Notas iniciais
Olá, amores Me desculpem pelo atraso do capítulo, meu notebook resolveu dar adeus de verdade. Eu gostaria de agradecer a todxs que comentaram, favoritaram e que estão acompanhando PDV. Eu fico muito feliz, de verdade. Enfim, vamos ao sonho da Rose!

Por fim, Phrixus sacrificou o carneiro alado para Poseidon, com o intuito de devolvê-lo ao deus. Sua lã transformara-se no velocino de ouro. O seu corpo, na constelação de Áries. (Os Argonautas — c. 250 a.C.)

No céu, a constelação de Áries pode ser encontrada no primeiro quadrante do hemisfério nortenho, entre +90 e -60° de latitude.

Na vida, o ariano te encontrará antes que você o procure.

Sonho lúcido, episódio I

No meio da rua deserta, sozinha, Rose olhava de um canto a outro. Sentia que conhecia aquele lugar para qual o sonho a levara, mas também sentia que não tivera tanto tempo assim para analisá-lo com calma da primeira vez que esteve lá.

Apesar do intenso calor do verão, o ar da noite estava úmido. Não haviam casas próximas. Rose não enxergava nenhuma. A única luz disponível, além da fraca iluminação pública, vinha de algo similar a um farol. A garota poderia estimar que a luz piscava a cerca de no mínimo um quilômetro a frente.

Rose assustou-se quando escutou um burburinho vindo da direção contrária. Um grupo de quatro pessoas atravessava a estrada esburacada rapidamente. Ela não teve tempo para pensar em se esconder, entretanto, não fora de fato necessário. Os adolescentes pareciam não notar ou se importar com a sua presença. Eles seguiram em direção ao farol, sorridentes. Comentavam alegremente sobre algo relacionado a uma festa.

Demorou um pouco, mas então Rose entendeu o que estava vivendo novamente.

O fatídico dia da festa despedida de James Sirius Potter.

— Sonho escroto do caral...

A ruiva preferiu não prosseguir na reflexão raivosa. Ela suspirou. Não sabia porquê a sua mente havia escolhido exatamente esse cenário.

Mentira, sabia sim.

A garota não queria reviver a merda que fora o seu fim de festa. Fim, inclusive, que aconteceu no começo da mesma. É só acordar, Rose. Simples, a garota pensou. Acordar significava ter tudo resolvido.

Mas, como se fazia isso?

A ruiva se perguntava sobre a questão quando mais um grupo de pessoas saiu da estrada. Dessa vez o bando era maior. Entre eles, Scorpius Malfoy caminhava, com as mãos nos bolsos da calça verde de moletom. O loiro balançou a cabeça em negação quando passou por ela, todavia em seguida sorriu e piscou um dos olhos.

O cenário já não era mais tão igual assim.

— Por favor, Weasley, não acorde. – lembrou-se do conselho.

Era um sonho, afinal. Ela poderia se permitir a experiência. Rose seguiu o grupo. Eles se embrenharam no caminho de uma trilha ampla de pedra que começava do outro lado da rua. A passagem era rodeada por árvores bem altas e de copa frondosa, o que tornava o ambiente e a noite mais escura ali.

A garota adiantou os passos até ficar lado a lado com Scorpius, que liderava o bando em silêncio. Rose optou por também permanecer calada. A cada passo, a ruiva notava que os sons da noite iam sendo substituídos por barulhos eletrônicos que não economizavam nem nos graves, nem nos agudos.

Os dois marcharam juntos por longos minutos, até parar em uma inclinação de terra. Malfoy estendeu a mão para ajudá-la a subir e em seguida deu impulso para fazer o mesmo. Um pouco desequilibrada, Rose avançou mais alguns passos.

A música agora tocava tão alto que garota sentia o seu coração vibrar com tremor das caixas de som enormes. Eles haviam chegado enfim a tal festa. Debaixo do velho farol, lâmpadas coloridas estavam penduradas em fileiras, nas ruínas de uma antiga base militar.

Dois containers, que Rose sabia que estavam lotados de cerveja e outros mil tipos de bebidas alcoólicas, ficavam bem perto da entrada. Eram a primeira coisa a vista.

James não poderia ter sido mais James do que isso.

— Achei que você iria desistir. – disse Scorpius, enquanto batia palminhas para limpar as mãos sujas de terra.

— Eu ainda estou ponderando. – a ruiva respondeu.

Scorpius sorriu. Rose percebeu que apesar do som alto, não precisava gritar para se comunicar com ele.

— Vamos até lá.

Malfoy arrastou a ruiva pela mão.

...

— Scorpius... – Rose começou a sua lamúria.

— É a última. Eu sei que você quer. – o loiro replicou.

Rose suspirou e virou o copo com a dose da bebida vermelha. Era o quarto experimento da noite. Aquela, pelo menos, tinha um leve gosto de morango.

Misturado com uma pitada de morte.

