fight it any more And I wonder if I ever cross your mind For me it happens all the time.

Tudo é muito comum, a maioria dos dias são sempre muito comuns, acordar em um horário X ir para a faculdade, ouvir várias aulas realmente chatas e então voltar para casa se matar nos livros e voltar a fazer isso no dia seguinte.

Os olhos cor de chocolate de Lucy foram atraídos quase que automaticamente para o ponto de ônibus. Uma cabeleira rosada lhe chamou bastante a atenção, não só o cabelo como seu dono.

O sorriso arteiro e olhos e nariz perfeitamente desenhados para se encaixar naquela expressão infantil que o desconhecido tinha, de algum modo aquilo a atraia a loira. Uma de suas mãos foi até a janela desejando tocar o dono dos cabelos rosados.

Seu coração pareceu se apertar a cada pessoa que subia.

— Suba, suba, por favor — pediu baixinho.

Uma pessoa subiu, e não era ele. Depois outra e mais outra e nenhuma dessas era o desconhecido que fez seu coração de apertar.

— Por favor — pediu mais uma vez mordiscando seus lábios inferiores e a mão que não tocava a janela do ônibus apertava a alça da mochila um pouco mais forte enquanto fechava os olhos com certa força, como se fizesse um desejo para uma estrela no céu.

No instante em que abriu via ele subindo naquele ônibus, seu coração e corpo pareceram relaxar finalmente.

O dono dos cabelos fora do normal seguiu até o fundo do ônibus, se sentando ao lado da loira. O rosado a olhou pelo canto dos olhos sorriu animado e estendeu a mão.

— Me chamo Natsu — anunciava.

Lucy corou por aquele ato simplista deixando que a mão na janela repousasse em sua perna.

— Lucy — falou um pouco baixo demais.

— É um prazer conhecer você Luci.

— Eu digo o mesmo Natsu.

Quantas vezes na vida você se apaixona?Quantas vezes você olha aquele garoto no ponto do ônibus e deseja que ele suba no mesmo veículo que você e então ambos se apaixonam? Quantas vezes na vida a pessoa que você supostamente gosta vem falar com você por livre e espontânea vontade?

Lucy tinha caído naquele clássico clichê de se apaixonar pelo garoto do ponto de ônibus e agradeceu todos os dias por ele ter subido no mesmo ônibus em que estava.

Pois aquele início de férias parecia não ser tão chato assim por um lado um tanto rosado demais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!