Como ela sabia disto? Não fazia a menor ideia. Na vida real Rose nunca colocara uma gota de álcool na boca. Sua cabeça deu uma leve rodada.

Malfoy a encarava com uma expressão engraçada.

— Por que parece que você está se divertindo com isso? – ela indagou.

— Porque eu estou. – o loiro respondeu. – E você também.

– Eu nunca bebi na vida.

— Eu sei.

— É engraçado fingir que posso agora.

— Você sempre pôde, Rose.

— O consumo de álcool é um ato imprudente.

— Então por que você está o provando agora? – Scorpius ergueu uma sobrancelha.

Touché.

Rose estava sem palavras.

— Vo-você disse que eu poderia fazer o que quisesse, ué. – balbuciou, sem jeito.

— Então você sempre quis beber? – o loiro questionou.

Sim, ela pensou. Malfoy sorriu.

— Droga, você já sabe a resposta.

Ele assentiu.

— Não é tão ruim quanto parece. – Rose admitiu. – Mas não sei se eu estou preparada para provar um de verdade quando eu acordar.

— Justo. – Scorpius concordou.

Ainda apoiada no balcão, Rose observou o espaço ao redor. Na noite da festa real ela não tivera tempo de ver aquele tanto de gente reunida. Grande parte dançava, outra parte, assim como ela, bebia e conversava no balcão. Não conseguirá ver James até então.

Algumas pessoas tinham se perdido atrás do farol. Rose, obviamente, imaginava o motivo. Era engraçado assistir toda a dinâmica e se sentir pertencente pela primeira vez. A ruiva, porém, não teve tempo para se questionar mais sobre o momento.

Dois braços apertaram o tronco de Rose.

— Eu sabia que eu te acharia aqui!

Ah, não... No meu sonho não...

Albus sorria, como sempre. Rose deu um tapinha nas mãos do primo. Ele não a soltou.

— O que eu faço para ele sumir daqui? – ela perguntou a Malfoy.

Scorpius somente deu de ombros, indicando que não sabia.

— Al, eu já disse que eu não quero conversar! – Rose reclamou.

— E quem disse que eu quero? – o moreno rebateu. – Você está aqui. Não há nada mais a ser dito.

— Não?

— Não.

Albus soltou o corpo da prima delicadamente. Ainda sorria. Rose o encarou curiosa. Ela sentia a pista de dança ao redor, as pessoas e o balcão com as bebidas, entretanto, era como se o enquadramento do sonho estivesse focado apenas neles dois.

— Mas... você nunca desiste...

O garoto negou com a cabeça.

— Não é uma desistência. Agora eu já sei onde você queria estar.

— Albus...

— Eu sinto falta da minha amiga, Rose.

Já faziam alguns anos que Rose fugia de escutar aquilo. Porque doía. Doía muito.

— Eu também sinto a sua falta... – ela respondeu.

— Mas ainda assim você desistiu de mim. – ele salientou. – E do James, da Roxy, da Lily... Até mesmo da Domi...

Albus a encarava firmemente. – Por quê?

Rose suspirou de maneira pesada.

— Eu tive que me afastar.

— Nós nunca iríamos atrapalhar os seus planos.

— Eu sei. Só que vocês eram a minha distração. – a ruiva lamentou. – Com vocês, eu esquecia do mundo.

— E sem a gente? – Albus perguntou.

Rose não respondeu. Ela sentia falta de estar verdadeiramente com todos. Sem eles, ela sentia que esquecera de viver.

Por sorte, o Albus do sonho não exigiu uma resposta. Ele apenas apertou a bochecha da ruiva, deixando irritantes marcas de dedo. Rose odiava quando o moreno fazia isso, porém, já havia tanto tempo que não acontecia que a sua única vontade foi de rir.

Ou talvez fosse a ação daquela bebida vermelha que Scorpius lhe dera.

– Eu te encontrei, como eu disse que faria. – ele disse. – Não fuja de nós outra vez.

— Não fugirei. – a resposta de Rose não poderia ter sido mais sincera.

Albus voltou a sorrir. Ele analisou a figura ao lado da prima. Parecia ter se dado conta da presença de Scorpius apenas naquele momento.

— Vocês estão juntos agora? – perguntou.

— Não. – Rose respondeu rapidamente.

— Uma pena. Eu sempre disse ao Scor que vocês dois combinavam.

A ruiva arregalou os olhos. Contente, Albus deu as costas aos dois e se perdeu em meio a multidão. Rose virou-se para Malfoy.

— Isso é verdade?! – ela indagou, confusa.

— Como eu vou saber?

De fato, não tinha como.

— Scorpius se aproximou. – E se fosse verdade?

Rose ficou momentaneamente sem palavras. Malfoy a segurou pela cintura.

— Dança comigo... – ele pediu.

Não teria porque negar se ela queria aquilo. Rose assentiu.

— Mas, antes... – a ruiva fez um sinal de espera com o dedo.

Ela puxou a garrafa com o líquido vermelho e despejou no copo. Scorpius soltou uma gargalhada.

...

Malfoy girou o corpo de Rose, que se desequilibrou e quase caiu aos tropeços. O garoto riu, mas não a soltou, evitando a queda. Rose sempre soubera que era uma péssima dançarina, só não imaginava que tanto.

Apesar disso, a ruiva se divertia horrores. Não se lembrava de rir tanto em nenhum momento lucidez.

— Você é uma tragédia dançante. – o loiro falou.

Rose ergueu o dedo do meio para ele. Scorpius apenas voltou a abraça-la.

— Você também não é lá essas coisas todas, Malfoy.

— E quando você me viu dançar?

— Agora.

— Não conta. Não é de verdade.

— Eu queria que fosse. – ela deixou escapar.

— Mas pode ser. – ele respondeu.

Outro giro. Dessa vez um bem sucedido.

— Nunca pensei sobre isso. – disse Rose com sinceridade. – Somos de mundos muito distantes.

— No entanto, compartilhamos a mesma rua. – o loiro rebateu.

— Sim.

— Nossas janelas ficam de frente uma com a outra.

— Praticamente.

— Eu te olho todas as manhãs, antes de sair de casa. Você sabe disso. Tanto que, de uns meses para cá, você tem deixado a cortina aberta.

Rose fez um movimento dúbio com a cabeça. Estava sem jeito. – Eu gosto de ver o sol nas primeiras horas do dia.

— O sol nunca foi a sua estrela preferida, ruiva.

A adolescente rolou os olhos azuis.

— Sermos vizinhos faz algo ser diferente, por acaso?!

— Talvez.

Talvez.

Inconscientemente, Rose deslizou a mão pelo peito de Malfoy, seguindo o ritmo da música.

— Tá. Talvez seja diferente, eu admito.

— Porém?

Porque existia sim um porém.

— Na vida real, o príncipe não moraria na casa ao lado.

A mão que segurava a cintura de Rose apertou de maneira mais forte. A outra, colocou uma mecha de cabelo vermelho vivo atrás da orelha da garota. Não sem antes afaga-la com carinho.

— Para quem não gosta de contos de fadas, você não acha que passa tempo demais sonhando com um?

Scorpius perguntou ao seu ouvido, mas a sua voz soou distante. Rose sentia-se perdendo o foco. Sem embargo, ela tentou encara-lo.

— O que você quer dizer com isso? – indagou.

— A realidade, às vezes, pode ser melhor do que um sonho.

A figura de Scorpius foi ficando disforme. Uma névoa esbranquiçada embaçou a visão da ruiva. Ela estava acordando.

Merda.

— Só basta você parar de nega-la.

Foi a última coisa que Rose escutou ele dizer.

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Sexta-feira, 11h57.

— Rosie...

Domi a chamava baixinho. Tamanha discrição, no entanto, não foi o suficiente. O sinal já havia tocado há alguns minutos e elas eram as únicas na sala de aula.

Elas e a Srta. Brown.

A professora fez um sinal para Dominique. Relutante, a garota pegou a sua mochila e direcionou-se para fora do cômodo.

Lavender apoiou a sua pasta no chão e sentou-se na cadeira ao lado de Rose.

— Rose? – a chamou calmamente.

Rose não se mexeu um centímetro.

— Rose... – chamou novamente.

Nenhuma resposta. Lavender Brown suspirou.

— Rose!

O chamado imperativo veio acompanhado de um barulho alto do grande eco de uma palma. Rose despertou bruscamente.

— Não! – a ruiva gritou.

Ela piscou por várias vezes seguidas enquanto olhava rapidamente ao seu redor, um pouco zonza.

— Ah, não. – lamentou por estar acordada.

— Espero que você tenha tido bons sonhos, Weasley. – falou a Srta. Brown.

Rose sobressaltou-se. A garota percebeu que não havia mais ninguém na sala além delas duas. A professora a encarava de braços cruzados. O seu semblante não parecia muito feliz, muito menos satisfeito.

Fodeu.

— Srta. Br...

Lavender ergueu o indicador impedindo que Rose continuasse.

— Eu sei que filosofia não é lá a sua disciplina favorita, Rose... – começou. – Mas, de todas as pessoas dessa classe, era de você que eu esperava um pouco mais de respeito. – disse em um tom magoado.

Rose encolheu-se na cadeira, envergonhada. A Srta. Brown era uma das professoras que ela mais tinha afinidade.

— Me desculpe. – a ruiva pediu.

— Eu creio que você terá mais tempo para pensar sobre isso. – respondeu Lavender. – Nos vemos na detenção no fim do dia.

Sem dizer mais nada, a professora se levantou com a sua pasta e saiu da sala de aula. Assim que a mulher se retirou, Rose gemeu em queixa.

Uma detenção.

Era o castigo que faltava.

A ruiva só queria não ter acordado.

Notas finais
Vou retornar em breve, eu juro. O sonho da Rose não termina por aqui, ahaha. Espero que vocês tenham gostado! Até a próxima.